Soulmate - Spideypool
13 "Uma xícara de chá." P.P.
Peter sentia as pernas bambas quando ficou de pé em frente a mansão demoníaca. Seu coração palpitava, seu corpo todo tremia e suas asas nunca estiveram tão agitadas. Para qualquer um que olhasse era claro que algo muito bom havia acontecido ao castanho.
No primeiro momento, Peter nem mesmo se importou com os olhares, estava extasiado demais com as mãos nos lábios para se concentrar em qualquer outra coisa.
Ele tinha beijado Wade Wilson.
Ele.
Não o contrário.
Ele havia tomado a iniciativa.
A imagem ainda se encontrava gravada em sua mente assim como a sensação.
— Ai meu Deus. – O castanho conseguiu proferir quando finalmente pareceu tomar controle de seus movimentos novamente. – AI MEU DEUS!
E aqui estava o momento que Peter realizou o que fez de verdade.
— Eu beijei ele. Eu beijei ele. Eu beijei ele! – Peter começava a entrar em pânico. – Eu realmente fiz isso? Ai meu Deus e agora?
O castanho passa a andar em círculos, as mãos no cabelo, inquieto. O que faria agora? Havia praticamente quebrado a regra mais importante dos anjos, o que faria agora? E se Wade o odiasse por isso? E se alguém descobrisse? Eles estavam seguros? Ele seria preso? Seria mandado para a guerra como punição?
Um único beijo era tão poderoso ao ponto de mudar sua vida desse modo?
Peter se enfureceu. Porque ele não podia simplesmente gostar de quem gostava sem ser julgado? Porque ele, de todos os anjos, seria punido por ser um pouco fora do padrão? Era tão horrível assim imaginar um anjo e um demônio juntos?
Porque ele só não podia ter amor e ser feliz?
Milhões de dúvidas inundaram a mente do anjo. Pela primeira vez ele sentia que o sistema em que vivia e os separava não era nada justo. Estando com Wade ou não, ele ainda não seria o Peter que todos conheciam? Então porquê? Qual era o grande motivo para essa divisão que nunca era datada nos livros de história? Porque um motivo devia existir.
Peter passa a caminhar absorto. Precisava voltar para casa, ele nem mesmo parecia se lembrar do que havia lhe trazido ali inicialmente. Entretanto, ele não era o único que havia sofrido com as consequências do ciclo de desejo de Wade e infelizmente, algumas pessoas não gostavam de serem deixadas de lado.
O homem para no meio do caminho em frente a Peter, o garoto quase bate em seu peito pela parada abrupta. Sua cabeça levanta e quando seus olhos encontram o do homem, seu corpo gela. O anjo já havia encontrado esse demônio em particular antes, na verdade, era difícil que existisse algum anjo que não o conhecia.
— Bob Dobalina.
— Peter Parker.
Eles se cumprimentam, mas não há cordialidade no momento. Os olhos castanhos de Bob escaneiam Peter do primeiro fio desarrumado do cabelo, até a pontinha do sapato. Seus olhos atentos não perdem os sinais claros de alguém que estivera tomando banho e dando uns amassos, ou dando uns amassos e tomando banho. Ou os dois juntos se fosse o caso.
Todo o quadro já ruim para a imagem de Peter, piora. Bob, que é o demônio conhecido por delatar seus companheiros e inimigos, era vizinho de apartamento de Wade, então sabia exatamente para o que Peter estava ali e no que Wade estava metido no momento.
Peter já havia se encontrado com o demônio antes na mansão demoníaca, ele sempre lhe lançava olhares feios, mas era um doce quando Wilson estava por perto. Nesse momento, enquanto Wade sofria mais um pouco com seu ciclo, era claro o que se desenrolaria.
Apesar de muito bom em todas as matérias, Peter nunca foi fã de um combate. Desse modo, Bob saiu na vantagem quando agarrou Peter pelo colarinho da camiseta de Wade que ele usava e arrastava o anjo em segundos até a árvore mais próxima.
