Stalker

1 A Stalker


Notas iniciais
"Stalker" palavra inglesa que significa "perseguidor" (vai que alguém não sabe).

O sol estava se pondo, escondendo-se atrás dos enormes prédios, deixando o céu naquele bonito tom alaranjado, quando, aos poucos, os alunos do colégio Kaijo iam saindo do local.

Já era fim de tarde e o que Akemi, a capitã do time feminino de basquete, mais queria era ir para sua casa e ter uma boa noite de descanso.

Mas claro que isso não ia ser possível. Embora ela não soubesse disso ainda.

Akemi e Hikari, uma pequena ruiva que também fazia parte do time de basquete, estavam saindo do vestiário juntas, atravessando a quadra do colégio, rumo a saída, quando ouviram uma comoção vinda ali perto em um canto da quadra.

Era o capitão do time de basquete masculino, Kasamatsu, conversando de forma um pouco exagerada para os padrões normais, com o famoso ex-membro da Geração Milagrosa, Kise.

O loiro aparentemente estava bem feliz (ele sempre estava feliz), falando empolgado.

– Kise... você não foi convidado! – Kasamatsu dizia, sendo plenamente ignorado pelo amigo.

– Eu preciso escolher um presente para o Midorimacchi... O que eu compro? – Kise andava de um lado para o outro, pensativo.

– O que está acontecendo? – Foi Akemi quem perguntou ao se aproximar dos amigos, juntamente com Hikari.

– Kise vai a um aniversário sem permissão.

– De quem? – Hikari perguntou, curiosa.

– Midorima, acho que vocês sabem quem é.

– E Kise não foi convidado? Achei que vocês fossem, sei lá, amigos. Já que jogavam juntos e tudo o mais. – Akemi disse, estranhando o fato. Midorima era da Geração Milagrosa, então, claro, ela já havia visto ele antes.

– Ele não é do tipo que faz amigos... – Kasamatsu coçou a cabeça, sorrindo. – Na verdade, ele parece um pouco com você por isso.

Hikari soltou uma gargalhada, e Akemi olhou feio para ela e para Kasamatsu.

– Ei! Eu sou bem social sim!

– E ele é meu amigo... eu acho. Eu não preciso de permissão! Midorimacchi vai ficar feliz em me ver! – Dessa vez foi Kise quem disse, parecendo confiante.

– Ah tenho certeza que vai. – Akemi respondeu com sarcasmo presente em sua voz, sorrindo de lado.

– O que eu compro para ele, Akemicchi? – Kise se voltou para ela, parecendo um tanto desesperado.

– Como se eu soubesse... Eu vou embora, vamos Hikari.

– Ah Hikaricchi, você tem que me ajudar! – Elas ouviam Kise chamando a menina enquanto se afastavam.

– Sinceramente, o Kise tem que... – o que quer que a morena fosse dizer foi completamente esquecido ao ver a cara que Hikari fazia.

Essa não.

Ela tinha esquecido que a amiga era apaixonada (ou completamente obcecada) pelo Midorima.

– Akemi...

– Ah não! Não, não mesmo! – Akemi já foi dizendo ao ver o sorriso macabro da ruiva, certamente ela estava com algum plano... insano, na cabeça. E ela não iria participar daquilo.

– Mas eu nem disse nada ainda!

– Mas eu sei que não é nada bom, então não!

– Claro que é algo super bom! – Exclamou Yoshida, e Akemi suspirou, esperando ouvir o que de maluco ela tinha em mente desta vez. – Olha, é aniversário do Midorin! É claro que eu sabia disso antes, mas o ponto é: quero ir aonde ele vai comemorar o aniversário, quero comemorar com ele... mesmo que ele não me conheça muito. E você irá comigo!

– Hikari... por que você acha que ele te convidaria? Nem o Kise foi convidado!

– Detalhes! Eu não preciso de convites, apenas quero observar, ver o que ele vai fazer, e desejar feliz aniversário! – Akemi olhava para a amiga, se perguntando mais uma vez se ela tinha algum problema mental.

– Você é maluca, sabia disso?

– Só se for de amor.

– Maluca e stalker. Quando você vai parar de perseguir esse homem? – Ela perguntou, mas logo balançou a cabeça, respondendo a própria pergunta – nunca, é claro...

– Exatamente. E eu preciso de você!

– Por quê? Onde eu entro nessa história?

