E então você passa 19 anos na sua vida achando que nunca teve um pai, achando que sua mãe foi mãe solteira, achando que se tivesse um pai tudo seria diferente. Todos os dias em que passei presa naquele local eu desejei ter um pai, eu desejei ter uma família, eu queria poder voltar pra casa aos finais de semana, queria poder ter um herói assim como todas as outras meninas tinham, mas não, eu era sozinha. A única coisa que sabia sobre meu pai é que ele não me queria, ele não queria um filho com minha mãe, ele me trocou, me abandonou.

​

Eu tinha raiva, tinha ódio, não queria saber o que aquele homem queria, não queria ele em minha vida e ele não tinha direito nenhum em interferir na minha vida daquela forma.

​

Já podia sentir a mudança do clima. Fazia um bom tempo que estávamos voando, eu estava apreensiva minha pernas não paravam um minuto e aquele estado de nervos estava deixando o voo estressante. Ficava pensando em diversas coisas para fazer, para não pensar no que seria de mim quando chegasse a Atlanta, mas estava um pouco difícil, estava muito difícil. Fiquei vendo umas coisas na internet e aproveitei para ver o clima em Atlanta e estava um pouco severo, sai do Brasil vestida tropicalmente e depois de algumas horas de voo tive que me agasalhar. Terminei de trocar Julie e ela estava linda, estava com saudade de vê-la de gorro e cachecol vermelho, as bochechas dela eram tão rosadas e a cor dos trajes se destacava mais naquela pele branquinha. Coloquei as botas nos pés dela e ela estava inquieta e empolgada para ver a vó, o vô e os tios.

​

Justin estava sentado na poltrona à direita com os olhos fixos na janela, não prestava a atenção em nada apenas mantinha os olhos fixos na janela. Ele estava tão diferente, calado e na dele, gostaria de saber o que ele estava pensando, mas não trocamos uma palavra desde que entramos no voo.

​

Me aproximei com cautela e quando já estava bem próximo ele levantou o olhar me encarando. Dei um sorriso torto e me sentei no colo dele, Justin me aconchegou em seus braços apoiei minha cabeça na curvatura de seu pescoço aspirando seu forte perfume que de imediato invadiram minhas narinas. Ele tocou levemente minha barriga e Jason chutou o fazendo sorrir.

​

- Sai logo dai moleque. Seu pai quer foder como um homem descente.

​

- Seu pai é um pré histórico. — Justin riu.

​

- Justin fode. Justin quer foder.

​

- Bobo. — dei um beijo no pescoço dele. — Ainda tem mais quarenta dias de resguardo.

​

- Tá vendo Jason? Sua mãe quer que eu vire cabaço outra vez.

​

- Seu pai é um idiota Jason! — como se ele quisesse me responder ele deu um chute. — Tá vendo ele concorda comigo.

​

- Concorda nada, você tá se iludindo. — ele segurou meu rosto entre as mãos e me deu um selinho prolongado.

​

- Diz o tanto que você me ama.

​

- Quem disse que eu te amo Cassidy?

​

- Eu. — sorri convencida. — Vamos me diga... Qual o tamanho do seu amor?

​

- Grande. — ele deu de ombros.

​

- Grande?

​

- Muito grande. — sorri.

​

- Então promete que nada do que acontecer vai te separar de mim? — ele me olhou fixo em silêncio por alguns segundos.

​

- O mundo pode cai e nem assim eu vou me separar de você. — ele acariciou minha bochecha com o polegar.

​

- Estou com medo. — sussurrei sentindo a ardência nos olhos.

​

- Eu não vou deixar ninguém tirar você de mim, você é minha Caissy!

​

- Não tenho medo desse homem que diz ser meu pai. Tenho medo do que possam tentar fazer contra você. — ele sorriu pelo nariz

colocando meu cabelo pra traz.

​

- Ninguém vai fazer nada comigo Caissy. Tudo está sossegado. Marconny não deu as caras durante todos esses meses que estivemos fora, eu praticamente abandonei o tráfico e ele não tentou atacar.

​

- Mas Justin e se ele estiver tramando algo? Você estava fora, mas está de volta agora e se ele... — ele mordeu os lábios.

​

- Olha, eu sei que nada vai acontecer com a gente, eu sei que você queria que ficássemos no Brasil, sei que você temi pela sua segurança e da Julie sei que quer nos ver bem, mas foi preciso voltar.

​

- você só diz isso “foi preciso” “nós temos que voltar”, mas porque você não me diz o motivo? Porque não me diz o que esse homem realmente quer e o que te fez mudar de ideia e nos levar de volta pra Atlanta?

​

- Seu pai, caralho! Ele quer te ver, quer falar com você. Será que é difícil entender isso? — ele disse perdendo a paciência que não tinha.

​

- Porque agora? Ele passou anos da minha vida sem nem dar as caras eu não quero conhecer esse homem, não quero que ele chegue perto de mim e nem dos meus filhos.

​

- Eu já tomei a decisão Caissy, não há nada que você possa fazer pra mudar isso. — sai do colo dele e me sentei na poltrona a sua frente.

​

- Você tem noticias do Brian? — aquela pergunta saiu como impulso eu poderia ter me controlado, mas sei lá o que deu em mim e

perguntei.

​

- O que quer saber sobre o Brian? — ele disse um pouco rude e eu me arrependi de ter feito aquela pergunta, poderia ter procurado

um assunto melhor.

