Ela não precisaria ser necessariamente alta.

Em sua mente, a estatura era mediana, o suficiente para que seus lábios tocassem a testa quando ele se inclinasse para beijá-la ternamente. Gokudera sentia certa atração por louras, então longos cabelos dourados seriam um grande bônus. A cor dos olhos era opcional: eles poderiam ser de um azul belo e profundo, um verde sensual, um mel inocente ou o ferino negro. O importante é que a garota seria doce e compreensiva, um pouco teimosa, mas delicada. Ela teria sempre um sorriso largo e os dois passeariam de mãos dadas pelas ruas, dividindo sorvetes e pizzas, preparando as refeições juntos e compartilhando uma passional noite em que ele perderia as contas de quantas vezes seria capaz de fazê-la chamar seu nome entre gemidos e suspiros.

E, então, a realidade aconteceu. Não havia garota baixa e loura; em seu lugar existia um rapaz um palmo mais alto, a pele levemente morena e olhos castanhos e brincalhões. O largo sorriso era sua marca registrada e, ainda que fosse compreensivo e gentil, o ponto elementar era gritante o bastante para fazê-lo esquecer das qualidades que sua realidade oferecia: um garoto. Entre todas as pessoas desse vasto mundo ele, no final, saia com outro rapaz.

Havia tantas divergências entre o fantasioso e o real que o rapaz de cabelos prateados decidiu não pensar muito a respeito. Na verdade, ele pensara tanto sobre o assunto que passou uma noite inteira sentado no sofá, encarando o nada e analisando a situação em que se encontrava. Depois do choque inicial que a noite na casa de Tsuna causou, não foi difícil reavaliar a confissão de Yamamoto e a cena no terraço, em abril passado, ganhara cores novas.

É realmente incrível como vemos as coisas de maneiras distintas depois de certo tempo. Hoje eu teria reagido de uma forma completamente diferente. Arrependimentos a parte, os dias que seguiram o beijo foram decisivos, embora ele não soubesse que, um dia, em um futuro não muito distante, aquelas noites seriam lembradas com carinho. Aquelas noites mal dormidas significariam tudo.

Ele havia dito sim. Bem, não literalmente "sim", com todas as letras, mas o recado fora dado e aceito. A decisão de abordá-lo sobre o assunto não havia sido tomada do dia para a noite ou no calor do momento. Espontaneidade nunca fora seu forte e seus passos eram calculados e as opções cuidadosamente balanceadas. A vida pessoal nada mais era do que uma segunda versão de sua vida profissional e, como orgulhoso Braço Direito do futuro Décimo Vongola, Gokudera jamais poderia arriscar dar a cara a tapa sem ter um plano B.

Porém, não havia segundo caminho naquela situação e as suas escolhas eram claras: descobrir porque seu coração batia tão desesperadamente ao pensar no idiota viciado em baseball, ou afastar-se e esperar que aquelas emoções um dia passassem. Para sua surpresa, a segunda opção nunca realmente chegou a ser cogitada.

Os pensamentos do Guardião da Tempestade estiveram o tempo todo bolando maneiras de ter aquela conversa. Ele não fazia ideia de como tocar no assunto e quanto mais pensava a respeito, mais difícil era não admirar o moreno por ter tido coragem de chamá-lo para conversar no terraço. Gokudera não conseguia se imaginar fazendo aquilo e por isso optou pela ligação no final do domingo, na esperança de que pudesse resolver o assunto de uma vez. Ele estava confuso e ansioso para livrar-se daquela dúvida e não sabia qual desses dois sentimentos era mais forte.

Ouvir a voz do Guardião da Chuva, no entanto, desestabilizou-o totalmente e ele desistira assim que ouviu a voz sonolenta do outro lado da linha. A vontade de simplesmente desligar e voltar para casa foi grande e certamente aquela teria sido sua atitude se o suplicante "por favor" não tivesse atingindo fundo em seu peito. A mesma voz. Ele usou o mesmo tom desesperado quando se confessou a mim.

O mais surpreendente de tudo foi que Gokudera deixou o apartamento e seguiu até a casa dos Yamamoto, quando poderia ter ligado de sua sala de estar. A realização daquela atitude desnecessária só o atingiu ao vê-lo através da janela. Mesmo desistindo de resolver o assunto cara a cara naquela noite, seu peito tornou-se menos apertá-lo ao avistá-lo. O que eu estou fazendo? Por que eu sinto como se tivesse que vê-lo?

