Soul Survivor: O homem que sobreviveu ao Nether
14 Capítulo Flashback: Um convite, uma conversa (um pouco) amigável e desculpas
Notas iniciais
Assim que abri os olhos me deparei com Winter saindo do banheiro e imediatamente escondi meu rosto corado na cama.
— Thomas Ender seu pervertido! — Ela exclamou.
— Eu juro que foi sem querer — Cobri minha cabeça com o travesseiro.
— Ei, não se preocupe — Ela riu — Eu já me vesti. — Olhei para ela e vi que ela já estava com sua roupa íntima. — Ah mas, falando nisso, belo corpo que você tem aí, hein? — Ela se jogou ao meu lado na cama e eu olhei por debaixo do lençol, vendo que estava sem camisa.
— Onde minha roupa foi parar? — Me ajeitei para ficar de frente para ela.
— Não sei… Só me lembro que chegamos aqui e você tirou ela dizendo que estava com calor. — Quando ela terminou essa frase ficamos em silênci, analisando um ao outro naquela situação.
Seus grandes olhos azuis olhavam diretamente para mim, mas não nos meus olhos, e seu cabelo levemente ondulado que parecia mais claro que no dia que nos conhecemos estava solto, cobrindo um pouco de seu rosto fino de lábios pequenos e rosados. Além disso, seus seios fartos e o fato dela estar apenas de roupa intima me desconcentrava um pouco quando olhava abaixo de seu rosto, então tentei manter meus olhos ali, apesar de ela estar fazendo o contrário.
Sua mão deslizava delicadamente pelo meu peito, e de vez em quando ela se atrevia a descer mais um pouco, mas logo voltava, e ficamos assim até que fomos interrompidos por batidas na porta.
— Quem será que é? — Perguntei.
— Talvez sejam Summer e os outros em busca das respostas — Ela se preparava para levantar quando puxei-a de volta à cama.
— Não se preocupe, eu cuido disso. — Ela assentiu com a cabeça e se cobriu com o lençol.
Assim que abri a porta uma mão voou em minha direção e bateu em meu rosto. Aparentemente alguém não estava feliz em me ver.
— Onde ela está? — Summer entrou imediatamente no quarto.
— Bom dia pra você também Summer — Segui-a. — Ela está dormindo.
— Espero que ela esteja vestida.
— Não se preocupe Summer, o Thomas não faz esse tipo de coisa — Eu percebi que Bia e Mikhael também estavam no quarto.
— É, e até onde eu sei o Thomas é magricela, então não podemos confiar muito nisso — Calado Mikhael!
— É, bom, eu era, acontece que algumas partes de meu corpo foram destruídas por alguém, e quando elas foram repostas decidi cuidar melhor dele.
— Jura? Eu não sabia nada disso… — Mike parecia não gostar de relembrar disso.
—Eu não quero saber das briguinhas de vocês pelo lanche do primário, eu quero que ele nos explique o que está acontecendo. — Summer estava bastante irritada.
— Como eu vou explicar se eu nem sei do que estão falando? — Me sentei sobre a cama.
— Bom, você vai ter que dar um jeito, ou você vai ficar em uma situação bem desconfortável — Suzi entrou no quarto e me entregou um envelope branco.
— O que é isso? — Perguntei dando uma boa olhada no envelope endereçado a mim.
— Como vamos saber? Ainda está fechado. — Summer respondeu friamente. — E Winter também recebeu um, então imaginamos que tenha algo a ver com o que aconteceu ontem no hospital.
— Bom… Vai ver os W.H.U. estão nos agradecendo por revelar os Mages ao mundo. — Abri o envelope e puxei uma carta, que logo comecei a ler em voz alta. — “Após a demonstração de Thomas Riverwood no Hospital St. James o Ministro de Defesa Humana Frank Smith convida ele e sua parceira Winter Season para uma sessão em seu escritório no Ministério no dia 18/08/332 (dezoito de agosto de trezentos e trinta e dois) como representante dos Witch’s para discutir sobre o estado atual das relações entre os mesmos e os humanos.
Além dos três anteriormente citados também estará presente o presidente e fundador da ONG ‘Witch’s e Humanos Unidos’ (Popularmente conhecida como W.H.U.) Michael Popper.
