Soulwatch

2 Capítulo 1 - Percy coloca o bracelete


Notas iniciais
Então eu estive pensando um pouco sobre a personalidade que eu daria ao Percy nessa historia e decidir mudá-la só um pouco, o que significa que eu reescrevi algumas partes, e acho que está ficando melhor assim! :) Boa leitura.

Finalmente o dia mais esperado por Percy havia chegado, o dia de seu aniversário de 16 anos, quando receberia seu bracelete. Era um costume para os amigos irem junto com o aniversariante celebrar esse rito para a maioridade, e por isso Grover, Silena, Beckendorf e Nico estavam todos amontoados em volta do prius azul no estacionamento da escola naquele momento.


Tentando escorrer o sorriso com uma das mãos, Percy desceu os degraus da Goode High School e trotou em direção aos seus amigos. Cumprimentou algumas pessoas no caminho, e antes de chegar ao grupo foi parado por Rachel e Drew, duas garotas que andavam com seu grupo de vez em quando. Drew arrastava sua amiga ruiva com o braço esquerdo, de onde o bracelete que havia recebido a mais de um ano brilhava uma luz azulada. Rachel não tinha o bracelete ainda.


— Percitoo! Feliz aniversário! – Drew foi a primeira a alcança-lo e correu para um abraço que Percy retribuiu desajeitadamente. Assim que se soltaram, Rachel se embrenhou entre os dois e conseguiu abraça-lo também. – Feliz aniversário! – ela exclamou.


— Obrigado, meninas. – ele se soltou, dando uma risada nervosa. Estava ansioso para colocar o bracelete.


Ao desentrelaçar-se de Percy, Rachel segurou-lhe o braço e levantou a manga de seu casaco.


— Aha! – Drew mostrou o braço nu de Percy para Rachel. – Eu disse. Sem bracelete ainda! – as duas meninas se encaram e pareciam prestes a entrar em uma discussão, deixando Percy desconfortável.


— Eu estava indo pra lá agora, na verdade. – ele tentou quebrar a tensão que havia tomado o ambiente. Rachel, que não parecia muito feliz, ficou animada ao ouvir aquilo, o que fez Percy se arrepender um pouco de ter contado.


— Nós vamos assistir! – ela decidiu. Percy tentou não demonstrar o desgosto enquanto explicava para as duas meninas onde seria a colocação. Ele queria um público pequeno, apenas seus amigos mais próximos, que sabiam a importância de almas gêmeas na vida de Percy, mas não podia dizer isso para elas. Duas pessoas a mais não vai fazer diferença, se convenceu. Afinal, não são duas estranhas, são só Rachel e Drew.


Encontrou seus amigos no carro, e o caminho para o laboratório foi preenchido pela conversa alta do grupo sobre o que estava prestes a acontecer. Nico e Grover apostaram que a alma gêmea de Percy ainda não tinha um bracelete e a luz só se tornaria verde muitos anos depois, e Silena apostou que ele ou ela já tinha o bracelete e que os dois iriam se conhecer ainda essa semana. Beckendorf estava certo de que a alma gêmea de Percy já tinha um bracelete, mas não quis apostar em quando os dois se conheceriam.


Chegaram ao laboratório quase ao mesmo tempo que Drew e Rachel – que haviam ido em outro carro-, e ao entrarem se depararam com uma pequena fila, que os fez sentar em dois dos sofás do saguão. Enquanto seus amigos conversavam entre si, Percy começou a ler um cartão informativo largado sobre a mesa. Ele dizia:


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Ache seu alma gêmea HOJE com o Soulwatch!


22 anos, nossa empresa vem fazendo esses braceletes super eficazes, baratos e confortáveis!


Agora com novo design branco e emborrachado para garantir o seu conforto
Nova funcionalidade: Saiba se sua alma gêmea já possui o Soulwatch:


[Assim que instalado, o Soulwatch emitirá uma luz azul se sua alma gêmea ainda não tiver um bracelete. A luz se tornará verde a partir do momento em que ambos estiverem conectados!]


Ao entrarem em um raio de 10 metros de distância pela primeira vez, os braceletes de duas almas gêmeas serão atraídos um para o outro e a luz se tornará vermelha.


Sucesso em 99.7% dos nossos clientes!
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Percy gastou alguns minutos olhando em volta, tentando distrair sua mente hiperativa. O saguão estava cheio de adolescentes ansiosos como ele e seus amigos, além de alguns adultos. Uma das luzes mais perto da entrada estava piscando e Percy estava começando a ficar desconfortável por ficar tanto tempo parado quando seu nome foi chamado pelo atendente.


Imediatamente a conversa de seus amigos cessou e todos levantaram para seguir Percy e uma funcionária por uma batente verde. Do outro lado dessa batente havia um pequeno corredor com três portas, e a mulher levou o grupo inquieto até a última, onde bateu duas vezes antes de entrar. O cômodo era grande e bem iluminado, e quatro mesas de madeira escura estavam enfileiradas na parede oposta a porta. Duas dessas mesas estavam ocupadas por grupos de amigos exatamente como o de Percy, e uma estava ocupada por dois homens que pareciam estar na casa dos 30.


