Spirit Bound

5 Seja bem-vinda dor


Notas iniciais
Capítulo um tikito pesado.

Boa Leitura :D

Duas semanas depois...

- Isso é loucura amiga! – Rose falou, assim que eu lhe contei sobre meu novo plano de fuga.

- Você não está ajudando!

- Bella, fugir agora é mais difícil, na primeira vez Edward não esperava por nada disso...e ele sabe sobre mim, pior de tudo, você não está ajudando olhando como se fosse matá-lo o tempo todo.

- Essa é a minha vontade Rose, matá-lo!

- Mas você é esperta o suficiente para não fazer isso!

Eu me encostei na cadeira do restaurante e fiquei vendo os garçons passando e servindo os humanos. Chegava a ser irônico como eu me dirigia a eles como se eu não fizesse parte de tudo isso. Eu e Rose não tínhamos nada de especial, nenhum poder ou dom que valesse a pena nos excluirmos, mas eu não podia negar que era tão frágil como um. E mais do que nunca, eu queria a vida que muitos aqui levavam. Eu era invejosa e tinha raiva de mim mesma.

- Aqui estão A Pasta Á Carbonnara e seu Spaghette Bolognesa senhora. – O garçom disse, colocando os pratos em nossa mesa.

Eu e Rose acenamos ao garçom e ele retirou-se. Era nossa rotina diária vir almoçar aqui, Edward claramente desaprovara mas nunca fizera nada para me impedir e sempre tinha 5 ou 6 guardas por perto. É, aparentemente eu era tão boa assim.

- Jasper cozinha divinamente bem!

- Isso é verdade, ele tem o dom!

Rose começou a falar sobre uma amiga que estava fazendo faculdade e a chamou para ajudá-la com as despesas da casa, enquanto comíamos ela ia falando sobre sua vida e isso me deixou um pouco mal, durante os dois anos que eu passei fora, foram poucas as vezes que eu chegava a pensar em Rose, mas agora eu daria a ela toda a atenção e se eu conseguisse fugir, daria um jeito de trazê-la comigo. Por precaução e segurança. Edward matou Charlie e Renée, eu não poderia permitir que ele fizesse o mesmo com Rosalie. Eu iria detê-lo, não sabia como, mas iria.

[...]

Sozinha, quebrada por dentro, destroçada por fora.

Cartas nas mangas não me servem de nada neste jogo perdido.

Eu quero minha liberdade agora!

Recuperar o que não é mais dito.

Viver, indubivelmente. Isso existe?

Não sei o que pensar, só quero chegar a algum lugar.

Eu não posso mais parar, não quando continuar é o que o meu coração insiste.

Preciso seguir em frente.

Fazer o que se foi pensado, deixar de ser indiferente.

Coloquei a caneta sobre a mesa e olhei para o pequeno texto que eu havia escrito. Fazia tanto tempo que eu não conseguia escrever um poema, na verdade, agora era como se eu nunca tivesse feito um.

Eliana, a Escolhida que cuidava de mim quando eu era criança dizia que escrever poemas era uma forma de colocar para fora o que estava preso. Aquilo que nós precisávamos falar, mas que nossa boca insistia em continuar fechada.

Depois que eu encontrei Edward e fui marcada. Eu nunca mais escrevi sequer três linhas de poema, ou qualquer outra coisa.

Inclusive meu bilhete de adeus na minha fuga fora breve:

Não mais. Não procure. Não pense. Apenas deixe-me.

Da forma como eu gostaria que tivesse sido.

- Temos visitas! – Edward anunciou entrando no quarto. Eu rapidamente fechei o caderno e coloquei dentro da gaveta, junto com a caneta. Eu já dividira coisas demais com ele. Sentimentos, sonhos, desejos, vontades...Agora eu só queria dividir a distancia, fazê-la tornar-se bem longa, longa o suficiente para que eu não pudesse vê-lo ou senti-lo.

- Quem é? – eu disse, escolhendo sabiamente minhas palavras, enquanto levantava e ia até o guarda-roupa pegar um xale para cobrir-me. Era inverno em Minesota e só eu sabia o que o frio podia fazer com uma pessoa.

- Andrey e Lucy Granger.

- Andrey é do Conselho? – perguntei curiosa, nunca ouvira falar nele na minha vida. Não que isso importasse muito.

- Não, o pai dele era, morreu a pouco tempo, atacado por...lobos.

- Lobos? – de repente eu estava bem curiosa. – Lobos tipo Lobos?

- Faça sentido Isabella. – ele sempre falava isso quando eu dizia muito e não falava nada.

