Stargazer
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Comecei a descrever melhor as ações e o psicológico dos personagens, espero que gostem!
Percebi que gosto de fazer o Alfred bastante inocentezinho... mas não se preocupem tanto assim ta? Ele não é taaanto quanto aparenta, haha.
Reviews reviews?
Já haviam se passado mais ou menos dez minutos desde que começaram a caminhar, e nada. Haviam saído da comercial, entrado em algumas ruelas mas, aparentemente, ainda demorariam a chegar na moradia de Arthur.
Alfred tentava sem sucesso puxar assunto, mas o inglês parecia mais interessado em dar respostas monossilábicas, deixando o americano bastante constrangido. Conforme andavam, a paisagem à sua volta ia mudando e os prédios ficando maiores e mais limpos. Haviam lojas mais bem-cuidadas, assim como muitas árvores e plantas pela vizinhança. Deveriam estar começando a entrar em um bairro nobre.
- É aqui.
O americano levou um susto ao perceber que começavam a subir uma ladeira. Apesar da localização ser nobre, ali as casas e apartamentos já eram menores e mais modestos. Pararam em frente à um pequeno prédio de apenas seis andares, com azulejos brancos e azuis. Alfred percebeu alguns azulejos quebrados, acrescentando uma nota mental sobre a ideia de condição financeira que possuía de Arthur.
Subiram as escadas e pararam no segundo andar. O inglês tirou um molho de chave, abrindo as três fechaduras nas quais possuía. Talvez essa medida toda de proteção seja devido ao ataque que tenha sofrido? Alfred se pegou pensando. Mas logo em depois foi acordado de seus pensamentos pelo outro.
- Estamos aqui. Por favor, tire seu sapato. A casa está limpa, pode andar de meia.
Não pôde deixar de manter sua boca aberta em suspresa. Com certeza a casa do outro era limpíssima e bem-arrumada. Apesar de ser pequeno e entulhado de objetos e livros, não era nada suja. Alfred retirou o sapato, sem conseguir deixar de escapar um suspiro de admiração.
- Wow! Você é viciado mesmo em limpeza cara!
- Não sou viciado em tal coisa. – Corou de leve, jogando o caderno que carregava em cima da mesa da sala – Eu apenas gosto de manter minha casa habitável.
- E você tem um banheiro próprio!
- Ei, o que você está fazendo aí?!
Alfred já estava andando pelo resto da casa, abrindo as portas sem vergonha alguma. Encontrou o quarto de Arthur, onde estava tudo igualmente organizado, um pequeno quarto que parecia uma biblioteca, visto a quantidade de livros que ali possuía e então, o banheiro.
- Desculpa Artie, mas é que estou tão acostumado com o banheiro comunitário da pensão. Acredite, não é nada legal acordar de manhã pra tirar um pouco de água do joelho e dar de cara com a bunda peluda do Fran—
- Por favor, me polpe dos detalhes íntimos de sua vida. – Arthur bufou, tentando retirar tal imagem de sua cabeça – E vamos direto ao assunto.
- Huh? – Alfred parecia se divertir com as descobertas que fazia pela casa – Que assunto? Epa, pera, o que é isso?
O americano segurava a parte de cima de um pijama de unicórnios que estava dobrado em cima da cama do inglês, e não conseguiu abafar um risinho maldoso.
- M-Me devolva isso! – Retirou o pijama da mão do outro rapidamente, o dobrando com rapidez e o guardando no armário, completamente corado – N-Não saia mexendo nas coisas dos outros! Não tem educação alguma?
- Desculpa cara. – Ainda ria por conta do pijama e se sentou na cama – Mas esta parece uma boa moradia.
- Não me custa muito, se quer mesmo saber – Arthur retirou seu cachecol e se preparava para despir seu casaco – Então gostaria que parasse de me chamar de filhinho de papai ou qualquer outro apelido ridículo.
Alfred fez um biquinho e virou seu rosto, irritado. O inglês devia ter deixar o aquecedor ligado enquanto esta fora, porque já começava a fazer calor ali dentro. Percebeu a cama se afundando de leve e olhou para o outro, que agora estava sentado ao seu lado.
- Então? Porque estava me procurando?
- Ah...!
