Star Trek USS NUUK 1x1 cordeiro em pele de lobo
16 Cordeiro em pele de lobo
Notas iniciais
Kelly
— Vamos, vamos, o segundo sol vai nascer em duas horas, eu consegui ovos, sua mãe já fez a tapioca, o treinamento vai ser forte!
A pequena Kelly abre os olhos ela é a caçula em treinamento, seu corpo ainda esta dolorido do treinamento do dia anterior, mas ela terá descanso só no dia da missa assim como seus três irmãos mais velhos, sua mãe gravida acordou ainda antes deles para arrumar o café da manhã, café adoçado com açúcar de beterraba e tapioca com ovos, trigo é um artigo raro e caro em VeraC. A base da alimentação é mandioca, batata e feijão, por algum motivo gramíneas como arroz, trigo ou cana de açúcar, não prosperavam comercialmente nesse planeta. Ela não pergunta de onde seu pai conseguiu os ovos, ou como sua mãe conseguiu o pé de porco que esta cozinhando junto com o feijão para o almoço, ela mesmo em certas épocas vai com sua mãe colher algas marinhas para complementar a alimentação ou mergulha junto com os irmãos a procura de crustáceos e vermes marinhos no verão, na pouca terra que a família tem eles plantam mandioca abobora e feijão mas não é o suficiente para a sobrevivência da família, por essa razão o Pai Miguel, os treina para serem fortes e lutadores vencedores, o hexágono é o esporte que mais gera renda em Praia Bonita, e é da dor e do suor de seu pai, seus e de seus irmãos que vem o sustento da família.
— Pai, eu não quero treinar hoje, estou muito cansada — a filha choraminga, na mesa enquanto se alimenta, seus irmãos sorriem discretamente uns para os outros mas ficam calados.
O pai não levanta a voz, e fala sempre com um sorriso no rosto.
— Só podemos atravessar os nossos limites quando sabemos aonde eles estão, hoje seu limite é o seu cansaço, se você quer ser uma lutadora vitoriosa tem que superar seus limites começando hoje pelo seu corpo, agora cansado e dolorido ele esta pronto para atravessar um dos seus limite e te tornar mais forte.
— Mas pai não fico forte quando eu treino, eu fico cansada...
— O cansaço e a dor que você esta plantando hoje, é a semente que vai crescer e virar uma grande e forte floresta.
Kelly abriu os olhos e parecia sentir o cheiro da tapioca e do café de sua mãe:
— Pai. — Kelly acorda como sempre sem precisar do alarme do computador, ela senta na cama nua com a cabeça entre as mãos, seu pai estava tentando lhe avisar de alguma coisa, ela devia ficar mais atenta, tudo estava muito calmo, não havia nenhum perigo eminente, mas seria seus limites testados? Os limites de sua nave? Ou da sua tripulação?
Os limites de sua paciência com certeza, ela riu para si mesma, ela iria ver o Erik hoje no jantar...pelo menos isso podia ficar interessante, bem seja o que for ela tinha que se vestir para enfrentar, havia alguns detalhes que ainda teriam que ser resolvidos, se despedir de seu filho, da amiga-irmã e sua família, e comprar sementes, ela não sabe ao certo por que mas vai comprar sementes e grãos café, pena que massa de tapioca ia ser difícil de achar...
Mas ao contrario de seus medos o dia passou rapidamente, e sem contratempos e assim que ela voltou a sua nave começou a se preocupar com o jantar, quando estava separando os ingredientes para a comida que ela mesmo ia cozinhar antes de ir a enfermaria injetar seus supressores, veio a comunicação, dai ela entendeu o sonho.
Erick
— Vai passar por algum tipo de inspeção? Nunca vi você com o uniforme tão engomado. — Brinca o conselheiro Nepal quando o capitão Volkmer entrou no bar panorâmico da USS Wiston. — O conselheiro era amigo de Volkmer a muitos anos.
— De um certo modo, eu tenho um jantar com a capitã Kelly. — ele pediu um suco — mas antes tenho que resolver algumas coisas, os sobreviventes, os parentes da capitã Kelly ainda vão ter que passar por alguns procedimentos aqui na estação, vamos ter mais uns dias parados neste lugar., eles estavam conversando quando um oficial cochichou algo no ouvido do capitão, que usando seu comunicador deu as ordens para sua primeira oficial.
— Chame a tripulação temos que embarcar imediatamente mas deixe os nossos convidados e os civis na base...
— Entendido senhor....
— Capitão? Indagava preocupado o conselheiro.
— Quatro letras conselheiros, quatro letras...BORG
Era uma piada
Quem já esteve em Wolf 359 deveria rir ( para não chorar) de uma situação dessa, no máximo 50 naves estavam ali para defender a terra do que parecia ser um ataque surpresa Borg, dessas menos da metade estava pronta para o combate inclusive sua nave, com um bando de pirralhos chorões inexperientes, e armas aquém do necessário, a guerra tinha levado o melhor da Frota, e com o resto iriamos manter os Borgs longe de casa, Ela estava morrendo de medo por ela e pela tripulação, na maioria adolescentes recém saídos da academia, em sua primeira missão no espaço, mas logico, sentir medo e mostrar coragem é a principal parte do serviço, afinal quem sabe ela podia acabar com uns borgs e vingar seu segundo marido?
Brincadeira, nenhuma vingança valia o risco, o velho Picard deve ter pesadelos até hoje.
Ela se sentou na sua cadeira de comando e o alarme amarelo estava, em contagem regressiva para virar alarme vermelho, na ponte a todos tentavam assumir o risco com dignidade, em um acordo não dito de usar a nave em um ataque “kamikaze” ao invés de serem assimilados.
Quando a esfera Borg apareceu dava para escutar o batimento cardíaco de todos aumentando, e se não fosse pela gola daria para verificar o ritmo das pulsações pelas jugulares, ela se levantou e chegou mais perto da tela de visualização.
Quando o inusitado aconteceu, e a famosa nave perdida Voyager surgiu do ventre da esfera Borg que explodiu a em mil pedaços.
— “Puta que pariu”! Essa capitã Janeway é “foda”.
A capitã Montemor exclamou em sua ponte, e para alivio de todos. Nenhuma nave borg inteira passou pela transdobra.
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