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45 Capítulo 05 - Fase II - I Don't Wanna Fall To Piec
Notas iniciais
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Capítulo 05 – Fase II – I Don’t Wanna Fall to Pieces
Bella Cullen
“Eu olhei em volta
Então olhei de volta para você
Você tentou dizer
Coisas que você não pode apagar
(...)
Eu rezo para que possamos superar
Superar a queda
Superar tudo
(...)
Eu não quero cair aos pedaços
Eu só quero sentar e te olhar
Eu não quero falar sobre isso
Eu não quero conversar
Eu só quero chorar na sua frente
Eu não quero falar sobre isso
Porque eu estou apaixonada por você”
Fall To Pieces – Avril Lavigne
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– Bella? – Edward retirou o travesseiro sobre minha cabeça. – Era Kate.
Rapidamente me sentei.
– Ela conseguiu alguma coisa?
Ele assentiu.
– Ela sabe quem é?
Edward voltou a balançar sua cabeça em concordância e, evitando se concentrar em mim, desligou o seu telefone e o colocou sobre a mesinha de cabeceira.
– E quem é? – Perguntei aflita. – Me diz, Edward, quem é?
Ele se acomodou melhor na cama e me puxou para o seu colo antes de responder:
– Eu sinto muito, Baby! – Ele sussurrou, acariciando meu rosto. – É a sua mãe.
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Eu não posso dizer que estava surpresa com o que Edward acabou de me dizer. Mas, ainda assim, eu estava chocada.
É difícil ter provas, atrás de provas, que a sua própria mãe esteja empenhada em encontrar uma forma de te destruir. E era impossível não me perguntar por quê? Por que ela me odeia tanto a ponto de se empenhar em me atingir, sempre das piores formas?
Eu me aconcheguei nos braços de Edward e o abracei com o máximo de força que era capaz.
- Eu sinto muito. – Sussurrei contra o seu peito. – Sinto muito que você não tenha momento algum de paz, por minha causa e sinto muito que minha própria família esteja fazendo isso...
Apesar de não haver lágrimas em meus olhos, afinal de contas eu já esperava por isso. Eu tive apenas a confirmação. Estava claro em minha mente que só poderia ser alguém que me conhece e eu confiava demais em meus amigos para imaginar que poderia ser um deles... Ainda assim, por dentro, eu estava me sentindo arrasada, como se toda a minha energia tivesse sido sugada.
Edward, posicionou sua mão sob o meu queixo e me fez levantar a cabeça, encontrando o seu olhar.
- Não há motivo algum para sentir muito... Não é sua culpa. – Ele sussurrou.
Eu assenti e voltei a esconder minha cabeça em seu peito.
Eu não queria falar sobre isso. Não queria conversar. Eu só queria, continuar como estava e tentar encontrar uma forma de resolver isso.
- Bella... – Edward começou, mas eu o interrompi.
- Por favor, não vamos falar sobre isso... Não agora.
Felizmente, Edward respeitou o meu pedido e apenas passou seus braços ao meu redor, colando meu corpo, o máximo possível, ao seu.
...
Por boa parte da noite, eu apenas fiquei observando a forma como Edward dormia. A maneira como seu peito subia e descia acompanhando sua respiração, os pequenos e baixos resmungos. E a cada segundo nessa contemplação meu amor por ele só aumentava, assim como a apreensão por estar, constantemente lhe trazendo tantos problemas.
O dia estava apenas começando a amanhecer quando eu me levantei, caminhando nas pontas do pé, para evitar acordar Edward e alcancei meu telefone celular.
Uma noite inteira acordada e eu ainda não tinha chegado à conclusão nenhuma. Não tinha encontrado nenhuma forma de resolver o problema que tinha em mãos, então minha única opção seria enfrentar isso de frente, confrontando a responsável.
Fechei a porta do quarto com o máximo de cuidado possível e segui até a casa de piscina, onde Edward e eu já tivemos tantos momentos íntimos e intensos.
Uma brisa fresca atingiu o meu corpo, e eu fechei os meus olhos por alguns segundos apreciando a sensação.
