Soul Shards: Gênesis

12 Os dias perdidos. Parte 1.


Os motivos são necessários para se entender a historia, mas às vezes a história é necessária para se entender os motivos. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- Os dias perdidos. Parte 1 – Calius. Elementias – 28/04 20h41min A noite já havia tomado conta da ilha. O jovem de cabelos brancos estava sentado num velho tronco. Ele encarava seu medalhão com os olhos concentrados. A sua frente estava uma fogueira improvisada que crepitava, mas o jovem não voltava os olhos para ela apesar disso. Burner: — Alimentando o fogo da fogueira com uns galhos secos que havia acabado de pegar. – Hey... Até que horas você vai ficar olhando pra isso? PZ: ... Burner: — Olhou para o lado com uma cara descontente enquanto lambia o lábio superior e suspirou. – Oe oe! Não me ignora! PZ: Ahm? Desculpe-me... Eu estou distraído... Burner: Não me diga, eu nem percebi... – Girou os olhos. PZ: — Olhou para ele e voltou os olhos para o medalhão. Burner: — Se sentou ao lado dele no tronco e lhe deu uma cotovelada de leve. – Ei, quer compartilhar algum pensamento? PZ: É que eu não estou pensando em nada, mas estou me lembrando de algo, sim... Não que seja nada de interessante... Burner: E você pode me dizer? – Disse com os olhinhos brilhando PZ: Por favor, me deixa em paz... Burner: — Com o olhar de descrença. – Qual é... Vamos... Você sabe que quer me contar. – Fez um bico. PZ: Bem eu... – Olhou para baixo e depois de novo para o medalhão. Burner: Acho que se nós vamos ser um time de agora em diante, seria bom ouvir qualquer coisa que você tenha a dizer. PZ: — Ainda olhando para o medalhão. – Bem... É que... Burner: — Tomou o medalhão de sua mão e liberou todas as almas. – É algo que todos deveríamos ouvir. Todos se acomodaram como tiveram vontade. Blitz criou um assento de terra para ele e Krieg. Atros se isolou, sentando no galho de uma arvore, longe da luz da fogueira, enquanto Éon se aproximou bastante da mesma, sentando ao chão. Silvian apenas se escornou numa das arvores. Glace se sentou relativamente perto do tronco onde os outros dois estavam sentados, no chão. Will fez desabrochar uma rosa gigante do chão, onde sentou, fazendo-a funcionar como uma almofada gigante. Tori por sua vez resolveu sentar na outra extremidade do tronco. Burner: — Sorriu. – Pronto. Todos estão prestando atenção agora. Pode começar. PZ: — Respirou fundo. – Bom... Eu estava pensando em como eu cheguei até aqui, e tentando refletir como vou progredir... Neste momento ele gastou alguns minutos para contar a todos a origem de ProtonsZero, e como ele se tornou o que é hoje. Tori: Sem duvidas... É uma historia fascinante. Silvian: Eu não entendi uma coisa... Se você realmente abriu mão de suas emoções, como você pode ser movido por algo tão banal como vingança? PZ: Aparentemente eu não me livrei de dor e raiva, mas eu não sou movido tanto por esses motivos quanto eu aparento. Nesses dez anos, apesar de não esquecer que ele matou meus pais e irmão, eu já quase relevei este fato, mas acontece que como Juiz o meu dever é capturar qualquer pessoa que tenha chances de quebrar a ordem do mundo, e segundo o meu magnum tempus ele não é só um criminoso comum como vocês mesmos puderam constatar. A verdade é que ele é o mais formidável inimigo que já enfrentei e na realidade ele foi o único que já conseguiu escapar de mim. Silvian: Entendo... Krieg: Conte-me... Como exatamente são essas suas missões? E como um garoto de apenas dez anos conseguiu se tornar um lutador tão hábil? PZ: — Respirou fundo novamente. – Bom... Se vocês querem ir tão fundo... Eu acho que a única resposta que posso dar é contar os três casos mais marcantes que aconteceram nesses últimos dez anos: --- * Flashback * --- O 1º Evento: A Morte. Cidade de Calime, 3ª Escola Estadual – Fevereiro de 10 anos atrás — Período Manhã \"Isto, na verdade, aconteceu alguns meses antes de eu me tornar o que eu sou hoje... Eu freqüentava a escola, como qualquer menino da minha idade deveria...