Spectrum
10 Capítulo 9 – A sorte dos alemães.
Notas iniciais
Mas eu fiquei toda gay nesses últimos dois dias, já que minha querida Takashima Waka deixou uma recomendação toda amor pra essa fic, fazendo com que meu humor melhorasse bastante ♥
É nessas horas que a gente pensa "É, tá valendo a pena."
Dedicaria o cap pra ela, mas ele é tão bobinho que não é o suficiente então... Deixa pro próximo lol~
Betado pela amorzinho da Yukari-chan. Obrigada, shu. ♥
Boa leitura ^^
(Reita’s POV)
– Estou te dizendo, Aoi. – Tentei mais uma vez, seguindo o moreno que andava em meio a várias máquinas de Xerox. – Eu o vi!
– Reita, o papel de idiota aqui quem faz sou eu! – Ele estava irritado, — Tem três dias que você continua com essa bobagem de que viu o Ruki.
– Bom... Tecnicamente... Eu só o ouvi e o senti. – Fiquei pensativo. – Quer dizer, eu não abri os olhos.
– Exato. – O rolo de papéis em suas mãos voou em meu rosto. – Você estava sonhando! Pare com essa loucura, está começando a me assustar.
– Não! Não foi um sonho! – Segurei em seus ombros. – Foi real demais, foi como se ele realmente estivesse ali!
– Olha, Reita. – Tirou minhas mãos de seus ombros e sentou na cadeira mais próxima. – Eu sei que você sente falta dele e tudo mais... Eu também sinto, sabe? Mas isso já está ficando doentio!
– O que eu posso fazer? – Me defendi. – Se meu ex-namorado aparece no meio da noite, me abraça, me beija–
– Wow, wow, wow. – Levantou as mãos. – Espera aí... Dessa parte você não tinha me contado. – Riu com deboche. – Transando com espíritos, Reita?
Dei um tapa bem forte em suas costas.
– Não transamos, Aoi. – Voltei a falar. – Foi só um beijo e... Ah! Sei lá. Não sei o que pensar. – Baguncei os cabelos. – Meu ex-namorado aparece no meio da noite depois de quase dois meses... Talvez tenha razão, talvez esteja realmente louco.
Aoi suspirou. Há três dias, no mesmo dia que voltei de metrô pra casa com Uruha, eu senti Ruki me abraçando. Eu estava com sono e me lembro de poucas coisas, mas sei que era ele! Eu reconheci aquele abraço. No dia seguinte eu devo ter parecido um doido contando para Aoi o que tinha acontecido, ele simplesmente riu, dizendo que estava bebendo demais antes de dormir e depois me ignorou. Mas eu continuei insistindo, eu precisava que pelo menos ele acreditasse... Era muita coisa pra minha cabeça aguentar sozinha.
– Se fosse apenas um namorado que voltou no meio da noite eu não estranharia, na realidade eu diria que até te entendo.
– Aoi... – Repreendi.
– Tá, vamos recapitular. – Jogou a cabeça para trás em cansaço e derrota. Eu estava insuportável. – Seu namorado, morto, diga-se de passagem, apareceu no meio da noite... Te abraçou, te beijou e ainda disse pra você que podia ficar com outras pessoas.
Não havia entrado em detalhes, Aoi iria surtar se dissesse que era de Uruha que Ruki estava falando. Provavelmente me jogaria em um quarto vermelho e sem janelas junto com o loiro.
Eu não duvidava que ele realmente pudesse fazer isso.
– Basicamente... É. – Confirmei.
– Acho melhor você procurar um psicólogo. – Aoi se levantou, deu dois passos, e voltou a se virar pra mim. – Mas se quer saber, “ele” tem razão. – Voltou a andar, me deixando sozinho no meio das máquinas.
Sabia do que Aoi estava falando. Ele estava cansado de ouvir minhas reclamações, não o culpava. Se estivesse no lugar dele, provavelmente já teria atirado uma das máquinas de Xerox em mim.
