Starlight
1 Capítulo 1 - You’re always dancing with the dark
Notas iniciais
É como se você realmente estivesse sempre dançando com a escuridão, mesmo quando está apenas encostado no bar olhando demasiadamente na minha direção.
Não me arrisco em dizer que está olhando realmente para mim, seria ingenuidade e ilusão demais presumir isso, como se eu realmente tivesse alguma chance de conquistar a sua atenção.
No pior dos cenários eu ainda sim não me imaginaria pensando em você. Veja bem, não por mal, até porque você já preencheu uma bela quantidade dos meus sonhos antes mesmo de dividirmos os nossos dias no período letivo. Mas sempre de uma forma tão distante, que com o tempo eu passei a não deixar que você, o garoto de ouro da nossa casa, fizesse parte desses sonhos.
O que é engraçado, já que agora tudo o que eu pareço fazer é pensar em você mesmo acordada. E isso sempre faz com que involuntariamente os meus lábios protagonizem um sorriso.
Enquanto o meu corpo insiste em ser possuído por movimentos provavelmente pouco graciosos ou atraentes, dominando o pequeno espaço que eu me apossei na pista, você segue ali parado, observador e quase infiltrado na tal escuridão. Se é que de fato eu posso dizer isso, ou se talvez esteja apenas fazendo essa associação devido ao seu passado.
É preciso um pouco de coragem movida pela quantidade desconhecida de vinho que eu ingeri desde o começo da noite, para que eu então caminhe até você e num súbito momento de real coragem puxe assunto sobre como estamos combinando.
Não que eu me ache realmente digna de fazer essa comparação, por Merlin, você faz a minha cor preferida parecer algo precioso em sua camisa enquanto em mim é apenas um complemento do que eu irracionalmente gosto.
Mas é surpreendente absorver a facilidade com a qual consigo te deslocar até parte do meu mundo, do meu pequeno mundo nessa pista que eu passei a achar cheia demais desde que você chegou. Porque não podemos estar em um local apenas nós dois? Porque os meus braços não podem simplesmente brincar em volta da sua cintura, onde eu tenho certeza que eles fariam um trabalho perfeito em preencher.
Seu olhar é divertido enquanto tenta acompanhar os meus passos, mantendo uma distância desnecessariamente segura entre nossos corpos.
Por Merlin, Malfoy! Eu poderia dirigir um filme, assim como a música que não sai da minha cabeça manda, apenas para poder olhar para você sem nenhum constrangimento. Você é tão o tipo de pessoa que eu passaria horas apenas assistindo. Por mais bobo que isso soe.
É quase como se meu corpo pudesse entrar em combustão instantânea quando você permite que meu rosto repouse em seu ombro. Deixando assim que seu cheiro de canela adentre todo o meu ser enquanto eu tento nervosamente tagarelar sobre a música que toca, buscando evitar de falar o quanto a mesma me faz pensar em você. Por Merlin, que eu não te assuste, que eu não te afaste. Que seus braços nunca mais saiam desse local seguro que meu corpo preparou para eles.
Ouvir você dizer que já é tarde, ou cedo demais, como você insistiu em brincar, é uma tortura. Porque pensar em algo tão banal quanto o tempo quando eu poderia simplesmente viver em looping nesse momento?
— Você já viu o nascer do sol daqui? — pergunto reunindo todas as esperanças que ainda me restam de prolongar esse momento. Felizmente você se limita em sorrir enquanto fala calmamente um não e me oferece a mão como um convite para que possamos sair dali.
Por Merlin! Pelo meu querido, Merlin! A sua fama por dentro dos corredores do castelo poderia sem dúvidas ser real, mas eu não me importaria se nesse momento eu pudesse protagonizar um dos seus rápidos romances de uma noite. E eu espero que você tenha se dado conta disso enquanto me guia por entre as pessoas até a saída.
A coloração clara que vem ameaçando tomar conta do céu infla o meu ser. Como se fosse um cronômetro para o momento onde você simplesmente vai sumir e se tornar apenas uma lembrança. Uma lembrança que eu tenho medo com todo o meu ser não ter eternizado da melhor forma na minha mente. Eu deveria ter me aproximado antes, não deveria?
