Sounds of the Future
15 Capítulo 14
Notas iniciais
Tori sorriu quando o insectóide chegou ao laboratório carregado de amostra de sangue da ex – militar.
Ela começou a misturar o sangue ao soro que tinha desenvolvido.
Tori colocou um sedativo em uma pistola de pressão e colocou no bolso do jaleco uma seringa com o soro avermelhado.
Com passos rápidos, Tori chegou a primeira jaula com um Crente recém-criado, fruto da ressurreição dos corpos dos soldados.
– Você parece triste querido... – Tori falou, com um sorriso maldoso nos lábios. – Não precisa se preocupar mais.
Com um gesto rápido, Tori deu o disparo com o sedativo no pescoço do Crente, que caiu de imediato.
Tori sentiu a pulsação e injetou o conteúdo da seringa no pescoço do Crente.
Assim que terminou, voltou ao laboratório, dando de cara com Amós.
– Amós... O que está fazendo aqui?
– Sabia que estava cuidando do novo experimento, estava apenas te esperando.
Tori sentiu um arrepio na nuca.
– Mas diga-me o que você quer... – Tori falou.
– Você quer testá-lo depois que ele acordar?
Tori sentiu alguma coisa borbulhar dentro de si.
– Claro, mas onde?
Amós se levantou e andou até ela.
– Sede outro Crente, sem colocar soro nenhum nele.
– Mas aí não poderemos controlá-lo. – Tori falou, começando a entender as intenções de Amós. – Quer colocar dois Crentes para lutar?
– Que outra maneira teríamos? Não podemos mais obrigar os super-humanos e os que temos arquivados não são tão fortes para o sangue de uma super soldado.
– E onde quer fazer isso? – Ela falou.
Amós abriu um sorriso maligno. Tori semicerrou os olhos pensando em um lugar propício para o treinamento das criaturas.
Foi então que a ideia de Amós lhe atingiu em cheio.
– Quando vamos levá-los para a 15ª Província?
{...}
POV Dylan
Minha testa não parava de suar, e eu sabia que isso era um péssimo sinal.
Drew ficava me dizendo que eu estava transpirando porque eu tinha começado a namorar e estava nervoso, mas não era isso.
Tudo bem, eu esperava para namorar a Padme desde que eu tinha chegado a 15ª Província, ela tinha salvado a minha vida.
Estava fazendo mais anotações de experimentos, uma maneira de me manter calmo, mas mesmo assim, minha testa continuava suando.
Coloquei os óculos sobre a escrivaninha e fui lavar o rosto.
Olhei-me no espelho e percebi que meus olhos tinham mudado de cor de novo.
Agora eu sabia que realmente tinha alguma coisa errada.
Corri pelo corredor até encontrar alguém do conselho.
– Suri, Suri graças a Deus encontrei você! – Falei, me apoiando nela enquanto tentava recuperar o fôlego.
– O que houve Dylan? Aconteceu alguma coisa entre você e Padme?
– Porque agora tudo se resume a isso? Eu sou uma pessoa importante nesse esconderijo que vocês montaram! – Falei, tomando mais um pouco de ar. – Enfim... Proclame uma reunião do conselho, é importante.
Suri sabia que eu falava sério e saiu apressada em direção ao painel de controle disponível no corredor.
Não demorou muito até a sala central começar a ser ocupada pelas pessoas importantes.
A 15ª Província era uma fortaleza, onde super-humanos podiam tanto viver em paz, como treinar para batalhas contra a Nova Ordem.
Padme era nossa líder médica por ter poderes de cura. Eu era o líder das ciências, porque tinha inteligência avançada como poder. Drew era líder da segurança porque além da super força, ele era ótimo atirando. Suri era a mais nova, mas era líder de relações interpolíticas, ela sabia conversar com adultos como se fosse uma deles, e ela era muito persuasiva, o que nos dava um ponto.
– Qual foi o problema agora, cara? – Drew falou.
– Está todo mundo aqui? – Falei.
– Precisa mesmo falar quando estiver todo mundo aqui? – Drew falou, apertando os olhos.
– É claro que sim! Eu nunca convocaria um conselho se não fosse uma coisa muito importante!
– Lembrando que “todo mundo do conselho” são seus melhores amigos!
– Não é por nenhuma causa pessoal Drew, entenda que eu não sou burro!
– Chega vocês dois!
E essa era Zoe. Ela era a líder da 15ª Província. Era esperta e sagaz de todas as formas, talvez pela vida complexa que ela teve.
Pelo pouco que sabíamos dela, Zoe era a mais velha da fortaleza, ia completar 25 anos.
– Vocês tem que parar de se comportar como crianças! A Suri tem treze anos e se comporta melhor que vocês!
– Desculpe Zoe. – Eu e Drew falamos.
– Tudo bem... Dylan, porque chamou a gente?
– Meus olhos mudaram de cor de novo.