A breve conversa terminou com um inusitado convite de sua parte para que os dois conversassem no último lugar que ele gostaria de estar a sós com aquela pessoa. O caminho de volta ao apartamento foi mais rápido do que a ida, ou simplesmente sua atenção estivera em outro lugar que não fossem as ruas geladas e abarrotadas de gente. Ele sabia que fora fraco e covarde ao adiar a conversa, contudo, o que poderia ter sido feito? Eu não sou bom em cortar caminhos. Se eu me precipitasse talvez me arrependesse.

Naquela noite o rapaz de cabelos prateados dormiu mais rápido do que esperava e sonhou com a confissão de Yamamoto. Em seu sonho não houve rejeição ou humilhação gratuita e sua versão respondeu com um "sim" muito antes de ouvir o restante das palavras. O moreno aproximou-se, beijou-o e de repente eles já não estavam mais no terraço, mas na casa de Tsuna, rolando pelo futon enquanto compartilhavam um longo e erótico beijo, com direito a toques em lugares inusitados e roupas sendo puxadas e retiradas à força.

Ele abriu os olhos quando o despertador tocou e correu em direção ao banheiro para resolver seu problema.

O mês-teste do Guardião da Tempestade começou oficialmente no dia seguinte, surpreendendo-o e afastando qualquer ideia absurda que ele pudesse supor sobre a relação entre dois garotos e, mais especificamente, com Yamamoto. Ele sabia que o moreno já havia estado em uma relação anterior, entretanto, nenhum deles tocou no assunto e o Braço Direito esperava que jamais tivesse de assumir que aquela era a primeira vez que se envolvia com outro ser humano, portanto, suas experiências eram limitadas.

O convívio com o Guardião da Chuva continuou igual, todavia, somente o tempo que envolvia a companhia de Tsuna. As brincadeiras, discussões e brigas não cessaram e por um momento ele achou que não haveria nenhuma diferença relevante entre ser amigo ou namorado. Talvez seja apenas uma extensão da amizade.

E Gokudera estava errado... muito errado.

Se o tempo que passavam juntos no colégio permanecia igual, o mesmo não poderia ser dito sobre os momentos em que estavam sozinhos. Os dois acompanhavam Tsuna até sua casa e depois seguiam até o apartamento do rapaz de cabelos prateados para estudarem, jogarem videogame ou simplesmente não fazerem nada além de trocarem beijos tão longos e intensos que ele muitas vezes esquecia-se de seu próprio nome. O pequeno sofá da sala nunca pareceu tão ideal e, entre os lábios de Yamamoto, o Guardião da Tempestade perdeu-se incontáveis vezes, mas encontrando-se quando encarava aqueles brilhantes e risonhos olhos castanhos.

A sós não havia necessidade para brigas ou discussões e aos poucos Gokudera passou a conhecê-lo além dos limites da amizade. Ele não sabia, por exemplo, que o moreno estava indeciso sobre entrar ou não na universidade. Ele falava sempre do pai e todas as vezes que o nome de Tsuyoshi era mencionado os olhos castanhos brilhavam com preocupação e gentileza. Aquele assunto o fez pensar mais seriamente sobre seu próprio futuro, embora soubesse que seu caminho seria ficar para sempre ao lado do Décimo Vongola como seu fiel Braço Direito.

"Você tem certeza? Eu sei que você não gosta de baseball, Gokudera, e não precisa se sacrificar tanto."

Era quarta-feira e eles não voltariam para o apartamento, pois o Guardião da Chuva tinha treino. O assunto começou quando Yamamoto sugeriu que fossem a um encontro no sábado, mas a ideia logo foi afastada ao lembrar-se que o time tinha jogo naquele dia. Gokudera propôs que fossem após a partida, curioso sobre o encontro, visto que seria sua primeira vez fazendo aquele tipo de coisa.

"Eu não me importo," o rapaz de cabelos prateados terminara de arrumar a mochila, "não me diga que está com medo de perder!"

"C-Claro que não!" O moreno corou e coçou a nuca. Eles eram os últimos na classe. "Sábado, então, depois do jogo poderemos ir ao cinema ou fazer qualquer outra coisa..."

"Cinema está ótimo." Ele tentou soar o mais natural possível, mas havia borboletas em seu estômago.

