Spellbook Of Lost Souls
3 Capítulo 3 - Povoado Abandonado
Notas iniciais
Haru acordou antes do amanhecer. Saltou da cama, quase batendo contra o seu bidê velho e cheio de utensílios. Ele sacou a bainha de sua espada com a mesma "descansando" dentro. Brilhava mesmo sem nenhuma luz contra ela, uma maravilha. Um tanto leve, era perfeita para o garoto, que não se acostumara a nenhuma outra tentava.
Puxou um calção folgado e vestiu-o. Abriu um pequeno guarda-roupa e sacou uma camiseta escura, sem desenho algum. Era, na verdade, uma regata, porém o braço esquerdo tinha mangas, até o cotovelo.
– Muito bem. – disse para si mesmo, puxando uma mochila que estava debaixo do guarda-roupa. Começou a colocar todas as coisas que tinha, e que poderia lhes ser útil. Seus olhos entusiasmados passavam por todos os centímetros do quarto, procurando objetos que talvez estivessem perdidos no chão. Conseguiu inclusive achar seus óculos azuis, usados no treinamento da piscina, cinco meses antes.
O jovem ouviu um barulho do lado de fora. Pessoas começavam a sair de suas casas para o trabalho. Muitos, porém, tomavam o rumo do quartel. A guerra estava começando a aflorar em toda a região de Kar. Centenas de pessoas se mobilizavam a cada dia para lutar, alguns por obrigação. Segundos alguns exploradores.
– Haru? – indagou uma voz feminina, ao lado de fora do quarto. O jovem abriu a porta, que por sinal estava fechada e deparou-se com a sua mãe, observando-o com os olhos azuis celeste. Os cabelos desciam pelas suas costas com leveza e ela parecia bastante preocupada.
– Olá. – cumprimentou o jovem, abraçando a mãe. A mesma o fitou, continuando preocupada.
– Não vai desistir, não é mesmo? – perguntou, em voz baixa.
– Preciso responder? – indagou ele, sorrindo com o canto da boca, enquanto abaixava-se e puxava umas mudas de roupa duma caixa pequena. Eram camisas novas.
A mulher pigarreou e beijou a bochecha de Haru, quando ele se levantou. Eles pegaram a mochila e saíram da casa.
As ruas estavam desertas, exceto por algumas pessoas que andavam apressadas, segurando objetos pretos na mão. Tentavam chegar no trabalho na hora, do contrário, provavelmente o salário seria reduzido. Haru caminhava sentindo o cheiro das flores que rodeavam as casas da cidade. Os telhados bem trabalhados, as janelas detalhadas e a grama úmida e luxuosa. As cercas brancas, pretas, vermelhas, laranjas... de todas as cores que se podia imaginar. Caminhos de pedra, concreto, asfalto... ele ficava tonto inclusive. Seria a última vez que veria aquilo, por um bom tempo. Tinha certeza disso. Sua mãe também.
– Eu escrevi tudo que deve fazer neste papel. – disse ela, estendendo a mão que segurava algo branco cheio de riscos. – Não esqueça, hein. – recomendou, fazendo sinal para o mesmo pegá-lo.
– Sim, sim. – assentiu com impaciência o jovem, que ajeitava o papel num bolso do calção, próximo a espada embainhada.
Os dois dobraram uma rua e se depararam com várias pessoas. O queixo de Haru quase caiu, ao localizar Dan no meio deles. Seus olhos foram iluminados pelo Sol, que quase o cegou na verdade.
– Ah, já era tempo! – exclamou o rei, sério. – Dormiu demais, hein garoto.
– Desculpe. – disse Haru, baixando a cabeça por instantes. Logo depois a levantou, para fitar Dan. Era exatamente como pensava: cabelos castanhos até os ombros, olhos negros brilhantes e músculos avantajados. O jovem ficou um minuto analisando o seu ídolo, até que Alquies pigarreou alto, completamente sem paciência.
– Vamos, vamos – murmurou.
