Spirited Away - O Reencontro

8 \"Era uma Promessa\"


Notas iniciais
Depois de uma longa espera, aqui esta o capitulo. Espero que gostem e que compense a espera que voces tiveram. Divirtam-se!

Fiquei a pensar sobre aquela noite nos meses que se seguiram. O clima estava a ficar frio e as nuvens começavam a estender-se por todo o pano que era o céu.

Não falara sobre a estranha criatura que rasgara os céus a Haku, não por vergonha, mas porque simplesmente não calhara.

Era final de tarde e tinhamos ficado na biblioteca a estudar para o nosso teste de História. Suspirei, ficando a olhar para ele, concentrado no seu livro. De repente, a sua cabeça levantou e os seus olhos verde escuro fixaram os meus por segundos, fazendo o meu coração bater ainda mais forte.

-O que foi? — Perguntou ele, enquanto a sua boca se abria num leve sorriso.

Os meus olhos caíram para os cadernos e para a minha letra desajeitada.

-Não era nada. -Bocejei. — Estou a ficar cansada. Não queres ir dar uma volta?

***

Passeávamos pelas ruas citadinas, mas sempre em silêncio. O meu braço roçava no dele, provocando-me uma leve sensação de desconforto e conforto.

-Chihiro, passa-se alguma coisa?

Os meus olhos fixaram o chão, tomando extremo cuidado onde pisava.

-Chihiro?

-Hm?

-Estás bem? O que se passa?

Ele colocou-se a minha frente, obrigando a parar o meu passo apressado. Fiquei frente a frente com o seu peito, de onde fixei o meu olhar, pois não queria encarar o seu olhar.

-Bem... lembras-te de eu ter-te contado aquilo da noite do baile? Bem, eu depois sai a rua a ver se te apanhava, mas não estavas mais lá. E então eu olhei para o céu e vi algo, o dragão do meu sonho.

Desta vez foram os seus olhos que se desviaram dos meus, fixando a estrada ao nosso lado.

-Haku? O que é que tu sabes? — As palavras saíram da minha boca sem que as pudesse controlar. — Kohaku Nushi, o que é que se passa? — Os seus olhos continuaram a focar o vazio enquanto mordia o lábio, fazendo reforçar ainda mais a minha ideia. — O que me estás a esconder?

-Quando é que eu cheguei a escola?

-Não sei... a algum tempo... — Tentei recordar as primeiras memórias e lembrar-me. — Vai fazer amanhã seis meses.

-Seis?!

-Ah... sim. Sim... — A minha mente começou a vaguear em como a minha vida tinha mudado desde a sua chegada. Mas voltei a realidade. — Mas isso agora não interessa.

-Eu estou proibido de te dizer o que quer que seja. Tens que ser tu a descobrir sozinha... mas eu posso mostrar-te o caminho para esse mundo.

-Mas porque não podes?

-Porque não...Quando te lembrares, se te lembrares e eu ainda cá estiver, posso te ajudar.

"Se ainda cá estiveres?" pensei para mim, mas não disse isso. Em vez, respondi:

-Então, quero-te a entrada da escola as nove e meia.

***

Depois de ter jantado com a minha família, inventei a desculpa que estava extremamente cansada e tranquei-me no quarto. Peguei numa pequena mochila, onde meti uma lanterna e uma garrafa de água e abri a minha janela.

Olhei para o chão, metros a baixo, esperando que não me aleijasse na queda e saltei. Caí no chão, ficando estendida durante um tempo, com uma enorme dor nas costas.

Respirei fundo, ganhei coragem e levantei-me, começando a correr até a escola. Em frente ao portão, estava a figura franzina e alta de Haku, parecia meio triste.

-Anda. — Murmurou e entrámos mato a dentro. Eu apertava a sua mão com força, com medo que me perdesse no mato á noite.

Não havia nenhuma luz, uma vez que o céu estava coberto de nuvens. Ao fim de algum tempo resolvi tirar a minha lanterna.

Caminhávamos em silêncio, o único som que existia provinha da folhagem a balançar a brisa fraca e aos ramos que eu partia, sem querer. Mas ao fim de uns minutos, consegui distinguir o som de água a correr. Um riacho.

-Chihiro, podes-me dizer as horas?

-Ah, sim sim... — Tirei o meu telemóvel do bolso, premi uma tecla e olhei para os dígitos. — Dez e meia. — Já tinha passado uma hora desde que começáramos a caminhada.

-Seguiremos pelo riacho. — Disse ele, seguindo o curso da água.

-Porque estás com tanta pressa Haku? — Acabei por perguntar, quando as minhas pernas já começavam a fraquejar e o meu corpo já era quase arrastado por segurar a mão de Haku.

-Porque estamos a ficar sem tempo.

-Sem tempo?

-Sim, Chihiro. Agora não me faças mais perguntas as quais eu não posso responder. Proibiram-me de tas responder.

E nada mais dissemos. A tenção dele era palpável no ar a nossa volta e ele não sorrira uma única vez. Algo o preocupava imenso.

O meu coração começava a bater fortemente, tanto pelo esforço, como por estar ansiosa. Ele estava sem tempo? Sem tempo para o quê? Sem tempo para mim? O que é que ele não me podia contar? E onde era o lugar dele nesta história toda.

-Avisa-me, quando chegar a hora para a meia noite.

-Achas que não chegaremos lá?

-Temo que não.

A sua mão apertou a minha com ainda mais força e continuamos a caminhar.

-Haku, falta dois minutos.

Ele estacou abruptamente, fazendo-me ir contra as suas costas. Encarou-me. Pegou nas minhas faces e fixou o seu olhar no meu.

-Aconteça o que acontecer, segue sempre este riacho até a um muro vermelho de gesso. Aquele das tuas memórias, não tenhas medo. Procura o Kamaji, das escadas. Ele irá proteger-te. Isto claro, se quiseres saber a história toda. — O seus olhos fixaram os meus, chegou a sua face para mais perto da minha e os seus lábios tocaram nos meus, suave e delicadamente. Num beijo cheio de carinho. A minha mente conseguiu entrar dentro do denso muro que se havia criado a volta da minha "aventura" a uns anos atrás e as memórias vieram todas ao de cima, Lin, Kamaji, Yubaba, Zeniba! E Haku, que se encaixou no rapaz que me ajudara e protegera, no dragão e... por quem me apaixonei. De repente tudo fizera sentido! Mas quando abri os olhos, Haku tinha desaparecido.

"Segue sempre este riacho" lembrei-me das palavras dele e assim o ia fazer. Era uma Promessa. Assim como ele cumprira a sua, eu iria cumprir a minha.

Notas finais
Se gostaram (ou não) podem sempre deixar comentários! :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.