Sounds of the Future
9 Capítulo 08
POV Rachel
– Já estamos andando sem rumo há duas semanas Rachel, estamos ficando sem comida!
Emma tinha razão. Eu estava sendo uma idiota por ter acreditado naquele asteroide inútil.
– Tudo bem... Temos que arranjar um lugar pra ficar permanentemente. – Falei.
– Espera... O que? Você está... Desistindo? – Emma perguntou.
– Estou... É perda de tempo tentar ir para um lugar se não sabemos nem ir até lá, estou deixando duas crianças exaustas de propósito. – Falei, me sentando no chão.
Sentei-me ao lado de um corpo de um agente da Nova Ordem, ele ainda estava armado e a arma estava carregada. Peguei a arma e passei a mão sobre o aço frio. Em alguns lugares ela estava suja de sangue.
– Foi uma missão. – Alma falou.
– Como é? – Falei.
– Todos os corpos... — Alma continuou. — Eles estavam em missão pra destruir mais de vocês.
Meus ombros pesaram. Alma e Caleb não mereciam estar vendo tudo aquilo, eram duas crianças.
– Caleb, quer explorar território com a Alma? – Perguntei.
Os olhos dos dois brilharam, eles trocaram um olhar sonhador.
– Podemos Rachel?
– Podem, mas não vão muito longe tudo bem?
Os dois saíram correndo, rindo alto.
– O que quer falar comigo? – Emma falou.
– Temos que matá-los.
– O que? Você está completamente maluca! — Emma gritou.
– Eles não merecem estar vivendo como estão, Emma. São duas crianças vivendo nessa perseguição incessante. E se eles ainda estivessem com humanos, eles estariam mais protegidos, mas não... Eles estão com duas super-humanas, isso é ruim demais pra eles!
Emma tentava prender o choro, mas não conseguia evitar os olhos vermelhos.
– Eu não estou, de todo, errada Emma... – Minha voz falhou. — Eles merecem uma coisa muito melhor que isso.
– E acha que a morte vai ser melhor pra eles?
– Ela não é melhor pra todos nós?
Uma lágrima escorreu pelo rosto de Emma, que logo a limpou. Ela respirou fundo.
– E como vamos fazer isso? – Ela perguntou, ainda tentando prender o choro.
Eu sacudi a cabeça em negativa. Eu não sabia como fazer isso. Eu amava Caleb, Emma amava Alma, eles eram nossa família, o que restou dela ou, na verdade, a que tínhamos criado.
Então ao longe eu escutei o grito de Alma.
– Alma! – Gritei, me levantando e correndo o mais rápido possível em direção ao som.
Eu não queria saber mais de nada. Eu só tinha ideias ruins, eu não sabia o que seria da minha vida sem aquelas duas crianças. Eu só queria ter os dois sendo protegidos por mim.
Achei Caleb e Alma parados, os músculos tensos.
– Caleb, Alma, vocês estão bem? – Eu falei, me abaixando na frente deles.
Os dois olharam por cima do meu ombro.
Levantei-me devagar e engatilhei a arma, preparada para atirar assim que eu me virasse.
Num movimento rápido, me virei para trás e mirei.
Um garoto loiro e alto, os cabelos cacheados. Usava um casaco preto de gola alta e um jeans preto.
– Quem é você? – Ele perguntou.
– Quem lhe deu o direito de mexer com essas crianças?
O garoto exalava uma energia pesada, era como um odor pungente pra mim, um odor que me deixava com raiva, eu podia atirar nele naquele momento.
Uma menina com os cabelos castanhos e curtos chegou atrás dele. Os olhos intensamente azuis olharam para mim e logo se fixaram nas crianças atrás de mim.
– Piers... O que você ta fazendo? – A menina falou.
– Abaixe a arma. – Falei, tendo noção que minha voz estava diferente.
– Vamos abaixar juntos, ta legal? – Ele falou.
– Como vou saber se está falando a verdade?
– Por favor, abaixem logo essas armas, eu estou com fome! – A menina falou, se colocando entre as duas armas.
Piers abaixou a arma e passou a mão em seu cabelo, nervoso.
Emma chegou correndo atrás de mim.
A menina que estava com Piers me estendeu a mão.
– Meu nome é Katrina. Por favor, perdoe meu irmão... Ele comete erros demais.
Apertei sua mão, não muito confiante.
De repente, um tiro.
– NÃO! – O grito de Emma gelou toda a minha corrente sanguínea.
Tudo aconteceu em câmera lenta. Olhei para trás e o corpo de Alma caía no chão.
Piers mirou o rifle na direção de onde o tiro tinha saído e atirou. Não sabia se havia matado o atirador ou não.
– Alma! – Emma falou, segurando o corpo mole da menina.
Caleb ficou parado de pé olhando para o corpo da irmã. O tiro lhe atravessara o corpo na altura do estômago.
– Era sua irmã? – Katrina perguntou.
Sacudi a cabeça na negativa.
– Era quase uma filha. – Falei, sentindo as lágrimas escorrerem dos meus olhos.
Foi como se Katrina tivesse levado um choque na menção da palavra “pais”.
– Podem deixar ela comigo. – Katrina falou, pegando o corpo de Alma nos braços.
Ela a aninhou e começou a balançar de leve, como se estivesse ninando Alma. Caleb colocou a mão na testa da irmã.