\" Calius: ... – Sentado, em uma plataforma onde eram içadas as bandeiras do país e do estado, naquele que era o pátio do seu colégio. Olhava fixo para um grupo de garotas que conversava. ???: Você está olhando pra Yuu de novo? Sentou-se ao lado dele uma garota, que apesar de usar o mesmo uniforme do colégio era bem alternativa. Ela não era alta, mas magra, seus cabelos eram negros com mechas roxas. Ela não usava maquiagem, mas possuía um rosto bem expressivo, que sempre demonstrava um sorriso obviamente falso. Calius: Não Liam, não... Liam: E não é \'praquela\' amiga dela, é?! Calius: Não, também não... Liam: Ainda bem. Eu não gosto dela! Ela é tão arrogante, só porque tem peitos grandes! Eles se entreolharam, apenas com o canto dos olhos, mas foi o suficiente para um sorriso aflorar no rosto de cada um. Liam: Você fala que não, mas você não tira os olhos da Yuu. Calius: O problema é exatamente esse... Por mais que eu olhe... Não acontece nada... Liam: Você sabe que não é assim que funciona. Já tem uns 3 anos que você gosta dela. Não acha que já está na hora de falar com ela? Calius: Não tenho coragem pra fazer isso... Heh... É tão estranho que uma mulher como você esteja querendo me ajudar com isso. Liam: A culpa não é minha se você não tem amigos homens... Ou amigas mulheres... Ou amigos no geral! Calius: — Suou frio e olhou com um olhar desconcertado para ela. – Muito obrigado por me lembrar! Liam: E o que aconteceu com aquele seu amigo... Qual o nome... Marccus? Calius: Aff... Nem me fala naquele idiota... Ele é um tremendo imbecil... Eu não consigo nunca saber o que ele está pensando. Ele sempre é tão estranho quando se trata de mim. Liam: Já pensou que ele possa gostar de você como MAIS do que um amigo? – Deu um sorrisinho maligno. Calius: — Arregalou os olhos. – NEM BRINCA! Eu já tenho problemas demais do jeito que as coisas estão... Liam: Que mané problema? Desde quando alguém com uma vidinha fácil como a sua tem problemas? Calius: Só porque sua vida é uma droga maior que a minha seja boa. Liam: É... Você tá pior do que de costume. Dá pra ver que você está deprimido... O que houve? Calius: Meu avô morreu no fim de semana. Liam: Sei... E ele era muito importante pra você? Calius: Importante? Com meus pais sempre fora para trabalhar, eu e meu irmão sempre ficamos na casa dele. Ele é único parente vivo que ainda tínhamos. Eu posso dizer que ele é como um pai pra mim, claro que eu ainda adoro meus pais, mas ele sempre vai ser especial de uma maneira diferente... Liam: Hm... Eu entendo. Você pode chorar se quiser, eu não vou rir. – Sorriso doce. Calius: — Finalmente mudou a direção do olhar, para uma nuvem, que parecia estar bem longe, mas era muito grande. – Eu? Não... Ele não ia querer me ver chorando. Alem do mais, eu sei que ele está bem onde quer que esteja, e não quero ficar sendo um egoísta, e segurar a alma dele por causa disso. Liam: Você parece bem convicto... Então porque está tão triste? Calius: — Seu queixo tremeu por um momento e uma lagrima escorreu de seu olho direito. – Cara... Eu vou sentir muito a falta dele... Eu me sinto mais insignificante sem alguém para sentir orgulho de mim... Eu sentia que ele era a única pessoa que tinha orgulho de mim... ... – Enxugou