Soul Stone
1 01 ~ Story Telling
“Mamãe, me conta uma história?” Uma menina de longos cabelos loiros prateados e olhos cor de chocolate pede para a pessoa à sua frente, de longos cabelos negros e olhos da mesma cor.
A pessoa, com um pingente em forma de coração prateado com detalhes em ondulação e por dentro uma pedra redonda com duas cores, marrom e verde; sorri, dando um beijo na testa da menina.
“Muito bem. Ainda é cedo e Papai ainda ainda está trabalhando, então dá para contar umas histórias até ele chegar.”
A menina grita de felicidade, correndo dos braços da pessoa e indo até uma estante, pegando um livro ilustrado e o entregando para a pessoa, que ao ver a capa, começa a rir.
“Tem certeza?”
“Sim. E depois, você conta como conheceu o Papai.” A menina pede, ganhando um abraço da pessoa.
“Ele te contou que assa vida está ligada a essa história, não é?” A figura pergunta, recebendo uma afirmação animada da menina. “Muito bem. Então eu vou dividir a história em três partes. Assim, podemos ter pausas para beber água e lanchar, o que acha?”
“Perfeito.” A menina diz, correndo até o sofá e se jogando nele, dando altas gargalhadas.
A pessoa se junta a ela, que passa a se sentar em seu colo, abrindo o livro ilustrado intitulado Tamamo-no-mae, a história contada e não contada.
Conta a lenda que em tempos idos, houve uma bela jovem que chegou ao palácio do Imperador Konoe. Ela era Tamamo-no-Mae, e era tão bonita e cativante que o Imperador se encantou por ela imediatamente.
Quando ele lhe perguntou o que poderia fazer por um visitante tão especial, ela lhe disse que gostaria de ficar no palácio. O Imperador não podia resistir a seus encantos e, completamente seduzido ele concordou.
Quanto mais tempo ela ficava no palácio, mais as pessoas ao seu redor a adoravam. Ela era a mulher mais bonita que já tinham visto. Tamamo-no-Mae não era apenas bonita, era também muito educada, elegante, e principalmente, inteligente. Ela possuía um infinito conhecimento em todas as disciplinas. Os eruditos do palácio muitas vezes gostavam de testar o seu conhecimento, e ela sempre passava em seus testes, superando todas suas expectativas. Notava-se que suas roupas nunca ficavam amassadas ou sujas, e que ela sempre emitia um cheiro maravilhoso.
O Imperador, que também gostava de sua companhia, encontrou-se profundamente apaixonando. Um dia, ele perguntou se ela queria morar com ele no interior do palácio. Tamamo-no- Mae concordou.
À medida que os dias foram passando, ela e o Imperador tornaram-se um casal, eles estavam sempre juntos, dia e noite, todos os dias da semana, eram quase inseparáveis.
Conforme o tempo passava, o povo do palácio notou que o Imperador estava ficando fraco. Até que um dia, ele estava tão gravemente doente que não podia sair da cama! Os funcionários do palácio também acharam estranho que num primeiro momento, Tamamo-no-Mae ficou apática, não demonstrando sinais de tristeza, nem qualquer emoção. Foi apenas quando o Imperador teve uma convulsão de quase morte que Tamamo-no-Mae ostentou sinais de inquietação e preocupação, às vezes até parecendo bastante confusa.
Um dos estudiosos do palácio tornou-se muito desconfiado de sua visitante misteriosa, que ele procurou a ajuda dos monges no alto das montanhas. Estes lhe disseram que como a quase perfeita Tamamo-no-Mae veio à sua cidade e encantou a todos, incluindo o Imperador, temiam que ela pudesse não ser o que ela parecia ser.
Os monges deram ao estudioso uma pequena varinha, e disseram-lhe para enganar Tamamo-no-Mae para tocá-la. Contaram que, quando ela a tocasse, ela iria revelar sua verdadeira natureza.
Retornando ao palácio ele imediatamente procurou por Tamamo-no-Mae. Ela se encontrava em se quarto olhando distraidamente pela janela.
O estudioso aproveitando a oportunidade de distração de Tamamo, perguntou se ela queria ir com ele para um outro teste de conhecimento, sugerindo aliviar sua mente das preocupações. Ele então ofereceu sua mão como se para convidá-la, e quando ela estendeu a mão, ele imediatamente pressionou a varinha contra a palma de sua mão.
No momento em que a varinha tocou sua pele, ela começou a esfumaçar, Tamamo-no-Mae assustada retraiu a mão com dor, mas já era tarde demais. Uma luz ofuscante veio do nada, e em meio a luz e fumaça, o estudioso ficou chocado ao ver um número de caudas desfraldar atrás da bela jovem.
O estudioso gritou para os guardas que irromperam a sala encurralando Tamamo-no-Mae que, em pânico, transformou-se totalmente em uma kyuubi (uma raposa de nove caudas). Ela saltou para fora da janela fugindo através da cidade em alta velocidade.
As pessoas, que antes a veneravam, ao vê-la, atiraram pedras e objetos pontiagudos, ferindo-na, que desesperada fugiu da cidade se dirigindo em direção às montanhas.