– Oras, você vai me ajudar, vai ser a minha comparsa e nós vamos nos esconder e persegui-lo juntas! – Hikari dizia, viajando em suas fantasias. – Além do mais, você ajuda a me camuflar, se eu for sozinha vai parecer que sou uma fã doida seguindo todos os passos do Midorin.

– Mas você é. E não, eu estou fora, não me meta nas suas loucuras!

– Vai Akemi, me ajuda! – choramingava ela, com aqueles olhos pedintes, fitando a amiga.

– Já disse que não! E não adianta me olhar assim, você não vai conseguir me convencer a participar disso! – disse de forma firme e definitiva, cruzando os braços.

Ela não ia se render a Hikari.

Não, de forma alguma.

Vinte minutos depois...

– Eu sabia que você iria concordar! – Hikari sorria, feliz da vida ao lado de uma Akemi nada satisfeita com a situação.

– Eu não concordei. Você que me chantageou, é diferente.

– Ah que maldade! Eu não chantageei você.

– Se aquela sua ameaça sobre espalhar para o colégio todo que eu e o Ryouta estamos saindo juntos caso eu não topasse fazer parte do seu plano, não for uma chantagem... Eu não sei o que é. – murmurou a morena, com um cardápio à sua frente, escondendo seu rosto.

Elas estavam em uma churrascaria. Não uma qualquer, claro. Era exatamente a que Midorima ia se encontrar com seus amigos para comemorarem seu aniversário.

E lá estavam as duas, sentadas em uma mesa bem afastada de tudo e de todos, escondidas, bisbilhotando a paixão de Hikari.

– Mas achei que vocês estivessem juntos...

– É claro que não! – Akemi respondeu, um pouco alto demais para alguém que deveria ficar quieta, chamando a atenção de algumas pessoas ao redor.

Ela abaixou a cabeça para o cardápio novamente, com a face um pouco ruborizada.

– Hum, sei... – Era óbvio que Hikari não estava convencida do fato, sorrindo maliciosamente para a amiga.

– Então... Como descobriu que era aqui que o Midorima iria celebrar o aniversário dele? Não me lembro de Kise ter mencionado nada disso lá na Kaijo hoje mais cedo. – Akemi disse, não só para desviar o assunto daquele constrangedor, ela também estava curiosa sobre aquilo.

– Ah, eu tenho meus métodos!

– Alguém já te disse alguma vez que você é uma stalker? Ah sim, eu disse.

– Não sou stalker... sou apaixonada, é diferente. Eu acho...

– Stalker.

– Olha, ele está chegando!

Era verdade. Midorima havia acabado de entrar na churrascaria, cercado por seus companheiros de time. Um deles era Takao, Akemi já ouvira falar dele.

Midorima não parecia muito feliz com aquilo tudo, claramente não havia sido ideia dele comemorar seu aniversário desse jeito. Mas de qualquer forma, era tarde demais para mudar aquilo.

– Cadê o Kise? – Akemi perguntou aos sussurros para Hikari, e ao perceber que a amiga não respondia, virou a cabeça para fitá-la. – Quer um babador? – indagou ao ver Hikari totalmente centrada na cena que se desenrolava a frente com Midorima.

Hikari suspirou, ainda admirando.

– Se abaixa! – Ela saiu do transe, puxando Akemi para baixo quando Kise adentrou o local e passou por elas.

Ao lado do loiro, estava um menino baixinho e de cabelos claros, em um tom azul quase branco, ele era magro e não parecia que jogava basquete, será? Bem, não era da Kaijo, claramente.

– Quem é aquele? – Akemi perguntou, franzindo o cenho. Tinha certeza que já o vira em algum lugar antes...

– Não sei... E fica abaixada!

Akemi rolou os olhos, se escondendo ainda mais. Aquela seria uma longa noite.

E tempo foi passando, enquanto todos iam conversando e se divertindo. Todos, talvez exceto Midorima, que continuava com sua postura séria. Mas aquilo não parecia importar aos demais, aparentemente aquele era o jeito dele normalmente.

– Tá legal, nós estamos aqui escondidas faz um tempão, ninguém nos viu... será que agora pode me explicar por que temos que continuar usando esse óculos estranho com um bigode de plástico? – Akemi indagou, apontando para o estranho disfarce.

Elas colocaram o bigode e os óculos assim que os meninos apareceram, na verdade Akemi colocou por pura insistência de Hikari.

– Kise pode nos reconhecer!