Esperamos que compareça para discutir sobre o futuro de sua espécie.
Atenciosamente,
A Secretaria.”
— Riverwood? — Suzi perguntou assim que terminei de ler a carta
— Foi o sobrenome que ganhei de minha família adotiva — Soltei a carta perto de Winter.
— Mas então por que “Winter Season”? — Summer perguntou.
— Esse não é seu sobrenome? — Eu então me toquei que ainda não sabia o nome completo de Winter.
—Season é o nosso sobrenome, mas quando nos mudamos para cá também mudamos por que… Nós mudamos.
— E qual o sentido de usar o sobrenome real de um e o adotivo de outro? — Suzi concluiu.
— Se ele sabia o sobrenome real de vocês, então não teria como ele não saber o de Thomas. — Bia entrou na discussão — Então isso só pode significar uma coisa: Ele está escondendo o jogo. Ele deve saber mais sobre essa coisa de bruxo supremo, talvez até mesmo da localização de sua irmã e seu primo.
— Bom… Quanto a isso… — Suzi se pronuncia.
— Espera, eles ainda não sabem? — Summer pareceu segurar a risada. Ela sabia algo além de nossos laços familiares? Vou ter que falar com Suzi sobre isso mais tarde.
— É, bom, ele acha que o fato de estarmos lado a lado em uma árvore genealógica não é suficiente para a história de bruxos supremos ser real.
— Opa, opa, opa, espera aí. — Mike aparentemente entendeu o que ela quis dizer. — Então você é a irmã dele?
— Parabéns Mikhael, você é um gênio — Disse ironicamente — Não vê semelhanças entre gêmeos mas entende uma frase dessas
— O que você está insinuando? — Ele parecia surpreso com minha frase
— Mais importante que isso: Que história é essa de bruxo supremo Tommy? — Winter, que agora estava sentada na cama vestindo uma camisola e mordendo uma maçã que estava próxima da cama perguntou.
—Tommy? — Ela quer piorar a situação?
— É uma lenda bastante conhecida sobre três bruxos… — Suzi começou a explicar ao mesmo tempo que perguntei, o que fez com que ninguém ouvisse o que eu falei.
— Eu conheço a lenda, não sou burra.— Ela interrompeu Suzi — Só quero entender o que ela quis dizer com isso.
— Bom, aparentemente eu sou um dos três bruxos supremos, mas as únicas provas sobre isso são minha irmã que realmente parece ser minha gêmea e um livro de árvore genealógica que provavelmente foi modificado.
— Tommy? — Aparentemente Bia foi a primeira a estranhar a palavra.
— Sim, Tommy. Da mesma maneira que Mikhael vira Mike Thomas vira Tommy. — Winter respondeu, dando mais uma mordida da maçã.
— Ah, acabo de me lembrar — Por favor Mikhael, não diga o que acho que vai dizer. — O que vocês estavam fazendo naquele quarto ontem? — Droga.
— Bom, é… — Olhei para um relógio posicionado em minha direita. — Eu tenho que dar aula hoje e já são dez e vinte, tenho que manter o costume da pontualidade britânica, não é mesmo?
— Ainda temos três horas, você tem tempo mais que suficiente para explicar.— Droga. Ele tem bons argumentos.
— Era uma lavanderia. E a culpa foi minha. Eu avancei em cima dele e…
— Não quero saber de quem foi a culpa Winter. Ele tem um péssimo histórico com mulheres, e não quero ver ele em mais nenhum tipo de relacionamento.
— É… Oi? — Odeio boatos — Desculpa mas, quantos relacionamentos eu tive?
— Felícia, Gaby, Karoline, Mary…
— E metade desses nunca aconteceu.
— Dá pra vocês pararem? Nós estamos perdendo o foco…
— Calada Bia! — Eu ordenei e fui socado por Mike logo em seguida, me desequilibrando e caindo para trás, mas aproveitei para passar minha perna por trás da dele e puxá-la, trazendo-o para o chão comigo.
— Parem vocês dois! — Vi Suzi correr em minha direção, mas fiz um sinal com a mão pedindo para que ela parasse.