Não houve beijos longos ou demonstrações claras de afeto. Ao invés disso, as costas das mãos se esbarraram quando o Guardião da Tempestade passou e por um breve momento os dedos se moveram e se tocaram. Ele deixou a classe, apressando-se em voltar para casa. Seu rosto estava vermelho e o Braço Direito não entendia como aquilo pudesse acontecer. Desde quando ficar a sós com o idiota me faz sentir tantas coisas?

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Gokudera precisou apenas de alguns dias para entender certas coisas que o Guardião da Chuva havia lhe dito naquele final de tarde. Quando ele disse que não era gay, mas que gostava de Gokudera, a ideia pareceu extremamente absurda. Por um momento o rapaz de cabelos prateados achou que o idiota estivesse usando uma desculpa esfarrapada para fugir do assunto, porém, não foi difícil sentir na pele o que aquelas palavras significavam. Quando a atração pelo amigo começou, Gokudera tentou se interessar por outros rapazes, mas as tentativas falharam miseravelmente.

O ápice ocorreu em uma manhã de sábado, por mero acaso, enquanto ele fazia compras em uma loja de conveniência no centro de Namimori. A pessoa à sua frente era alta e possuía uma voz cantante. Sua mente estava longe, já que ele só percebeu que se tratava de Dino Cavallone quando as garotas atrás dele comentaram sobre o "tal estrangeiro". O Braço Direito manteve-se quieto até chegar sua vez de pagar pelos produtos, envergonhado demais para abordar o Chefe dos Cavallone naquela situação, especialmente ao ver que, entre suas compras, havia duas caixas de preservativos. Certos conhecimentos são realmente desnecessários.

A cena da escadaria retornou à sua mente e permaneceu durante o tempo em que os dois conversaram. Romário esperava o Chefe do lado de fora, e o rapaz de cabelos prateados utilizou aqueles breves minutos de diálogo para procurar em Dino qualquer aspecto que pudesse lhe interessar. O louro era conhecido no mundo da máfia como sendo o Chefe mais belo e charmoso, ainda que ele não compreendesse como tal título ainda não fora dado a Tsuna!

De qualquer forma, durante a conversa seus olhos conservaram-se atentos, esperando o frio na barriga e a ânsia em tocá-lo. Nada. Dino poderia ser uma pessoa bonita, com seus cabelos dourados, olhos cor de mel e sorriso largo e inocente, no entanto, em nenhum momento o Guardião da Tempestade sentiu-se tentado a fazer nada além de ir embora. Imaginar esse homem me beijando me faz ter vontade de explodi-lo.

Os dois se despediram com um aceno depois que o Chefe dos Cavallone disse estar orgulhoso por saber que ele recorreu ao Décimo naquela noite e contou sobre seu problema. Gokudera retornou para casa, entrando em seu apartamento e escorregando pela porta até cair sentado na soleira. Era impossível e improvável e completamente insensato, mas era oficial: ele estava atraído por Yamamoto.

Aquela descoberta foi apenas o primeiro passo, mas definitivamente a razão que o motivou a pensar com seriedade sobre a situação. Ele não conseguiria ver o moreno apenas como um amigo e sentiu-se na obrigação de ser honesto com aqueles novos sentimentos, não somente por ele, mas por Yamamoto. As duras e injustas palavras proferidas durante a rejeição eram um peso em sua consciência e conforme descobria sensações novas, a crueldade destilada soava mais difícil de lidar. A coragem que aquela pessoa teve para se confessar jamais poderia ter sido recebida com tamanha hostilidade. O rapaz de cabelos prateados suspeitava que reagiu daquela forma por puro medo do desconhecido; por ter sido colocado em uma situação até então impensada e que mudaria para sempre sua vida.

A convivência mais íntima com o Guardião da Chuva despertou certas curiosidades em Gokudera. Se até algumas semanas suas fantasias envolviam garotas e certas roupas ou posições, sua nova relação exigia um conhecimento diferente. Como um homem, ele sabia o que acontecia entre pessoas do mesmo sexo, contudo, a teoria soava dolorosa, mesmo que parte dele duvidasse que fossem mais longe do que longos beijos.

Bem, essa era sua ideia quando aceitou sair com Yamamoto durante aquelas duas semanas. Em sua mente a resposta estaria entre os apertos de mãos e os beijos trocados no sofá da sala, e certamente teria sido assim se a curiosidade não falasse mais alto. Ao lembrar-se da noite na casa de Tsuna, certas partes de seu corpo reagiam ao recordar-se dos toques e apertões. O idiota me tocou em lugares onde somente eu toco. Eu deveria tê-lo chutado!

