Spectrum

6 Capítulo 5 – Bar, a ideia de Aoi.


Notas iniciais
Vou deixar pra dar um aviso lá em baixo, leiam ele por favor ;)
Boa leitura!



(Ruki’s POV)



– Vou chamar o querido Kou também!



Aquela frase deixou tanto Reita quanto eu abismados. Primeiro pela capacidade de Aoi sempre tramar alguma coisa, não importando a situação, e segundo pela cara de pau da criança em questão de chamar uma pessoa que era praticamente um desconhecido. Tudo bem, o garoto merecia uma chance de se enturmar, mas eu e Reita acabávamos por compartilhar o mesmo pensamento.



Aquilo havia sido proposto não só pra tirar Akira de dentro de casa, mas também pra aproximá-lo do Uruha.



Depois daquela conversa completamente estranha que tive com um completo desconhecido na noite passada, a visão que eu tinha pelas coisas acabou por se alterar. Isso se aplicava diretamente na questão “Uruha e Reita”. Eu ainda estava mordido de ciúmes de como Akira conseguia ficar natural ao lado do novato e como este conseguia tirar a máscara de frieza que estava constantemente naquele rosto enfaixado. No final das contas, eu tinha que pelo menos começar a me conformar com tudo isso.



Eu queria o melhor para Reita, e algo me dizia que aquilo viria com Kouyou.



– É, meu bem, não tem pra onde você correr. Você vai sair ter que sair com aquele louco e ser submetido aos planos igualmente loucos dele. – Fiz menção de colocar minha mão sobre seu ombro. – Pior vai ser pro “pobre” Kou. – Ri imaginando a cara deste quando fosse convidado e também com o apelido imposto por Aoi.



Aquela cena eu não podia perder!



~~



O resto da semana transcorreu normalmente. Ou melhor, na medida do possível.



O setor de economia estava a todo vapor, acelerando as coisas e buscando dados antigos para fazer o relatório perfeito, tudo sob os olhos de seu querido diretor. Todos estavam muito atarefados, com ênfase em Kouyou e Yuu que trabalhavam como doidos, já que eram os que mais ajudavam Akira. As coisas estavam indo bem pelo o que eu podia perceber, eu não entendia nada, mas os sorrisos que Yamato-san dava quando via as prévias eram realmente estimulantes. Eu ficava feliz por eles.



Continuava seguindo Reita pra cima e pra baixo, com um pequeno diferencial: Toda noite eu voltava ao mirante para conseguir digerir o que acontecia a cada dia. Mesmo que não encontrasse mais o moreno das covinhas, descobri que aquilo me ajudava muito a aceitar os fatos. Quais fatos?



Reita e Uruha estavam criando um companheirismo que era de dar inveja até em Aoi, que era o melhor amigo daquele que um dia foi meu namorado.



Eles se davam muito bem, apesar de estarem no meio de toda aquela confusão. E quando digo “se davam bem”, eu me refiro a sempre conseguirem se acalmar quando conversavam e eu percebia que o semblante de Reita havia suavizado nesses poucos dias. Não era o único que percebia isso, todos os que trabalhavam naquele andar também perceberam. Ele já não os tratava mais como um carrasco, mas sim como amigos da forma que fazia antes de tudo acontecer. As pessoas estavam aliviadas, a diferença era palpável, e só haviam se passado alguns dias.



Na quinta-feira, ao final do expediente, Aoi foi até ao cubículo onde Uruha trabalhava, sentando-se ao seu lado.



– Olá, Uruha. – Falou, chamando a atenção dos olhos do loiro que estava arrumando os papéis em sua pasta.



– Ah, olá Shiroyama-san. – Sorriu amigavelmente.



– Shiroyama-san é meu avô. – Yuu bateu os papéis, que segurava na mão, na cabeça do loiro. – Me chame de Aoi.



– Ah, certo... Aoi-san... ? – Hesitou.



Yuu não estava feliz com aquela formalidade e acabou bufando, o que me fez rir. Eu sabia que ver esse momento ia ser ótimo.