Você apenas segue em silêncio, quebrando o mesmo apenas para perguntar se não estou com frio. E se não fosse você falar talvez eu nunca tivesse percebido o quanto minhas mãos estão frias, o que talvez nem ao menos seja pelo clima mas sim pelo nervosismo.
O cheiro da sua camisa inunda ainda mais o meu ser enquanto você passa de forma delicada o seu casaco sob os meus ombros. Por Merlin, Malfoy, não me peça para te devolver esse casaco! Ou se possível, garanta que esse cheiro jamais saia do meu ser.
— É tão calmo — você comenta ainda segurando a minha mão quando enfim paramos. Eu ouso entrelaçar os nossos dedos e você simplesmente permite.
— Eu gosto da forma como a escuridão perde o protagonismo, sabe? — questiono sem de fato esperar uma resposta — Gosto de ver o céu tomar uma nova vida, mostrando que realmente algo está começando.
Você ri de uma forma tão singela que eu quase não tenho tempo de sentir a insegurança por estar novamente tagarelando.
— É bom ver algo começando.
E é então que após um silêncio quase desconfortável o seu corpo é projetado atrás do meu, sem em momento algum soltar a minha mão. Por Merlin, por meu querido e amado Merlin! Obrigada por simplesmente me segurar pois sem isso eu provavelmente cairia nesse momento, da forma mais boba, simplesmente não conseguindo sustentar a vontade de que esse momento fosse real e não acabasse. Sentir os seus braços em volta de mim e o seu queixo repousando no topo da minha cabeça me faz fantasiar que você sente o mesmo.
Quando eu enfim resolvo olhar para você, esticando o meu pescoço para trás você parece ler os meus pensamentos e protagoniza o meu sonho. O meu sonho daquela época remota da minha infância, fazendo com que tudo o que antecedeu a esse momento soasse como pequeno.
Eu simplesmente não consigo conter o riso que toma conta dos meus lábios e você passa a sorrir junto.
— É, agora está cedo demais — você comenta com seu rosto ainda próximo do meu — Acho melhor eu te levar para casa ou garantir que encontre suas amigas.
— A minha ou a sua? — pergunto com a voz carregada de inocência mas ganhando uma gargalhada espontânea sua.
— Eu não acho que eu conseguiria dizer não para qualquer coisa que você me pedisse — você responde em um tom quase que de confissão apertando mais os seus braços em volta de mim.
Seria essa então a sua forma de conquista? Por Merlin, se sim eu entendia ainda mais nesse momento a forma com a qual você manteve a sua fama tão vivida pelos corredores de Hogwarts.
— Quando o vinho não estiver mais exercendo nenhum efeito sobre você — suas palavras vinham acompanhadas de um longo suspiro, como de quem luta contra algo que quer muito — Eu posso te levar a onde você quiser.
Antes que eu pudesse responder você girou o meu corpo, como se me tirasse para dançar, contradizendo a sua desculpa de não ser um bom dançarino e tomou então posse dos meus lábios. E eu não me importo em frisar a palavra posse, você de fato tomou posse de algo que desde aquele momento só poderia ser seu. Assim como eu por completo sabia desde aquele momento que eu só poderia ser sua, esquecendo de todos os que antes de você protagonizaram momentos que ao lado desse, pareciam piada.
Como o cavaleiro que ninguém nunca ousou mencionar por entre os corredores da nossa antiga escola, você simplesmente tomou minha mão e aparatou até a minha casa. Pousando então um beijo no topo da minha testa acompanhado de um boa noite que eu daria tudo para ouvir todas as noites dali em diante.
É engraçado pensar que naquela noite qualquer de Maio os meus sonhos mais adolescentes passaram a ser realidade, como se eu enfim fosse a protagonista de uma comédia romântica daquelas que as pessoas assistem repetidas vezes apenas para encontrarem um conforto. Eu pelo menos assistiria repetidas vezes para poder sentir de novo o meu coração inflar com tudo o que esse rápido par de horas me proporcionou.