O auge daquele súbito interesse aconteceria naquela noite, depois de um longo e relaxante banho. Na noite anterior Gokudera passou algum tempo procurando informação: relatos, dicas, contos, histórias... tudo parecia teórico e abstrato demais para alguém prático como ele. Decidido a encontrar algo mais visual, o rapaz de cabelos prateados buscou na fonte as respostas para suas perguntas.

Entretanto, ele não teve coragem de prosseguir. O notebook esteve aberto diante de seus olhos, mas foi fechado em uma velocidade assustadora e o Braço Direito enrolou-se no edredom, corando até as orelhas e odiando-se por estar naquela situação. E se alguém descobrir? E se o Juudaime vir aqui e pedir para usar o computador? O que eu direi? E se ele souber...? O Guardião da Tempestade rolou na cama tentando esquecer que havia feito o download de alguns filmes pornográficos gays.

Sua coragem não era muito diferente da sentida na noite passada, todavia, ele estava realmente curioso. A pasta escondida em seu computador não saiu de sua mente durante todo o dia e por diversas vezes ele pegou-se pensando se Yamamoto também não tinha algo parecido em sua casa. Eu talvez seja o único que não saiba de nada. De banho tomado e após uma deliciosa macarronada, Gokudera seguiu para o quarto, ligando o aquecedor e criando o clima perfeito. Os olhos verdes fitavam o notebook, procurando disfarçar e olhando ao redor, como se esperasse que alguém chegasse e o visse naquela situação.

Ninguém obviamente apareceu e Gokudera acomodou-se na cama, colocando o notebook sobre as pernas e encarando a tela. Seu papel de parede era decorado pelo símbolo dos Vongola, mas ele rapidamente saiu da área de trabalho, envergonhado em encarar o símbolo da Família quando estava prestes a fazer algo daquela natureza. Os arquivos que ele procurava estavam muito bem escondidos e foi preciso alguns segundos de preparação mental antes que o enter fosse pressionado. Não era inédito que material de cunho sexual habitasse seu computador, mas era, sem sombra de dúvidas, a primeira vez que ele se sentia intimidado pelo que veria.

O vídeo começou a tocar com meia janela. Havia um jovem rapaz japonês sentado em um sofá, encarando o nada e suspirando. A atuação quase o fez rir, até a campainha tocar e o ator levantar-se para ir abri-la. A pessoa do outro lado da porta quase o fez pausar o filme, e a surpresa fez os pelos de seus braços se arrepiarem e sua garganta arranhou ao engolir seco. Não se preocupe, Gokudera Hayato, todos parecem iguais.

O outro homem era alto e encorpado, a pele levemente morena e os cabelos e olhos castanhos. A semelhança com Yamamoto o incomodou a princípio, porém, lembrar-se do conteúdo do vídeo o fez esquecer tal detalhe. A timidez deu lugar à curiosidade e a tela passou a fullscreen, mas não sem que seus olhos corressem o quarto, confirmando uma segunda vez que estava totalmente só.

O casal conversou por alguns segundos até que a ação começasse. O enredo era bobo e envolvia uma briga prévia, cujo foco sem dúvidas seria a reconciliação. Os beijos eram longos e profundos, lembrando-o das vezes em que ele perdeu-se entre os lábios de Yamamoto, alheio a tudo que não fosse o modo como as bocas se encaixavam com perfeição. O momento em que as mãos começaram a agir foi o instante em que sua atenção esteve totalmente na tela. Com exceção da noite na casa do Juudaime nós nunca nos tocamos. Eu sei que Yamamoto se controla e provavelmente faz isso por respeito a mim. Eu disse que ele poderia fazer qualquer coisa nessas duas semanas, mas obviamente não me referia a sexo.

Sempre que os beijos se tornavam profundos demais o Guardião da Chuva parava e eles iam fazer outras coisas. Inicialmente, o Braço Direito achou natural, já que aquela relação tinha prazo de validade e nenhum deles gostaria, de fato, de se envolver tão profundamente. No entanto, quanto mais convivia com Yamamoto, mais incerto ele se sentia com relação àquele desfecho. Quando as duas semanas terminassem, o que eles fariam?