Suas asas brancas bateram contra o local com força, quase as esmagando. Peter não se move, receoso em agitar ainda mais os ânimos de quem tinha uma carta na manga contra si. O anjo que sempre era bonzinho com todo mundo, sabia muito bem quando era a melhor hora para mostrar força ou não. Um exímio em compreender batalhas.
Agora que parava para analisar sua situação como um todo, o castanho não sabia como não tinham feito isso antes. Suas roupas claramente não pertenciam a si, assim como o vermelho em seus lábios e o cabelo molhado mostrava que ele tinha intimidade o suficiente para tomar banho e usar as roupas de um demônio.
“Droga.” Peter pensa. “Só não queria chegar molhado em casa, acho que não estou acostumado a ser vigiado e julgado dessa forma.” Ele suspira minimamente, decepcionado em perceber que é assim que Wade deve se sentir sempre.
— Então você finalmente conseguiu. – Bob o parabeniza com desprezo. – Qual foi o truque, hein? Esperar ele ficar vulnerável e não poder resistir ao simples cheiro de outra pessoa? Anjos são realmente tudo, menos santos.
— D-Do que você está falando? – Peter pragueja por gaguejar, mas não podia ficar quieto ouvindo uma coisa dessas. Ele podia até gostar de Wade, mas não tinha ido até ali na intenção de se aproveitar do loiro.
— Você sabe muito bem do que eu estou falando. – ele rosna em resposta, as asas se abrindo em tom de ameaça. – Seu anjo imundo, não adianta já ter tudo, você precisa achar uma forma de ofuscar o nosso único brilho? Eu odeio seu tipo, escória vendida.
— Não, Bob! Você está levando isso longe demais. Eu não fiz nada, de onde você tirou tanta besteira? O que acha que vai fazer inventando essas coisas sem prova? O que você acha que vai acontecer?
— Rá. – Ele desdenha. – Esse é o ato que você vai tentar na frente dos Juizes¹? Você nem mesmo consegue esconder a verdade com o próprio corpo. Olhe só para você!
— Eu estou falando a verdade. – Peter se mantem firme dessa vez. – Você não me conhece, porque está tentando se meter no meio dos meus assuntos?
— E eu preciso conhecer para reportar? – Bob devolve. – Todo mundo sabe que era questão de tempo até você tentar alguma coisa para estragar o Wade. Você tem inveja do futuro promissor que ele tem.
— Porque eu teria inveja dele? – Peter questiona a loucura que se passava na cabeça de Bob para ele pensar algo assim.
— Porque mais? Ele é incrível. Não só a esperança de um povo, mas como vai derrotar o Anticristo em batalha, e se não fosse o suficiente, eu sei qual o motivo daquelas marcas no corpo dele e que por isso você está tentando se vingar.
Por um segundo e somente um segundo, Peter sente uma vontade avassaladora de enfiar a mão na cara de Bob e fazê-lo voar até a lua. Marcas no corpo? Como ele saberia que Wade tinha elas, quando ele mesmo não sabia da existência de algo assim? Talvez estivesse se elevando demais, já que foi só um beijo, mas Peter sentia que todo seu relacionamento com Wade estaria mudado a partir disso e, ouvir que outra pessoa já teve mais acesso a Wade do que si, doeu de uma forma inexplicável.
As orelhas de Peter esquentam e ficam vermelhas, suas asas reagem se abrindo e batendo para a frente. A força os fazem se afastar da árvore, Bob é pego desprevenido pelo garoto reagindo e quase cai no processo.
— Cala a sua boca. – Peter já não quer mais ouvir ou ter paciência com uma pessoa como Bob era.
Ele vendia seus próprios aliados em troca de alguns benefícios angelicais, então o que poderia se esperar de alguém como ele? Nada bom, com certeza, Peter só estaria fazendo um favor ao mundo se agisse violentamente uma única vez.