– Não precisa de toda essa formalidade, novato. – Riu um pouco. – Vim aqui lhe fazer um convite.



– Convite? – Uruha indagou.



– O que acha de sair pra beber com meu grupo de amigos amanhã? – Mesmo que Kouyou negasse, Aoi tinha suas “cartas na manga”. – Logo após o expediente?



– Ah, eu não sei... – O loiro mordeu os lábios. – Eu mal cheguei e... –



– Exatamente por isso estou te chamando! – Yuu revirou os olhos como se aquilo fosse algo óbvio. – Vai ser bom pra você, vai poder conhecer melhor o pessoal.



Uruha pareceu ponderar e por fim suspirou, maneando a cabeça em sinal positivo.



– Tudo bem, Aoi. Você me convenceu. – Ele riu.



– Sabia que conseguiria. – E o moreno sorriu vitorioso. – Nos espere no estacionamento amanhã e iremos todos juntos.



Impulsionou-se para frente, saindo da mesa de Uruha e virando para poder fazer um último comentário.



– Se arrume e fique bem bonito amanhã. – E lá estava o seu sorriso malicioso. – Reita vai conosco também. – Terminou piscando um olho.



– Mas você é muito idiota, Aoi. Vai envergonhar o coitado. – Disse ficando ao lado do moreno. – Desse jeito ele não vai ma –



Antes que eu pudesse terminar, Kouyou esticou o tronco que estava curvado enquanto arrumava suas coisas, em uma típica posição de ameaça. Seus olhos estavam cerrados e ele parecia um pouco incomodado. De onde havia saído esse cara cheio de confiança? Até eu me assustei. Yuu estava um pouco sem jeito com aquela expressão.



– O quê quer dizer com isso? – Uruha falou com um tom um pouco desafiador.



Ah, então era isso. Ele realmente estava interessado em Reita e, pelo visto, não era uma pessoa de se envergonhar e sim de se irritar quando colocado em uma situação constrangedora. Ou pelo menos quando envolvia esse tipo de problema. Aoi adorava aquilo, já estava até controlando o riso. Segundo ele, esse era o melhor tipo de pessoa pra poder tirar sarro.



– Nada... Nada... Nadinha. – Retirou-se então daquele corredor, se ficasse mais tempo era capaz de ganhar a inimizade do garoto. Fui atrás dele, e seu sorriso estava de orelha a orelha.



– Você não presta Yuu. – Chegamos a sua área de trabalho, jogou-se na cadeira e olhou para o teto. Esticou os braços para então arrumar suas coisas e voltar pra casa.



– Aaaah... Eu não presto. – Riu um pouco de si mesmo. – Mas você ainda vai me agradecer Reita.



– Espero que esteja certo Aoi. – Falei enquanto virava e saia em passos largos. Eu ia tentar, mais uma vez, encontrar com aquele estranho.



~~



E então era sexta-feira. Acho que eu estava tão nervoso quanto Uruha, este por estar tendo uma chance única de se dar bem com seus colegas de trabalho e eu por querer que tudo desse certo para Reita, afinal, aquela era a primeira vez que ele saía depois desse tempo todo trancafiado em casa por vontade própria. Mas, com sorte, tudo ficaria bem. O problema era aquele moreno.



Aoi estava com um sorriso besta o dia inteiro, eu sabia que ele estava tramando alguma coisa, só não o quê.



E então o expediente chegou ao seu final e Reita já estava arrumando as coisas, pronto para se encontrar com os outros no estacionamento. De lá iriam a um pequeno bar no centro da cidade que era conhecido pelos ótimos drinks que vendiam. Pelo o que eu fiquei sabendo, aquela havia sido ideia do Yuu, quando ouvi Takeshi conversando com uma das fãs do Uruha, Nagisa.



Quando a ruiva ficou sabendo desse encontro, acabou por se autoconvidar. Ela provavelmente ia se atirar no garoto, porque só “dar em cima” era muito educado pra se referir à maneira como ela abordava os caras. Sim, ela já havia se jogado pra cima de mim... Antes de quebrar a cara ao saber que eu não estava interessado por já ter um namorado.