Me sentei na escada de frente para a piscina, pensando que a proximidade com o nosso lugar especial seria ideal para, ao menos, tentar me manter calma, mas sem querer entrar sem estar acompanhada por Edward e para, provavelmente, iniciar uma discussão, com alguém que imaginei nunca mais precisar falar.
Deixei que meus dedos deslizassem pelas teclas até encontrar o número do lugar que um dia eu chamei de casa e levei o celular ao ouvido. Esperei que a ligação fosse atendida enquanto meu pé tamborilava pelo chão.
- O que você quer? – Disse assim que Rennée atendeu ao meu telefonema, sem me importar com a sua voz sonolenta. – Por que está fazendo isso?
- Você demorou... – Ela comentou em tom debochado, o que só me fez reprimir a vontade de xingá-la. – Eu pensei que iria cumprir a promessa de sair de nossas vidas, esquecer que existimos e tudo o mais o que falou antes de deixar Forks... Você deixou Charlie impressionado.
- Eu queria ter sumido, mas você veio atrás de mim, não é? — Respondi, sem tentar evitar a pontada de ironia e desgosto por ter que estar tendo essa conversa.
- Ora, você sinceramente esperava que não fosse querer um pouco de conforto em minha velhice, com meus filhos tão bem de vida... — Murmurou sem deixar de lado o tom totalmente irônico, mas diferentemente do meu, o dela tinha a clara intenção de me magoar. — Depois de tudo o que fiz por você, filha...
Ela fez uma pausa, como se para escolher bem as palavras que usaria em seguida.
- Ou, como você acha que me senti, vendo minha filhinha dando entrevistas, fazendo um filme... — Suas palavras poderiam comover qualquer um, mas reconhecia facilmente sua acidez e seu sarcasmo. — E agora que Charlie se foi... Só tenho vocês.... Você e Jasper...
- O que você pretende com isso, Renée? Me comover, me fazer acreditar que é a boa mãe que nunca foi?
Ela poderia tentar enganar qualquer pessoa, poderia continuar com esse discurso de mãe atenciosa, mas eu a conhecia muito bem. Sabia que Jasper e eu nunca significamos nada para ela.
Tive a impressão de ouvir um soluço, que soou tão semelhante aos que treinávamos para os filmes e revirei meus olhos, só sentindo minha raiva por ela aumentar.
— Não fale assim comigo, filha... Você sabe... Sinto sua falta...
- A quem pretende enganar com esse discurso de mãe zelosa uhn?
- Filha... Você não sabe como me sinto... Sem nada de você pertinho de mim para matar a saudade... Se tivesse, ao menos algo seu comigo, para lembrar de você, talvez sumisse como você quer... — Dizia num tom falsamente choroso.
Eu ainda mantive o telefone em meu ouvido por alguns segundos, tentando controlar o asco que sentia por ela se tornando cada vez maior. Ela não tinha sido direta, mas eu sabia muito bem o que ela queria de mim, a única forma de fazê-la me deixar em paz... Só precisava descobrir o preço.
...
Eu permaneci sentada na escada, meus olhos presos nas pequenas ondulações que o vento causava na água limpa da piscina, tentando encontrar uma forma de colocar meus pensamentos em ordem.
Meus dedos brincavam com as teclas do celular, sem pressionar nada especifico, apenas provocando um bip baixo e constante, como se isso pudesse, de alguma forma, aliviar a tensão que percorria todo o meu corpo.
- Senti sua falta... – A voz de Edward chegou aos meus ouvidos, no mesmo momento em que senti suas mãos deslizarem por meu ombro, o apertando suavemente.
Fechei meus olhos apreciando o formigamento que seu toque me causava.
- Eu sempre sinto a sua falta... – Sussurrei de volta.
Eu ainda estava com os olhos fechados quando senti um leve pressionar de lábios no local onde antes estavam suas mãos.
Um pequeno e tímido sorriso se formou em meu rosto e me virei em sua direção, o encontrando abaixado, próximo a mim.
- A cama está fria sem você... – Ele comentou, os olhos — presos nos meus, ainda sonolentos.
Passei minha mão por seu cabelo desalinhado, sentindo a maciez entre meus dedos.
