Amós acordou com uma mudança na pressão atmosférica. De repente o lugar parecia ter ficado mais frio que o normal.

Ele se levantou e foi até a sala de controles, onde eles podiam governar a Terra e observar o céu, para evitar novas invasões.

Ele olhou o céu, como se procurasse por alguma coisa, em especial um asteroide.

– Não conseguiu dormir? – Uma voz falou as suas costas.

Amós se virou e encontrou os olhos castanho avermelhados de Tori, que ficavam em vermelho vivo acompanhando sua pulsação.

– Você também não? – Falou, sem tirar os olhos de Tori.

– A pressão teve mudança demais pra mim, sabe que eu sou mais sensível. – Tori parou ao lado de Amós e olhou para o céu. – Sabe que eles estão vindo, não sabe?

– Não podem. Vamos começar uma guerra, temos um exército.

– Do que você está falando exatamente?

– Os super-humanos.

Tori o olhou nos olhos, o vermelho pulsando cada vez mais rápido.

– Eles vão se recusar Amós, sabe que vão, eles prezam muito as vidinhas inúteis deles, eles acham que os amaldiçoamos.

– Vamos mostrar que não... Ameaça é uma ótima motivação.

Tori se concentrou naqueles olhos azuis gélidos, a pele muito branca era quase transparente, principalmente no escuro.

– Pare de tentar ler a minha mente Tori, sabe que estou falando a verdade.

– É... Pode ser... Mas ainda acho que o medo é mais motivador.

– Do que está falando?

– Bartholomew fez uma grande bagunça naquele laboratório que nos cederam.

Ela tinha um sorriso brincalhão nos lábios.

– O que ele fez?

– Primeiro, um chip. Cada super-humano já criado por nós vai receber um deles, um tipo de rastreador.

– Mas como vamos colocar neles?

– Temos amostras de sangue de todos os que criamos.

Tori andou até um computador e Amós a seguiu. Ela mostrou uma tela com amostras monitoradas de sangue, que continuavam em constante mudança, como se nunca tivessem saído do corpo de seus hospedeiros.

– Vamos colocá-los em um insectóide criado por Nahuel, eles terão todo o arquivo dos super-humanos em microchips e a picada vai instalar o rastreador nos super-humanos indicados no arquivo.

– Qual a margem de erro?

– Zero... Eles não podem errar.

Amós relaxou, deixando os ombros caírem um pouco.

– Ah, ainda tem mais...

– O que houve? – Amós falou, sentindo a pulsação mais forte nas veias.

Amós a seguiu por um corredor estreito e claro que levava até o laboratório. Tori digitou uma sequencia de números e a porta se abriu com um clique.

O laboratório era enorme, Amós nunca tinha entrado lá, afinal, não era a sua área.

Tori continuou até parar em uma porta no outro lado da sala.

– Pegue a lanterna, vai precisar.

– Porque simplesmente não acendemos a luz?

– Eles são sensíveis. Qualquer sinal de luz, faz com que eles fiquem alterados.

Amós não sabia o que Bartholomew e Tori tinham inventado. Eles eram gênios da biologia tanto do planeta deles como da Terra.

O corredor estreito finalmente sumiu a frente deles. Tori ligou a lanterna e um brilho azul fraco saiu do objeto.

– Não acenda a sua ainda, me siga.

Amós seguiu Tori pelo grande espaço subterrâneo quando sentiu um grande movimento a frente.

– Contemple a nova espécie. – Tori falou.

Amós acendeu a lanterna e um pequeno facho azul mostrou uma grande gaiola.

– Como fizeram? – Amós falou, tinha um brilho doentio nos olhos.

– Esses são os Crentes... Construíram templos pra nós e nos ofereceram sua vida e alma em troca de salvação... Resolvemos aceitar a oferta.

Amós se virou para Tori e a tocou no ombro.

– Quem teve essa ideia?

– Eu... Bartholomew não sabia se daria certo, mas...

– Não quero saber de Bartholomew. Você é um gênio.

