Sounds of the Future
19 Capítulo 18
Notas iniciais
POV Padme
Dois dias haviam se passado desde que o helicóptero havia pousado e mais ninguém vira Zoe, ela vivia escondida no quarto ou dando escapadas para o lado de fora do esconderijo.
Encontrei Dylan no corredor do hospital.
– Dylan, o que está fazendo aqui?
– Eu quero falar com você. – Ele falou, se aproximando do meu rosto.
– Dylan, agora não, eu estou trabalhando. – Falei, sorrindo, sentindo meu rosto corar.
– É sobre Zoe.
Percebi que ele não estava pra brincadeira.
– Encontro você na sala central, só me dê tempo de arrumar as coisas aqui, ok?
Dylan me deu um beijo na testa e saiu apressado para a sala central.
Procurei Suri pelos corredores e a encontrei na enfermaria engessando o braço de um menino.
– Você precisa ter mais cuidado com seus treinos. – Ela falou, lhe lançando um sorriso tímido.
– Suri, pode tomar conta do andar hospitalar pra mim enquanto eu estiver fora? – Falei.
– Aonde você vai?
– Dylan precisa falar comigo... Alguma coisa está acontecendo com a Zoe, acho que ele tem a resposta.
– Pode deixar comigo. – Suri falou, séria.
Subi as escadas correndo para ir para a sala central.
Entrei na sala e ela estava vazia.
– Dylan... – Falei.
Nenhuma resposta. Fechei a porta e bati de leve com a cabeça na porta fechada.
Senti a mão de Dylan cobrir minha boca e seu corpo colado ao meu.
Abri os olhos e encarei seus olhos castanhos.
– Não devíamos estar aqui... Zoe sabe que qualquer encontro nosso em horário de trabalho terá a saúde dela como assunto principal, e ela não quer que falemos dela.
– Então porque estamos aqui? – Falei, a voz abafada pela mão dele.
– Estou preocupado. – Ele falou, tirando a mão da minha boca. – Ela está estranha, peguei os registros de som do quarto dela de ontem, o do dia do ocorrido foi deletado da memória.
– O que descobriu?
– Ela anda sonhando com alguém chamado Kyle e fica dizendo “vocês não podem feri-lo.” repetidas vezes.
– Pesadelos... Sistema psicológico abalado, mas o que pode ter feito isso com a Zoe? Justo com ela?
– Não sei... Quero que arranje um jeito de descobrir, faça testes psicológicos com todos do esconderijo se preciso for, eu quero saber o que anda acontecendo com ela.
– Se Zoe for atingida, o buraco é atingido. – Falei, concordando.
– E o que acha que vão descobrir?
Zoe estava na entrada superior da sala, nos olhando de cima.
– Sabe, é muito ruim ter uma audição aguçada quando estão falando de você pelas costas.
Dylan fechou os olhos e segurou minha mão. Ele sabia que seríamos punidos.
Zoe pulou da entrada superior, uma queda de 2,30m.
– Zoe, isso é pro seu bem, por favor, tente entender... – Falei.
– Não estou dizendo que estão errados. – Ela me cortou.
Eu e Dylan trocamos um olhar confuso.
– O que? – Ele falou.
Zoe sorriu.
– Eu... Preciso de ajuda, vou contar tudo, eu prometo.
– Quer fazer uma consulta psicológica? – Perguntei.
Ela balançou a cabeça em afirmativa, dando um sorriso triste.
– Mas quero que tudo isso seja mantido em segredo. – Ela falou.
– Claro. – Dylan. – Qualquer coisa pra ajudar você.
Zoe suspirou e prendeu o choro. Ela estava realmente abalada.
– Preciso buscar umas coisas pra sua consulta, eu volto já. – Falei.
Saí correndo em direção ao meu consultório.
POV Dylan
– Já que estamos só nós dois aqui, vou pedir o que tenho que pedir a você.
Zoe se sentou em uma cadeira ao redor da grande mesa central circular.
Ela parecia ter visto um fantasma.
Zoe tirou do bolso do casaco um dispositivo.
– O que é isso? – Perguntei.