a lagrima e se calou por um minuto. – Sabe, eu sempre quis ser apenas o que eu sou... Nunca tive grandes expectativas para mim mesmo... Mas sendo apenas eu, eu me destacava, então sempre tiveram preconceitos quanto a mim. À medida que deixei, tentei ser pior, eu senti que estava decepcionando tanto a mim mesmo... Eu parei de acreditar em mim mesmo, e as pessoas sempre me consideraram uma sombra, um anormal. Eu nunca me enquadrei em algum grupo, pois era bom sem me esforçar, e ao mesmo tempo, quando bancava o ruim, eu transparecia certas excentricidades que não são comuns àqueles de menor compreensão... Você consegue entender? Liam: Se eu consigo? Heh... Parece que você está falando de mim... – Sorriu, meio forçadamente. Calius: Desde então eu simplesmente me sinto péssimo... Não sou aceito entre os melhores por não ser esforçado, nem pelos piores por ser bom demais. As pessoas me ignoram porque não me compreendem, e eu estou cansado disso. Eu não sinto que posso confiar em ninguém, nunca. E isso é horrível. É como se eu estivesse fadado a minha família para sempre, pois ninguém vai me entender. Mesmo as pessoas de quem eu gosto nem sabem que eu existo... Liam: Pelo menos você tem sua família para te reconfortar... Calius: Como? Minha mãe simplesmente espera demais de mim, mas não vê meus problemas. Meu irmão é simplesmente perfeito em tudo... Meu pai é um bom amigo, mas eu também não sinto como se ele me entendesse também, é como se ele apenas me ouvisse e concordasse comigo. Tudo bem que eu nunca compartilhei meus problemas com meu avô, mas as coisas melhoravam só de estar com ele. Liam: De novo, você ainda tem sua família. Eu passo pela exata mesma coisa, só que minha família é um lixo... Meu pai é um bêbado... – Fez uma cara de desconforto. — ... Não espalhe isso, mas ele já abusou de mim algumas vezes... A minha mãe é uma vadia que vê isso e não faz nada, mas não importa, porque ela só quer saber de sair com as amigas vadias e fúteis dela para manter o \'status perfeito\' da família, sempre que eu tentei reclamar com ela, ela me bateu... Meu irmão mais velho largou a escola e se tornou um ladrão, mas meus pais nem sabem disso. Calius: ... Como? Como você agüenta isso? – Olhou para ela com os olhos cheios de lagrimas que não saiam. Liam: ... Eu não agüento... Eu apenas... Ignoro... Eu não me importo. Seu eu não ligar pra isso não dói... Não é...? E também, alguns \'remédios\' ajudam às vezes... Calius: ... Não dói se você não ligar... Liam: Droga... Como eu queria provar pra todos que eu sou melhor do que isso... Calius: Nós somos melhores do que isso. No fim, são pessoas como nós que vão fazer alguma diferença... Liam: Você acredita mesmo nisso...? Calius: Nós somos sim melhores, e mesmo que fracassemos, nós já esperamos por isso... O fracasso só atrapalha quando você liga para ele e não quer tentar de novo por medo, mas... Não dói se você não ligar, não é? Liam: — Olhou para ele com os olhos cheios de água. – Olha só pra você, seu bobo... Fazendo uma garota chorar deste jeito... Calius: — Se levantou e estendeu a mão para ela. – Vamos Liam, vamos fazer uma promessa... Liam: Que... Que tipo de promessa? – Agarrou sua mão. Calius: De que nós vamos ser melhores do que isto... De que no fim, nós é que vamos ser felizes. Liam: — Se levantou, enquanto segurando sua mão. Fechou os olhos por um segundo, pois o sol bateu neles. – Claro. É uma promessa. Calius: É uma promessa! Liam: — Sorriu um sorriso mais verdadeiro do que nunca havia demonstrado. E deu um beijo na bochecha de Calius. – São pessoas como você que fazem o insuportável se tornar Calius: Suportável? – Sorriu