— Quer realmente fazer isso de novo? — Perguntei enquanto levantava.
— Lembra do que aconteceu da última vez? — Ele se levantou.
— Uma mão queimada, uma perna arrancada, alguns dentes perdidos, três hotéis destruídos, uma cidade afundada, outra salva de uma explosão… O que mais aconteceu? — Tentei lembrar dos danos que causamos, mas isso foi o máximo que consegui lembrar.
— Eu perdi a visão em um dos olhos, uma fábrica de plutônio sofreu vazamento, quatro laboratórios foram incendiados e o primeiro hospital de transplantes foi fundado para consertar o estrago que não podia ser curado por magia sem que precisássemos transmutar. — Ele parecia também não lembrar de tudo.
— Ah, verdade. — Não pude evitar um sorriso. — Bons tempos.
— Bons tempos? — Summer perguntou surpresa.
— É, bom… Ensinando uma bruxa que roubava bancos a conviver com humanos, ele ainda estava na escola de magia…
— Tentando convencer ele que Locke estava certo, ensinando magia a ele…
— Ah, suas histórias são muito chatas, o mais emocionante que você fazia era me enganar.
— E quanto a você? Tentando viver como um humano. Que bruxo ia querer isso?
— Eu.
— Você não conta, a história é sua!
— Mas é exatamente por isso que eu conto!
— Thomas Ender! — Winter gritou, assustando a todos na sala. — Pare com essa discussão ridícula e peça desculpas a ele.
— Mas, mas…
— Estou esperando. — Quando Winter terminou a frase Mike me olhou com superioridade.
— Eu também — Ele queria me provocar?
— E você também Mikhael Linnyker! — Muito obrigado Bia, ao menos não tomei bronca sozinho.
— Mas ele…
— Sem mas! — As duas reclamaram em uníssono. — Vocês não são mais crianças! — Certeza disso Winter?
— Quase duzentos anos, já viveram mais que a maioria dos outros bruxos guerreiros. — Alguém avise a Bia que não sou um bruxo guerreiro.
— Tudo bem… — Acho que não tenho escolha. — Desculpa Mikhael.
— Desculpa Thomas.
— Muito bem, é… Não entendi o que aconteceu aqui, mas acho que tudo bem. — Sério Summer? — Desde que recuperemos o foco acho que não tem problema.
— Vocês mulheres definitivamente não sabem brincar.
— Ao menos não destruímos metade do planeta por uma briguinha boba. — Não seria bom discutir com elas agora que são quatro e nós dois.
— Mas não foi nem um quarto. — Ou será que foi?
— Na verdade foram três hotéis.
…
…
Silêncio
…
…
— Sério Mikhael?
— Ah, essa foi boa. — Tão boa quanto sua defesa.
— É, foi boa para parar.
— Melhor não. — Não o incentive Winter! — É sempre melhor se aposentar após fazer algo bom. — Ah, então tudo bem.
— Estamos perdendo o foco de novo… — Não os lembre disso Summer!
— Tudo bem, dessa vez vai: — Por favor, não Mikhael! — Que tipo de relacionamento vocês dois tem? — Tudo bem, eu não vou me esquivar dessa pergunta. Eu vou responder.
— Nós… Bem, nós... estamos testando. — As palavras rasgaram minha garganta enquanto saiam. — Porque, é… — Calma, você consegue. — Ela sente algo por mim, e... depois desse quase três dias eu acho que… que também sinto algo por ela. — Consegui!
— Você acha? — Certo, já que Winter está na mesma sala que acho que eu deveria ter escolhido minhas palavras um pouco melhor. — Então aparentemente se não fossem todas aquelas coisas que eu disse no calor do momento nós ainda seríamos pouco menos que amigos?
— N-não, o que eu quis dizer foi…
— E é por isso que ele tem um péssimo histórico com mulheres. — Por favor Mikhael, poderia calar a boca?
— Mas o que eu fiz de errado dessa vez?
— Que tipo de amigos deitam um em cima do outro em um quarto? — Já fazia um tempo que eu não ouvia Suzi. Preferiria que ela continuasse calada.
— E dormem seminus na mesma cama? — Parece que você gosta bastante de piorar a situação para mim, não é Summer?