Agora que começava a pensar direito, não sabia o motivo. Alfred ficou alguns segundos em silêncio, criando uma atmosfera um tanto quanto constrangedora. Como podia ser tão idiota? Não havia razão alguma para procurá-lo!
Estava preocupado com o outro, e isso era um fato. Mas ele parecia querer esquecer sobre o que havia lhe acontecido, e Alfred não queria ser indelicado. Queria saber onde o outro morava e estudava, mas não sabia se era a hora certa. Tivera poucos amigos íntimos em toda sua vida, e o americano sempre fora bastante inquieto e precipitado. Talvez estivesse sendo só um incômodo? Observou o outro franzir a sobrancelha levemente e resolveu responder com sinceridade.
- ...A-Ahaha... Sei lá cara. Só deu vontade de te ver.
O inglês o observava, impassivo. Por fim suspirou e se levantou, cruzando os braços.
- Se era só isso, pois bem, já me viu. Pode ir embora agora.
- O que?! – Arthur já caminhava em direção à porta, e o americano o seguia, incrédulo – Mas eu acabei de chegar! Não foi você quem me trouxe aqui?
- Eu o trouxe porque estava com pressa e havia entendido errado suas intenções. – Pontuou o inglês com firmeza, enquanto abria a porta – Estou esperando uma pessoa, então com sua licença.
Alfred o olhou com desconfiança, o inglês deveria estar escondendo algo.
- Alguém? Quem, amigo de faculdade?
- Com toda sinceridade Alfred, isso não lhe diz respeito.
- ...C-Como?
- Não te interessa quem.
Sentiu a raiva tomar conta de si. Arthur estava agindo de maneira estranha e principalmente grosseira. Quem é que tinha aparecido em sua casa meia-noite pedindo abrigo porque acabara de ser atacado? E mesmo assim Alfred o aceitou com cortesia e preocupação? Esperava ao menos ser tratado com a mesma gentileza na casa do inglês.
- Olha aqui... Eu estou preocupado com você, ta legal?! Você está agindo de modo estranho e ontem mesmo passou por uma situação bastante desagradável. – Se aproximou mais do outro, depositando seu indicador no peito dele – Só não quero que o mesmo aconteça novamente e, sinceramente, pela maneira que está agindo agora, não está me dando segurança alguma de que aquela situação não vá se repetir e de que sequer sou bem-vindo na sua casa, cara!
O olhar impassível e penetrante de Arthur o fitava. Engoliu em seco, o inglês podia ser bastante assustador quando queria. Observou as pequenas, mas fortes, mãos do outro fecharem a porta novamente, enquanto ele voltava à encarar Alfred.
- Pois bem. – Deu um pequeno suspiro, sem perceber que o americano estava tendo calafrios. Que diabos de reação foi essa? – Acho que tem ao menos o direito de saber os detalhes de ontem, já que de fato lhe pedi auxílio. Você sabe o que eu curso na universidade, Alfred?
- Era... – Lembou-se do que Arthur havia lhe dito naquela manhã -- ...Direito, não é?
- Exato. – O inglês se aproximava cada vez mais do americano, sem menção de que iria parar, fazendo Alfred dar alguns passos para trás à medida que o outro se aproximava. – E moro sozinho. Ganho um dinheiro por mês para poder me virar. Sabe o que é pior do que ter pais que nunca se importaram com a sua existência?
Alfred percebeu que Arthur parecia incrivelmente irritado, mas mantinha sua calma e sarcasmo intactos. Conforme caminhava para trás, acabou topando no sofá, sentando-se de maneira desajeitada. Arthur parou na lateral do sofá, ainda a encarar as orbes azuis. O americano já não sabia se deveria responder ou não.
- Receber dinheiro destes, como se se importassem. Como se ainda controlassem sua vida, da mesma maneira que um certo americano está tentando fazer agora. – Alfred engoliu em seco novamente, e Arthur voltou a se aproximar. Só parou quando a ponta de seus narizes se encostavam. As orbes verdes agora poderiam ser exploradas aos mínimos detalhes e Alfred com certeza não deixaria de notar o quão belos os olhos do outro eram se não estivesse com medo do que poderia acontecer à seguir. – E eu sou um homem bastante orgulhoso. Só aceito este dinheiro por estar vivendo o sonho deles ao terminar esta faculdade. Mas estou juntando meu próprio dinheiro, à minha maneira, para poder viver minha vida como bem-entendo depois. E você sabe que maneira é essa, Alfred?