também. O sinal tocou, e toda aquela multidão frenética de alunos que se movia de um lado para o outro, aparentemente sem rumo, se atinou e correu em direção a uma mesma porta, rumo ao dia de aula que estava prestes a começar. Calius: Vamos! A aula já vai começar! – A segurou pela mão e foram juntos para classe. No dia seguinte... O céu estava bem cinza, com cara de que ia chover pesado, o vento estava frio, e não era realmente um dia agradável para a maioria das pessoas. Calius: — Olhou para cima. – E o céu estava tão limpo ontem... Hm... Onde está a Lia? – Sorriu e olhou para os lados, enquanto andava pelo pátio, procurando sua amiga. O sinal já conhecido bateu novamente e os alunos se moveram rumo ao portão, mas este hoje estava ainda trancado. A diretora, uma mulher robusta, já de certa idade se aproximou e deu um comunicado: Diretora: Caros alunos. Hoje é um dia triste para nossa escola... Aparente uma de nossas caras companheiras, a senhorita Liam; como algum de vocês devem se recordar; morreu ontem à noite. A família dela não divulgou a causa, mas aparentemente ela foi assassinada. Então, em respeito a Liam, iremos, antes de começar a aula, içar a bandeira do nosso colégio a meio mastro... \"Algum tempo depois disso eu fiquei sabendo que ela foi cortar os laços com o tal traficante que fornecia os \'remédios\' a ela... Ela falou algumas verdades para ele, e disse que se daria bem sem aquilo. Ele, que já estava drogado, apelou com ela... Disse que ela não era ninguém sem ele, e que ela tinha que continuar a comprar as drogas dele. Ela se irritou e deu um tapa na cara dele, e quando foi saindo, ele puxou uma arma e atirou na cabeça dela. Três vezes...\" Calius: — Em fila, em frente ao platô das bandeiras, em meio a outros alunos. – Nenhum deles realmente se importa... – Continou parado mesmo depois que todos os outros já estavam voltando para suas salas. – Não dói se você não se importar...? – Esperou até todos saírem e se sentou em frente ao mastro da bandeira. – Babaca... Foi uma promessa... Você foi antes de mim... Maldita... – Sorriu e olhou pra cima. Gotas de chuva começaram a cair por todos os lados, e finalmente inundaram seu rosto... Ele ficou sentado lá até o sinal da saída tocar. Não se sabe se ele estava chorando, ou se era a chuva. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- O 2º Evento: O Treinamento. Cidade de Calime – Abril. Dez anos atrás. Período da tarde. \" Eu estava rodando a cidade, perdido e com fome já há um mês. Eu não tinha mais casa, eu estava roubando para comer, eu estava dormindo nas ruas, nenhuma pessoa parecia se importar. Eu havia perdido minha família aos 12 anos de idade, eu não tinha uma cabeça muito boa para entender as coisas ainda, e por isso eu me recusei a voltar para ser adotado, mas agora pensava se não seria má idéia... Mas pensando melhor, eu havia mudado de aparência, e provavelmente já teriam me declarado como morto como o resto da minha família. Não havia nenhum parente vivo... Então eu perambulava pela cidade. Até aquele momento nenhuma missão havia aparecido para mim. E foi perambulando pela cidade como fazia que certo dia eu acabei passando à frente de uma academia...