Sounds of the Future
23 Capítulo 22
Notas iniciais
POV Zoe
A noite havia sido meio perturbadora. Eu não havia conseguido pregar os olhos.
Eu podia sentir os passos de Kyle vindo de cima, por mais que eu estivesse longe dele.
Verifiquei as horas no relógio para ver se ainda daria tempo de dormir, só pra descobrir que já estava na minha hora de levantar.
Dylan e Padme haviam marcado um conselho na sala central para colocar Drew e Suri a par de todos os acontecimentos. Padme me convenceu de que os dois poderiam nos ajudar a fazer alguma coisa.
Deixei a água morna cair sobre meus ombros. Eles estavam tensos demais, como se eu estivesse tendo um pressentimento ruim. Esse era um poder que, se eu pudesse, trocaria... Meus pressentimentos nunca estavam errados, o que me deixou um pouco nervosa. Padme estava buscando tratamentos naturais para ajudar a diminuir minha tensão, isso incluía massagens e chás criados por ela.
Olhei para o relógio novamente, estava na hora de encarar Drew e Suri.
Andei segura até a sala central. Dylan e Padme já estavam lá.
– Só faltam os dois? – Perguntei.
– Não fique nervosa Zoe, eles vão entender. – Dylan falou, sem tirar os olhos da tela do computador.
– O problema não é eles não entenderem... O problema é eles quererem matar Kyle se não concordarem com a gente. – Falei, me largando em uma cadeira.
– Você está muito tensa Zoe, tome. – Padme falou, me dando uma xícara com um chá borbulhante e verde dentro. – Não é tão ruim quando se toma de uma vez. – Ela falou, fazendo uma careta.
Bebi o líquido quente de uma vez. Ele era grosso e desceu arranhando minha garganta.
– Nunca mais me dê isso. – Falei, colocando a mão sobre a boca para evitar vomitar.
– Tudo bem, eu prometo. – Ela falou, indo em direção a um pequeno laboratório improvisado que tinha criado dentro da sala central.
O computador de Dylan começou a bipar. Ele abriu um sorriso meio doentio e foi em direção a mesa circular, que tinha ferramentas variadas espalhadas sobre ela.
– Notícias sobre o tradutor? – Perguntei.
– Sim! E promissoras! As ampolas que Padme pegou foram o suficiente tanto para ela estudar o organismo das criaturas quanto para a minha criação do tradutor, só faltam alguns ajustes.
– Ajustes de quê?
A voz fina de Suri ecoou pela sala.
Os olhos pequenos e brilhantes vasculhavam a sala, como se tentando entender tudo que estava acontecendo.
– Que história é essa de ampolas? Vocês estão fazendo experimentos em quê exatamente? – Drew falou, se pondo atrás dela.
– É exatamente sobre isso que nós queremos falar com vocês... É por isso que estão aqui. – Falei decidida.
Os dois se sentaram a mesa e eu contei tudo o que tinha acontecido.
Padme e Dylan trocavam olhares nervosos e eu vi que Padme tentava analisar tanto as reações como o cérebro dos dois, e ela era boa nisso.
– Então espera... Porque não quis nos contar isso antes? – Suri falou, pude jurar que havia mágoa em sua voz.
– Eu não podia... Quer dizer, eu não sabia se devia fazer isso. Afinal, eu nem sabia se daria certo. Contei a eles porque eram vitais no plano, não queria envolver vocês dois se algo desse errado.
– Resumindo: Você ia esperar até dar merda pra nos contar, é isso? – Drew falou, ríspido.
– Eu não falei isso em nenhum momento, Drew, tente entender...
– Não, como eu vou tentar entender isso agora? Eu acreditei em você! Eu confiei em você! Minha vida está nas suas mãos e é isso que você está fazendo agora? Mentindo pra mim?
– Eu não menti Drew! Apenas não queria colocar vocês em perigo...
– Quer dizer que se o Dylan ou a Padme morrerem tentando colocar essa coisa naquele bicho, você não se importaria?!
– Drew pare. – Suri falou.
– Ele é completamente seguro. – Padme falou, parando de fazer anotações.
– Você não tem certeza disso... É só uma teoria! Se eu fosse você ficaria longe dele.
– Drew pare. – Suri falou de novo.
– Você não tem o direito de falar assim! – Padme levantou a voz.
Nós nunca tínhamos ouvido Padme gritar, foi o que nos fez parar.
Os olhos dela estavam marejados.
– Vocês tem que parar de tratar Kyle como se ele fosse um experimento! Ele pode não ser um ser humano, mas ele respira, ele se alimenta, ele sente... Ele tem sentimentos... Isso é o mais importante. Parem de tratá-lo como se ele fosse mais uma coisa que se desse errado era só jogar no lixo.
Padme afundou o rosto na clavícula de Dylan. Ele olhou para Drew e fez balançou a cabeça negativamente.
Padme era uma pessoa tão alto astral, que quando ficava triste, todo o ambiente parecia estar desabando.
Suri andou até ela e colocou a mão em suas costas.
– Nós vamos ajudar. – Suri falou.
Padme se virou devagar para Suri.
– Como é?! – Drew falou.
– Nós vamos ajudar... Não é Drew? – Suri falou.
Lá estava o poder dela fazendo efeito mais uma vez, suas palavras poderosas ecoavam pelo ar da sala.
Drew respirou fundo e soltou o ar pesadamente.
– Tudo bem... Mas não fiquem tão desesperados quando isso der errado.
Padme abriu um sorriso, meigo como só ela sabia dar.
Então ela virou a cabeça e olhou nos olhos de Dylan.
Seu sorriso foi se desfazendo aos poucos.
– O que houve amor? – Ele perguntou baixinho.
– Seus olhos, mudaram de cor de novo.
Todos na sala ficaram tensos. Ninguém mais duvidava dos poderes intuitivos de Dylan.
– Eu... Estou ouvindo alguma coisa. – Padme falou, tentando se concentrar em algum som inaudível.
– Espera... – Drew falou, também se concentrando.
Ele arregalou os olhos.
– Para o arsenal agora. – Ele falou, dando a ordem.
– O que? O que vocês ouviram? – Perguntei.
– Estão atirando em alguma coisa... E provavelmente, essa “alguma coisa” é Kyle.
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