Souless Body
1 -Me responda você! – Justin falou, ou melhor, grit
Abri os olhos preguiçosa escutando o barulho infernal do despertador, não sabia onde ele estava, então me levantei da cama examinando o local.
Não era o melhor dos quartos, nem o pior com certeza. Era simples e quadrado, a parede era branca e o teto tinha o mesmo tom, havia uma cama de casal com cobertores roxo com cheiro de lavanda, um pequeno guarda roupas branco e uma cabeceira onde havia um abajur desligado, um celular e o maldito despertador, e por ultimo, uma cortina cobrindo uma enorme janela que dava de cara com a rua.
Desliguei o despertador e abri a porta do quarto, eu estava descabelada, acho, ainda não tinha visto como era meu “novo” rosto.
O ultimo corpo que habitei era de uma pequena nova yorkina pálida e com cabelos loiros angelicais chamada Lizzie, ela tinha um filho, Joshua eu acho, tinha uns 6 anos, Lizzie havia se mudado para cuidar do filho.
Filho que provavelmente agora esta num orfanato, ate porque sua mãe morreu atropelada enquanto voltava do trabalho.
Analisei o corredor que entrei assim que sai do quarto, não havia ninguém, provavelmente estavam todos dormindo, ou “eu” morava sozinha.
Me dirigi até uma porta branca entreaberta no fim do corredor e antes que eu pudesse abri-la escutei alguém gritando atrás de mim.
-Alana! Eu já ia te acordar, hoje você marcou de ir no shopping com as garotas se esqueceu?, Elas já ligaram pra cá umas três vezes.
Virei-me e observei a mulher que havia chamado, ela devia ter em torno de uns 29 anos, tinha longos cabelos pretos, assim como seus olhos, tinha cílios grandes e um batom vinho destacando seus lábios e usava um terninho azul escuro do mesmo tom do céu quando anoitece, e por baixo uma blusa branca, alem de um salto alto agulha preto elegante, ela era completamente linda.
-Ah, claro, já vou me arrumar mãe.
Os olhos dela brilharam na ultima palavra e ela me olhou com ternura.
-Todos sentimos falta dela Lana, muita, e eu fico feliz que você possa me chamar assim – ela disse me abraçando
Ops.
As vezes eu tenho pena dos parentes ou amigos, como o filho de Lizzie, prefiro quando habito corpos sem amigos ou sem amor, os tristes na vida são os felizes na morte, pelo menos eu penso assim, é mais fácil aceitar a morte quando se sabe que ninguém ira sofrer, chorar e se lamentar por você.
Me afastei gentilmente dela e me dirigi ao banheiro.
Era um pequeno e simples cômodo branco com uma banheira e um chuveiro na lateral, uma pia e uma privada, simples.
Olhei no espelho e me deparei com a duvida se aquela não era realmente a minha mãe.
Alana era uma copia pequena e mais desengonçada dela, os mesmos lábios, o mesmo tom de pele, o mesmo cabelo levemente ondulado,era uma família bonita.
Tirei o pijama que vestia e deixei a água quente cair sobre mim lentamente, mesmo sabendo que estava atrasada para o tal shopping, ou talvez nem conseguiria chegar ate la.
Eu não sei quem eu sou, eu não sei como é meu corpo ou ate mesmo se tenho um,não tenho nome, minhas origens são desconhecidas,um dia eu simplesmente acordei, e no outro dia, morri, e é assim a anos, já pensei em milhões de possibilidades, talvez eu já tenha tido uma vida e não fui boa nela e fui para o inferno, vejamos, você morre diversas vezes, sente a dor, da os últimos suspiros da vida de alguém e depois renasce, é um tipo de inferno, você quer morrer, mas nunca morre.
Ou eu seja uma alma sem corpo, um rascunho que não deu certo, uma alma vagando a procura de um corpo vazio, o que não existe, a não ser quando uma pessoa esta quase morrendo, claro.
Mas existem mais de almas como eu, uma vez eu vi que 60 pessoas morrem por minuto, eu não sei se esta certo, mas acho que é isso, ou quase, e não tem como uma alma apenas dar conta de tantas mortes, as vezes eu fico semanas viva, e que eu saiba em nenhum momento ninguém morreu dentro de uma semana. Mas eu nunca encontrei ninguém como eu, como eu iria saber se alguém estava prestes a morrer? E mesmo se encontrasse, essa pessoa seria tão confusa quanto eu e não adiantaria muita coisa.
Desliguei a ducha e me enrolei numa toalha azul claro, recolhi meu pijama que havia deixado jogado no chão e em seguida abri a porta, me deparando com três garotas impacientes.
A primeira era loira e tinha uma pele clara, era magra e tinha lábios finos e uma sobrancelha definida com grandes cílios, ela também era linda.
A segunda era um pouco rechonchuda, tinha cabelos pretos lisos e olhos verdes claros.
A terceira tinha cabelos ruivos, curtos e lisos, usava um óculos preto que cobria seus olhos azuis, tinha lábios fios e uma pele branca.
Todas eram lindas de formas diferentes.
-Meu Deus Alana! Seja mais rápida! – falou a loira
-Eu só vou me trocar, espera
-Você ta estranha – disse a ruiva
Geralmente eu sou uma boa atriz, mas ainda não sei nada sobre essa Alana.
Prefiro não ter muito contato com pessoas, não gosto e me apegar, é mais fácil assim.
Espero ansiosamente minha morte.
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