Spirit of the Wind
2 Capitulo 1 - Você voltou?
Notas iniciais
Trezentos anos depois.
Estava me divertindo, levando neve e inverno às crianças. Tinha acabado de fazer um garotinho chamado Jamie, voar pela rua, ele estava se divertindo, e eu também até que ele perde um dente e fica todo feliz porque iria receber a visita da Fada do Dente. Fiquei muito bravo, ele estava se divertindo por minha causa e agora está indo atrás da fada.
– Qual é fui eu que fiz aquilo, não foi a fada, fui eu Jack Frost. – mas não adiantava, eles passavam por mim, sem ao menos notar.
– Precisa de ajuda? – disse uma voz que a muito tempo não ouvia, me virei rapidamente e dei de cara com uma Cecília preocupada.
– Você sumiu, por dois séculos.
– Já estava na hora de você aprender a se virar sozinho não é Jack? – voei em sua direção, ficando bem próximo dela.
– Como é? – perguntei bravo. – eu te procurei por meio século.
– Relaxa Frost, tive alguns problemas mas estou de volta.
– O que estava fazendo?
– Assuntos pessoais. – enquanto falava algumas crianças passaram por nós, nos atravessaram, seu sorriso passou a ser um semblante triste.
– Ainda não acreditam em você?
– Assim como não acreditam em você, Frost – ela disse brava ficando de costas para mim. Sabia o quanto aquilo a afetava.
– Eu sinto muito, não queria te deixar triste – pousei uma de minhas mãos em meu ombro.
Passamos a tarde brincando, sim, adorávamos brincar como crianças, pega-pega no céu, com algumas “trapaças”.
Estava escurecendo, quando por acaso fomos parar no telhado da casa de Jamie. Cecília Vinha como um raio, ou melhor como uma ventania e acabou não conseguindo parar, me derrubando e caindo por cima de mim, ela tinha um sorriso lindo no rosto.
– Será que a Fada do Dente vem?
– Nada de ficar acordado para ver a Fada. Se não ela não vem Jamie.
Tirei ela de cima de mim, que me olhou preocupada, voei até a janela de Jamie.
– Não devia ficar se torturando desse jeito.
– Você não entende! Estou cansado de ninguém me ver, de passarem por mim, de Jack Frost não passar de uma expressão. – vi seus olhos encherem de lagrimas, ela sabia como eu me sentia, e passa por isso a mais tempo que eu.
– Para de falar como se eu não te entendesse Jack, eu te entendo perfeitamente, por que passo por isso em minha própria pele... Você tem razão, eu não te entendo em uma parte, você não passa de uma expressão e eu nem isso, ninguém nunca nem ouviu meu nome. – vi uma lagrima cair de seus olhos. Pousei minha mão sobre seu rosto e sequei a lagrima que insistia em cair, a puxei para um abraço. Ela não recusou.
– Eu sinto muito, eu fui um idiota, você foi a única pessoa que acreditou em mim.
– Me desculpa Jack.
Olhei para o céu e vi que Sandman estava fazendo seu trabalho, Cecília também olhava, maravilhada.
– É muito lindo, néh.
– É maravilhoso o trabalho do Sandman — ela disse se equilibrando em um dos fios elétricos, acompanhei ela, andando como se estivéssemos em uma corda bamba, conforme eu pisava, ia congelando o fio, ela tocou um sonho feito de areia dourada, e de repente um golfinho passou em volta de sua cabeça, ela deu uma risada gostosa de se ouvir. – acho ele o mais importante dos guardiões.
– Sério? Por que? Achei que gostava do Papai Noel, ou do Coelhão, já que ama chocolate.
– Pra que presentes ou ovos, se você não tem sonhos, se tem pesadelos que te dão medo?
– Você tem razão, é bem mais assustador um pesadelo do que ficar sem presente, ou ovos.
Ouvi um barulho vindo do beco.
– Ouviu isso? – ela assentiu.
Voamos até lá, apontei meu cajado e ela posicionou seu arco. Sim, um arco, que quando puxava o lugar onde deveria ter a corda aparece a corda e a flecha, não necessitando de aljava, ele também servia como uma forma de liberar poder, só ela sabe como fazer isso.
– Olha quem está ai?! Se não é Jack Frost!
– Coelhão! Espero que não continue chateado pela nevasca de 68.
– Claro que não esqueci, você estragou a pascoa e meus ovos. E quem é essa linda moça andando com o Frost?
– Viu Jack?! Nem o Canguru da Páscoa me conhece!
– Eu não sou Canguru, sou o Coelhão, sua atrevida!!
– Vamos Cecília... não temos o que fazer aqui.
Não deu nem tempo de nos virar, fomos enfiados num saco.
– Me tira daqui – gritava eu e Cecilia dentro do saco, estávamos um em cima do outro e de repente fomos jogados no chão. Fiquei de boca aberta quando saímos de lá.
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