– Ah cara, eu não acredito que chamou a gente por causa disso! – Drew falou, dando um tapa na própria testa.
Ele podia estar rindo agora, mas Zoe sabia que isso era ruim.
– Quando foi a última vez? – Zoe perguntou.
– Na semana da queda do asteroide.
– Isso é sério pessoal! É de importância vital que todos estejam preparados para o pior. – Zoe falou, se apoiando na mesa redonda.
– Mas Zoe, estamos em uma cidade subterrânea, temos uma segurança de primeira, temos os melhores médicos e curandeiros entre os super-humanos. Nossa base é toda revestida em aço, porque deveríamos nos preocupar.
No momento em que Drew acabou de falar ouvimos um barulho.
Suri se encolheu e correu para abraçar Padme.
– O que é isso? – Suri perguntou baixinho.
– Um helicóptero... E está pousando. – Falei.
– Drew, preciso de dois homens para ir a superfície comigo agora.
– Vai arriscar dois dos meus homens para ver um helicóptero? Não mesmo. – Drew falou.
– Então venha você e Dylan! Isso não acontece há mais de três anos.
Drew me levou até o arsenal e me deu um revolver.
– Acha que isso pode salvar a minha vida? – Falei.
– Sua namorada te salvou com uma faca garoto. Se sua pontaria for tão boa quanto suas habilidades científicas, então, sim, isso pode salvar sua vida.
Nos encontramos com Zoe no corredor um andar abaixo na superfície.
– Não quero que vocês apareçam, só saiam do esconderijo se eu mandar, tudo bem?
Balançamos a cabeça.
Zoe abriu uma escotilha e ficou abaixada atrás de uma abertura no muro.
Me levantei um pouco para olhar o motivo de termos subido, logo me abaixei, respirando rápido. Não era para aquilo estar acontecendo.
– Dylan, relatório. – Zoe falou.
– Um helicóptero. Acabaram de pousar duas caixas, não sei o que tem dentro delas, mas são enormes. – Falei, tentando controlar minha voz para não gritar.
Zoe se contorceu para poder ver o que estava acontecendo. Rapidamente ela se agachou atrás do muro novamente.
– O que a Nova Ordem está fazendo aqui? – Ela falou.
– Agentes? – Perguntei.
– Não... A Nova Ordem em pessoa, os líderes. – Zoe falou.
Drew se esgueirou um pouco para poder ver.
– Eu não acredito! Eles estão... Procurando alguma coisa. – Drew falou, se abaixando ao lado de Zoe.
– Tem um traidor no abrigo? – Perguntei.
– Não, ninguém sai há anos... Alguma coisa aconteceu na Nação que os trouxeram pra cá.
Uma mulher e um homem. Mesmo que não estivessem todos os líderes juntos, ainda podia sentir o medo dentro de mim.
A mulher andou até uma das caixas e a abriu. De dentro dela saiu uma criatura com quase dois metros de altura.
– Santa virgem, o que é aquilo? – Drew falou, segurando a arma com mais força.
– Crente. – Falei. – Mas nunca vi um tão... Domesticado.
O Crente parecia triste, assustado até, o que me deixou um pouco confuso.
Os dois correram de volta para o helicóptero. A segunda caixa começou a estremecer, como se alguma coisa tentasse sair. O outro Crente se encolheu e procurou um lugar onde pudesse se esconder... Porque aquele Crente queria se esconder? Eram as criaturas mais poderosas do mundo. E de que ele estaria se escondendo?
O helicóptero decolou e a caixa explodiu em um milhão de pedaços metálicos.
– Mas... É só outro Crente. – Falei.
O primeiro Crente se encolheu, num ato de defesa. Era a primeira vez que via um Crente que não queria lutar.
– Tem alguma coisa errada. – Zoe falou.
O primeiro Crente olhou na direção do muro e, por um momento, Zoe pareceu perder o chão.
– Kyle...? – Zoe falou.
– O que? – Falei.
Zoe baixou a cabeça, tentando se recompor.
O segundo Crente rondou o primeiro, como um predador. Eu não podia entender... Eram da mesma espécie, como podiam estar daquele jeito? E não era natural dos Crentes atacarem indivíduos da mesma espécie.
O segundo Crente atacou, então um caos começou.
Eram duas criaturas enormes, a mesma espécie, se definhando como se fossem inimigos. E eu sabia que os humanos eram assim, ou pelo menos... Tinham sido.
– Vão embora, anda entrem! – Zoe falou.
– E você? – Drew perguntou.
– Não vou matar nenhum de vocês dois...
– Vai ficar aqui fora? – Falei.
– Eu preciso.
– Então vamos ficar aqui com você. – Drew falou.
Zoe respirou fundo.
– Drew, preciso que faça uma coisa. – Ela falou.
– O que?
– Mire no segundo Crente, precisamos matá-lo.
Drew e eu trocamos um olhar nervoso. O que estava acontecendo com Zoe?
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