– Não conhece as próprias invenções Dylan? – Ela sorriu me dando o dispositivo, que logo reconheci ser um porta-retratos.
Cliquei no display para que a tela se acendesse e mostrasse a foto que estava salva ali.
Havia um casal. A menina mais velha tinha o cabelo castanho avermelhado e um sorriso brincalhão no rosto. O garoto tinha o cabelo cacheado e o um sorriso travesso, os olhos não estavam concentrados na câmera fotográfica e sim a uma coisa além.
– Quem são? – Perguntei, com um pouco de medo da resposta.
– A menina sou eu.
Troquei o olhar da foto para Zoe, procurando semelhanças, o cabelo era completamente diferente, agora ela tinha o cabelo curto e picotado, o sorriso de Zoe não era mais tão lindo e brincalhão, mas o olhos, lá estavam eles... Expressivos e misteriosos.
– E... Quem é o menino?
– Meu irmão mais novo. Passamos por muitas coisas sabe?
Fiquei em silêncio, ouvindo tudo que Zoe tinha para me contar.
Ela respirou algumas vezes, tentando conter as lágrimas.
– Você sabia que filhos de um humano e um super-humano podem nascer completamente humanos e sem poderes?
– Do que está falando?
– Eu sou uma híbrida, Dylan... Meus poderes nasceram praticamente mortos, eu podia ser uma humana normal. Eles foram desenvolvendo junto com meu crescimento. Meu irmão nasceu completamente sem poderes, eu fiquei tão feliz com isso.
Puxei uma cadeira e me sentei a sua frente.
As lágrimas já corriam pelo rosto de Zoe enquanto ela tentava não soluçar.
– Eu e ele andávamos de moto sabe e, eu não me lembro como, A Nova Ordem encontrou mamãe e papai. Nesse dia, nosso pai mandou que ficássemos no celeiro e eles morreram num incêndio.
Zoe havia começado a chorar de verdade. Eu queria que Padme estivesse ali, eu não sabia como lidar com pessoas como ela sabia.
Coloquei a mão no ombro de Zoe, o que pareceu acalmá-la um pouco.
– A Nova Ordem os trancou dentro do chalé e colocou fogo em tudo, o bom é que eles morreram sufocados e não carbonizados... Quando o fogo atingiu o corpo deles, eles já não sentiam mais dor.
Concordei com a cabeça, eu sabia o quão doloroso era ver a morte dos pais e não poder fazer nada.
– Eu e meu irmão ficamos fugindo pelo país com o primeiro grupo de super-humanos, os que criaram o refúgio.
– Seu irmão, ele sabe daqui? – Perguntei.
– Um dia a Nova Ordem recrutou ele, perguntaram se ele queria ir, e ele disse que sim... Ele me deixou com o grupo e foi embora.
Zoe bateu com o punho na mesa.
– Aquele idiota! Eu esperava que ele estivesse morto.
– Mas, você ainda tem contato com ele?
– Eu já falei o nome dele por acaso?
Sacudi a cabeça. Ela ainda não havia dito o nome dele.
– O nome dele é Kyle...
Então as imagens me atingiram em cheio, Kyle, o Crente, os olhos da foto, os olhos da Criatura, sem dúvida nenhuma...
– Eles o transformaram em um Crente! – Falei.
Zoe só balançou com a cabeça, ainda fungando.
– E eu quero te pedir um favor muito grande.
– Pode pedir, qualquer coisa.
– Primeiro quero te avisar que Kyle é completamente seguro... Não o mudaram completamente, só a forma física e eu nunca tinha visto um Crente tão forte antes.
– Tudo bem, peça.
– Eu quero que tente criar um tradutor de Crentes.
– Quer saber o que Kyle tem a dizer?
– Quero... Quero saber por que os Supremos trouxeram ele pra cá! Quero saber por que a Nova Ordem quis trazê-los pra cá depois de tantos anos esquecendo esse lugar.
– É pra já.
Me levantei e Zoe segurou minha mão antes que eu pudesse ir.
– Só mais uma coisa... Não conte a ninguém sobre isso ainda. – Ela falou, os olhos ainda vermelhos.
– Tem a minha palavra.
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