\" PZ: — Perambulando por uma rua movimentada. Mulher jovem: Olha só querido, que jovenzinho peculiar. Homem jovem: Sim querida... Esses punks de hoje em dia não tem mais limites, olhe só como ele está maltrapilho! Mulher jovem: Vamos rápido querido, pode ser que ele tente nos assaltar! Homem jovem: Sim, claro, vamos rápido! PZ: — Passou o olhar cansado e cheio de olheiras por eles e voltou seus olhos para a grande tela de vidro de uma academia. Lá dentro ele pode ver varias pessoas de diferentes idades treinando alguma arte marcial. PZ: — Olhando pelo vidro, vendo os alunos treinando... ???: — O professor notou que ele estava olhando, mas logo o ignorou. PZ: — Olhou para as próprias mãos e pensou. – Eu tenho que começar a levar isso à serio, eu acho... Eu posso ter força, mas eu não sei usá-la... Eu tenho inteligência, mas não tenho o que realizar com ela se não parar para aprender... Acho que... Eu também tenho que treinar... Não? – Começou a repetir os movimentos que via através do vidro, mesmo estando fraco e sem saber direito o que estava fazendo. ???: — O professor olhou pela janela e fez uma cara de desgosto. – Ei, todos! Repitam este exercício até eu voltar. – Saiu da academia e se virou para o garoto de cabelo branco. – O que você está fazendo? PZ: ... T-treinando? – Olhou para ele de canto de olho enquanto repetia os movimentos. ???: — Olhou para ele de cima a baixo, reparou suas olheiras, como estava magro, e como suas roupas estavam gastas. — ... Hmm... Treinando... Certo. – Olhou para o lado com um olhar de quem sabia de que ia se arrepender daquilo depois. – Olha, se você quer treinar, você tem que começar do básico. – Afastou as pernas e as flexionou, como se fosse sentar no ar. Logo depois cruzou os braços, colocando a mão direita sobre o ombro esquerdo e a esquerda sobre o ombro direito. – O nome desta base é \'cavalo\'. Fique nela até eu dizer que você pode sair... – Se levantou e voltou para dentro da academia. PZ: ... C-cavalo... – Olhou com os olhos meio trêmulos para dentro da academia. ???: Certo, todos! Abaixem mais nas bases! Não me façam pegar os bastões! PZ: ... Abaixar... – Fez a posição como havia lhe sido mostrada. Muito mais tarde naquele dia. ???: — O professor olhou pela janela e não o viu. – Então ele foi... Sabia que não ia conseguir... – Sorriu, tendo se livrado de um fardo. – Muito bem, a aula acabou. Vejo vocês semana que vem! Por favor não se atrasem!. – Começou a guardar suas coisas e apagar as luzes da academia, quando finalmente saiu pela porta. Ouviu um gruinhido seguido de um gemido. ???: — Olhou para o lado. – Você...? PZ: — Estava quase inconciente, seus olhos já não tinham mais brilho e ele estava bem abaixado na posição, num estado de quase transe. Ele gemia de poucos em poucos segundos e seu estomago roncava muito alto. Suas pernas tremiam muito ???: — Ah não, você não vai me enganar! Você não pode ter ficado aí o dia todo. Você saiu, não foi? PZ: ... N-não... Você não me disse para sair... ???: ... Como eu não te vi lá de dentro? PZ: Você vive mandando todos abaixarem nas bases... E-eu... Só abaixei... – Continuou olhando fixo para dentro da academia. – Estava abaixo da linha da janela. ???: — Olhou com olhos de espanto. – Aonde você pretende chegar fazendo isso? Você quer dinheiro? Comida? Abrigo? PZ: — Virou os olhos devagar para ele. – Dinheiro não serve de nada para um sem-teto... Qualquer arvore me serve de abrigo, e eu posso roubar a comida que eu quiser... Agora só o meu corpo não vai me abandonar... Eu... Eu quero treinar. Eu quero ser melhor. Eu quero ser melhor... Eu quero ser melhor... ... – Tombou para frente, tentou se apoiar com uma das pernas, mas isso só o fez cambalear para trás e depois cair. ???: — Segurou-o antes que chegasse ao chão. – Você quer treinar, huh?... Vem que eu vou te levar lá pra dentro, você tem que comer alguma coisa... – Sorriu. No dia seguinte. Garoto 1: — Adentrava a academia com seus amigos. – É, foi isso mesmo e daí eu... Ei... O que é aquilo? – apontou para algo no meio da sala. ???: Se alguém tocar