Amós se inclinou e a beijou, um gesto proibido no planeta deles, fazendo seus lábios queimarem ao primeiro toque, mas logo depois passou.

Ele se afastou e colocou uma mecha do cabelo de Tori atrás de sua orelha.

– Vamos... Temos uma guerra pra começar, vamos testar os seus... Bichinhos.

{...}

Ano 2084

O mundo não mudou como a Nova Ordem queria.

As pessoas que foram “agraciadas” com super poderes ou se matavam ou viviam escondidas, poucas foram as que tomaram coragem para ir em frente. Peter e Ashia continuaram a viver como se nada tivesse acontecido.

Ignoraram o fato de que tinham super poderes, Peter tinha super velocidade e Ashia tinha telecinese.

Os dois se casaram e tiveram duas filhas. As duas eram iguais a mãe, sendo que a mais nova tinha os olhos escuros do pai.

Elas nasceram com genética modificada, tendo poderes que ninguém sabia quais seriam, mas que deixavam os pais preocupados.

– Como vamos contar a elas tudo que aconteceu Peter?

– Não precisamos dizer nada ainda Ashia, elas nem têm poderes ainda.

– Mas isso é questão de tempo, podemos ter anos como podemos ter dias... Como vamos fazer?

Peter ficou em silêncio.

– Elas não precisam saber o que aconteceu com a gente... Digamos que elas apenas nasceram com poderes...

Quando as meninas fizeram 10 e 7 anos, uma guerra se iniciou.

As primeiras pessoas a serem convocadas foram as da 1ª Classe da Nova Ordem, os super-humanos.

Várias pessoas que tinham continuado a vida e tinham feito famílias, começaram a fugir, caravanas de famílias com pais super poderosos fugiram para qualquer lugar, mas não funcionou, a maioria deles foi rastreada.

Eles não tiveram como fugir, se recusassem a Nova Ordem colocaria suas famílias em risco.

– A guerra é contra quem? – Ashia perguntou a Peter, após ele voltar desolado de uma reunião de batalha com a Nova Ordem.

– Não é quem, é o que... Uma nova espécie está começando a atacar o planeta e eles precisam de soldados para evitar.

– Vocês vão voltar... – Ashia falou.

– Não entende meu amor... Seremos massacrados. – Peter falou, colocando as mãos nos braços de Ashia.

Ele sentia a pele de sua esposa, ele se lembrou da primeira vez, presos em um laboratório, Ashia estava com medo, assim como agora.

– Mamãe...

A menina mais velha colocou a cabeça para fora do quarto.

– Rachel... – Ashia falou, lançando lhe um sorriso triste.

Rachel correu e abraçou as pernas do pai.

– Você vai ter que ir pro lugar com os caras maus?

– Como você sabe disso Rach?

– Eu sonhei com isso papai.

Rachel conseguia prever o futuro, o poder dela tinha acabado de se desenvolver. Ashia e Peter trocaram um olhar apavorado.

Peter se ajoelhou em frente a Rachel e a segurou nos braços.

– Promete uma coisa pro papai... Você vai cuidar da sua irmãzinha, até o papai voltar, tudo bem?

Rachel tinha grandes olhos verdes e eles estavam ainda maiores naquela noite. Ela assentiu com a cabeça.

– Muito bem, agora vai dormir. – Peter falou.

Antes de deixa-la ir, o pai a abraçou forte. Ele não queria deixar ela ali, ele não queria deixar a família dele sozinha.

– Não esqueça essa promessa nunca ok Rach?!

Rachel assentiu com a cabeça e correu para o quarto.

Ashia estava ali de pé, com lágrima nos olhos.

– Nós podíamos te esconder, e você ficaria com a gente. – Ela falou.

– Eles nos achariam de novo, e estaríamos todos em perigo.

Peter a abraçou e ela começou a chorar.

Seria mais difícil ir do que ele pensava.

Quando Ashia finalmente dormiu em seus braços e ele a carregou até a cama, foi ao quarto das meninas, deu um beijo na testa de cada uma e partiu, sem dizer mais nada.