- Como eu posso me redimir? – Aproximei meu corpo ainda mais do seu e lhe deu um sorriso travesso.
- O que está fazendo aqui fora, sozinha?
Edward se colocou de pé e estendeu suas mãos em minha direção, me ajudando a levantar.
- Não conseguia dormir... E não quis te acordar. – Desviei meu olhar, não querendo que ele fosse capaz de ver mais do que eu estava disposta a lhe dizer. – Sinto falta de passar algum tempo aqui... – Apontei para a casa de piscina. – Com você.
Edward sorriu para mim. O meu sorriso torto predileto.
Era impossível não sentir meu coração inflar só de olhar para ele.
Antes que eu pudesse me preparar, ele já me tinha em seus braços, me fazendo soltar um grito agudo de surpresa.
- O que você está fazendo? – A diversão em minha voz entregava o quanto estava adorando a sua atitude.
Edward subiu o pequeno lance de escadas tão rápido que precisei prender meus braços em volta de seu pescoço, com medo que ele me deixasse cair. Quando dei por mim, já estávamos dentro do nosso lugar especial.
- Seus desejos são uma ordem... – Ele disse suavemente, seus lábios colados ao meu ouvido.
Meu corpo foi repousado sobre a grande cama que ocupava um dos cantos da espaçosa casa de piscina e, imediatamente, meus olhos percorreram o local, encontrando o ofurô e minha mente foi inundada pelas lembranças da nossa noite de núpcias, a forma como Edward delicadamente me carregou até lá e se sentou atrás de mim, a água quente ao nosso redor, enquanto fazia com que suas mãos deslizassem por meu corpo...
- Perdida em memórias, Sra. Cullen? – Dessa vez, suas palavras foram pontuadas por beijos molhados em meu pescoço. – Você sabe que podemos providenciar memórias novas, não é?
- Oh Edward... – Minhas mãos se prenderam em seus braços, tentando trazê-lo para mais perto de mim.
- Eu quero tocar cada parte... Quero beijar cada parte... – Ele sussurrou com a voz rouca, se afastando, deixando que seus beijos alcançassem uma de minhas pernas nuas.
Edward parou por um instante, se colocando sobre seus joelhos, seus olhos percorrendo cada centímetro do meu corpo.
- Eu já disse o quanto amo te ver vestindo uma das minhas camisas?
Eu sorri em resposta.
Um som tão despreocupado e relaxante preencheu o ambiente, que nem parecia ter saído de mim.
- Me diga que você não tem mais nado por baixo...
- Eu acho que você terá que descobrir...
Pisquei para ele, flertando como há algum tempo não fazíamos.
- É exatamente o que pretendo fazer...
Suas mãos foram até minha perna e a levantou até que minha pele encostou em seus lábios.
- Você fica ainda mais linda assim... – Seus beijos alcançaram a parte de trás de meu joelho, me fazendo se contorcer.
Seus lábios continuaram a subir até minha coxa, ponto aonde eu não agüentei mais e agarrei seus cabelos, não querendo que ele se afastasse.
- Seja uma boa menina e me deixe brincar... – Seus lábios começaram a sugar minha pele e eu gemi, descaradamente alto.
- Oh por favor...
- Coloque seus braços para cima... – Pediu, forçando meus dedos a soltarem seus fios acobreados. – Me dê uma boa visão...
Estendi meus braços, agarrando a cabeceira da cama.
- Oh yeah! Isso baby... – Ele gemeu em aprovação, antes de conceder o mesmo tratamento de beijos e sucções em minha outra perna.
Lentamente, mais lentamente do que eu gostaria, seus dedos se ocuparam de desabotoar a camisa que eu usava, me expondo ao seu olhar.
- Eu acho que vou ter que me livrar dela... – Edward contornou o cós da calcinha de renda que eu usava, a retirando logo em seguida. – Mmm eu quero gravar essa imagem para sempre em minha mente.
Eu estava tomada pela antecipação, tão desejosa por ele, que tudo o que era capaz de fazer era choramingar, implorando para que ele me fizesse sua, uma vez mais.
Ele se inclinou sobre mim, seus beijos agora sobre meus seios e descendo, fazendo um caminho tortuoso que o levou diretamente para onde eu mais o queria.