Os olhos de Caleb começaram a brilhar, brancos. Ele começou a falar uma língua que eu não conhecia ou entendia.
Os olhos de Katrina se abriram, emanavam o mesmo brilho branco que os de Caleb. Ela levantou a blusa de Alma até o local da ferida do tiro, pousou a mão sobre a ferida que ainda sangrava e imediatamente ela parou de sangrar. A cicatrização iniciou e logo não havia nenhuma marca ali, nem mesmo uma cicatriz.
Alma abriu os olhos. Caleb caiu e por pouco o peguei, antes que batesse a cabeça no chão. Os olhos de Katrina voltaram ao normal e ela desmaiou.
Piers ainda olhava pelo visor do rifle.
– Acertou? – Perguntei.
– Não. – Ele falou, bateu o pé no chão e se afastou.
– Você está bem? Não está doendo nada? – Emma falava desesperadamente com Alma.
– Estou bem sim. – Alma falou, se lançando para Emma, a abraçando.
Sorri olhando aquela cena e me voltei para Caleb que respirava com dificuldade e meu colo.
– Você está bem amor? – Perguntei.
Ele balançou a cabeça em positiva.
– Estou com fome. – Ele falou.
Eu sorri e abri a mochila. Tirei de lá um pacote de salgadinhos e ele o devorou.
O deixei ali sentado comendo os salgadinhos e fui com uma garrafa de água até Katrina. Joguei um pouco da água em seu rosto sujo de poeira.
– Quem é você? – Falei.
Katrina e Piers apareceram do nada. Katrina tinha poderes, mas ela não parecia uma super-humana.
– Abduzida. – Caleb falou, estava em pé atrás de mim.
– Como é?
– Ela não era uma super-humana há duas semanas... Era agente da Nova Ordem.
Olhei para o rosto abatido de Katrina.
– Se era da Nova Ordem... Porque ela quis salvar a Alma?
– Nem todos da Nova Ordem são maus, afinal. – Caleb falou.
Ele se ajoelhou ao lado da cabeça de Katrina e colocou sua mão sobre a testa dela.
Ela abriu os olhos de imediato.
– O que houve? – Ela falou, se sentando rapidamente.
– Calma. – Falei, sorrindo. – Você salvou a Alma.
Ela olhou para Alma, que abraçava Emma.
– Que bom que pude consertar. – Ela falou.
– Seu irmão está se sentindo culpado, não conseguiu atirar no atirador de Alma. – Falei.
– Hunf, esqueça, ele é um exibicionista idiota. – Ela falou, dando de ombros.
Dei a ela alguma coisa de comer.
– Você era agente da Nova Ordem?
Ela levantou os olhos pra mim.
– Sim, eu era... Mas eles me abduziram... Eles treinam agentes e os melhores são abduzidos, o resto é jogado em missões suicidas, acabam todos mortos.
A Nova Ordem ainda queria que o mundo fosse tomado por uma nova raça, uma raça superior.
– Seu irmão, ele...
– Era capitão de uma equipe... Está arrasado, ele não era de deixar nenhum soldado pra trás, mas todos morreram, só nós dois sobrevivemos. E agora temos esses poderes meio estúpidos.
– Quais são os seus?
– Telecinese, força e regeneração de tecidos. E com a ajuda do seu amiguinho ali, ressurreição. Você é uma super-humana?
– Sou. Previsão do futuro e velocidade avançada.
– Deve ser legal... – Ela falou, com a boca cheia.
– Acredite, não é. – Falei, lhe lançando um sorriso triste.
– Piers cria campos de força e lê pensamentos, ele pode saber tudo que você está pensando apenas olhando pra você, é um poder horrível.
O silêncio entre nós durou um minuto. Caleb se juntou a nós.
– Mas me contem... Pra onde vocês duas estão indo com duas crianças?
– 15ª Província. – Caleb falou, sorrindo.
Eu não sabia se eu realmente podia confiar em Katrina, mas agora não tinha mais volta.
Katrina abriu um sorriso.
– Vocês estão realmente com sorte. Além de ressuscitar a garotinha, posso levar vocês até lá!
– Ta brincando? – Falei, sentindo o alívio cair sobre meus ombros.
– Sério! Vou usar o Piers pra roubarmos um carro! – Ela falou.
Piers se aproximou de nós novamente, o semblante ainda sério.
– Ouvi meu nome irmãzinha, o que você quer?
– Temos com quem ficar... Rachel e Emma são poderosas e estão indo para a 15ª Província.
– E o que esperam encontrar lá? Desertos? Campos abertos onde podem nos encontrar? Qual é Katrina? Acha que isso vai ser uma boa ideia.
– Eu tive uma visão, existe um lugar, um esconderijo, localizado na 15ª. Ele é impossível de ser rastreado.
– Viu que legal Piers? Ela tem visões!
Piers me olhou, desconfiado.
– Somos todos mal educados, me deixe apresentar vocês. Piers, esses são Alma e Caleb, aquela é a Emma e essa é a Rachel. Pessoal esse é o meu irmão Piers.
Emma me lançou um olhar desconfiado, ela ainda não confiava em Piers, muito menos eu, mas eu confiava em Katrina, então um ponto pra ela.
Piers foi em minha direção.
– Pra quando querem o carro?
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