— Nós não estávamos… — Winter, assim como eu, estava corada com as duas últimas afirmações. — Ele tirou a camisa por causa do calor, e eu tomei um banho quando acordei e me vesti assim por conforto. — Obrigado por não dizer os detalhes. — E era uma lavanderia, não um quarto.
—Irmã, entenda. Poderia ser a Torre Eiffel e ninguém se importaria. Queremos saber o que e porquê, não onde.
— Um relacionamento um pouco parecido com o que ele tinha com Mary porquê ele gosta de sofrer. — Você sabe como pegar na ferida, hein Mikhael? — Estou certo?
— Mike! — Aparentemente Bia também não gostou do que ele disse. — Pare de importuná-lo com coisas do passado!
— Ele não é a única vítima aqui! — Ele levantou o tom de voz — Sabe quantas vezes ele me perseguiu e quantas pessoas ele matou em uma tentativa egoísta de vingança?
— Eu fui egoísta em querer matar meu único “amigo” que me enganava, tentou me matar e fez de tudo para proteger pessoas que ele havia acabado de conhecer só para provar que é capaz? — Disse, no mesmo tom que ele.. Agora é minha vez de expor seus erros. — Lembra da vez que você tentou matar minha irmã adotiva só para me atingir psicologicamente e depois ainda me fez acreditar que ela tinha tentado matar você por ser um bruxo? Ou quando você atacou o hotel onde eu estava com minha primeira amiga e matou-a a sangue frio? Sabia que foi por causa disso que eu pensei que você tinha causado a morte de Mary?
— Você não tem o direito de falar de mim! Lembra que você matou quase metade da minha família só para me atrair?
— Ao menos eu nun… — Senti uma fraqueza nas pernas e caí junto com ele.
— Deus, vocês realmente são crianças — Suzi suspirou. — Agora vocês vão ficar aí e pensar nessa discussão besta que estava tendo, e só vou deixá-los levantar após se desculparem e prometerem que não farão isso de novo.
— E onde nós estamos? — Tentei dizer, mas minha voz não saiu.
— Ah, esqueci de dizer: Vocês só vão poder falar algo se eu permitir, mas eu ainda vou poder escutar o que vocês querem falar, assim eu sei quando permitir ou não que falem para o outro.. — Ela explicou. — E respondendo sua pergunta: Eu trouxe vocês dois para um lugar tranquilo.
— E se eu não quiser pedir desculpas? — Eu e ele dissemos juntos.
— Oh, parece que os dois teimosos concordam que o outro não merece perdão. Bom, nesse caso vocês vão ficar aqui no chão até apodrecerem.
— Em algum momento vou dar um jeito de sair daqui. — Dissemos, mais uma vez, ao mesmo tempo.
— Sinceramente? Eu duvido muito, já que nem mesmo o ex-diretor Locke conseguiu escapar por vontade própria, mas se vocês realmente acham que são capazes… — Ela se virou.
— Espera! — Ele não vai parar de dizer o mesmo que eu?
— Eu sabia. — Ela virou de volta e se sentou em nossa frente. — Então, o que vai ser?
— Eu… Bom, é… — Eu tentei dizer, mas acabei não conseguindo
— Ah, e vocês também não conseguem mentir, então não adianta dizer só por dizer. — Mais uma regra?
— Então acho que vou ficar aqui pra sempre. — Mais uma vez ele falou ao mesmo tempo que eu.
— Ah, vamos lá.Até agora pouco vocês estavam discutindo sobre tudo de ruim que um já fez ao outro, então por que vocês não falam sobre as coisas boas que fizeram juntos? — Essa teria sido uma boa ideia cinco minutos atrás.
— Bom, teve aquela vez que eu te desafiei a chamar a Karoline pra sair. — Ele disse após alguns minutos de silêncio.
— Nossa, acho que aquele foi o pior fora que alguém poderia tomar. —Comecei a rir.
— É, e talvez você tivesse uma chance se não estivesse tão nervoso.
— Ou se eu não tivesse sido espancado pelo cara que ela gostava algumas semanas antes. — Ele riu.