— O que é isso? – Os olhos de Bob brilham em antecipação. – Seus pais vão ficar muito orgulhosos em ver no que suas atividades extracurriculares tem lhe transformando, Peter.
— Rá. – Peter ri seco. – Você realmente acha que alguma coisa vai acontecer comigo com o que você quer falar? – O anjo se aproxima e a aura de perigo a sua volta tem um contraste grande com sua visão angelical. – Se ponha no seu lugar.
— Uau. – Bob se afasta largando o colarinho. – Olha como as coisas mudam. O chefe vai adorar saber disso. Um anjo tentando acabar com as chances do prometido e usando seu nome como forma de escapar, não esperava menos de você, Parker. Quebrando regras, misturando raças, você acha que até mesmo você consegue escapar disso? – O demônio maneia a cabeça, se aproveitando do momento. – Você realmente acha que um único anjo vai conseguir acabar com uma regra milenar? Oh, Peter, isso é de dar dó. Na verdade, quando eles descobrirem, vou adorar ver você tendo o mesmo fim da mãe do Anticristo.
Bob se abriu em uma risada, enquanto Peter congelava por um segundo. Bob tinha acesso a informações como o paradeiro da criadora do Anticristo? Como isso era possível? A mente investigativa de Peter toma o comando por um momento, se ele conseguisse descobrir mais sobre isso e a guerra acabasse, Wade nunca precisaria ir para a guerra. Milhões de vidas seriam salvas. Ele, como um anjo precisava saber o que aquele demônio sabia.
— O que você...
Pelo descuido, Bob consegue se arrastar para trás de Peter e prendê-lo em uma chave de braço. O anjo pragueja, queria evitar contato físico, já que não era lá o melhor lutador do mundo.
— Você é realmente ingênuo, Peter, vamos. – O homem passa a arrastar/carregar Peter em direção ao portão, o anjo não conseguia resistir tendo seu pescoço pressionado daquela forma.
Peter não era o primeiro, muito menos o último que se encrencaria porque Bob deu com a língua nos dentes. Apesar de ser odiado por todos, Bob vivia cheio de prestígio por agir como informante e, por mais que o excluíssem de todos os lugares, o cara era uma mosca que conseguia descobrir tudo.
Bob e Quentin poderiam dar as mãos quando se tratava de ferrar os outros. A única diferença gritante entre eles era que, Bob faria de tudo para proteger Wade Wilson, enquanto Quentin tentava destruí-lo.
— Eu te juro, mesmo que você me entregue, nada vai acontecer comigo, se você fizer qualquer besteira, você só vai estar prejudicando ao Wa...
— Não diga o nome dele! – Bob pressiona os braços ainda mais no pescoço do menino, dessa vez usando energia demoníaca, fazendo Peter quase gritar.
— Solta ele! – Uma voz forte como um monstro se sobressai a frente deles.
Peter é o primeiro que pode ver com clareza a imagem assustadora de Eddie Brock, o senhorio da mansão, que sempre parecia um velhote normal, mas que agora estava coberto por uma camada grossa de gosma negra e aquilo eram... dentes?
“O que...” Peter se pergunta.
— Ah, claro, Ed. – Bob zomba, mas Peter consegue sentir seus braços tremendo. Ele estava com medo. – Ou estou falando com o Venom? As vezes fica difícil discernir quem está controlando quem nessa forma. Aposto que se você se afastar mais um centímetro, vai ser consumido por inteiro.
— Larga o anjo, Bob. – A voz monstruosa avisa mais uma vez. – O próximo não vai ser um aviso, eu deixo Venom comer seus braços, pernas e cabeça. Ele está com fome a dias e sua carne preferida está fazendo um banquete em sua frente.