No dia seguinte que “encontrei” com Ruki, foi o primeiro dia das horas extras que usaria pra me aproximar de Uruha. Pra minha surpresa nem foi tão difícil, conversávamos como se fossemos amigos de longa data, quase irmãos.
~ Flashback ~
– (...) Então desde que me juntei com os colegas da escola pra fazer uma banda, sonhei em ser um guitarrista. – Disse enquanto procurava alguns arquivos mais antigos.
Já eram quase oito horas da noite e nenhum de nós queria abandonar aquela conversa sobre nossos ideais de quando éramos adolescentes. Falei sobre minha vontade de ser mecânico, até a paixão pelo baixo – que simplesmente apareceu. Coincidência ou não, ele também tocava um instrumento que eu tinha vontade de aprender, mas nunca consegui; a guitarra.
– Eh? Tipo aquelas bandas de visual kei? – Não pude deixar de rir tentando imaginar Uruha coberto de maquiagem e usando aquelas roupas estilizadas.
– Cheguei até a usar um daqueles shorts, pra chamar atenção. – Riu envergonhado, voltando a se concentrar no que fazia.
Uruha de shorts? Aquilo fez com que eu sentisse um formigamento em meu baixo-ventre só de imaginar. Isso não era hora para começar a fantasiar essas coisas, não quando o protagonista estava bem na minha frente.
Balancei a cabeça tentando tirar as imagens de um Uruha com aquelas coxas de fora e tocando guitarra.
Ruki que me perdoasse...
– Mas não é difícil de imaginar você em uma banda dessas também. – Sua voz me tirou dos devaneios. – Essa sua faixa no rosto te dá um ar bem diferente.
Não controlei o calor que subiu para as maçãs do rosto. Por sorte a faixa cobria.
– Ah, ela é coisa minha da escola também. Um dia eu cortei a ponte do nariz na aula de artes, e como não havia um curativo que segurasse, a enfermeira enrolou uma gaze para que o algodão não caísse. Eu achei que ia ficar horrível e até pensei em ir embora pra casa, mas todos acharam que havia ficado legal. Então mesmo depois que o corte cicatrizou eu continuei a usar uma faixa, só que feita com panos. – Ri, me lembrando da cara que minha mãe fez quando decidi começar a usar o “enfeite”, como ela chamou, na época.
– Mesmo assim... – Gargalhou. – Duvido que alguém não tenha dito que você se daria bem em uma banda com esse estilo.
Na verdade, alguém já havia dito... Mas eu não lhe diria quem.
– É, algumas pessoas disseram. – Dei o assunto por terminado.
~ Fim do flashback ~
Eu ainda não havia lhe contado sobre Ruki, e não esperava contar tão cedo. Aoi me dizia que seria um modo de dar confiança e estímulo à amizade. Só que eu pensava ao contrário, ele era a única pessoa que eu conhecia que não sabia da morte do meu ex-namorado, que não me olhava com pena inconscientemente, como os outros quando viam que eu estava meio distante, sempre achando que estava pensando nele, ou sempre evitando seu nome quando conversávamos.
Não queria a pena de nenhum deles.
Da mesma forma que eu ainda não havia contando para Uruha do baixinho, também não consegui arrancar nenhuma informação dele sobre o que aconteceu no bar. É, eu ainda não tinha tirado aquilo da cabeça, e algumas ações de Uruha também não ajudavam. Quando ficava próximo demais dele, ele corava como um colegial, sempre recusou minhas ofertas de carona ou mudava de assunto quando eu o lembrava daquela sexta-feira.
Ainda arrancaria a verdade dele.
Sim, eu era pior do que uma mula.