De volta ao palácio, o estudioso informou ao Imperador a verdadeira natureza de sua adorada Tamamo-no-Mae, uma kitsune que propositalmente o adoecera para tomar-lhe o trono. As Kitsunes (e Kyuubis) são criaturas conhecidas por usar seu charme para absorver a energia das pessoas, especialmente aqueles que se sentem mais próximos a elas.
Desolado e ainda fraco (mas em recuperação), o Imperador com pesar no coração, autorizou-os a “fazer o que precisasse ser feito”, para o bem do seu povo.
Foram contratados então, dois guerreiros, conhecidos como Kazusa-no-suke e Miura-no-suke, especializados em caçar e matar raposas.
Demorou muito antes dos dois guerreiros a encontrar. Tamamo-no-Mae, a raposa, foi encontrada escondida nas montanhas, vitimando os viajantes errantes para seu alimento. Quando ela viu os dois guerreiros, atacou-os de imediato, mas eles eram muito hábeis esquivando-se facilmente de seus ataques.
De repente, Miura-no-suke disse em voz alta, “Sob a ordem do Imperador, um traidor como você deve ter uma morte dolorosa!!!”
A raposa parou de repente, em seguida, uma luz ofuscante voltou, e os dois guerreiros viram parada em pé diante deles a bela Tamamo-no- Mae, com nove caudas nas costas, e seus olhos cheios de lágrimas. Ela ficou lá tremendo, olhando para o chão, olhando com metade ódio e metade medo.
“Faça o que você precisa fazer”, ela finalmente disse. “Mas eu não vou morrer sem lutar.” Após estas palavras, ela redobrou seus ataques aos guerreiros com dentes e garras afiadas.
Os três tiveram uma luta longa e difícil, ficando gravemente feridos, com Tamamo-no-Mae transformando-se novamente em uma raposa e fugindo para as montanhas.
A raposa correu em direção às planícies, de novo em alta velocidade. Os guerreiros perseguiram-na, mas ela estava muito rápido, então um deles pegou um arco e flecha. Ele mirou a raposa em fuga, e após várias tentativas, ele acertou com êxito uma flecha no peito da raposa.
A raposa, uma vez que estava morrendo no chão, mais uma vez transformou-se na bela mulher que todos admiravam. Lágrimas quentes de tristeza, raiva e dor percorreu seu belo rosto, antes de finalmente morrer.
No momento em que ela deu seu último suspiro, ela se transformou em uma pedra negra amaldiçoada (Sessho-Seki). A pedra liberava um gás venenoso mágico, matando qualquer um que passasse perto dela.
A pedra ficou lá por muitas gerações, vitimando muitos. Até que uma noite, um monge passou, e preparou um ritual em torno da pedra amaldiçoada. Ele orou a noite toda, murmurando encantamentos e acendendo velas bentas e incenso ao redor da pedra.
Na manhã seguinte, ele levantou-se e aproximou-se da pedra, colocando a mão sobre a sua superfície, mas, milagrosamente, ele não foi prejudicado.
Ele, então, gritou para a pedra: “Já ouvi falar de sua história, Tamamo-no-Mae; de como na pele de um kyuubi você enfeitiçou o Imperador e teve o que mereceu, uma morte dolorosa e solitária. Mas eu sei que há muito mais do que conta a história, e eu gostaria de dar meu coração para ouvi-la. Por favor, eu quero saber a sua história real. “
Ele esperou alguns instantes, até que uma voz suave veio da pedra:
“Eu sou Tamamo-no-Mae, mas eu nem sempre fui Tamamo-no-Mae. Meu nome verdadeiro é Mizukume. Meu pai adotivo me encontrou na floresta como uma criança, não sabendo que eu já estava condenada a ser uma raposa de nove caudas, que é provavelmente por isso que meus pais verdadeiros me abandonaram. Quando eu tinha 17 anos, meu pai adotivo foi acusado de traição, e condenado ao exílio do palácio, o que levou à sua morte.” Começou a contar…
“Eu estava muito irritada e sozinha, então decidi abraçar a minha metade kyuubi e imediatamente buscar vingança ao palácio. E, eventualmente, ganhar a confiança e amor do jovem Imperador, drenando lentamente sua força vital, mas me deparei com algo inesperado; Encontrei-me apaixonada por ele, o que não fazia parte do plano. Uma parte de mim não queria que ele se machucasse, ou morresse. Eu fiquei muito confusa sobre tudo. Tinha o meu coração partido antes mesmo que a flecha atravessasse meu peito, e isso é o que realmente me matou no final. Eu lhe imploro monge, não posso mais aguentar isso. Tenho sido amaldiçoada desde que nasci, e mesmo depois de morrer, ainda sou amaldiçoada. Matei tantos, na minha vida e na morte, que estou profundamente triste. Por favor, eu imploro, me liberte desta agonia.”
O monge fechou os olhos, e ainda com a mão apoiada na pedra, ele murmurou um encantamento solene, que terminou com “Obrigado, Mizukume. Seja livre!”.