Percy foi encaminhado para a quarta mesa, que estava vazia, e sentou-se em uma poltrona posicionada em frente a uma folha de papel. A funcionária se sentou do outro lado da mesa e seus amigos rodearam-nos, formando um semicírculo.


— Boa tarde, senhor... Perseu Jackson? – A mulher levantou o olhar da folha para Percy e ele acenou com a cabeça. – Meu nome é Janice, eu vou explicar o que vai acontecer agora e você pode perguntar o que quiser, tudo bem? – ela não esperou Percy responder antes de continuar. – Primeiramente, eu preciso saber se você está completamente familiarizado com os nossos braceletes, como funcionam e sua importância.


— Estou sim, senhora.


— Ótimo, então isso vai ser rápido. – ela virou o papel e arrastou-o na direção de Percy. — Eu vou precisar que você leia e assine esse contrato. Não é nada demais, apenas uma garantia de que você é maior de idade e está ciente de que sua alma gêmea não é escolhida pela empresa, e que na ocasião inoportuna de ele ou ela ser perigoso, nós não temos nenhuma responsabilidade em mantê-lo seguro. Como imagino que saiba, a distribuição dos braceletes passou a ser financiada pelo governo 7 anos atrás, por ser considerada um direito básico, então você não precisa se preocupar com custos.


Percy engoliu em seco e ouviu Nico rindo baixinho de algo que Grover murmurou. Com dedos suados, pegou a caneta esferográfica em seu bolso direito e escreveu seu nome sobre as duas linhas pontilhadas no fim da página. Seus amigos comemoraram à sua volta e ele recebeu alguns tapinhas nas costas. Observou Janice pegar o contrato e colocá-lo de lado, e simultaneamente tirar uma pequena caixa branca de algum compartimento sob a mesa.


Abrindo a caixa, Percy observou a funcionária tirar uma agulha, duas luvas, algodão e uma tira de borracha com um uma lâmpada led do tamanho de uma moeda de 10 centavos no meio e um mecanismo nas pontas para prendê-las.


— Então, senhor Jackson, eu só vou tirar um pouquinho de sangue com essa agulha descartável, inseri-lo no bracelete e você estará pronto pra ir.


Percy concordou e observou a mulher fazer seu trabalho. Após fazer o que ela havia dito, Janice pegou o braço direito de Percy e prendeu o bracelete em seu pulso. Percy sentiu sua respiração encurtar quando a realização do peso e significado daquele objeto quase fizeram-no desmaiar bem ali.


— Se por qualquer motivo você quiser remover o bracelete, terá que ir em um de nossos laboratórios, não é possível removê-lo sem nossa ajuda. Ah, mais uma coisa, ele é resistente a água e ao calor, mas por precaução não deixe que ele chegue perto de fogo ou deixe-o em temperaturas elevadas por muito tempo.


— Certo. – Percy respondeu. Sentiu uma mão apertar seus ombros e notou seus amigos se mexendo ansiosamente, antecipando o que estava por vir.


— Agora — Janice começou, sua voz se tornando mais suave – Nós vamos ligar o bracelete. Não se preocupe se a luz não ligar imediatamente, às vezes ele demora alguns segundos para ler o DNA no sangue que foi inserido. Está pronto? – Percy acenou sua cabeça, sentindo o coração batendo a mil no peito. Seu estômago se revirava e ele estava se sentindo um pouco tonto. Sem mais delongas, Janice virou o braço de Percy e apertou um pequeno botão na parte de baixo do bracelete.


Todos em volta da mesa estavam em silêncio agora e se inclinaram um pouco para frente. O mundo parecia ter parado para Percy quando, por alguns segundos, nada aconteceu. Uma dor começou a se alastrar pelo seu peito, e Percy levantou discretamente os olhos, sentindo vontade de chorar mas não querendo causar uma cena. Mil pensamentos passaram por sua mente naqueles poucos segundos: ele não tinha uma alma gêmea, ele nunca construiria uma família e morreria sozinho. Mas então Silena, Grover e Rachel fizeram sons de surpresa e Percy voltou a olhar para o bracelete. Vinda do centro do bracelete uma luz verde clara acalmou o coração de Percy e fez com que ele se sentisse nas nuvens enquanto seus amigos davam gritos de alegria e os braços firmes de Nico abraçavam-lhe os ombros e sacudiam-no.

《♤♡◇♧》


No mesmo instante, a alguns quilômetros dali, uma menina com longos cabelos loiros estava deitada na cama de seu dormitório lendo quando notou uma mudança sutil na iluminação do quarto. Sentando-se e fechando o livro, vasculhou o aposento pelo que poderia ter sido. A luz ainda estava apagada e o sol de fim de tarde penetrava o quarto por entre as persianas cinza-claro, assim como faziam já há alguns minutos. Olhou para o bracelete branco que adornava seu pulso há um mês e meio, e sentiu uma bola de ansiedade se formar em seu abdômen. Com as mãos tremendo, pegou seu smartphone da cabeceira, tirou uma foto e a mandou para o chat que mantinha com suas amigas. Jogou o celular para longe de si, deitou-se e voltou a abrir o livro, tentando não pensar no que aquela mudança significava. Girou seu pulso de modo que a luz previamente azul iluminasse a parede, e fingiu não sentir as vibrações das notificações vindas de seu celular do outro lado da cama.