Spirited Away - O Reencontro
4 "Trabalhos de Geografia "
Notas iniciais
Chihiro P.O.V
Uma semana passara-se, e Miaka, Haku e eu tínhamo-nos tornado um grupo. Andávamos sempre juntos.
Não sei porquê, mas odiava quando as miúdas faziam olhinhos a Haku, fazia sentir um ardor no peito que não conseguia explicar nem controlar. Eu já tinha comentado com Miaka á cerca disso, mas ela disse apenas que eu tinha ciúmes das outras miúdas. Mas eu sentia que era mais que isso.
Estávamos na aula de Geografia, Miaka estava á minha frente, enquanto eu estava com Haku na mesma mesa que eu.
– Hoje irão ter trabalhos de casa, para fazer em grupo, uma pesquisa sobre a demografia de um país á vossa escolha. O trabalho é para fazer com a pessoa que tem ao vosso lado e é para entregar ainda amanhã. Podem sair.
Arrumei as minhas coisas apressadamente, enquanto olhava de esguelha para Haku. Eu tinha a sensação que o conhecia, aquele cabelo, os olhos, o toque até o seu cheiro pareciam-me familiares. Só não sabia onde. Era como há seis anos atrás, eu e os meus pais nos perdêramos no caminho, mas já não me lembrava do que acontecera no espaço de tempo em que entrara no túnel e saíra. Mas no meu fundo, sentia que Kohaku fazia parte desta história que por algum motivo eu me esquecera.
–Chihiro? – A voz dele transportou-me de volta para a realidade, encarei-o. – A turma já saiu toda, nem despedis-te da Miaka. Passa-se alguma coisa?
Abanei a cabeça com convicção, pondo a mala ás costas e saindo da sala, com Haku atrás. Íamos a meio do caminho quando decidi pará-lo, colocando-me á sua frente. Suspirei, começando a sentir-me envergonhada.
–E se nós já nos conhecêssemos? Sei lá… há algum tempo atrás, é que… — Suspirei, como é que eu explicaria isto? – Ah, sabes…esqueces, parvoíces da minha cabeça. Anda, temos de fazer o trabalho.
***
Quando cheguei a casa os meus pais ficaram a olhar para Haku calados, á espera que eu dissesse alguma coisa. Coloquei a mala sobre o sofá.
–Eu e o Haku temos de fazer um trabalho… é para nota, para entregar amanhã. – Antes de os meus pais dizerem alguma coisa, o meu irmão mais novo, Tasuki, apareceu a correr escada a baixo.
–É o teu namorado, mana? – Gritou, fazendo em seguida um largo sorriso de contentamento.
Senti as minhas faces a corarem.
–Não, é um amigo. Ele é novo na escola e temos de fazer um trabalho. – Agarrei na mão de Haku, puxando-o para as escadas. – Anda Haku, antes que eles te façam mais alguma pergunta.
Entrámos dentro do quarto e sentámo-nos na cama. Entreolhámo-nos durante minutos.
–Desculpa o meu irmão…
–Não sabia que tinhas irmãos, pensava que eras filha única. Pelo menos… — E calou-se, fiquei a fintá-lo, á espera que ele continuasse a sua frase. Riu-se, olhando para o chão. – Hm, esquece.
Começámos a fazer o trabalho, e durante as duas horas que se seguiam devo ter olhado para Haku mais de cem vezes. Eu recordava-me dele de algum lugar e isso irritava-me, porque eu sentia que era algo muito importante e que não conseguia lembrar.
–Ah… tu, no outro dia, falas-te sobre teres-te perdido no mato, com os teus pais… — Murmurou Haku já no final do trabalho. – Podes-me contar essa história? Fiquei com curiosidade…
–Ah… sabes, eu estou um bocado esquecida quanto a isso… Eu lembro-me que estava triste por ter ido embora da minha cidade natal . – Vasculhava a minha mente á procura de memória, vasculhando todas as minhas recordações. – E… e… fomos por uma estrada de terra batida e isso ia dar a uma passagem, o meu pai disse que era…ah… — Tentei lembrar-me desse dia, do ambiente á minha volta, como estava tudo. – Sim! Disse que era de gesso, acho que era isso. Sim, ao inicio, eu… — detectei a presença do medo nas minha memórias em branco. – Sim, eu estava com medo. Mas continuei atrás deles, e…
–Sim? – Haku chegou-se para mais perto de mim, como se fosse importante aquilo que eu estava a dizer. As memórias vinham, mas pouco nítidas, algumas até em branco, mas houve uma que me prendeu. Comecei a rir-me. – Chihiro? – Ao mesmo tempo que ele me chama, o meu riso torna-se em choro abrupto e descontrolado. Agarrei-me a Haku, chorando no seu ombro. – Chihiro que se passa? – Nem eu mesma sabia o que se passava, mas de alguma forma, aquela memória, real ou não, tocou-me como nunca antes algo me tocara.
–Havia um dragão, ou um lagarto, já não sei… mas ele estava ferido. Ele estava mesmo ferido e de alguma forma que não sei explicar, eu… aquele dragão, ele… — Olhei para Haku, por entre as lágrimas, este tirava-me os cabelos da cara. – Achas que estou a ficar maluca?
Ele abanou a cabeça, sorrindo carinhosamente.
–Então, vais-me ajudar. – Respirei fundo. – Vais-me ajudar a descobrir o que eu esqueci, o que aconteceu quando passei por aquele túnel. Vamos combinar amanhã depois da escola, vou tentar lembrar-me de tudo e tu vais analisar tudo o que eu te digo. – Ele assentiu, abraçando-me de seguida. De algum modo, senti que era no calor dos seus braços que eu pertencia.
Fale com o autor