“Comidaaaaaa!” A voz de Venom reverberou até entre as árvores da entrada, uma língua gigante desceu da boca de Eddie se lambuzando de baba de monstro. Peter quase pode ouvir Bob guinchar de medo, pelo jeito aquele fofoqueiro tinha sim medo de alguém.
O castanho se mantém parado, apesar de Bob estar quase lhe soltando. Ele percebe que, em 17 anos de vida, isso foi o mais próximo que já chegou de uma briga com outro sobrenatural. Sua vida parecia camuflada em ouro e prazeres antes de conhecer Wade.
Tudo era novo e lhe assustava, o choque de realidades era maior do que ele imaginava.
Conforme o imaginado, Bob realmente se afastou de Peter, pensando que a próxima ameaça ia acabar com ele sendo empalado pela língua afiada de Venom e logo depois comido. Coisa que realmente poderia acontecer na mansão demoníaca, Eddie poderia comer quantos demônios quisessem e as autoridades não mexeriam um dedo para fazer diferente.
— Mas Eddie, como você pode protegê-lo? Ele infringiu a lei, quer acabar com nosso povo! – Bob esperneia.
— Você tem provas? – A voz monstruosa inquere.
— Olhe para ele! Isso já é prova o suficiente!
— Um cabelo molhado e uma troca de roupas não evidenciam nada.
— Qual seria o motivo para um anjo fazer isso aqui?
— Limpeza. – Peter e Eddie respondem juntos.
— Não, não, você está errado. Ele está querendo apagar as evidências, Eddie, me escuta. Todo mundo sabe o que está acontecendo com o Wade nesse exato momento e, todo mundo sabe que o Parker só vem visitar ele. O que você acha que aconteceu lá dentro?
— Qualquer coisa. – Eddie dá de ombros. – Os Juízes não vão condenar um anjo, melhor dizendo, um Parker, por uma acusação tão pequena. Você precisaria de provar, Bob, muitas provas, para sequer mandar Peter próximo da cadeia. Sabe o que realmente ia acontecer se você segue em frente? – Eddie levanta o braço enquanto dá um passo à frente, apontando a janela de Wade. – Ele. Ele ia se ferrar sozinho. Ser mandado antes para a guerra e provavelmente perdendo a chance de ganhar o prestígio que você tanto espera que Wade ganhe ao derrotar o Anticristo. Você estará manchando o nome dos demônios com ainda mais mentiras.
Bob parecia consternado só de imaginar Wade sendo ferrado por algo que ele fez. Não, ele podia ferrar qualquer pessoa, menos Wade Wilson.
— Não. Eu posso não revelar quem é.
— Você acha que ele não pode fazer isso? – Eddie dá uma olhada para Peter, que devia ficar ultrajado, mas entende a jogada. – Uma palavra de Peter Parker pode condenar qualquer um. Esse é o poder que esse anjo segura em mãos. Quer mesmo tentar ver o que vai acontecer? Eu não tentaria. Além disso, você sabe muito bem o que acontece com demônios que não os obedecem e mancham sua perfeita imagem.
Junto da última frase, Eddie olhou para os próprios braços cobertos de gosma preta. O que aquilo queria dizer? Peter se questionou. Ele realmente havia sido punido a viver com esse tipo de experimento em seu corpo por desobedecer aos anjos? O que Eddie poderia ter feito para receber um castigo como esse?
Bob dá uma última conferida em Peter e se afasta com um olhar de nojo, como se, Peter revelando a identidade de Wade para se proteger fosse pior do que ele mesmo fazia para conseguir alguns direitos dos anjos.
— Lixo.
— Olha quem fala. – Peter se defende.
— Acabou. Agora volte bem bonzinho para o buraco de onde você saiu antes, Wade ainda precisa do andar vazio até segunda.
Bob rosna com raiva e dor por ser afastado de Wade novamente. Ele bate suas asas de morcego, mas antes de sair, se vira e fala:
— Se você chegar perto do Wade na minha frente de novo, nem mesmo o Ed vai poder te salvar.