O outro não respondeu. Sequer se atreveu à mover um só músculo. Arthur parecia se divertir com o sofrimento alheio e abriu um sorriso coberto de luxúria. Aproximou seus lábios da orelha do americano, que deixou escapar um suspiro ao sentir o bafo quente do outro em seu secreto ponto fraco.
- ...Eu dou prazer às pessoas – sussurrou.
E com a rapidez e agilidade de uma serpente, sua língua roçou na cartilagem do americano, que parecia assustado e surpreso ao mesmo tempo. Não imaginaria que este rapaz, de corpo miúdo e sobrancelhas grossas, fosse um garoto de programa. Lembrava-se dele cantando de maneira angelical, de como seu semblante se tornara triste e abalado após os acontecimentos daquela noite e a maneira como era pomposo em relação à limpeza e modos. E este mesmo homem estava agora à se deliciar com o pescoço alheio, enquanto sua mão explorava de maneira curiosa por debaixo da blusa de Alfred.
- J-Já basta! – O americano empurrou o corpo do outro para frente. Estava constrangido e confuso. Ele era um homem, céus! Como poderia estar a fazer isso com outro homem?! Arthur o encarava com a mesma impassividade de antes. – Isso quer dizer que você está à espera... de um cliente?
Passaram-se alguns segundos de silêncio, e o inglês sorriu. Aquele mesmo sorriso perverso que havia presenciado antes daquilo começar. Alfred corou enquanto Arthur finalmente saía de cima dele, se posicionando ao seu lado no sofá.
- Finalmente está entendendo minha língua, Alfred. – O americano não pôde deixar de corar ao perceber o duplo sentido daquela frase – Está satisfeito agora? Consegue ter alguma pista do que aconteceu ontem a noite ou vai me fazer explicar isso para você também?
Aquele sorriso perverso insistia em tomar conta da expressão do inglês. Mesmo tomado pela vergonha e receio do que poderia lhe acontecer caso ficasse por mais tempo naquela casa, Alfred se pôs à pensar. Algo não fazia sentido naquilo tudo.
- Mas... você estava machucado.
Arthur congelou por alguns segundos. Olhou surpreso para o americano, talvez pelo seu tom de voz fraco e preocupado, ou por agir de maneira indiferente à cena na qual havia recém-presenciado.
- Aquilo... Não foi por conta de algum cliente. – Sua voz havia se tornado mais segura. Olhou novamente para o inglês e para os chupões em seu pescoço, e sua expressão se tornou triste – Você estava machucado. Assustado. Estava mancando de dor e sabe-se lá que outras marcas você tem por baixo de sua blusa. Alguém machucou você. Porque?
Alfred teve a impressão de ver algo nos olhos de Arthur. Não sabia bem o que, mas eles brilhavam com uma intensidade na qual nunca tinha visto (ou parado para perceber) antes. O inglês apoiou suas costas no sofá e começou a rir. Era um riso tímido e envergonhado, como se não acreditasse no que havia acabado de presenciar. Tampou seus olhos com a mão e deixou que o riso escapasse por seus lábios, deixando Alfred cada vez mais confuso.
- Você deve ser a única pessoa deste mundo que ainda continua a acreditar e se preocupar com alguém que acabou de lhe confidenciar ser um garoto de programa e ter dado indícios de que iria abusá-lo sexualmente. – Os risos foram morrendo aos poucos, e Arthur manteve um sorriso triste em seu rosto – Você tem razão. Eu estava machucado. Mas era em decorrência do meu trabalho.
- Não, não era! – A voz do americano agora era irritada. Talvez estivesse preocupado à ponto de se irritar com o inglês por não dar a mínima às dores que havia sofrido. – Você foi estuprado, Arthur! Eu sei que foi! Eu sei que não lhe conheço o bastante para afirmar este tipo de coisa, mas você não me parece o tipo que gosta de levar chupões e ser cortado durante o... o... sexo! – Alfred ruborizou de leve. Odiava o fato não ter muita experiência neste assunto – E você mal conseguia andar, tenha dó!