Ao chegarmos no estacionamento, não foi nem preciso procurar o grupo. Eles só estavam esperando Akira porque sabiam que ele sempre demorava mais que os outros. No grupo estavam Aoi – o mandante -, Uruha, Takeshi, Kenzo – que trabalhava na administração -, além de Nagisa e suas amigas, Yuriko e Harumi.



– Já estávamos pensando em te deixar aqui, Reita. – Kenzo se pronunciou.



– Não me importaria. – Akira retrucou.



– Vamos Rei, pare de ser um chato. – Tentei animá-lo inutilmente sem que me ouvisse.



– Aah, mas nós não o deixaríamos aqui. Não é, Uru-chan? – Nagisa estava segurando como uma louca um dos braços de Uruha, que torceu o nariz para o novo apelido. Eu ri enquanto era acompanhado indiretamente pelos outros.



Mas aquela criança não me enganava, tinha falado aquilo só pra agradar Kouyou. Ela sabia que eles eram amigos e que esquecer Reita o deixaria desconfortável, já que era o único dali com quem realmente havia tido algum contato anterior. Aoi não contava, ele só o deixou irritado.



Nagisa era esperta. Esperava que o loiro, que tentava se livrar gentilmente de seu aperto, percebesse isso.



– Vamos então? – Aoi anunciou. – Vamos nos dividir e nos encontramos lá!



Entraram nos carros, Uruha indo com Reita e consequentemente tendo como sombra a ruiva que não havia parado de segurá-lo.



– Por favor, Kami-sama... Que tudo dê certo. – E segui os carros a pé, não ia ser confortável ficar sendo atravessado por alguém no banco de trás.



~~



O bar era realmente um lugar agradável, e eu teria gostado de frequentar mais vezes. Claro que aproveitaria mais se estivesse vivo, mas mesmo morto, era ótimo. A música que tocava era algum eletrônico baixinho, alegando os corredores que acabavam servindo de pista de dança para aqueles que já estavam sobre o efeito do álcool.



Eu estava feliz por Reita, que conseguia se deixar envolver pelo ambiente e distrair-se da pressão do trabalho e também de... Outras coisas. Algo que me chamou a atenção é que ele estava bebendo mais do que costumava, aquilo me preocupou. Ele era fraco pra bebidas e esperava que não extrapolasse muito.



Harumi e Yuriko estavam conversando com dois rapazes que haviam se interessado nelas enquanto Nagisa flertava abertamente com um Uruha visivelmente desconfortável por toda aquela abordagem desde que chegamos. O garoto já havia bebido muito e eu sinceramente não entendia como ele ainda estava agindo normalmente, provavelmente era forte para bebidas.



– Ele é um prodígio! Um brinde à sua ajuda! Estávamos precisando de alguém assim. Certo, Reita? – Aoi ergueu seu copo na direção do mais novo e piscou para Akira sem que alguém percebesse. Mais uma frase de duplo sentido. – Ele está sendo realmente muito útil. – Completou dando um tapinha nas costas de quem se referia.



– Tá bom, Yuu... Todos nós sabemos que você está enciumado porque deixou de ser o favorito do enfaixado aqui. – Kenzo brincou. – Quer dizer, você e o Takeshi.



Todos que estavam na mesa riram menos o loiro alto e o moreninho de olhos azuis que ficaram meio desconfortáveis.



– Ah vamos, parem deixá-lo assim. – Reita se impôs.



–Oh! Já o está defendendo, Aki-chan? – Aoi voltou a falar usando o apelido de infância de Reita e até eu ri da cara de raiva que ele fez. – Daqui a pouco o garoto cai nos seus encantos.



– Não diga besteiras. – E lá estava meu ex-namorado bebendo ainda mais... tsc.



– Huum, o querido Uru ia adorar ser cuidado por você... – Fingiu estar pensativo.