- Você está falando do animal lobo ou ... daqueles lobos?

- Qual é o problema de falar lobisomem? Um lobo comum jamais mataria um vampiro , não seja tola.

- Me desculpe se eu não conheço o suficiente. – eu acusei.

- Deveria conhecer.

Eu passei por ele e fui me olhar no espelho. Aparentemente eu estava bem. Minha face estava corada, eu estava com um bom peso e meus cabelos estavam sedosos, mas eram só. Bastava olhar para meus olhos, que tudo desaparecia. Lá, eu podia ver uma menina, que perdeu a infância e o conforto da família muito cedo. Uma menina que tinha sonhos e que eles foram marcados e apagados da minha mente. Uma menina que não teve escolha, que simplesmente cedeu ao destino sem qualquer questionamento. E que só agora, dava valor aquilo que nunca teve. Eu estava me sentindo melancólica demais, e isso não era bom.

- Se você apenas me deixasse ajudá-la... – eu ouvi seu sussurro atrás de mim e tive que fechar os olhos para não permitir que as lágrimas caíssem. Eu queria muito a ajuda dele, eu queria e muito que ele fizesse sumir a dor que consumia meu peito, mas como ele faria isso se foi ele mesmo que causou isso?

- Não é questão de deixar Edward, é que...é difícil pra mim. – eu disse, me virando para olhá-lo.

Eu conseguia ver a preocupação estampada em seus olhos, eu podia ver a veracidade de seus sentimentos. Mas eu não conseguia senti-los.

- Só me diga o que se passa.

- Isso não ajudaria.

- Dá próxima vez me avise. – ele falou, enquanto se dirigia até a porta, havia desistido de mim. – Me avise sobre essas suas oscilações de humor, assim eu posso me preparar.

Ele deixou o quarto e eu apenas corri para a cama chorar. Eu não estava com espírito para ver ninguém.

[...]

4 meses depois...

Quando o nível de depressão chegou a algo insuportável, o único lugar onde eu considerava ficar era no banheiro. Edward se afastara e quase não falava comigo. Ele vinha, se alimentava, me olhava com alguma esperança e logo ia embora.

Eu vivia no banheiro. Comia no banheiro. Dormia no banheiro. Isso tudo porque aquelas paredes brancas e aquele piso gelado, era a única coisa sólida a qual eu conseguia me apoiar.

Era cada vez mais difícil respirar, era cada vez mais difícil pensar coerentemente. Eu sofria pela falta de meus pais. Eu sofria pela traição de Edward. Eu sofria por ser fraca e não conseguir mais pensar em alguma forma de fugir. Eu sofria por que...mesmo agora, mesmo odiando, ainda havia alguma estúpida parte de mim, que me dizia que eu estava sendo injusta e que eu deveria dar uma chance a ele.

Uma chance a um assassino?

Eu olhei para o enorme espelho que ocupava toda uma parede do banheiro e vi meu próprio reflexo. Eu estava descabelada, kilos mais magra, e havia muitas marcas de lágrimas em minha face. Lágrimas que cessaram a muito tempo por falta de funcionalidade. Eu só queria uma forma de fazer aquela dor tornar-se algo palpável, alguma forma de fazer com que ela escorresse para fora do meu corpo.

Foi então que por vagos instantes, eu tive um brilho de idéia, me arrastei até a pia e encontrei a tesoura de ponta.

A lâmina do metal brilhava conforme a luz que provinha das luminárias e eu suspirei, aproximei a lamina do meu braço e fechei os olhos ao sentir aquilo perfurar minha carne e o sangue escorrer. Era dolorido, mas abafava os gritos silenciosos dentro de mim.

Notas finais
Então...esse e o outro saíram menores por conta de minha pressa para postar e a falta de tempo também, a escola é bem chata quando ela quer ser. Quem estuda ou ja estudou sabe do que eu falo.
Então...Bella entrou num estado de depressão e algumas de vocês devem estar achando isso nada haver. Bom, eu presumo que para o que ela esteja sentindo, isso tem tudo haver. E chegar ao estado de auto-mutilação mais ainda.
Façam o favor de não fazerem isso hein!

Sim, o Edward sente tudo o que ela sente, mas imagine você conviver com uma pessoa que te odeia e tem total aversão a você, acreditem, não é fácil e por mais que ele queira ajudá-la, Bella não coloca meios para isso acontecer.

Agora é oficial, eu preciso de comentários para postar hein!
Agradeço a todas vocês até agora por estarem gostando.
Beijos da Mah