Haru correu até o grupo. Ele, Alquies, Dan e uma mulher desconhecida se reuniram em roda. Ela tinha cabelos azuis lisos e gigantescos, olhos completamente brancos e um nariz arrebitado. Boca carnuda e curvas sensacionais. Suas roupas eram curtas, resumindo-se em proteger as partes intimas, apenas. As bochechas avermelhadas pareciam duas maçãs.
– Bem, Dan e Haru: Esta é Jasm. – informou o rei, indicando com a mão esquerda e mulher. Era mais alta que qualquer um.
– Olá. – cumprimentou Jasm, erguendo o braço direito.
– Ela é uma especialista médica. Qualquer machucado ela pode curar. – explicou Alquies. Jasm ficou levemente envergonhada.
– Jasm, certo?
– Isso.
– Bem, – Alquies chamou a atenção para si, – Vocês sabem qual é a missão. Dan está com o mapa, qualquer coisa... basta consultá-lo. – a voz dele parecia muito entusiasmada. Porém, tinha profundos receios, medos.
Eles ficaram quietos por alguns instantes, até Alquies resolver falar.
– Agora... é com vocês. Se usarem a habilidade e inteligência de Jasm, – disse apontando para a moça, – a experiência de Dan, – indicou o homem, – e a bravura de Haru – sorriu, para o terceiro, – conseguirão realizar as suas tarefas.
Todos concordaram, entusiasmados com a idéia de que, minutos seguintes, sairiam da cidade para procurar algo quase impossível de se achar. O medo, porém, lhes inundava, cada vez que imaginavam tudo que poderiam enfrentar. Haru era o mais afetado pelo medo. Ouvira histórias horrendas.
– Vamos? – pediu Dan, chamando os outros dois.
– Que os Deuses te protejam meu filho! – dizia a mãe de Haru, com lágrimas tomando os olhos azuis e parte da face. Ela observava o filho abanar e caminhar, em direção aos portões.
As pedras foram movendo-se e dando espaço para os guerreiros ultrapassarem os muros. Os três guardas invejavam-lhes. Queriam mostrar serviço e se fossem para essa missão e realizassem-na com sucesso, poderiam se tornar coronéis, ou algo até melhor.
– Bem... meu nome é Dan, eu era capitão do Esquadrão C. Participei de várias batalhas e essa é a minha segunda guerra. Já fiz trinta e trinta missões para Haru e estou aqui para ajudar como quiserem. – informou Dan, cordialmente.
– Já fui médica-chefe do hospital – disse Jasm, com os cabelos lisos e azuis balançando, conforme caminhavam. – Conheço muitas coisas sobre medicina e posso lhes ajudar bastante. Além do mais, possuo o Arco de Odin, em serviço de Haru. – completou, olhando para os dois, enquanto passavam por uma curta subida.
– Eu sou Haru... e... – tentou o jovem, mas não havia feito nada até ali, apenas passado muito tempo em treinamento.
– ...e você é a nossa maior esperança. – complementou Dan, sorrindo para o jovem, que quase foi ao delírio. Seu maior ídolo acreditava nele? Que incrível... mas... por que?
– Maior esperança? – com voz surpresa, Haru indagou.
– Você e seu irmão gêmeo. – explicou Dan, – você é tão habilidoso quanto ele. O maior guerreiro que já tivemos, o Mark.
– Sério? – a voz de Haru saiu mais surpresa do que em qualquer pergunta de sua vida. Os olhos brilharam, só de imaginar o seu irmão, lutando com ele. Os dois mostrando habilidades equivalentes. Ele sempre soube que o irmão levava jeito, mas saber que havia sido um grande guerreiro e ele, Haru, tinha tantas habilidades quanto Mark... aquilo era sensacional.
– Ta me zoando? – zombou Dan, sorrindo.
O jovem piscou os olhos e sorriu também. Os três avistaram um vasto terreno com apenas algumas elevações, completamente cheio de terra.
– Vamos definir nossa rota. – disse Jasm, seriamente, – prefiro evitar estes terrenos.
Dan assentiu, dizendo que também não queria passar por ali.