O inglês parecia surpreso novamente. Aquele garoto era mesmo estranho. Agia como uma criança a maioria das vezes e essa mesma preocupação trazia um quê infantil. Mas Arthur se sentia quente por dentro. Estava feliz que alguém se preocupasse consigo de tal forma. Sua expressão então passou de sarcástico para melancólico, enquanto abraçava os próprios joelhos. Alfred se ajeitou melhor no sofá, e não pôde deixar de perceber o quão frágil o inglês parecia naquele momento. As orbes verdes olhavam para frente, mas eram como se não vissem nada. Como se ele se encontrasse em um outro mundo naquele momento.
- Não adianta. Você não cai nas minhas armadilhas, não é? – Sorriu de maneira melancólica. – Você é bastante prudente, apesar de infantil.
Alfred teria ficado irritado com tal afirmação, se não fosse pela atmosfera do local. Agora estava tudo muito sério e silencioso, e o americano podia jurar ouvir um barulho de goteira vindo da cozinha. Arthur olhou para Alfred e este retribuiu o olhar com a mesma intensidade. Passaram alguns segundos daquela maneira, até o inglês voltar à falar.
- Sabe, eu sou um garoto de programa, mas isso não significa que aceito qualquer um. Eu ganho relativamente bem por noite... então não tenho necessidade de trabalhar todos os dias. Como me alimento e vivo com esta droga de dinheiro que vem dos meus pais, o que me resta é só poupar a quantia que ganho. E confesso que já não é uma quantia tão modesta. – Ficou alguns segundos em silêncio, respirou fundo, e voltou a falar – Eu aceito programas com, preferencialmente, mulheres. Não tenho problema com gêneros mas... é dolorido demais nos dias subsequentes quando é você quem é o passivo. – Alfred engoliu em seco. Ficava sem-graça com este tipo de assunto – E em geral, trabalho para as mulheres deste bairro. Moças casadas, muitas vezes com filhos, mas as quais os maridos acabam por esquecer sexualmente. Ou até mesmo porque eles próprios já possuem suas amantes. Eu não costumo receber clientes aqui em casa, também, mas foi o caso ontem.
Arthur depositou os pés no chão novamente, sentando-se de maneira desajeitada no sofá. Olhava para o teto, como se procurasse uma maneira de explicar melhor a situação.
- Foi um caso raro, igualmente. Era um homem, e não muito rico, mas que pagou o mesmo preço que todos. Sem me ater à detalhes, eu fiz o meu trabalho... e bem. – Sorriu de maneira melancólica – Alguns jovens incosequentes da minha faculdade me viram. Eu apenas abri a porta do térreo para meu cliente poder sair, mas a julgar pelo meu cabelo bagunçado e o cheiro de sexo impregnado em nós dois... eles entenderam o que aconteceu. Bem, mais ou menos.
Arthur soltou um risinho e Alfred se mexeu de maneira desconfortável no sofá.
- Eles achavam que aquele cliente era meu namorado. Ou algo do tipo. Estes sujeitos invadiram meu apartamento e... foram conferir se era isso mesmo. – Arthur olhou para Alfred, percebendo que ele não parecia ter entendido muito bem. – Eles abaixaram minha calça, para conferir se havia quaisquer sinal de sexo anal em mim.
O americano corou forte ao entender o que o inglês queria dizer, mas ele nem percebeu. As memórias pareciam se tornar dolorosas conforme ia as narrando, mas permanecia calmo com um sorriso no rosto. Alfred queria pedir que o outro parasse de fingir estar tudo bem, mas talvez aquele fosse seu modo de lidar com traumas. Sua mão se moveu para o sofá, mas ali ficou. Queria pegar a mão de Arthur e a segurar com força mas do pouco que conhecia o inglês, sabia que ele o olharia irritado, perguntando o que diabos estava fazendo.
E foi com uma grande hesitação que Arthur continuou a falar.
- E-Eles confirmaram e... bem, digamos que terminaram o serviço. Eu só acho irônico que tenham me estuprado enquanto me xingavam de gay ou viado. Não era exatamente uma relação homossexual que estavam tendo comigo? O mesmo se aplicaria à eles. Não entendo como funciona a cabeça destes riquinhos.