— Não, acho que não. Eu te salvei antes de ser considerado espancamento. — Nós começamos a rir.
— Viram só? Não é tão difícil assim, é? — Suzi estava com um sorriso no rosto — Vamos, o que mais?
— E quando estávamos subindo aquela montanha por um caminho perto de uma cachoeira e você escorregou, derrubou um casal de humanos e eles caíram na água? — Ele lembrou.
— Acho que eles não gostaram muito de ser interrompidos naquele momento.
— Acho que eles não se importaram, já que eles só nos perseguiram por três dias depois disso.
— Três dias? — Suzi perguntou. — Desde quando humanos aguentam tudo isso?
— Mas você deveria ter visto o que eles fizeram quando finalmente nos pegaram. — Tentei colocar a mão na barriga, mas lembrei que estava paralisado.
— Nunca achei que fosse agradecer por ter um órgão inútil como o apêndice no corpo. — Mike concluiu.
— Espera… Eles arrancaram seu apêndice? — Suzi estava surpresa. — E por que não fizeram nada?
— É que naquela época nós não queríamos matar humanos. — Respondi.
— E no final foi essa uma boa escolha — Ele me interrompeu — Eles eram bem legais e nós conseguimos convencê-los a devolver nossos apêndices.
— E eles também foram de grande utilidade para acabar com nossa guerrinha.
— Isso me lembra que algum dia tenho ir no túmulo deles e agradecer por isso. — Mike riu. — Se não fosse por eles eu provavelmente teria morrido naquele vazamento de urânio.
— Sinto muito por todas as coisas que eu te fiz Mikhael. — Disse após alguns segundos.
— Eu digo o mesmo, e ainda sinto por fazê-lo relembrar de tudo isso. — Ele respondeu.
— Ok, acho que isso é o suficiente. — Ela disse se levantando. — Vamos, levantem. — Senti meu corpo ficar mais leve e quando me toquei estava de volta na cama do quarto de hotel com Mikhael deitado ao meu lado e Winter, Bia e Summer na mesa.
— O que está acontecendo aqui? — Mike perguntou.
— Estamos jogando baralho. — Summer, que estava de costas para nós, levantou sua mão cheia de cartas
— Sim, nós estamos bem, obrigado pela preocupação. — Me levantei da cama.
— De nada. — Bia disse, jogando uma das cartas em sua mão na mesa.
— Tudo bem, dane-se. — Fui até o pequeno banheiro no quarto e joguei água em meu rosto. — Ei, alguém sabe que horas são?
— Você está atrapalhando Tommy.
— Me desculpe então senhorita Winter. — Enxuguei o rosto e olhei para o relógio. 19:54. Droga. — Estamos atrasados.
— Não tem problema, podemos dizer que estávamos muito cansados de ontem. — Mike disse, agora sentado na mesa.
— Bati! — Summer comemorou.
— Droga! — As outras duas reclamaram enquanto Summer colocava suas cartas na mesa.
— Quantas vitórias consecutivas foram com essa? Cinco? — Ela debochou.
— Seis. — Winter corrigiu.
— Ah, verdade. — Ela começou a embaralhar as cartas.
— Vocês estão jogando a tanto tempo assim? — Perguntei me sentando na mesa de frente para Winter.
— E vocês duas ainda não ganharam nenhuma?
— É, bom, depois que Suzi usou aquela magia estranha dela nós colocamos vocês dois na cama e, como vocês estavam demorando decidimos pegar um baralho que estava no criado-mudo. — Bia explicou.
— Como vocês nos colocaram na cama se nem estávamos aqui?
— Na verdade o corpo de vocês estava, mas a mente não… Ou algo assim. — Winter tentava se lembrar de algo, provavelmente da explicação de Suzi.
— Bom, ela usa magia psicológica, então provavelmente é isso. — Summer disse enquanto distribuía as cartas. — Também vai jogar Thomas?
— Pode ser. — Ela continuou a distribuir. — Mas, falando nisso, onde ela está?
— Foi dar uma volta. — Winter respondeu. — Disse que o feitiço requeria muita magia.
— Me acordem quando acabarem! — Mike voltou a se deitar.
— Não prometo nada! — Peguei minhas cartas e comecei a jogar.
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