– Podemos pegar aqui a direita até o Povoado de Hanglt. Depois, vamos reto para o norte. – mostrou Dan, apontando no mapa estendido sobre seus braços uma pequena cidade há uns cinco ou seis quilômetros dali.
– Chegaremos relativamente rápido. – acrescentou Jasm, satisfeita.
– OK, OK, vamos logo! – apressou Haru, virando-se para a direita.
O grupo iniciou a caminhada. O Sol se entendia pelo céu azul com algumas nuvens. Os raios pareciam flutuar... dançar sobre a terra e as cabeças dos três guerreiros. Em seu campo de visão, não enxergavam nada, exceto terra. Vez ou outra um arbusto, mas era raro. A temperatura parecia ultrapassar os sessenta graus Celsius. Todos evitam conversa, pois isso os desgastaria mais ainda. Haru ofegava bastante, enquanto Jasm controlava a respiração. Dan não parecia estar atingido pelo cansaço. Já tivera experiências piores, outra vez.
– Droga... – ofegou Haru. – Não agüento mais.
– Coma isso. – e Jasm lhe ofereceu um pequeno doce, embalado num papelzinho vermelho-berrante. Ela mandou-o comer novamente, mas Haru não estava muito disposto.
– O que é isso? – perguntou apressadamente, dando dois passos e respirando fundo.
– Apenas coma, garoto.
Com os dedos magros, desvencilhou o doce de sua embalagem vermelha. Parecia um mini doce de leite, porém tinha leves manchas verdes, bem fracas. Haru levou o doce a boca e mastigou-o com os dentes de trás. O jovem caiu de joelhos no chão: sentiu um gosto esquisito, que fez sua barriga e pernas doerem. Dan se assustou, mas Jasm fez sinal para ele permanecer imóvel.
Haru rolou, vomitando uma gosma branca. Sentia um gosto de bosta de elefante, com xixi de carneiro e vômito de cachorro. A gosma branca ia se espalhando pela terra, enquanto ele rolava para todos os lados.
– Mas que...? – intrigou-se Dan, ainda permanecendo imóvel.
Haru então revirou os olhos e parou, estatelado no chão. Os olhos voltaram instantaneamente ao normal e parou de vomitar. Levantou-se inacreditavelmente e correu cinco metros num piscar de olhos.
– Mas... mas... – não acreditava Dan. Aquilo havia sido muito estranho.
– Doce de Energia. São eficazes, mas nojentos. – explicou Jasm, orgulhosa de si mesma, – Haru não se cansará por um bom tempo, mesmo que corra um milhão de metros.
– Você é genial. – elogiou Dan, dando mais uma olhada no jovem, que gargalhava.
– Isso foi estranho, mas agora estou completamente renovado! – gritou ele, dando voltas muito rápidas em Dan.
– Isso aumenta a velocidade também? – quis saber o capitão, franzindo a testa. Sua curiosidade era extremamente grande e Jasm não esperou muito para acenar com a cabeça positivamente.
– Tecnicamente, sim.
Eles retomaram o caminho. Passaram-se minutos e mais minutos. O Sol não dava tréguas e todos começavam a suar violentamente. Toda a roupa de Dan estava molhada. Jasm pingava e Haru parecia ter recém saído do banho.
Eles tiveram que passar por uma breve colina, que se estendia ao lado de um arbusto cheio de frutinhas pequenas e branquinhas. Os homens aproximaram-se, para provar tal alimento, mas Jasm soltou um grito de desespero.
– NÃO! Isso é Pimenta do Deserto! – advertiu.
– Quê? – indagaram em coro os outros dois.
– Pimenta do Deserto! Cresce apenas em terrenos desérticos. Uma mordida pode te levar ao coma ou a morte instantânea. Ela possui um resíduo que penetra no corpo numa velocidade extremamente alta. Faz com que o coração pare de bater e os pulmões, de funcionar. Logo depois atinge os outros órgãos, quando o seu corpo já está apodrecendo no chão. – explicou, com severidade, – Quando ela não faz tudo isso, causa acidentes vasculares cerebrais e leva ao coma. Uma coisa ou outra, sempre.