nele, vai sofrer o mesmo que ele. – Disse o mestre para os alunos que adentravam. Garoto 2: Mestre, o que é que está acontecendo? Na parte mais ao fundo da sala, na mesma posição que se encontrava no dia anterior, estava o jovem com os cabelos brancos, coberto com uma enorme quantidade de pesos de todos os tamanhos amarrados em seu corpo. Seus olhos demonstravam uma aparência de dor quase insuportável, ele suava frio e tentava manter o foco enquanto suas pernas tremiam terrivelmente. ???: Sem perguntas. Garoto 2: Mas Mestre John eu... John Vincent: Abaixe e pague vinte flexões. Garoto 3: Hahah! Se ferrou! John Vincent: Você também, senhor engraçadinho. \" Naquela noite eu me abri com aquele que me acolheu como discípulo. Eu lhe contei o que aconteceu, apesar de ele ter se mantido incrédulo para parte do acontecido, ele percebeu minhas intenções e necessidades.\" John Vincent: Então você perdeu toda a sua família e tem essa espécie de \'super-poder\' agora, é isso? PZ: Sim... – Comendo um pedaço de pão lentamente, olhando fixo para este. – Foi exatamente isso. John Vincent: — Deu uma gargalhada. – Interessante... E você quer ficar forte porque agora você vai ter que sair em todo o tipo de missão. PZ: Em parte... John Vincent: Como assim, \'em parte\'? PZ: Eu... Eu estou cansado de confiar nas pessoas e elas me abandonarem. Eu quero ficar forte sozinho. Quero ser capaz de defender meus ideais por mim mesmo... John Vincent: — Olhou para ele com um brilho nos olhos. – Heh, garoto, nós vamos nos dar bem... Eu sou John Vincent, sou ex-campeão mundial de Kung Fu. PZ: Ex-campeão mundial? Você? John Vincent: Por quê? Tem algo errado comigo? – Fez uma cara de bobo pasmo. Ele não aparentava realmente ser forte, mal tinha 1,70 de altura, sua pele era levemente bronzeada, seus cabelos começavam a se tornar grisalhos, tinha algumas tatuagens em escritas orientais no braço direito e era cego do mesmo olho. Ele também não era muito musculoso. – Fique você sabendo que nos meus tempos de glória me chamavam de \'O Rei\'. PZ: Se você era o rei, por que não é mais o campeão mundial. John Vincent: ... Aparentemente o comitê não aceita bem o fato de eu ter ficado cego de um olho durante a minha ultima final... Segundo eles eu não consigo enxergar mais, então eu não posso mais lutar, pois não seria \'justo\'. Eu te digo com sinceridade. Eu enxergo muito mais do que eles! – Gargalhou. – Mas você ainda não me disse o seu nome. PZ: Meu nome é Ca... Não... Eu... Eu não tenho nome. John Vincent: Sem nome? O que é você, um \'Zero\'? PZ: Pode me chamar disso se quiser... – Fechou os olhos e deu um sorriso amarelo e desmotivado. \"Durante vários dias os treinamentos árduos prosseguiram.\" PZ: Gwah! – Seus dedos estavam se esforçando ao máximo para se segurar a uma parte do teto, seu corpo todo amarrado com pesos que diminuíam de tamanho a medida que chegavam mais perto da cabeça. – C-Chega... Agh... John Vincent: Pare de reclamar. Para um guerreiro baseado em velocidade como você, força nos dedos é essencial para sobreviver. \"E prosseguiram...\" John Vincent: Vamos, só mais vinte minutos! – Estava de pé em cima dos joelhos do garoto, que estava todo reclinado para trás, quase deitado, mas com seus braços presos nos do mestre, cruzados. Embaixo dele havia espinhos – Você precisa aprender a mudar o seu centro de gravidade! \"E prosseguiram...\" PZ: — Arfando, quase sem respirar, correndo o mais rápido que podia em uma esteira enquanto desviava e rebatia com os punhos objetos que vinham voando e lutadores que tentavam o acertar. John Vincent: Suas reações continuam lentas! Vou aumentar a velocidade!