Por Merlin, Malfoy! Receber o seu recado na tarde seguinte parecia ser um empate no quesito momento mais importante de todos os tempos, competindo apenas com a noite anterior.
Eu não consigo mensurar as horas que passei apenas buscando a melhor forma de me vestir para você, torcendo para que você usasse mais uma vez a minha cor preferida apenas para que eu garantisse um assunto para puxar com você.
As suas palavras ao decorrer de uma tarde são como um poema recitado de forma casual mas compenetrante, com os seus olhos sempre tão atentos em casa movimento que as minhas inquietas mãos fazem enquanto eu tento te prender em algum assunto qualquer que se passa pela minha cabeça.
— Eu queria poder ficar mais com você — assumo preguiçosamente percebendo que a escuridão volta a querer tomar conta do céu.
— Porque? — sua pergunta é tão séria e seu rosto tão atento que eu desejo não ter começado esse assunto.
— Eu só não queria terminar isso aqui — revelo com sinceridade contando mentalmente os segundos até que você desista de passar um tempo com alguém tão nitidamente apaixonada por você.
— Eu queria que você pudesse ficar mais — começa dizendo enquanto parece buscar minha mão por cima da mesa que nos separa — Ou que você pudesse me ver amanhã — quando meus olhos voltam a te encarar você apenas dá de ombros e fala: — Eu não ando tendo muito companhia e bem, — seu sorriso é tímido — Eu não acho que exista uma companhia mais interessante que a sua.
O quão hormonal foi a minha ação de quase pular em cima daquela mesa para simplesmente capturar seus lábios em um beijo? Por Merlin, Malfoy! Você poderia estar apenas jogando o seu charme, mas você já havia me ganhado ali. Na verdade você já havia me ganhado naquele jantar quando impediu que aquele maldito salto me levasse a protagonizar uma cena nada bonita.
— Eu vou interpretar isso como um sim — você comenta rindo sem de fato descolar nossos lábios.
Malfoy, se um dia você realmente não conseguiu me dizer não, eu espero que você saiba que eu não estava muito diferente de você. E por Merlin, pelo meu sagrado e querido Merlin! Eu nunca nem cogitaria não responder a todos os seus pedidos com sonoros vários sonoros sim.
— Eu não lembro da última vez que eu ri tanto antes de conhecer você — confessou enquanto passeava as mãos pelo meu cabelo, em meio ao nosso sétimo encontro. Que eu nem sabia se era ou não um encontro mas que era felizmente o sétimo dia consecutivo em que em algum momento você tomava conta do meu dia.
— Isso é bom? — perguntei, será que eu apenas só sabia falar bobagens e por isso você ria tanto?
Seja lá qual fosse o motivo você riu mais uma vez e beijou a minha bochecha antes de responder:
— É ótimo — e antes de voltar a dar alguma atenção aos meus lábios completou — É bem mais do que eu mereço.
Você seguia dançando com a escuridão. Como se o seu futuro fosse necessariamente um reflexo do seu passado. Suspirei pesadamente desejando que ao envolver os meus braços na sua cintura eu silenciosamente te mostrasse o contrário.
A verdade é que até hoje eu sigo me vestindo para você, enquanto me perco pensando no quão brilhante você é em minha vida, mesmo que insista em se agarrar às escuridões do passado.
E mais que isso, eu sigo desejando com todas as minhas forças poder eternizar você em um filme, mesmo tendo você todos os dias ao meu lado, pelo simples receio de que um dia isso possa se esvair por entre os meus dedos e a minha memória não seja justa em guardar cada milésimo de segundo onde você esteve com seus lábios, braços e palavras sobre mim.
— Como se você não tivesse me enfeitiçado com esses grandes olhos castanho — você começa o seu discurso quase decorado, já repetido tantas vezes nesse último par de meses — Essa paixão por roxo — continua distribuindo um beijo em minha boca — Essa forma única de dançar por entre a minha escuridão — passa então a beijar minha bochecha — Como se eu pudesse algum dia te dizer não — repete a mesma sentença do primeiro dia.
Por Merlin, Malfoy! Que você nunca possa mesmo me dizer não.
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