Meu corpo inteiro estremeceu quando sua língua percorreu minha intimidade. Era impossível manter minhas mãos afastadas, então voltei a prender meus dedos em seu cabelo, o puxando mais do que deveria, mas sem conseguir me conter diante dos deliciosos e molhados beijos íntimos que Edward distribuía.
- Venha para mim, Bella... – Sua respiração acertou em cheio minha carne pulsante no momento em que ele deslizou dois de seus ágeis dedos para dentro de mim.
Ele não precisou pedir novamente. Apenas alguns e precisos movimentos depois eu já estava ofegante, minhas pernas prendendo Edward, meus lábios murmurando seu nome, inúmeras vezes.
- Deliciosa... Você é deliciosa. – Ele disse, depois que afrouxei meu aperto, permitindo que ele colocasse todo seu corpo por cima do meu.
Sua boca atacou a minha e eu gemi em deleite ao sentir meu gosto em seus lábios.
- Eu preciso de você... – Enlacei sua cintura com minhas pernas, meus pés tentando, atrapalhadamente, se livrar da calça de moletom que ele usava.
Edward se afastou apenas por alguns segundos, e quando voltou eu pude sentir toda a sua excitação, roçando contra minha coxa.
Voltei a enlaçar a sua cintura.
Suas mãos percorreram a lateral do meu corpo, até alcançar meu quadril e o apertou, para logo em seguida, investir contra mim.
- Oh Deus! – Gemi, sentindo como ele me preenchia.
Edward voltou a atacar minha boca, abafando os sons desesperados que tentavam sair enquanto eu o senti me preencher completamente.
Ele não disse nada, mas seus olhos estavam presos no meu e me diziam tudo o que eu precisava saber, no momento em que ele se derramou em mim, me fazendo explodir junto com ele.
...
Permanecemos sobre a cama desarrumada, nossos corpos enroscados, até que eu precisei me levantar e começar a me arrumar para mais uma consulta com Dr. Denali.
- Você quer que eu vá com você? – Edward perguntou gentilmente, quando eu já estava devidamente arrumada.
Neguei com um movimento de cabeça. Essa era sempre a minha resposta, mas conhecendo Edward como conheço, ele nunca deixaria de perguntar.
- Se você precisar que eu te busque... – Ofereceu, após me dar um beijo rápido. – Me ligue se precisar de alguma coisa.
- Eu vou ficar bem... – O abracei, sentindo seu calor me envolver. – É só mais uma consulta... Não precisa se preocupar tanto.
...
Me acomodei em uma das confortáveis poltronas da sala de espera do consultório do psiquiatra mais renomado de Los Angeles, tentando ignorar o olhar dos outros pacientes.
Firmei meu olhar sobre a pilha de revistas, sentindo minhas mãos suarem, denunciando o nervosismo que sempre me tomava quando estava prestes a me consultar.
Meus olhos encontraram a imagem de Rose e Emmett estampados em uma das capas de revista e meu coração se apertou um pouco mais, de saudade.
Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, acabei negligenciado o que sempre prezei mais: meus amigos.
Fechei meus olhos, desejando que eu não tivesse tantas coisas em minha mente e querendo ter um tempo de qualidade com meus amigos e marido... Apenas um momento para conversar despreocupadamente, sorrir, brincar...
Alcancei meu celular e enviei uma mensagem para Edward, lhe falando sobre meus planos de ter um jantar, em casa, no próximo fim de semana.
Ele me respondeu, menos de um minuto depois, dizendo que era uma ótima idéia e que ele mesmo ligaria para Emmett e Jasper.
Não poderíamos ter Ben conosco durante o próximo fim de semana, mas estaríamos muito bem acompanhados.
...
Como cheguei cedo demais ao consultório precisei esperar por mais de meia hora até que fosse atendida, o que realmente não era um problema tão grande. Não até os outros pacientes começarem a me reconhecer e apontarem para mim e cochicharem me deixando, absurdamente constrangida.
Eu tentei não dar importância a isso, mas era incomodo demais, então eu me levantei e dei as costas a todas aquelas pessoas, parando em frente a uma ampla janela, meus braços cruzados contra o peito, tentando ignorar tudo ao meu redor.