~~
Os dias foram passando e, em cada um, acontecia uma coisa engraçada e fora da normalidade. O quê, você pergunta? Bom, a começar pela cômoda onde eu colocava meus relógios, correntes, perfumes e outras coisas. Todo dia um perfume aparecia na frente, sempre, era aquele que Ruki havia me dado de presente de natal no ano passado. Não importava quantas vezes eu o passasse pra trás na noite anterior, no dia seguinte ele voltaria para frente.
Fora isso, minhas roupas estavam sempre arrumadas de um modo diferente, sempre que abria o guarda-roupa havia uma camisa mais afastada das outras. Como se para eu escolhesse ela. Nunca mais acordei com o pé pra fora da cama, ele sempre estava para dentro das cobertas.
O mais assustador de tudo foi quando numa das vezes que voltei pra casa, Koron estava mais elétrico do que nunca, correndo do quarto para a sala repetidas vezes, e simplesmente latindo para o sofá. Primeiro eu pensei que ele havia derrubado uma das bebidas, que ficavam em uma pequena mesa na sala, mas não havia nada quebrado. Depois pensei que algum brinquedo seu havia se perdido no estofado, mas não havia nada ali. Cheguei ao ponto de procurar em seu pelo qualquer bichinho que pudesse estar lhe incomodando, mas não consegui porque ele simplesmente não ficava quieto.
Naquele dia eu quase chamei o exorcista. Mas fiquei na duvida se algum padre exorcizaria um chihuahua.
~~
Pouco tempo depois, chegamos ao tão temido dia da entrega do relatório que nos custou três semanas para ser feito, e mesmo depois de pronto ainda tirou o sono daqueles que eu indiquei para que revisassem tudo comigo. Takeshi bufou quando o escolhi, mas sabia que ele não iria se importar, podia estar explorando sua boa vontade, mas eu realmente precisava da sua ajuda, e Uruha estava esgotado pra conseguir ler qualquer coisa.
– Vamos, Reita. – Yamato-san abriu minha porta sem cerimônias. – Tire a faixa e vamos subir, fiz questão de vir buscá-lo pessoalmente!
Ele já estava com o pen drive que tinha a cópia do relatório, e estava totalmente eufórico com os resultados. Aquela parceria já estava praticamente firmada, só precisavam desse último empurrãozinho para que os alemães nos aceitassem como parceiros.
Saímos da sala e todo o andar havia se juntado para desejar boa sorte. Algo estranho demais, mas levando em consideração que se o contrato fosse firmado, o salário de todos aumentaria então... Bem, todos queriam que tudo desse certo.
E ia dar, estava confiante.
~~
– Então na semana seguinte traremos os papéis para firmar a parceria. – O advogado dos alemães disse em um japonês enrolado, levantando-se e apertando a mão de cada um de nós.
– Vai ser um ótimo negócio. – Yamato-san estava radiante.
– Assim esperamos. – O representante alemão se curvou em respeito à Yamato-san e a mim, e retribuímos o gesto.
No final, eu estava certo. A empresa estrangeira ficou imensamente feliz com os resultados e tudo ocorreu bem, poderíamos nos expandir para outras filiais europeias enquanto eles poderiam explorar o mercado asiático. Estava orgulhoso do meu trabalho e feliz pela Yamato.
Depois que os outros saíram da sala de reuniões, pudemos respirar aliviados com o sucesso.
– Meus parabéns, Reita. – Yamato-san se curvou em minha direção. – Parabéns a todos pelo bom trabalho. – Se curvou para os outros e depois saiu da sala.
– Vamos contar aos outros. – Uruha, que havia me acompanhado, guardava os papeis e se apressava para sair dali. Ele ficou nervoso o tempo todo.
Dirigimo-nos ao elevador, e quando as portas de metal se abriram, vários olhos se voltaram para nós em curiosidade e expectativa. O primeiro a se aproximar foi Aoi, junto com Takeshi, afobado como sempre e me chacoalhando pelos ombros.
– E então? O que aconteceu? Deu tudo certo? Foi um desastre? Fala Reita! – Ele continuava a me balançar.