– Nossa Reita-san, tão rápido assim!? – Takeshi pareceu um pouco mais interessado com o rumo da conversa.



– Considere-se um homem morto, Shiroyama Yuu. – Akira praticamente rosnou.



– Ui, a cacatua ficou raivosa. – O moreno não parava de provocar. E eu acabei rindo daquele momento também.



Os quatro continuaram conversando e voltei minha atenção para o loiro sentado na ponta da mesa, que mais uma vez estava sendo atacado por aquela ruiva.



– Então, Uru-chan... Você tem se dedicado tanto... Shiroyama está certo em te dar tantos elogios. Você nos surpreendeu. – A ruiva pegou uma das mechas louras de Kouyou entre os dedos. – O quê te levou à Yamato? Hm?



– Ah, eu fiz um trabalho na faculdade há algum tempo atrás que acabou sendo publicado em uma revista especializada... – Ele virou um pouco o rosto e engoliu o resto da vodka que estava em seu copo. – Yamato-sama entrou em contato comigo um pouco depois que eu terminei o curso, provavelmente um dos meus professores deu meu número pra ele.



– Nossa, então deve ter sido muito bom pra ter chamado a atenção daquele velho. – Nagisa se inclinou para Uruha, exibindo o decote que usava. Ela era tão vulgar que me dava náuseas. O loiro praticamente deu um pulo quando aquela mão que estava em seus cabelos desceu pelo seu peito e parou no meio de suas pernas.



– Nee... Uru-chan... – Começou em um tom infantil enquanto fazia mais pressão com a mão, deixando-o totalmente vermelho.



Aquilo não era bom. Ela já estava a alguns centímetros do rosto do garoto e ele parecia atordoado demais pra fazer qualquer coisa. Não era possível que ela iria conseguir o que queria, ou será que Uruha estava interessado? Aquilo atrapalharia meus planos! Só mais um pouco e eles iriam se beijar...



– TIVE UMA IDEIA! – Um Aoi visivelmente alterado se levantou de uma só vez, derrubando a cadeira que estava atrás de si. – Por que não fazemos um vira-vira? – Puxou Uruha pelo pulso assim como fez com Reita.



– Finalmente você prestou pra alguma coisa a não ser entornar todas e ficar se agarrando com pobres coitados que estavam passando. – Comentei aliviado. Aquilo tinha tirado Nagisa da jogada.



Os três ficaram de frente para a bancada do bar e Yuu pediu três shots de tequila. Aquilo não seria tão grave se eles já não estivessem meio embebedados, com exceção de Uruha que parecia um pouco mais lúcido que os outros dois.



O barman pareceu um pouco contrariado, mas deixou de se importar quando Reita colocou uma boa quantia em cima do balcão. Ele realmente queria fazer aquilo? Postei-me ao seu lado para ficar atento a todas as reações. Não sabia o que era pior, Nagisa em cima de Kouyou ou Reita com três tequilas. Só queria que eles estreitassem os laços de amizade, não saírem em um vira-vira.



– Prontos? Um... – Pegaram os copos. – Dois... – Aproximaram da boca. Uruha cheirou a bebida parecendo apreciar o aroma, ele realmente era amante do álcool. – Três! – E viraram.



Bom, Kouyou sorriu, Aoi soltou um gritinho e Akira começou a tossir e eu... Ri.



– Você não foi feito pra isso Akira, pare de agir como um adolescente. – Eu me contorcia de tanto rir da expressão do loiro ao meu lado.



– É Suzuki-san, parece que você vai se dar mal. – Kouyou falou em escárnio enquanto sorria. – Não acha melhor desistir?



– E lá vamos nós... – Cruzei os braços e esperei a resposta do enfaixado que era simplesmente fanático por desafios.



– Agora a coisa ficou pessoal. – Reita nem esperou que qualquer outra coisa fosse dita, pegou o copo transparente, virou em sua boca e o colocou com força de volta no balcão. – Próximo.



– HAHA. Isso está ficando bom! – Aoi também virou sua bebida, acompanhado de Uruha que estava levando aquilo tão sério quando Akira.