Haru olhava-a com o queixo caído. E pensar que teria morrido por uma coisa tão... boba. Jasm seria de suma importância naquela missão.
– Quais eram suas notas no colégio? Onze de dez?
Todos riram com a piada de Dan e voltaram a caminhar em silêncio. Haviam falado demais e sentiam o cansaço maior, apenas por causa disso.
Os minutos passaram como horas. Na real, Haru perdeu a noção do tempo. Ele caminhava mais veloz que os companheiros, subia em morros e observava a paisagem, tentando localizar o Povoado de Hanglt. Numa de suas subidas, soltou um berro de surpresa:
– Olha lá1 Está lá! HANGLT!
Os outros "escalaram" para verificar a autenticidade de suas palavras: ele estava certo. Várias casas, muito grudadas, com ruas estreitas e um murro pequeno. O Povoado de Hanglt. Jasm comemorou e Dan sorriu. Haviam chegado, enfim.
Faltavam apenas alguns metros até o povoado. Porém, notaram algo já de longe.
– Não tem ninguém lá. – murmurou Dan, tentando observar melhor para ter certeza, – Não há ninguém.
– Os portões estão abertos... – acrescentou Haru, confuso.
Eles correram. Haru à frente, Dan um pouco atrás e Jasm, sem muito fôlego, em último. A terra começava a se dissipar, dando lugar a uma grama bem cuidada, molhada e com algumas flores plantadas. Um caminho de pedras levava para um portão grande, feito de basalto, com uma parte em madeira reforçada. A madeira dividia-se em dois, liberando a entrada de qualquer um para o Povoado. Os três passaram voando por ali e se depararam com uma cidade completamente vazia.
As casas estavam todas de janelas fechadas, partes destruídas, jardins mal-cuidados, esgotos a céu aberto e ratos se divertindo pelas ruas. Os olhos arregalados dos três observavam tudo com curiosidade e desespero. Agora tinham certeza: ninguém mais morava ali.
– O que houve? – perguntou Haru, girando sobre os calcanhares e acompanhando todas as casas que conseguia. As que não estavam fechadas encontravam-se destruídas.
– Tenho um palpite... – disse Dan, seriamente.
Os três iniciaram uma caminhada pelas ruas, observando todos os pontos da cidade. Não poderia haver qualquer pessoa ali. Dan entrou num jardim de flores mortas e grama esbranquiçada. Com a perna direita, desferiu um chute potente na porta e que se escancarou, desabando no chão. Ele pôs a mão na parede do lado de dentro e encontrou um botão vermelho. Ao apertá-lo, vários lampiões, velas e afins se acenderam na sala, revelando o que se encontrava ali: sofás rasgados e caídos, prateleiras quebradas ao meio, tapetes incendiados. Movimentou-se até a cozinha, com Haru lhe acompanhando e encontrou a mesa de jantar partida em três, com cortes retos. As pernas estavam caídas para tudo quanto era lado. A pia encharcada de água e sangue. A geladeira também tombada, com alimentos podres saindo de sua porta entre aberta.
Aquilo estava um caos. Dan cambaleou para trás e chocou-se contra Haru. Ele levou um susto, mas foi momentâneo: encontrou uma escada, à sua esquerda. Subiu dois degraus por vez e encontrou dois quartos, um em frente ao outro.
Ele girou a maçaneta, que por sinal estava aberta. Viu uma cama grande, com lençóis desarrumados, um lustre quebrado nos pés da cama e... não conseguiu ver uma outra coisa, localizada ao lado da cama. Uma parte dela estava à mostra e não dava para identificá-la na escuridão. Mais um tapa na parede e o botão vermelho fez acender um lampião, preso na parede direita. Abaixo dele, estava a tal coisa: uma mulher caída, com o pescoço cortado. Além disso, haviam arrancado seus dois braços e cortado seus cabelos. Estava toda roxa e com sangue pelo corpo inteiro.