Quando finalmente meu nome foi chamado, fazendo com que os que ainda tinham duvidas sobre quem eu era, também dirigissem seu olhar em minha direção, eu apenas abaixei a minha cabeça e segui em direção ao consultório.
Fechei a porta atrás de mim e me recostei nela, deixando que um suspiro escapasse por meus lábios, enquanto cerrava meus olhos.
- Muito bom lhe ver novamente, Bella... – A voz do Dr. Denali soou tão alegre como sempre. – Como você está?
Eu o cumprimentei com um aceno de cabeça e caminhei até o ridículo divã branco do outro lado do consultório. Me sentei, apenas para levantar no segundo seguinte.
- Nervosa? –Ele questionou, recostando seu corpo na cadeira, de forma que seu corpo assumiu uma postura muito mais amigável do que profissional.
Deixei que meus olhos o encarassem por um instante, ainda não, totalmente, acostumada, ao fato de ele não ser tão idoso quanto imaginei quando meu sogro, Carlisle, me falou sobre ele e como me sentiria muito mais a vontade se ele fosse.
Dr. Denali tinha ótima aparência, quase tão boa quanto à de Carlisle Cullen, não que isso seja um fato realmente relevante, já que assim como Carlisle, eu o vejo apenas como alguém com que posso contar... A grande diferença aqui, é que, em meu coração, Carlisle havia assumido a posição de meu pai, no dia em que aceitou me conduzir até Edward no dia do nosso casamento e o Dr. Denali... Bom, ele era apenas alguém a quem eu pagava uma pequena fortuna para poder ter as minhas crises de pânico sem enlouquecer ninguém no processo. Mas, era inevitável que após tantas consultas e com ele sabendo de tudo pelo que passei e tentando me manter sã, eu não começasse a vê-lo quase como um amigo.
Suspirei e passei a caminhar pela sala elegante, que parecia tudo, menos um consultório.
- Você se importa de sentar? Está começando a me deixar tonto...
Fechei minhas mãos em punhos e voltei a me dirigir ao divã, sentando na ponta. Imediatamente meus pés começaram a tamborilar.
- Você tomou a sua medicação hoje?
Eu odiava a forma como ele ia sempre ao ponto e como ele sempre conseguia chegar ao X da questão. Mas acho que era exatamente isso que sua profissão exigia que ele fizesse.
Foquei meu olhar em minhas mãos, que estavam tremulas e respondi com um gesto negativo de cabeça.
- E você se importa em me dizer “por que”?
- Veja bem... – Comecei, antes mesmo que ele terminasse de falar. – É que... – Fiz uma pausa e levei minhas mãos aos cabelos, os puxando um pouco mais forte do que pretendia. – Você sabe que eu nunca fui muito a favor de tomar essas coisas e... – Olhei em sua direção e sua expressão não me deixava saber o que ele estava pensando – o que não era, realmente, nenhuma novidade.
Ele fez um gesto com a mão me dizendo para continuar.
– Está bem. O fato é que: teve um dia em que eu estava mais nervosa do que o normal, minha ansiedade estava a ponto de me... Bom, eu acho que você pode dizer que eu estava a ponto de ter uma crise de pânico e eu não podia deixar isso acontecer naquele momento... Ben estava em casa pela primeira vez e eu... Aconteceu que eu tomei duas pílulas... – Eu arrisquei um novo olhar em sua direção e mais uma vez, sua expressão era complemente neutra. – Eu sei... Eu sei que deveria ter sido uma só, mas é... Enfim, me arrependi no minuto seguinte, mas não existia nada que eu pudesse fazer, certo? E então, eu passei todo o dia e boa parte do seguinte me sentindo letárgica, mais letárgica que o normal e minhas mãos tremiam e...
- Isso porque você aumentou a dose sem um acompanhamento medico, é obvio que haveria efeitos colaterais.
Eu quase revirei meus olhos para ele. Ele não ouviu nada do que eu acabei de dizer?