...



E ficaram naquilo por mais três shots. Nem preciso dizer o resultado, né?



Takeshi e Kenzo tiveram que, literalmente, carregar Aoi para fora do bar já que este não falava mais coisa com coisa e nem conseguia andar direito. O moreno estava engraçadíssimo enquanto enrolava mil frases ao ser jogado no banco de trás do carro.



– É, parece que eles extrapolaram. – Takeshi comentou com uma Nagisa furiosa. – Pelo menos Yuriko e Harumi tiveram um bom saldo essa noite.



– Também, não conseguem se controlar... – Respondi automaticamente.



– Não dá pra acreditar que fui trocada por copos de tequila. – A ruiva comentou enquanto seus olhos queimavam na direção de Uruha, o mais normal de todos.



Pelo menos ele conseguia andar, cambaleando, mas conseguia. Estava rindo enquanto Reita cantarolava mil músicas – ele não havia perdido a fama de “vocalista bêbado” – apoiavam-se um no outro e iam em direção aos carros estacionados no fim da rua.



– Vamoss Uruuu, vamoss! – Akira tentava ir mais rápido já que estavam mais atrás do grupo, falhando miseravelmente, arrancando risos altos do mais novo. – Antes que passe um carr... E leve meu mais novo amiguinho também...



– Você sempre fala demais quando está nessa situação não, é? – Me fiz suspirar, estava caminhando ao lado da dupla.



– Como assim, Reita? – O loiro riu não percebendo a gravidade da situação. – Atropelaram seu gatinho? – Quase se enrolou com a palavra, acabando por gargalhar da própria besteira.



– Sim... – Reita falou em um tom baixo. – Levaram... Meu gat- tinho... – E começou a chorar como uma criança.



– Ah não, não vai dar uma de bêbado chorão, Akira! – Queria estapeá-lo – Você nunca foi disso, o que te deu? E... Sério, cara? Gatinho?!



– Nãao, Reita! – O mais alto falou com a voz embargada. – Não chore, pois eu choro também.



E pronto, a cena estava feita, os dois começaram a chorar no meio da rua chamando a atenção das poucas pessoas que passavam por ali. Se estivesse vivo, ou os matava ou me enterrava em um buraco. Era absurdo.



– Ah vamos, vocês são dois homens. Reita, você já está nos seus 27 anos e Kouyou também não é nenhum bebê! – Tentei puxá-los, mas simplesmente atravessei seus braços.



– Você é um ÓTIMO amigo, Koou! – Akira se virou para o loiro alto, dando um tapinha de leve em sua bochecha. – Obrigad-do p-por ter a-aparecido na minha vi-vida! – Falou entre soluços.



– E agora passamos ao estágio meloso. – Comentei.



– Não fale essas coisas Rei-chan... Eu... Fico feliz de ter te conhecido também. – Uruha acabou ficando sério demais... Ele estava escondendo alguma coisa naquela frase... Atração?



Mas... Espera aí...



– Hei! Só eu posso chamar ele assim! – Sim, eu estava enciumado. Mesmo bêbado, ele estava indo longe demais.



– R-Ruki? – Akira pareceu voltar a si por alguns segundos.



COMO?!?! Ele tinha conseguido me ouvir!?!?



– Reita... – Nem pude completar o pensamento.



No estante seguinte, Reita se jogou no pescoço de Uruha o beijando com desespero.



O loiro demorou um tempo para se situar e acabou por corresponder àquele beijo colando ainda mais seu corpo ao do enfaixado que praticamente se pendurava em cima dele. Era algo totalmente desesperado. Eu estava congelado no meu lugar. Não conseguia nem digerir tantos sentimentos que me invadiram de uma só vez, mas de todos eles, os principais eram o ciúmes e a raiva.



Akira o beijou por achar que era eu, já que aquele apelido somente eu podia usar. E Kouyou simplesmente correspondeu ao ataque repentino, com mais desejo do que eu esperava, do que suportaria. Depois de um tempo o corpo de Reita amoleceu quase indo de encontro ao chão se não fossem pelos braços do mais alto.