– Meu Deus... – exclamou surpreso.
Ela deveria ter sido torturada. Com cuidado, Dan se aproximou do corpo e tocou de leve com a sua perna. O machado as suas costas estava tão pesado, que não conseguiu curvar seu corpo para enxergar melhor, apenas perceber que ela estava sem três dentes e um pedaço da orelha.
Náuseas fizeram Dan parar de olhar para o corpo. Haru havia subido as escadas e estava olhando pela porta, assustado.
– O que é aquilo? – perguntou, curioso e amedrontado.
– Nada, nada, saia daqui. – ordenou Dan, ríspido, enquanto ajeitava o machado e apagava o lampião com um sopro.
Ele retornou ao andar debaixo, encontrando Jasm parada. Ela choramingava, ao lado do sofá. Seus olhos inchados fitaram Dan, que retornava.
– Tudo bem... – acalmou, abraçando-a. – Tudo bem.
– Não... – gemeu ela, deixando mais lágrimas lhe invadirem. Suas roupas já estavam mais molhadas por lágrimas do que pelo suor que tinham ganhado no deserto. – Eu conhecia ela... conhecia. Ginny... muito conhecida por aqui... sempre vinha para ouvir as suas histórias e comer um bolo de espinafre... – sussurrou Jasm, nos braços de Dan.
– Pera aí... você morava aqui?
– Sim, – respondeu a pergunta de Haru, – morei, aliás, há muito tempo, quando tinha uns sete ou oito anos. Depois e mudei para Haru e comecei a estudar. – terminou, estancando um pouco as lágrimas.
– Por que fizeram isso...? Quem foi? – perguntou-se Dan, levantando a jovem e fitando haru também. Os três encaminharam-se para a porta, mas pararam imediatamente. Vozes e passos ecoavam pela rua.
– Temos que colocar aporta de volta... senão vão perceber que há alguém aqui! Está tudo trancado lá fora!
Dan e Haru agarraram a porta com e força e puxaram para cima. Dan ficou pressionando ela enquanto Jasm tentava escutar o que se passava por ali fora.
– Vá checar se está tudo fechado! – mando uma voz aguda, que parecia estar mais ao longe.
Vários passos firmes foram escutados. Pancadas violentas no chão indicavam que parecia ser um brutamonte, quem caminhava.
– Por enquanto, tudo tranqüilo. – anunciou uma voz grossa e rouca, chocando o punho contra as portas que via pela frente. Suas batidas pareciam ser extremamente fortes e Dan temia que não conseguisse segurá-lo...
Mais uma pancada. Pelo barulho, Haru conseguiu se situar e perceber que devia ser a porta da casa ao lado. Só estranhou que conseguisse ouvir o som tão nitidamente. Só podia ser a força da criatura ao lado de fora.
– Vou ver essa! – disse a voz grossa e mais passos foram ouvidos, porém agora bem mais nítidos.
Dan e Jasm também correram para ajudar a Dan segurar a porta. O brutamonte girou a maçaneta, mas não conseguiu empurrar a porta. Os três quase caíram para trás. Foram saindo da porta, pois com tamanha força, ela havia encaixado no buraco, um pouco mais para fora do que o normal.
– Espera aí que vou checar. – novamente a voz grave.
– O que...? – sussurraram os três apavorados.
Uma pancada e novamente a porta caiu, mostrando uma grande criatura de olhos vermelhos e barba castanha, descendo até o pescoço. O torso e a cabeça, aliás, eram completamente humanos, porém o resto do corpo, abaixo da barriga, era de um cavalo. As patas fortes bateram contra o chão. Todos aqueles passos que ouviram... eram muitos para ser de uma pessoa só. Então era por isso... em suas mãos, segurava um arco, curvado, com diversas curvas nas pontas.
– Quem diria... – murmurou surpreso. – E nem é Natal!
Os três congelaram. Teriam que lutar para a sua sobrevivência. Dan conhecia os poderes de um Centauro, mas nunca lutara contra um.
– Vamos brincar criançada.
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