Starcrossed

1 I fell in love with you suddenly


Notas iniciais
Baseada no curta metragem Stacrossed, de James Burkhammer. Quando eu terminar depostar o fiction, postarei o link do vídeo para quem quiser assistir. Duração: 15min16seg.

Prólogo.

A água extremamente gelada e a profundidade da piscina impediam que o mais novo nadasse como deveria, porém, para o outro, essas duas coisas não eram vistas como obstáculos. O garoto de apenas sete anos era ótimo nadador e quando estava na água, sentia-se tão livre como um peixe.

- Está bom por hoje. – o pai dos meninos levantou-se preguiçosamente da cadeira de onde observava os filhos, e se aproximou da piscina. Suspirou pesadamente, deixando os ombros caírem ao ver a dificuldade que o menor tinha para nadar. – Saiam daí, garotos. – ordenou, batendo algumas palminhas.

O pequeno Gerard nadou até a borda com uma facilidade impressionante, apoiando-se na mesma, impulsionando o corpo e saindo da piscina. Olhou para o lado procurando pelo irmão, mas não o viu. Ergueu as sobrancelhas, voltando o olhar arregalado para Mikey, que ainda estava dentro da piscina.

- Bom trabalho, Gerard. – disse, dando alguns tapinhas sem força nos ombros do filho mais velho, sentindo orgulho do mesmo. — Vamos, Michael. Saia daí. – o homem franziu o cenho, balançando a cabeça em sinal negativo, pensando em como o filho era molenga.

- Pai... Me ajuda. – Mikey pronunciou as palavras com certa dificuldade. Não estava conseguindo sair do lugar onde estava. Os pequenos braços e pernas lutavam com todas as forças existentes naquele corpo para manter pelo menos a cabeça fora d’água, mas aquilo estava se tornando algo impossível de fazer. O desespero e a falta de ar iam, aos poucos, tomando conta do pequeno.

O mais velho necessitava fazer algo, pois ver aquilo era extremamente agonizante para si. Sempre tivera uma necessidade de proteger o irmão menor. Então, inclinou o corpo, fazendo menção de pular na piscina para buscar o irmão, mas foi impedido pela mão do pai, que o segurava firmemente pelos ombros.


- Deixe-o. Ele precisa conseguir sozinho. – falou com tom de voz já alterado. Apertou mais ainda os dedos nos ombros de Gerard, fazendo com que este soltasse um breve gemido de dor. – Vamos, Michael. Use suas pernas, droga. – amaldiçoou, franzindo o cenho, denunciando irritação.

Gerard teve fortes ímpetos de pular na piscina e ir salvar o irmão, que a essa altura, já estava engolindo bastante água. Se não fizessem nada, Mikey iria se afogar. Não entendia como o pai podia permitir tal coisa. Então, segurou o braço do pai e mordeu-o fortemente, fazendo com que o homem involuntariamente o soltasse.


- Ai! – gritou ao sentir os dentes do filho cravados em sua pele, passando a massagear o local quase ferido pelos dentes do filho, que, mesmo pequenos e ainda de leite, eram firmes e possuíam bastante força. – Gerard, volte aqui. Não ouse ajudá-lo. – gritou em vão, pois a essa altura, o garoto já havia pulado na piscina.

Gerard nadou com um pouco de dificuldade — a água agitada por conta do constante bater de pés e mãos de Mikey — até o irmão mais novo e, quando chegou até ele, segurou-o o mais firmemente que pôde com suas mãozinhas, puxando-o para a parte rasa da piscina, onde havia uma escadinha de ferro.


Deixou que Mikey subisse primeiro e subiu logo após, sentando-se no chão e limpando as lágrimas do irmão, que se misturavam com os pingos de água que escorriam por todo seu rosto. Michael estava deitado na beira da piscina, puxando o ar tão intensamente para dentro de seus pulmões, que chegava a doer.

- Eu senti tanto medo, Gee. – usou um tom realmente baixo, temendo que seu pai ouvisse. Mas o homem estava ocupado demais, procurando algum remédio para passar no ferimento recém-feito por Gerard.


- Vai ficar tudo bem... – o mais velho disse, afagando os cabelos molhados do irmão, depositando um beijo rápido em sua testa.

Fim do prólogo

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Capitulo 1

Onze anos depois.

- Michael! Você não pode simplesmente dizer não. Isso é inaceitável, está me ouvindo? – o pai gritou, sentindo a raiva fazer afundar o estômago e o sangue ferver. – Você vai entrar para o time de futebol. Nem que eu tenha que arrastá-lo até o campo todo santo dia. – continuou a gritar e Donna já estava se irritando com o fato de que, para o marido, tudo se tornava motivo de briga. Ultimamente, ele vinha procurando pretextos para discutir com o filho mais novo, Mikey.