Ele some em um piscar de olhos, usando de seu direito como único demônio que podia transitar livremente voando por qualquer lugar. Peter o assiste se transformar em uma manchinha no céu, e seu estômago embrulha. Para quem normalmente vivia em paz extrema, esse tipo de reviravolta era desgastante.
— Tudo bem? – Peter não percebe quando Eddie volta ao normal.
— Ah, sim, eu acho, só um mal-estar. – Peter o observa.
O demônio era excêntrico e falava sozinho – agora tinha explicação para isso – nunca deveu nada a Peter, mas ainda assim ficou ao seu lado quando Peter lutou contra um demônio. Qual seria a explicação para tudo aquilo? Ele era louco assim mesmo?
— O que? – Eddie questiona, já que Peter não para de encará-lo.
— Você...Porque...Porque se dar ao trabalho de me ajudar? – Ele consegue formular a pergunta. – Se eu entendi corretamente, algum anjo fez...isso. Você não devia me odiar?
Eddie sorri ao ouvir a pergunta. “É claro.” Ele pensa. “Peter é um anjo que acha que tudo se resume a ódio por estar falando com demônios, bom, nada disso é culpa dele, ele foi ensinado assim.”
— Peter, me diga. Se um demônio que você não conhece, derruba o seu sorvete, você vai ficar bravo com todos os demônios do mundo?
— Bom...não, mas isso tudo não é só um sorvete!
— E isso tudo, não diz respeito a você. Quem derrubou um frasco de experimento em mim, deve pagar, não um anjo que não fez absolutamente nada de errado. Entende?
Peter assente. Se Eddie era capaz de pensar assim, talvez Wade... mas se os rumores não fossem verdade, porque Wade nunca os havia cortado antes?
— Você está pensando nele de novo, não está? – Eddie questiona com um sorrisinho bobo.
— O que? Eu pensando? Em quem? Eu não... – Peter se atrapalha ao ser pego no flagra, suas bochechas corando. Eddie ri com gosto.
— Não precisa se dar ao trabalho de negar, Peter, está escrito por todo seu rosto.
As mãos de Peter vão direto para suas próprias bochechas.
— É sério?
— Sim, mas não se preocupe, eu não ganharia nada contando isso a ninguém.
Peter estranha. Aquela era a regra número um, além de si, existia alguém que achava ela uma besteira?
— Porque? – Peter arriscou.
O silêncio reina por alguns minutos, o vento frio do outono faz as poucas folhas nas árvores balançarem. Logo o inverno chegaria e trazendo o aniversário de Peter cada vez mais para perto. Ele tenta imaginar como seu aniversário daquele ano seria e se, momentos como esse chegariam novamente, momentos decisivos que pareciam arrancar pedaços da doce ilusão que Peter sempre viveu dentro de que existia um mundo perfeito.
— Porque eu era como você. – Eddie revela. – E porque ela gostaria que eu tivesse ajudado outros como nós. – O senhorio sorri, mas existe uma melancolia em seu olhar. – Você já imaginou que pode não ser o único, Peter?
O garoto balança a cabeça, negando. Nesse momento, Eddie se transforma em seu olhar. De um demônio simpatizante, ele se torna o demônio que também gostou de um anjo e que passa por uma situação semelhante à sua. Peter não estava sozinho nessa caminhada... como nunca havia pensado nisso?
— Éramos como você, sonhávamos com o dia em que poderíamos ficar juntos na frente de todos, mas esse dia nunca chegou e ela partiu. – Ali estava a razão da melancolia.
— Eu sinto muito. – Peter deseja. – Como ela era?
— Perfeita demais para esse mundo. – O senhor olha para o jovem anjo que parece ansioso por saber mais agora que encontrou outro como ele. – E ela adoraria que você aceitasse uma xícara de chá.
— Uma xícara de chá?
— Chá sempre vai muito bem com histórias.
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