Soushi: meu gato apaixonado

4 Minha Amiga, meu gato e eu


Contar até dez, até cem, um milhão. Faça o que for não voe no pescoço dela. Nas últimas duas horas eu tinha assistido a Mel e o Soushi deitados no chão com ela brincando com o cabelo dele, ou esse menino era muito inocente ou ele estava fazendo de propósito. A primeira opção está oficialmente descartada então resta-me a segunda. Deitei no sofá e peguei o celular, tinha várias mensagens dos meus pais e algumas dos meus amigos, entre eles uma do Adrian e cá entre nós, ele era o maior gato. Gato não, ele era lindo. Abri a mensagem dele e comecei a ler

My lady, espero não tê-la acordado do seu sono de beleza, não que precise de um. Como sabe semana que vem é o meu aniversário e gostaria que viesse como minha acompanhante. Beijos Adrian

—quem é Adrian? -me assustei com o Soushi tão perto do meu ouvido, ele pegou o celular da minha mão e rolou a mensagem

—o Adrian te mandou mensagem? Não creio nisso, você tem o cara mais gato da escola te mandando mensagem tardava noite- disse Mel. Eu nunca tive tanta vontade de socar a cara dela como estava naquele instante

—ele me convidou pra festa de aniversário dele só isso

—quais os termos?

—pra ser acompanhante

—dios mío tica, ele te chamou pra sair

—Mel é só um convite pro aniversário dele nada mais

—do aniversário pra cama é um pulo amiga- Soushi se levantou do chão e jogou meu celular contra o recosto do sofá

—vou pra cama, boa noite. Pode dormir com ela Mel. Eu vou pro quarto de hóspedes- ele saiu rápido e eu dei um olhar furioso pra Mel

—o que eu fiz?

—sério que está perguntando isso Melissa. Se você não percebeu ele gosta de mim, eu estava tentando desviar a atenção dele da mensagem, mas você tinha que fazer seus comentários

—nossa Luana, me desculpa tá, foi sem querer

—imaginar se quisesse- me levantei do sofá e fui na direção do corredor

—pra onde você vai?

—vou dormir com o Soushi- continuei andando até que cheguei na porta do quarto. Pensei em bater, mas optei por entrar de vez. Soushi estava enrolado em uma bola no meio da cama coberto por um lençol, suas camisa estava no chão assim como a calça, mas joguei a vergonha de lado e subi na cama mesmo assim o puxando pro meu colo- Soushi

—me deixa em paz- disse ele quase inaudível

—eu não gosto do Adrian, ele é um bom amigo só isso. Mas ninguém entende que não passamos disso e tendem a preencher as lacunas com a própria imaginação- tirei o boné que ele usava pra esconder as orelhas e retirei o cabelo do seu rosto. Seus olhos ainda estavam fechados, mas podia ver um vislumbre de suas presas pelos lábios entre abertos- vou me chutar por dizer isso mais tarde, mas. Você é o único que eu quero Soushi

—como pode querer alguém que nem sabe o que é

—você é um garoto esperto, meigo, divertido e um gato em todos os sentidos- ele abriu os olhos e eu sorri

—está dizendo isso pra eu me sentir bem?

—digo porque eu quero, se não era só te fazer carinho

—não sou assim tão fácil

—sério? -comecei a coçar atrás da sua orelha e ele ronronou- você fica fofo assim

—isso é golpe baixo

—tá bom, já parei

—gosto quando faz isso- disse ele deitando a cabeça no meu peito

—vai dormir Soushi.

******

Acordei no dia seguinte e Soushi não estava na cama, me atrapalhei um pouco antes de lembrar que eu não estava no meu quarto e fui pra cozinha.

Quando cheguei meu sangue ferveu de ódio. Soushi estava sentado no balcão comendo e a Mel se jogou em cima dele tentando beija-lo. Entrei na cozinha como um furacão e a puxei pela gola da camisa

—Lu?

—não me venha com essa de Lu Melissa

—o que foi? -disse ela assustada pela minha reação

—saia da minha casa

—que?

—pegue as suas coisas e saia daqui, agora- gritei tentando não jogar nada nela. Melissa saiu da cozinha apressada em direção ao quarto e eu me afastei de Soushi.

—Luana?

—fica quieto por favor. Não quero ser grossa com você- continuei andando até que senti seus braços ao meu redor, ele não disse uma palavra então continuei calada. Me virei de frente pra ele quando me senti mais calma e percebi que ele só estava usando uma bermuda e o chapéu da noite anterior, a raiva queimou outra vez e simplesmente sumiu quando ele me beijou

—não sou o único a ter crise de ciúmes -disse ele sorrindo

—não tive uma crise

—claro que não. Foi só uma disputa de território- devo ter feito uma cara engraçada porque ele começou a rir de mim

—não tem graça

—tá bom, já parei. Então o que vamos fazer hoje?

—que tão irmos dar uma volta na cidade?

—seria ótimo

—vá se trocar

—to indo. Senhora- ele fez uma reverência exagerada e correu pro quarto. Apesar da forma como o dia começou sei que vai ser divertido.