- Mas pai, eu... – Michael tentou argumentar em vão, mas foi interrompido pelo homem à sua frente, cuja veia do pescoço estava incrivelmente saltada, e a face vermelha como um tomate, por conta da raiva que se unia ao calor daquela tarde. — Droga! Parece que você nem é dessa família. Porque não pode ser como seu irmão? – Apontou para Gerard, que, ao ouvir isso, parou imediatamente de descer a escada e observou tristemente o irmão subi-la correndo, deixando um soluço escapar ao passar por ele.


- Você não deve falar com assim com-

- Cale a boca, Donna. – o homem interrompeu a sentença da esposa, passando as mãos pelo rosto em uma tentativa de se acalmar, e lançando um olhar para o outro filho, que o encarava com uma expressão de desaprovação no rosto.

Gerard apenas balançou a cabeça negativamente e se pôs a subir a escada novamente, para ir ao encontro do irmão.

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- Miks... Me deixa entrar, por favor. – pediu pela terceira vez, batendo levemente na porta. Suspirou, deixando os ombros relaxarem. Era o único que entendia verdadeiramente o irmão. Nunca tiveram segredos, e sempre um estava ali para o outro quando precisava. Gerard deixou um sorriso breve e fraco escapar ao lembrar do rosto do irmão, quase sempre com uma careta de desgosto, fosse forjada ou verdadeira.

Do outro lado da porta, Michael suspirou com pesar e finalmente girou a maçaneta, deixando que o irmão entrasse em seu quarto. Encaminhou-se até a cama forrada com uma colcha azul, estampada com carrinhos, e sentou-se na pontinha da mesma, indicando com a cabeça para que Gerard fechasse a porta, e em seguida, sentasse ao seu lado.


- Mikey, não fique assim. – se apressou em dizer ao perceber que o irmão já tinha algumas lágrimas caindo de seus olhos e rolando por suas bochechas, embaçando os óculos de grau. Sentou-se ao lado do mais novo, como este havia pedido, e sorriu amigavelmente, tentando passar algum conforto para o irmão.

- Talvez papai esteja certo. Talvez eu devesse mesmo ser como você. – sua voz estava chorosa. Michael tirou os óculos de armação preta e os repousou em cima do criado-mudo ao lado da cama. O modo “corcunda” como estava sentado, era quase uma posição de derrota, e Michael evitava encarar os olhos do irmão.


- Ser como eu? Cale a boca, Michael. Você é perfeito como é. – Gerard juntou as sobrancelhas, confuso, sem entender como o outro poderia sequer cogitar uma possibilidade dessas. — Não se deixe abalar pelo que o papai disse. Você tem milhares de qualidades.


- Pode até ser... Mas ele não sabe reconhecê-las.

Arthur não disse nada, apenas puxou o corpo esguio do irmão para junto de si. Sabia que aquilo era verdade. O pai nunca havia feito questão de esconder sua preferência pelo mais velho.

Acariciou os cabelos macios de Mikey, sentindo sua fragrância agradável. Gerard sentiu uma necessidade de puxar o ar com mais força, podendo assim, sentir melhor o perfume dos cabelos de Michael. Algumas borboletas brincaram em seu estômago, mas ele não se importou realmente com isso. Ele e o irmão sempre foram muito próximos, e, apesar de nunca ter sentido nervosismo perto de Mikey, achava que era algo normal. Cerrou os olhos e depositou um beijo demorado na nuca do irmão, Isso fez com que um ligeiro arrepio passasse pela espinha do mais novo, o obrigando a também fechar os olhos por alguns minutos.

Michael não tardou a desfazer o abraço e a erguer a cabeça, para que pudesse fixar seus olhos profunda e intensamente nos do irmão, como se, através daquele olhar, pudessem descobrir os segredos um do outro e ver através de suas almas. As lágrimas não caiam mais e ele tinha um quase imperceptível sorriso nos lábios.


Aproximou-se um pouco de Gerard, que achou a aproximação normal. Entretanto, em um movimento rápido, Mikey colou seus lábios nos do irmão, fazendo com que Gerard se levantasse bruscamente da cama, assustado.

- O que você esta fazendo? – os olhos mais arregalados impossível, denunciavam todo o espanto de Gerard com o ato realizado por Mikey. Afastou-se um pouco mais da cama, soltando o ar que nem lembrava estar prendendo.


- N-nada, eu-


- Eu vou me arrumar para irmos pegar as garotas. – ele interrompeu Mikey e tratou de sair do quarto o mais rápido possível, achando a situação realmente constrangedora, não só para ele, como para o outro também.

Fim do capitulo.

Notas finais
Obrigada a quem ler e comentar ^^
Prometo que não demoro com o próximo capítulo.