As roupas foram retiradas aos poucos. O jovem que lembrava Yamamoto inclinou-se sobre o namorado e passou um tempo considerável provocando-o com beijos em seu peitoral. Gokudera cruzou os braços, observando a cena e surpreendendo-se com as reações daquele que recebia as carícias. O rapaz gemia e tocava-se sobre a calça jeans, tateando a própria ereção e apertando-a com as pontas dos dedos. A câmera conseguia ângulos perigosos e era fácil ver a pele arrepiada e os lábios trêmulos. Eu não fazia ideia de que isso era possível. Eu sempre achei que somente as mulheres fossem sensíveis nessa área.

Quando a calça do rapaz foi retirada, os beijos desceram por seu abdômen até atingirem a ereção. O Guardião da Tempestade juntou as sobrancelhas, observando o modo como a língua subia e descida sobre o tecido, umedecendo-o e fazendo o rapaz contorcer-se. Os gemidos também se tornaram mais altos, contudo, aquele era apenas o começo. A roupa de baixo negra desceu pelas pálidas pernas e então ele precisou umedecer os próprios lábios.

O homem com o rosto de Yamamoto recebeu a ereção em seus lábios sem hesitação. O membro entrou e saiu com extrema facilidade e o gesto foi repetido inúmeras vezes. A atenção de Gokudera estava totalmente na cena, imaginando se a realidade seria semelhante ao filme. O ator livrou-se da própria camiseta e abriu o zíper da calça, retirando seu sexo e passando a masturbá-lo enquanto oferecia prazer. A cena foi longa e em certa parte eles trocaram de lugar: o rapaz que estava por baixo passou a receber o outro, gemendo à medida que sua boca fazia o trabalho.

Os suspiros e gemidos eram constantes e o medo de ser visto dera lugar a uma crua curiosidade em saber como seria fazer tal coisa, o que ele sentiria, qual seria a sensação? Yamamoto teria essa expressão de contentamento? O pensamento o fez juntar as sobrancelhas ao imaginar como seria vê-lo totalmente nu. Eu acho que ele é maior. Nós nunca fomos tão longe, mas eu às vezes consigo senti-lo através das roupas. A ponta da língua tocou o lábio inferior e por um instante o rapaz de cabelos prateados suspeitou que talvez não conseguisse recebê-lo totalmente em sua boca e acabasse engasgando. Isso seria embaraçoso...

Do sofá os dois atores passaram para uma larga cama, grande e forrada com lençol branco. O "Yamamoto" ficou por cima, virando o namorado e pegando um tubo azul que já estava sobre a cama. Gokudera apertou os olhos, tentando imaginar o que seria aquilo e qual sua finalidade. A realidade o atingiu em cheio no segundo seguinte, quando o ator levou os dedos até a entrada do namorado.

O quê... Ele não sabia se pausava ou continuava a assistir, surpreso por ver algo tão surreal. Como aquele cara consegue ficar nessa posição e se submeter a tal coisa? O primeiro dedo pediu passagem e o Braço Direito cobriu os olhos com uma das mãos, imaginando o desconforto que aquela pessoa sentia. O gemido que seguia a ação não ajudava, pois não soavam como os anteriores, cheios de luxúria e desejo. Aqueles eram claramente gemidos de dor.

A curiosidade o fez voltar a encarar a tela quando não havia somente um, mas dois dedos. Eles se moviam devagar, entrando e saindo e atingindo-o profundamente. A preparação durou alguns minutos e então o rapaz que estava por baixo virou-se, voltando a ficar de barriga para cima. Naquele instante Gokudera não conseguiu conter a surpresa ao ver que o ator mantinha sua ereção. Ele gostou disso? De verdade?! O "Yamamoto" afastou as pernas do namorado e passou um pouco do lubrificante sobre o próprio sexo antes de conduzi-lo até a entrada. O Guardião da Tempestade inclinou-se à frente, incrédulo sobre o que assistia e achando impossível que aquele garoto conseguisse receber algo daquela magnitude.

O garoto gemeu alto enquanto era penetrado e o rapaz de cabelos prateados encolheu-se como se compartilhasse sua dor. O namorado não parou até estar totalmente dentro, soltando um suspiro de pura satisfação. Os movimentos iniciais foram lentos e despretensiosos, provavelmente para que o corpo que estava sendo invadido se acostumasse. Entretanto, o ritmo tornou-se outro após alguns segundos e o que Gokudera realmente buscava acontecia diante de seus olhos. Era aquilo. Sexo entre dois homens. As estocadas passaram a ser rápidas e fortes, o suficiente para fazer a cama ranger. O garoto inclinava as costas e a nuca, puxando o lençol e gemendo eroticamente ao ser devorado.