- Você sabe o quanto isso é perigoso, não é? – Ele continuou, agora batendo com uma caneta sobre a mesa, seu rosto tão impassível quanto antes. – Então, você decidiu suspender o uso dos seus remédios por conta própria?
- Eu queria me sentir melhor... – Foi só o que eu conseguir responder em minha defesa.
- Você se sente melhor? – Dr. Denali indagou imediatamente. – Por que você está visivelmente mais ansiosa do que em nossa ultima consulta...
Eu não poderia negar que estava mesmo ao ponto de perder o controle, mas não estava muito certa se era pela falta das pílulas ou pela conversa que tive pela manhã com minha mãe ao telefone.
- Existe uma razão pela qual eu receitei a medicação, Bella. – Ele continuou. – Ela ajuda a diminuir a sua ansiedade, e com sua ansiedade sobre controle, evitamos uma nova crise de pânico... – Ele fez uma pausa, tentando captar a minha atenção. – Sem medicação, nível alto de ansiedade, crise de pânico eminente.
Eu concordei com um aceno de cabeça, cansada de ouvir esse mesmo discurso todas as vezes que tínhamos uma consulta.
- Certo... Por que você não me diz o que lhe deixou tão nervosa a ponto de pensar que precisava de duas pílulas?
Cerrei meus olhos tentando, inutilmente, manter minhas emoções sobre controle.
Acho que permaneci tempo demais assim, porque a próxima coisa de que me lembro é de Dr. Denali, se remexendo ao me dizer:
- Você não acha que essa consulta pode ser muito mais produtiva se você me disser qual é o problema, em vez de ficar aqui, parada, com os olhos fechados, por boa parte do tempo que temos?
Eu mantive meus olhos abertos, mas ainda estava me sentindo beirar o desespero, então não consegui dizer nada.
- Certo... Esse é o motivo pelo qual você está tão inquieta?
Elevei meu olhar até encontrar sua mão para cima, segurando uma revista.
- Ahh, qual é?! – Choraminguei. – Por que você leu esse lixo?
- Faz parte do meu trabalho... – Ele respondeu, repousando a maldita revista sobre a sua mesa.
- Seu trabalho é evitar que eu surte completamente. – Acusei, irritada.
- E como posso fazer isso sem saber o que acontece com você?
- Você já sabe tudo o que está escrito aí... – Meu tom de voz aumentou uma oitava. – Eu já te falei tudo o que tem para falar sobre isso.
- E ainda assim, pelo que parece, precisamos falar mais... Me diga, o que a incomoda tanto sobre essa matéria?
- O que? – Me coloquei de pé e voltei a caminhar sem rumo. – O que me incomoda? Você leu o que está escrito aí? O que dizem sobre mim? É tudo mentira!
- Nem tudo... – Ele ponderou.
- Jacob não era meu namorado! – Parei em frente a sua mesa, botando as mãos na cintura. – E nós não sabíamos que éramos irmãos até o dia em que ele...
Por mais que eu me esforçasse, não conseguia pronunciar as palavras.
- Até o dia em que ele cometeu suicídio? – Dr. Denali completou em forma de pergunta, mesmo sabendo muito bem qual era resposta.
- E... E ele fez... Fez isso por que... Por que...
- Nós já falamos sobre isso e você sabe que não é sua culpa.
- Eu sei. – Respondi, sentindo as lágrimas começarem a sair.
Por mais que eu continuasse a repetir, inúmeras vezes, que não era minha culpa, eu simplesmente não conseguia deixar de pensar que se não fosse por mim, Jacob ainda estaria vivo.
- O que, realmente, a incomoda nessa revista?
- Eu não quero que as pessoas, que ninguém saiba, sobre Jacob... Que falem sobre nós... – Respondi sinceramente.
- Por quê?
- Porque eu não quero que elas saibam o que aconteceu. Não quero ter que falar sobre isso...
- O que exatamente você não quer que as pessoas saibam?
Eu odiava, com toda minha força, a forma como ele sempre desejava que eu dissesse as palavras.
- Eu não quero que saibam o que Jacob, Embry e Sam fizeram...
Dr. Denali manteve seus olhos sobre mim, claramente me instigando a continuar.
- Não quero que saibam que fui violentada...