– S-Se você deixar... – E me afastei do aperto. – Eles fecharam negócio.
Vários suspiros de alívio e muitas palmas foram ouvidos. Finalmente poderíamos descansar depois de tanto tempo trabalhando como condenados. Para minha surpresa – ou não – Aoi me abraçou fortemente e me rodou no ar. Aquele moreno com certeza não era japonês.
– Tá bom, Aoi. – Falei irritado. – Me põe no chão!
Ele riu e finalmente fui colocado de pé, me surpreendendo um pouco por ter sido praticamente jogado em direção a Uruha que sorria abertamente. Tinha que admitir, o garoto tinha feito um bom trabalho, mesmo para um novato.
– Parabéns, Uruha. – Estendi a mão em sua direção. – Você fez um bom trabalho. – Sorri.
– Fizemos um bom trabalho. – Me corrigiu, segurando minha mão e a balançando levemente.
Mas nenhum de nós quis sair daquele aperto de mão, o calor era tão bom e confortável. Uruha corou fortemente e abaixou o rosto, mesmo assim não soltou minha mão. Pelo contrário, começou a fazer uma leve carícia com os dedos.
Antes que Aoi pulasse em cima dele. Não sabia se agradecia ou se matava o moreno.
– Vamos, Uru-pon! – Pon? Hã? – Vamos comemorar! Vamos comer!
– Ah... Eu não sei. – Uruha estava da cor de um tomate a essa altura.
– Vamos, Uruha. – Falei, chamando a atenção de Aoi e de Takeshi, que estava perto. – Vai ser bom.
Yuu arregalou os olhos e encostou as costas de sua mão em minha testa.
– Está doente, Reita? – Continuou apalpando meu rosto. – Eu ouvi direito?
– Realmente... – Takeshi concordou.
– Não, não estou doente. – Empurrei sua mão para longe sem me importar em ser educado. – Só quero... Relaxar, isso é um crime?
– Não, isso é ótimo! – Aoi sorriu. – Então assim que terminarmos por aqui, nós vamos. Vou chamar Kenzo e Nagis-
– Não! – A voz de Uruha soou desesperada, sua expressão era de desespero. Mas chegava a ser cômico. – Q-quer dizer...
– Aaaah, — Yuu passou o braço pelos ombros do loiro. – Sempre soube que você jogava no nosso time, Pon.
– Nosso time? – Uruha indagou.
– Tudo bem! Nada de Nagisa. – Então o moreno o soltou Kouyou, ignorando totalmente a pergunta anterior. – Vamos voltar a trabalhar que o tempo passa mais rápido. – Só uma coisa dessas pra que Aoi fique com vontade de trabalhar...
Dei as costas aos outros e rumei para minha sala, fazendo aquilo que Yuu havia sugerido, realmente faria com que o tempo passasse mais rápido.
Não, eu não estava ficando doente. Mas sabia que podia tirar proveito da situação, sabia que algumas doses de álcool iriam fazer com que Uruha abrisse a boca e me contasse o que tinha acontecido da última vez. Sabia que não estava agindo “corretamente”, mas eu queria saber e usaria os meus próprios métodos.
Se o loiro não falasse por bem, falaria por mal.
Mas a sensação quente de sua mão ainda estava na minha cabeça, afinal, porque eu não a larguei?
~
Notas finais
Acabei não explorando as horas extras do Uruha com o Reita e só dei um apanhado por cima pra não me desviar da história ou ficar cansativo demais.
Quero reviews ou juro que passo a postar uma vez a cada duas semanas! ><"
Vocês pensam que não, mas eu sei quando vocês somem da página de reviews, fico pensando "cadê essa? e essa outra? será que elas deixaram de ler?" . Sim, eu tenho uma consideração com cada um que comenta aqui.
Enfim, é isso... Chega de mimimi ;; Espero que enham gostado e até sábado - mas isso depende de vocês!
Reviews, por favor? ♥
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