Uma bola brilhante de luz se levantou da pedra, ascendendo ao céu. A pedra, sem sua maldição, se desfez em pedaços, tendo-os espalhados por todo o Japão.
Ou não.
“Após contar toda a sua história para o monge, que a escutou com uma grande paciência, Tamamo-no-mae acabou se apaixonando por ele. Mas ela não podia, e por causa disso, a pedra que ela havia criado cheia de ódio se transformou em um bebê a quem ela pediu para o monge criar no seu lugar.”
“O bebê, que recebeu o nome Hoshi-no-Mikoto, aparentava ser uma criança normal até que uma doença se espalhou pela cidade em que ele vivia e ele foi o único não afetado por ela, logo recebendo o nome de Menino Milagroso. O menino, ao se apresentar em um festival para os doentes, acabou usando partes de seus poderes para purificar o vento que circulava pela cidade e com isso, curar as pessoas. Isso causou alvoroço, pois uma parte das pessoas passou a venerar o garoto e a outra, passou a temê-lo.”
“O monge, temendo pelo menino, o fez acompanhá-lo em suas viagens de peregrinação pelo Japão, o ensinando sempre. Mas a velhice chega para o monge, e decide levá-lo para o túmulo de sua mãe, onde agora o jovem adulto sabe o que tem que fazer. Sozinho, o menino viaja com um longo cajado de madeira, onde no topo há um gancho para sua lanterna que está sempre acesa e um colar com 108 contas no pescoço. Assim, ele passa a usar seus poderes, agora refinados, para exorcizar e purificar os ambientes que visita.“
“Mas ele não era feliz. Ele não era, porque estava sozinho. Enquanto ele observava as pessoas conversando ao seu redor, ele passou a se sentir solitário. Mas quando ele menos espera, uma mulher surge na vida dele e ele se apaixona. Eles ficam juntos, tem um filho e ambos passam a viajar com ele. O tempo passa e o filho deles também se casa e tem filhos. A mulher veio a falecer e ele se viu sozinho de novo. Assim, pela primeira vez, ele derramou sua primeira e única lágrima, que ao cair de seu rosto, virou uma pedra redonda transparente, como se fosse de vidro. Ele, já bastante velho, escondeu os objetos em um templo abandonado na mesma cidade que seu filho se estabeleceu, e com a possibilidade agora de viajar para o exterior, ele viaja de navio por diversos países até chegar onde hoje é a Rússia.”
“Ali, ele teve seu fim, na companhia de um morador local, a quem ele ele entregou a pedra. Quando a pedra toca na mão do russo, ela emitiu um brilho enorme e ganhou duas cores. Azul claro e marrom escuro, como os olhos dos dos dois ali presentes. Com isso, as almas dos dois foram ligadas e destinadas um ao outro para sempre, mesmo presas em seus países de origem. Eles dois passaram por diversas vidas sem poder se encontrarem, esperando o dia em que finalmente possam estar juntos.”
“E eles conseguiram.” A menina diz, quando a figura fecha o livro.
“Sim. Eles conseguiram. Eles finalmente conseguiram ficar juntos. E você é a prova disso, Sakura Katsuki-Nikiforov.” A figura diz, a beijando novamente na testa.
De repente, um celular que está na mesa ao lado deles começa a tocar, uma melodia no piano ao qual a pessoa o pega e atende a ligação.
“Alô, Vicchan!”
“Yuura! Eu preciso de você aqui!” A voz do outro lado da linha fala, desesperadamente. “Traga Sasha também, não me importo!”
“Vicchan, algum problema?”
“Sim, um problema grave! Eu estou sentindo falta de vocês!”
Ali, Yuuri Katsuki, divide o celular com sua filha, Sakura, para escutar o drama de Victor Nikiforov no outro lado da linha. Ao som das risadas dos dois, Victor solta um gemido.
“Que terrível! Meus dois amores estão rindo da minha desgraça!”
“Está bem, Vicchan. Eu e Sacchan estamos à caminho. Assim, podemos contar juntos a nossa história.”
“Oh! Eu estou animado agora! Estou esperando por vocês!”
“Ok, logo estaremos aí.” Yuuri diz, desligando o telefone. “Agora, vamos? Papai deve estar se sentindo muito solitário sem nós.”
“Vamos!” Sakura diz, animada.
E juntos, eles saem de carro. Nas ruas, outdoors Yuuri está abraçado com seu marido, Victor, com um colar em forma de coração com uma jóia transparente no centro e os dizeres: Stammi Viccino Jewels Love Collection! Encontre sua alma gêmea com as Soul Stones!
“Mama, suas pedras são bem populares agora.” Sakura diz, olhando para Yuuri.
“De fato. Mas tudo isso é graças ao Papai, que me defendeu e me ajudou.” Yuuri fala, abrindo um sorriso. “Você acredita que me roubaram quando eu vim para São Petersburgo?”
“O Quê?! Quem foi o malvado?” A menina pergunta, se olhos arregalados.
“Você vai saber logo logo. E não se preocupe. Papai já deu um jeito nele.” Com uma risada, Yuuri encerra o assunto, já que ambos chegam em uma grande loja com o nome Stammi Viccino Jewels.
~ Continua ~
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