E assim que a palavra saiu da minha boca, como em todas as outras vezes, eu não fui mais capaz de controlar o choro.
- Eu sou quero esquecer isso, okay? – Falei em meio às lágrimas. – Esquecer tudo isso. Esquecer Jacob, Sam... Essas malditas revistas. Renée... Tudo isso.
Ele levantou lentamente de sua confortável cadeira e caminhou até o frigobar do outro lado do espaçoso consultório e logo em seguida em minha direção. Ele me ofereceu uma garrafa de água mineral, que eu prontamente aceitei e logo em seguida me estendeu sua mão, revelando um pequeno comprimido.
Eu precisei de longos minutos até que consegui, finalmente, colocar o comprimido em minha boca e tomar um gole generoso de água.
Dr. Denali, me conduziu de volta ao divã e eu me acomodei, dessa vez deixando que meu corpo se deitasse.
- Renée fez isso... – Falei por fim, ainda sentindo as lágrimas escorrendo. – Essa revista, o que está escrito aí... E vai continuar fazendo, ao menos que eu dê a ela o que ela quer...
- Ela é minha mãe... – Continuei quando a pausa se tornou grande demais para a minha sanidade. – É suposto que ela deveria me proteger, cuidar, amar... como Esme faz com Edward, como eu faria com Ben, se ele fosse o meu filho... Mas, tudo o que ela quer é...
Eu estava voltando a soluçar e tudo o que eu queria era que aquele maldito remédio fizesse efeito logo, porque eu estava muito, muito próxima de desmoronar.
- Eu não entendo. Por que ela faz isso? Por que ela me odeia tanto? O que foi que eu fiz para... Eu gostaria de esquecer que ela existe, que ela é minha mãe e que...
Droga! Era simplesmente pior do que eu conseguia descrever porque toda vez que eu lembrava que Rennée estava disposta a me destruir, se necessário para conseguir o que queria; eu sentia como se meu coração estivesse sendo apunhalado.
- Ela acha que é minha culpa, sabe? Que tudo é minha culpa... – Continuei, sem me importar com a forma como meu corpo estremecia, sem me importar com o fato de, naquele momento, ser totalmente incapaz de me controlar. – Ela acha que eu dei esperanças demais a Jacob... Não! Na verdade, ela acha que eu inventei tudo...
- Eu não inventei. Eu juro! – Me encolhi, abraçando meus joelhos. – Aconteceu! E não tem um dia sequer que eu consiga não lembrar disso.
...
Algumas lágrimas ainda rolaram antes que a consulta acabasse, mas definitivamente, me sentia melhor tendo desabafado um pouco do que sentia. Fora dali eu precisava ser forte e estável, como Edward precisava que fosse e dentro do consultório, apenas diante do Dr. Denali podia deixar fluir todos os meus medos.
...
A semana passou sem grandes acontecimentos – tirando o fato que tive que fazer uma generosa transferência para a conta de Rennée; e eu estava agradecida com isso.
Quando dei por mim, o fim de semana tinha finalmente chegado e eu estive ocupada durante todo o dia de sábado, preparando, pessoalmente, o jantar para os meus amigos.
Edward revirou os olhos quando insisti em cozinhar, dizendo que poderíamos contratar alguém ou até mesmo encomendar comida pronta, mas eu queria cuidar dessa parte. Sempre gostei de cozinhar e era um prazer fazer isso para as pessoas que amo.
- Esme e Carlisle, não vêem mesmo? – Perguntei a um Edward, recém saído do banho, assim que consegui subir ao quarto para me arrumar.
- Eles decidiram tirar o fim de semana de folga... – Ele respondeu, me abraçando por trás, seus braços circulando a minha cintura. – De volta, a terra natal.
Fechei os olhos, sentindo seu cheiro me inebriar.
- Mmmm você cheira divinamente.
Enlacei meus dedos nos dele.
- Londres? – Questionei, me referindo ao local em que meus sogros estavam. – Não posso culpá-los por não virem então...
- Você gosta de lá? – Edward sussurrou em meu ouvido, distribuindo beijos molhados por toda a pele exposta do meu pescoço. – Sente saudade?