\"Prosseguiram... Sem jamais demonstrar os poderes que havia ganhado naquele dia fatídico em que completei 12 anos de vida... As noticias se espalharam entres os outros professores da academia de que o \'Rei\' havia escolhido um jovem de sorte para ser o seu \'sucessor\', alguém que jamais seria apenas um medalhista, um campeão, um faixa preta, mas aquele que levaria o verdadeiro motivo das artes marciais a sério. Antes que eu pudesse perceber, outros professores já começavam a me ensinar outras artes marciais, e em pouco tempo eu me tornei um distinto lutador que sabia vários estilos... Os alunos me olhavam com inveja e com respeito ao mesmo tempo, me perguntavam as coisas e me pediam conselhos, devido ao meu aparente \'talento nato\', os professores me olhavam com orgulho, apesar disso eu ainda me destacava mais no uso de armas, mas eles ainda me olhavam com orgulho... Eu tinha achado uma casa... Ou não...\" ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- O 3º Evento: A primeira missão. \" Haviam se passado alguns meses... 3, 4, eu não me recordo... Foi quando eu fui chamado para a minha primeira missão...\" Mestre de Karatê: Bom, você já é um ótimo aluno. Treinando assim direto vai ficar bom em pouco tempo. Agora, se você ficar bom você vai precisar de um apelido, e um símbolo que vão te marcar como um bom lutador. PZ: Entendo... Mas... O que você acha que ficaria bom para mim...? Mestre de Muay Thai: Bom... Nós realmente não sabemos – Sorriu um sorriso amarelo. – Na verdade, acho que você é o primeiro aluno assim que cada um de nós já teve. Alguém com tanto potencial e tanta energia. – Era um homem negro, alto e robusto em todos os sentidos da palavra. Possuía um cabelo Black Power e uma barba bem pronunciada. PZ: ... Senseis, podemos deixar isso de lado um pouco? Eu tenho uma duvida. John Vincent: Diga, pergunte o que quiser. – Estavam ele e todos os mestres sentados em uma enorme mesa de jantar. PZ: Os garotos vivem me perguntando isso... Eu não tenho um uniforme ou faixas, e eu sei que eu me destaco bastante... Então... Qual... Qual seria minha graduação? Qual faixa eu teria? Eu sei que não é uma pergunta importante, e na verdade eu não me importo. O treinamento e minha causa são o que me motivam e não minha faixa. John Vincent: Sua faixa? Deixe-me lhe perguntar uma única coisa, você se acha um bom lutador? PZ: Eu tenho certeza de que eu posso melhorar... Em... Bem, em tudo. John Vincent: — Sorriu e respondeu. – Você... Heh, Você é um faixa branca. PZ: Huh? – Ficou cabisbaixo. – Hmm... Entendo então eu não... John Vincent: Você entende o verdadeiro espírito das artes marciais. Você quer melhorar, você quer lutar por suas crenças, você não está por títulos ou pela glória. Você percebe? Você já se livrou de todas as duvidas, você já se dedica da maneira correta, mas ainda sim você sabe que não sabe. Você dispensa as cores e ao mesmo tempo merece a todas elas. É por isso que você sempre será um faixa branca. PZ: — Levantou a cabeça e olhou para todos os mestres que sorriam para ele, concordando com o que \'o Rei\' havia acabado de dizer. – Obrigado, Senseis. – Seu \'relógio\' apitou. – Erm... Vocês podem me dar licença? John Vincent: — Olhou para ele e sorriu. – Se você vai por em prática o que lhe ensinamos, eu lhe desejo boa sorte... Lembre-se de fechar a sua guarda! PZ: Certo, então eu já vou! – Saiu correndo da academia e correu em busca de seu alvo. \" Naquela noite eu lutei. Foi a primeira vez. Eu fui excepcionalmente bem, se posso dizer. Minha missão era cuidar de um líder de gangue que era um serial killer. Aparentemente, segundo ele, ele começou ao matar os próprios pais e fingir a própria morte. Na minha situação naquele momento, ele me deixou possesso de raiva. Foi a primeira vez em que fui tomado por um sentimento em alguns meses... Meus cabelos também voltaram a ficar castanhos naquela ocasião... Eu me excedi e acabei o matando... \" PZ: Estou de volta... – Já era de manhã. John Vincent: — Era sempre o primeiro a chegar à academia. – Você está coberto de sangue... PZ: Bem eu... Na verdade eu... – Estava decepcionado consigo mesmo por ter se excedido. John Vincent: A vida é sua, você deve ter tido seus motivos, então você não precisa me explicar, mas sobre matar uma pessoa, eu só quero lhe dizer uma coisa... Vai sempre lhe atormentar... A primeira vez é demais, mas a segunda vez não será suficiente. Você tem que se controlar e tentar superar o pesar de matar a primeira vez, ou então você não vai parar ai. PZ: Certo! Eu