– Por Kami! – Kenzo apareceu correndo. Finalmente. – Aoi deu trabalho, mas parece que esse aqui realmente apagou.



Uruha riu sem graça. Pelo menos ele não havia visto o beijo.



– É, é melhor levarmos ele pra casa. – Disse deixando que o mais velho o levasse. – Sabe onde ele mora, Kenzo?



– Sei, eu sempre costumava sair com eles antigamente. É claro que Reita nunca foi de ficar desse jeito, mas sempre que se alterava eu que os levava pra casa. – Respondeu.



– Eles? – O garoto indagou.



– Ah... Deixa pra lá, eu falei errado. – Kenzo tentou se corrigir ao perceber que havia falado demais. – Você é bem forte pra bebidas, não Kouyou-san? – Falou, mudando de assunto.



– É... É o costume, sempre gostei. – O loiro respondeu.



– Entendo... – Deu o assunto por encerrado ao fechar a porta do carro com Reita dentro. – Bom, Takeshi já levou Aoi e Nagisa pegou uma carona com eles. Não quer que eu te leve em casa?



– Não, tudo bem. Ainda consigo andar... Eu acho. – Riu acompanhado de Kenzo. – A estação do metrô fica logo ali e depois que sair na minha parada, é só algumas quadras até minha casa.



– Está mentindo... Ela fica um pouco mais distante. – Franzi o cenho.



– Então tudo bem, tome cuidado Kouyou-san, e até segunda! – O mais velho falou por fim, entrando no carro de Reita, e saindo com este em direção ao “nosso” apartamento, que ficava um pouco afastado dali.



Virei-me para o loiro alto assim que ficamos sozinhos, cruzando os braços.



– O quê você pensa que está fazendo? – Estava me remoendo em ciúmes, aquele beijo não estava nos meus planos.



Uruha passou a língua pelos lábios discretamente enquanto fechava os olhos, provavelmente se lembrando. Depois que os abriu, começou a andar lentamente devido o efeito do álcool, com a cabeça abaixada e o rosto em uma expressão pensativa. O segui bem perto, observando cada reação, já estava mais do que irritado com aquele cara.



– Quem é Ruki... ? – Sussurrou. – O que diabos estou fazendo? – Com certeza estava sentindo-se envolvido, mas parecia um pouco confuso. Ele sabia que Akira era uma pessoa difícil e que seria complicado fazer com que o enfaixado correspondesse àquela atração. – Foi... Rápido demais. – Aquilo não era apenas para o beijo, mas também para o fato de ter o conhecido há pouco tempo e já se sentir assim.



– É Reita... Você vai ter que se explicar. – E continuei a segui-lo, deixando que minha raiva dissipasse aos poucos enquanto me lembrava das palavras daquele estranho que havia encontrado no mirante. Eu tinha que me conformar, mas era tão doloroso.



Caminhei ao seu lado até sua casa, tentando não o ver mais como “aquele que queria roubar meu ex-namorado” e sim como um amigo que iria me ajudar. Era complicado, mas eu pelo menos iria tentar.



~



Notas finais
Primeiro, não me matem q *se esconde*
Entãaao... O que será que vai acontecer agora? hm? hm?
~suspense~
Bom, obrigada pelos reviews maravilhosos, de verdade ♥
Esse cap me fez rir muito quando escrevi e espero que tenhha feito vocês rirem também ;D
Agora é o seguinte...
Pra quem acompanha a fic, sabe que eu geralmente posto no sábado e na terça-feira. Só que na próxima terça eu vou ter que passar por uma pequena cirurgia e não vou ter condições de postar nada ç_ç
Então eu vou fazer a chantagem básica da vida: Se eu receber uma quantidade razoável de reviews, eu posto o próximo cap na segunda. Se não, eu posto quando me recuperar (quarta/quinta-feira).
Vocês decidem ;D
Espero que tenham gostado desse cap e até o próximo!
Reviews, por favor? ♥