A cena foi longa, mas o Guardião da Tempestade não notou o passar do tempo. Os olhos verdes permaneceram abertos durante toda a cena, fascinados pelas reações. O desconforto da preparação havia desaparecido por completo e era clara a maneira como aquelas duas pessoas estavam aproveitando o momento. O rapaz que parecia Yamamoto passou a masturbar o garoto enquanto se movia e logo as reações se tornaram ainda mais evidentes. Havia gemidos, suspiros e gritos; pedidos sórdidos e provocações. Uma gota de suor deslizou pelas costas morenas e foi impossível não lembrar-se do idiota viciado em baseball.

O orgasmo foi anunciado, mas não deixou de surpreendê-lo, visto que, pela primeira vez desde que sentara na cama, foi preciso pausar o filme. Na verdade, o notebook foi fechado e empurrado para o lado, já que havia se tornado impossível mantê-lo em seu colo, principalmente quando os movimentos de sua mão se tornaram menos gentis.

Ele não saberia dizer quando começou, provavelmente logo nas primeiras estocadas. A mão direita entrou pela calça de moletom e roupa de baixo, segurando a ereção e passando a masturbá-la. Enquanto seus olhos fitavam a tela, seus dedos estavam ocupados, tocando e apertando o membro em uma busca obrigatória por alívio. Está muito quente aqui.

Gokudera deslizou-se na cama, deitando-se e livrando-se da calça sem parar o que fazia. Seus gemidos eram mais altos do que de costume e ele sentia a pele quente, quase febril. Porém, não havia alívio. Os movimentos eram os habituais e normalmente ele já teria chegado ao clímax, mas nada. Quanto mais insistia, mais longe ele se sentia de ter a mesma expressão de satisfação que o garoto do filme.

A ideia brotou em sua mente e permaneceu. O rosto tornou-se ainda mais corado e ele balançou a cabeça em negativo, recusando-se a pensar em tal coisa. Era degradante e humilhante e doloroso e... tentador, muito tentador. O pré-orgasmo tornava o ato extremamente erótico, e foi com certa relutância que o rapaz de cabelos prateados levou a mão livre até os lábios, lambendo dois de seus dedos e sugando-os com sensualidade antes de posicioná-los em sua entrada. Por trás dos olhos fechados ele tentava lembrar-se do que assistira, no entanto, a visão misturava-se à realidade e o ator já não era mais ator, e sim o próprio Yamamoto.

Sua mente tornava-se turva e quando o primeiro dedo entrou o desconforto não foi sentido, tamanha a necessidade que ele sentia por um alívio imediato. O segundo dedo pediu passagem e ambos entraram e saíram algumas vezes até encontrarem um local cujo mero toque foi capaz de arrepiá-lo. A estranha sensação fez seu corpo vibrar, então Gokudera passou a vasculhar o próprio corpo a fim de senti-la novamente. A busca nem sempre obtinha sucesso, contudo, em determinado momento ele não somente esbarrou naquele ponto, mas tocou-o fundo, quase o apertando. Os olhos verdes se abriram e o gemido que deixou sua garganta foi novo, uma mistura de satisfação e erotismo, enquanto seu corpo tremia com o orgasmo.

Por alguns minutos ele não fez nada além de permanecer deitado, respirando com dificuldade e o rosto afundado no travesseiro. O rapaz de cabelos prateados sentia-se envergonhado pelo que acabara de fazer, mas a sensação havia sido tão prazerosa que era difícil acreditar que durante todos aqueles anos ela conservou-se desconhecida. É completamente diferente do que eu estava acostumado a fazer. É mais intenso.

O Braço Direito virou-se na cama, encarando o teto e cobrindo o baixo-ventre com o lençol. Vários pensamentos cruzaram sua mente naqueles minutos, entretanto, somente um repetiu-se incansavelmente: por mais absurdo e imoral que aquele tipo de coisa soasse, Gokudera tinha certeza absoluta de que seu corpo não teria reagido se o ator do filme não fosse parecido com o idiota viciado em baseball. O problema era que, depois de ter assistido àquilo, ele estava ainda mais confuso sobre o futuro daquela relação.

Se beijar Yamamoto já fora capaz de mudar sua opinião e seus paradigmas, o que aconteceria se eles realmente se tornassem um?

Continua...