– Hikari, acho que ele nos reconheceria de qualquer jeito. – Ela tirou o “disfarce”, mesmo sob os protestos da amiga (nos quais prontamente ignorou). Já estava cansada daquilo tudo.

– Se ele nos ver, a culpa é sua. – murmurou a outra.

– Você pretende ficar escondida o resto da noite aqui só vendo o Midorima comer com os amigos? Sério, por que não vai até lá?

– Ele vai pensar que sou uma fã perseguindo ele!

– Mas Hikari... – Akemi suspirou. – você é.

– Ele não precisa saber disso.

– Tá, já chega, eu vou dar um jeito nisso. – Akemi disse, se levantando e se virando para a amiga. – Anda, vamos lá.

As duas caminharam para onde o grupo de garotos se encontrava. Kise abriu um enorme sorriso assim que as viu.

– Akemicchi! Hikaricchi! – Ele se levantou, cumprimentando-as, dando um enorme abraço em cada uma. – O que estão fazendo aqui?

– Comendo. – Akemi já esperava por aquela pergunta e respondeu o óbvio.

Kise convidou ambas para se sentarem, sem se importar com que os outros pensavam. Eles não pareceram se importar muito, pelo contrário, afinal duas mulheres bonitas em um lugar cercado somente por homens? É, eles poderiam conviver com aquilo.

Logo elas descobriram o nome de todos eles, até mesmo do menino que viera acompanhando Kise. Era Kuroko, jogador da Seirin, e parecia que havia sido arrastado àquilo tudo pelo amigo loiro.

– Ei Shintarou – Akemi chamou Midorima, e apontou para Hikari – sabe, a Hikari aqui é uma grande admiradora sua e do seu talento na quadra, não é?

Hikari ficou surpresa, e apesar de um pouco envergonhada, tentou não deixar transparecer.

– Claro! Eu adoro a maneira que você arremessa, a forma como você joga tão compenetrado, e como cuida de seus dedos retirando as bandagens só na hora da partida é... – Hikari sentiu um chute debaixo da mesa e olhou para Akemi. A cara da amiga dizia que era melhor ela fechar a boca e então assim o fez. Ela tinha simplesmente começado a falar, se empolgado com a situação, não era culpa dela afinal.

Midorima arqueou o cenho, sua expressão não mudando muito, mas algo dizia Hikari que ele parecera pelo menos um pouco mais interessado nela. Ou estava a achando uma maluca. É, vamos acreditar que seja a primeira opção.

Ela então rapidamente mexeu em algo dentro de sua bolsa, tirando de lá um pequeno embrulho. – Eu... fiquei sabendo que era seu aniversário, então comprei um pequeno presente! Espero que goste!

O menino aceitou com um pequeno agradecimento e abriu o presente, revelando uma pequena pedra esverdeada presa a uma corrente simples, formando um colar.

– É uma esmeralda – ela disse – no horóscopo diz que essa pedra é o símbolo da sorte de pessoas do signo de câncer. Não é um simples amuleto da sorte diário, e provavelmente você já deve ter uma dessas em casa, mas...

– Obrigado. – ele disse, claramente supreso, olhando do objeto para a menina a sua frente. Não esperava que ela fosse compreender tanto sobre signos assim, a única pessoa que ele conhecia que era obcecada por isso, bem... era ele mesmo.

– Espera... como você sabia o signo do Midorimacchi? – Kise perguntou para Hikari, fazendo todos os olhares se voltarem a ela.

– Você contou a ela, lembra Kise? – Foi Akemi que surgiu em defesa da amiga.

– Não lem... Ah! – Kise exclamou de dor quando sentiu a morena chutar sua canela por debaixo da mesa. – É, deve ter sido isso... – Disse com os olhos marejados pela dor.

Midorima pendurou o colar em volta de seu pescoço, deixando a pedra bem visível por cima de sua camisa.

Ele não era considerado uma pessoa muito extrovertida, de fazer amigos e era péssimo em socializar com quem não conhecesse, mas de certa forma aquela garota chamara sua atenção.

E mesmo não dizendo nada mais do que algumas poucas palavras formais naquele dia, ele ficou realmente interessado em conhecer Hikari mais a fundo.

Midorima já sabia onde ela estudava, talvez um pouco de disfarce com aqueles óculos e bigode o ajudariam a descobrir mais coisas sobre ela. Precisava falar com Takao mais tarde sobre isso.

Notas finais
Kuroko começando a segunda temporada e eu matando a saudade com uma fic bem levinha e boba ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!