me controlarei! \" Eu tentei... Eu juro que tentei ao máximo, mas à medida que outras missões chegaram, eu eventualmente acabei por matar mais algumas vezes, e em menos de dois anos, todas as emissoras de televisão já me retratavam como assassino, serial killer e justiceiro... Até que um dia, voltando de uma das minhas missões, aconteceu. \" PZ: Cheg...uei? – Ele parou na entrada da academia que estava vazia, coisa que era extremamente incomum. John Vincent: Ah, você chegou... – Saiu de uma das salas ao fundo com uma mochila cheia, bem estufada, parecendo que ia estourar. PZ: O que aconteceu?! John Vincent: Desculpe-nos abandonar você, mas as noticias se espalharam, te rastrearam até aqui, e nenhuma pessoa quer ser o mestre de um assassino. PZ: Eu... ahm?! Mas... Eu não fiz por mal e... John Vincent: Eu sei que não fez por mal. Nós todos nos orgulhamos de termos sido seus mestres, mas você tem que entender que a academia é mantida pelos alunos que pagam, e eles todos saíram com medo de você, ou por ordem de seus país. A polícia já começa a nós investigar como professores, e a verdade é que estamos sendo procurado como cúmplices... Eu... Não quero esse tipo de vida de novo... PZ: Como assim, esse tipo de vida de novo? John Vincent: Se lembra de quando lhe contei da luta em que fiquei cego? Bem, eu não lhe contei toda a verdade... A verdade é que eu me excedi depois que o oponente me cegou o olho e eu o matei. O comitê me expulsou por causa disso, não por causa da cegueira... Eu não posso ter este tipo de culpa de novo. Todos os outros professores demoraram a me aceitar depois disso, mas depois eles me aceitaram já que eles também tem suas próprias marcas do passado como os mestres que são... E então eu aceitei um discípulo que se tornou um assassino... Minha reputação não se tornou boa. Bem, eu já vou... Os outros professores lhe escreveram uma nota, ela está em cima daquela mesa. Novamente, eu lhe peço desculpas... Eu acho que não haja mais nada a ser dito... – Lhe deu um tapinha nas costas e seguiu seu rumo. PZ: — Seus olhos sem emoção tremeram por um segundo e ele se aproximou da nota. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- Burner: E então? O que dizia a nota? Krieg: É \'Zero\', o que ela dizia? PZ: Na nota estava escrito: \"Apesar dos pesares, todos nós nos orgulhamos, sabemos que você tem seus motivos. Você foi o melhor dos alunos, apesar de tudo nós ainda o consideramos, você deixou de ser um discípulo e se tornou um mestre amigo que deve trilhar o seu próprio caminho.\" Blitz: Mas eles ainda te deixaram pra trás, e isso não é uma coisa que um homem faria! PZ: A nota não terminou ai... No verso ela dizia: \"Quando você precisar, nos procure, vai ser um prazer ajudá-lo. A sociedade não entende os nossos meios, mas nós nos entendemos, quando precisarmos nos uniremos.\" Éon: Puxa, que história... Para seres que não vivem muito, vocês humanos certamente são facinantes! Atros: Mas então quando foi que... Eles passaram o resto da noite se conhecendo e aprimorando seu \'relacionamento\', se preparando para o amanhã que viria, cheio de incertezas e dificuldades... ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- \"Rumo a um novo abrigo eu prossegui, em busca. No corpo, marcas do treinamento. Na mente, marcas de mortes. No coração, marcas do arrependimento de perder tudo que eu achei que havia conquistado. Aquele visual estranho que havia sido obtido por um meio incerto, agora tinha um significado... O cabelo branco marcava seu conhecimento e sua determinação como um artista marcial. O vermelho em seus olhos marcava o sangue derramado do qual ele não podia esquecer e tirar de vista. Em seu nome e emblema as marcas do infinito, pois se faria reconhecer por seus atos, daquele que seria o primeiro de muitas coisas, a corrigir o mundo com sua energia, o que faz parte da sociedade, mas a sociedade não faz parte dele. Ele seria a matéria do mundo, o primeiro (Próton) e ele seria a marca do nada, do humano que deixou de ser, que não é nenhum nem outro, o que deixou de existir, mas ainda é em sua essência (Zero). Mesmo sendo um paradoxo do ser ou do não ser, ele prosseguirá, e estará destinado à grandeza. O verdadeiro legado do primeiro ser da trindade, daquele reduz o desbalanceamento a não existência, o 17º jurado na face deste planeta, o que um dia virá a salvar tudo, Calius Alexis Kraddos.\" ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- Seu legado retoma com força total a partir do próximo capitulo: 013 – Eletricidade.