- Eu gosto de qualquer lugar onde você esteja. – Respondi, saboreando a sensação de seus lábios em mim.
Edward me virou em sua direção e sorriu de forma gloriosa para mim.
Me perdi em seu olhar, que brilhava tão intensamente.
- Eu te amo! – Sussurrei, tomada por uma vontade incontrolável de fazer com que ele soubesse que era o único dono do meu coração, de minha alma.
- Eu sei. – Ele sussurrou de volta. – Eu também te amo!
Era, simplesmente, glorioso estar assim com ele, o sentindo tão perto de mim, dizendo que me amava e seus olhos confirmando cada palavra, mas quando suas mãos começaram a percorrer minha coluna, em direção ao sul, eu precisei de toda a minha força de vontade para afastá-lo.
- Jasper e Alice vão chegar a qualquer momento. – Lhe dei um sorriso apologético. – Você sabe que Alice, não é capaz de deixar de estar adiantada.
Ele me olhou de uma forma tão tristonha, que eu simplesmente não consegui resistir.
- Por que você não me acompanhar no banho? – Sussurrei provocativamente.
- Eu já tomei banho... – Ele respondeu, divertido.
- Bom, se isso é um empecilho... – Respondi, seguindo em direção ao banheiro e retirando a blusa que usava, sem me importar com o olhar guloso de Edward.
Um segundo depois, ele estava ao meu lado, me ajudando a me livrar das minhas roupas e me colocando colada a parede do boxer. A água norma caia sobre nossos corpos enquanto Edward se movimentava, me arrancando gemidos incoerentes.
Foi rápido, afinal não queríamos acabar flagrados por uma anã hiper ativa, também conhecida como minha melhor amiga e cunhada. Mas, ainda assim foi... Indescritível.
...
Quando eu finalmente consegui acabar de arrumar e descer, todos já haviam chegado.
Edward estava sentado em uma de nossas poltronas, uma cerveja na mesinha de centro a sua frente, seu violão em seu colo, enquanto nossos amigos o rodeavam.
Ele sorriu para mim e piscou.
Oh Deus! Existe algum buraco em que eu possa me enfiar?
Devolvi o seu sorriso, corando furiosamente.
- Muito indelicado da sua parte nos deixar esperando... – Alice comentou parando ao meu lado, fingindo uma carranca.
- Bom, eu não tinha ninguém para me ajudar a se arrumar...
Seus olhos brilharam.
- Não tente me enrolar, Isabella.
Gargalhei para a forma como ela pronunciava o meu nome.
- Eu sei muito bem o que vocês dois estavam fazendo para que a Sra. se atrasasse.
Eu me inclinei um pouco, deixando meu rosto próximo ao seu ouvido.
- Você não acha que eu estou com a pele ótima? – Sussurrei em tom conspiratório.
Alice tombou sua cabeça para trás e gargalhou tão alto que todos pararam o que estavam fazendo para nos olhar.
Mesmo um pouco constrangida, foi impossível não acompanhá-la.
- Humm podemos saber o que é tão engraçado? – Rose perguntou, fazendo um biquinho. – Ou vocês duas vão continuar me deixando de fora?
- Ohhh Rose! – Alice começou, se jogando sobre ela. – Não fique com ciúmes... Tem amor aqui para todos. – Muitos beijos foram dados no rosto de Rosalie, que tentava se esquivar.
- Pare com isso, Alice! – Rose tentou se manter séria, mas era uma cena impagável demais para que ela não acabasse gargalhando, como todos.
O som da campainha interrompeu nossa interação.
- Alguém pediu algo? – Perguntei, já iniciando os poucos passos que me levariam até a porta. – Por que eu fiz uma montanha de comidas e...
Minha voz sumiu no momento em que eu abri a porta e me deparei com a pessoa do outro lado.
O ambiente antes repleto de sorrisos ficou em silencio e antes que eu conseguisse me recuperar do choque, Edward já estava ao meu lado.
- James? – Ele disse, em um tom de voz, nada amigável.
- Cheguei em um mal momento? – O loiro disse, com um discreto sorriso que realçava seus olhos azuis. – Vocês estão dando uma festa?
CONTINUA...
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