Simplesmente não conseguia mais ouvir daquilo. Antes que Arthur pudesse sequer pensar em protestar, o americano o puxou para seus braços. O abraçou com tamanha força e proteção, que e o outro precisou se remexer um pouco para poder respirar.
Talvez Arthur tenha protestado, talvez não. Alfred estava demasiado preso em seus pensamentos para se ligar à qualquer coisa ao seu redor se não proteger aquele homem em sua frente. Sentia raiva, nojo e seu senso de justiça nunca fora tão perturbado. Queria impedir que aquilo acontecesse de novo, ainda mais com Arthur. Deus, como ele parecia indefeso naquele momento.
Talvez tenha sido só impressão, mas Alfred sentiu algo quente em seu peito. A sensação não se repetiu, mas talvez, só talvez, Arthur tivesse deixado uma única lágrima cair. E isso já era o bastante para saber que ao menos ali, Arthur se sentia seguro.
Não conseguia entender o porquê se sentia tão protetor naquele momento, mas não durou muito. Logo o inglês se recompôs, o empurrando com uma real vontade de sair dali. Se levantou então, ainda sem-jeito pelo que acabara de acontecer.
- Bom... E-Eu... Realmente estou esperando alguém.
- A-Ah, certo. – Alfred já havia se esquecido deste pequeno detalhe, e tratou de se levantar rapidamente. – Passe mais tarde na comercial para, uhh, me ver tocar.
Arthur apenas abriu um pequeno sorriso, e o americano nunca soube se aquilo era um sim ou um não. Já estava para sair pela porta, quando se virou rapidamente, assustando o inglês. Alfred o olhou bem nos olhos, genuinamente preocupado.
- Como saberei que este cliente agora não te machucará?
Arthur ficou alguns segundos parado, mas logo começou a rir. Deu um soco no ombro de Alfred, que soltou um berro.
- Ai! Por que fez isso comigo cara?
- Eu não sou tão indefeso quanto pensa, Alfred. Sou um homem forte, muito obrigado.
O americano não conseguiu segurar um sorriso que lhe escapou os lábios. Observou enquanto o outro fechava a porta lentamente até que parou, quando havia só uma fresta aberta.
- Eu na verdade...
- Huh? – Alfred se virou repentinamente, estranhando o comportamento do outro.
- N-Nada. Apareço lá depois, talvez.
E fechou a porta com força. O americano podia ouví-lo trancar as três fechaduras que possuía e só então conseguiu partir tranquilo. Respirou fundo, tentando se lembrar do caminho de volta. Era bem fácil, na verdade. Ficou feliz em saber que lembraria do endereço do outro caso visitasse-o novamente.
Enquanto isso, Arthur havia se jogado no sofá, imerso em pensamentos. Aquele garoto era realmente um intrometido. Já haviam sido diversas as tentativas de outras pessoas de se aproximarem de si, ainda mais clientes carentes de amor e atenção nas quais acreditavam estarem apaixonadas por Arthur à primeira vista. E este tipo de intenção só o fazia irritadiço e sarcástico, nunca respondendo as perguntas com veracidade.
Mas, de alguma forma, acabou se revelando mais do que deveria para este completo estranho. Droga, havia até mencionado sobre seus pais! Deu um grande suspiro ao ouvir uma batida na porta. Levantou-se manhosamente e caminhou até esta, observando pelo olho mágico que se tratava do mesmo cliente da noite anterior, antes do acontecido. E este era de fato quem Arthur esperava naquele momento.
- Olá. – Disse após destrancar as portas, abrindo espaço para o homem adentrar em sua casa. – Não esperava que viesse dois dias seguidos.
- Você está interessado no dinheiro, e eu no serviço, oui? A não ser que tenha começado a fazer amizades com todos os seus clientes, acho que deveríamos ir direto ao ponto.
- Apressado como sempre. Como gostaria do serviço hoje senhor...? – Arthur se aproximava do estranho, o puxando de maneira travessa pelo colarinho até o sofá.
- Francis. Lembre-se de gritar este nome quando estiver na cama. Pagarei mais por isso.
Notas finais
Alguns pequenos detalhes já revelados sobre a relação do Arthur com os pais deles ohoho O que acharam?
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