​

- E-ele está bem? Não me olhe com essa cara... Acho que faz muito tempo que não vejo meu melhor amigo... Eu sinto saudade. — o que porra eu estava fazendo? Se eu queria tira Justin do sério estava conseguindo, ele não sabe muito bem ser paciente quando falo do Brian.

​

- É tão gostoso te ver chorar pelo Brian... — ele disse debochado.

​

- Não estou chorando. — rebati um pouco agressiva.

​

- Então porque seus olhos estão vermelhos? Vai pra puta que pariu Cassidy. — ele gritou e conseguiu chamar a atenção de Julie que nos olhava assustada e curiosa.

​

- Você nunca vai entender que o que sinto pelo Brian, não é nada relacionado a homem e mulher.

​

- Não eu nunca vou entender essa putaria que você diz ser amizade. — ele gritou rebelde e eu não suportei ficar escutando seus gritos. Me levantei um pouco desaforada e fui direto para a cabine do banheiro.

​

Não, eu não queria voltar. Eu desejaria que nada daquilo estivesse acontecendo. Por que eu não conseguia viver uma vida em paz com minha família e as pessoas que amo? Por que para mim aquilo era tão difícil? Eu só queria ser feliz, só queria ter um pouco de paz. Apoiei as mãos na pia relaxando o corpo e deixando aquele choro sentido e amedrontado tomar conta de mim.

​

Eu estava com medo. Medo de perder o Justin, medo de alguma coisa acontecer com o Jason. Eu tinha medo de perder o Justin, de me tirarem dele.

​

Não sei por quanto tempo fiquei trancada dentro daquela cabine só me assustei com as batidas na porta.

​

- Caissy, vamos pousar em dez minutos. — Justin avisou.

​

Limpei a garganta engolindo o choro não queria que ele me visse chorar, mas com certeza ele sabia o porquê de eu estar trancada tanto tempo dentro daquela cabine.

​

- Tudo bem, já estou saindo. — lavei o rosto sanando o choro.

​

Justin estava prendendo Julie no cinto quando sai do banheiro, ele me olhou de canto de olho e depois voltou a prestar a atenção nela. Me sentei em uma das poltronas também colocando o cinto. Pensei que ele se sentaria com Julie, mas não, assim que ele terminou de fechar o cinto dela ele foi direto pra cabine do piloto.

​

Deus nos proteja, proteja minha família, eu não quero nada de mais nos aconteça... Só quero ser feliz, só quero tentar realizar meus

sonhos ao lado do homem que eu amo e com meus filhos. Sequei rapidamente a lagrima quente que desceu em meu rosto.

​

Senti aquele friozinho diferente na barriga e senti quando o avião entrou em atrito com o solo, depois vi Justin saindo da cabine vestindo uma jaqueta. Tínhamos pousado.

​

- Chegamos? — Julie perguntou empolgada.

​

- Chegamos. — Justin soltou o cinto dela.

​

- Caissy, Caissy vamos passa na casa da vovó primeiro? Favor? Eu não quero ir para casa antes de ver a vovó.

​

- Pergunta pro seu pai, aliás é ele que toma todas a decisões. — Justin me lançou um olhar sem alma como se a barbaridade que eu havia dito fosse muito grande.

​

- Pode pai?

​

- Tudo bem Julie, passamos na casa da sua vó.

​

- Eu quero muito ver o Jax. — ela disse espevitada me fazendo sorrir.

​

O sereno embaçava as janelas do avião, mas eu podia ver o quanto o dia estava feio, nublado, cinza e medonho. De volta à prisão! Vesti meu casaco e o deixei aberto, Justin deu passagem para que eu fosse à frente enquanto ele segurava Julie no colo vindo logo atrás.

​

Olá querida Atlanta.

A pista de voo estava abarrotada de carros pretos, acho que ali tinha no mínimo uns 25 carros pra mais. Perto do avião havia dois carros parados e com certeza aquele nos transportaria. Abaixei a cabeça e desci as escadas lentamente e com cuidado, enquanto alguns pingos de chuva me molhavam, quando cheguei ao fim da escada um guarda chuva me cobriu. Era um dos homens de Justin, continuei de cabeça baixa caminhando até o carro quando aquela voz me tirou de meus devaneios.

​

- Dessa vez você ficou mais gorda.

- É eu engordei... — levantei o olhar dando de cara com o Brian segurando o guarda chuva para mim. — Brian?! — dei um grito histérico

voando no pescoço dele e o apertando em meus braços.

​

- Cassidy dessa vez você literalmente engoliu uma melancia. — ele disse me apertando em um abraço gostoso.

​

- Para de ser besta. — dei uma leve afastada para observá-lo. Ele estava um pouco mudado e não era apenas o novo corte de cabelo, mas o jeito que ele sorria e seus olhos brilhavam o deixava diferente. — Você está diferente.

​

- Diferente como? — ele sorriu e suas mãos se mantinham em minha cintura.


- Você está feliz. — analisei mais um pouco o semblante dele. — Você está apaixonado Brian!

- Claro que não. — ele disse vergonhoso.

​

- Ta sim... Eu quero saber quem é ela, eu tenho que aprovar.

​

- Ok Caissy, ok. — ele sorriu.

​

- Tio Ryan. — escutei o grito agudo de Julie e só então fui notar que o Ryan estava ali.

​

- Mini diabinho. — Julie se soltou de Justin e pulou nos braços de Ryan.

​

- Tio eu fui pa paia, andei de iate, jet ik. Comi bigadero e açai... — ela falava tão rápido que era impossível estar respirando. — Eu também sei canta funk...

​

- Se você para pra escutar tudo o que ela aprendeu você vai dormi. — Ryan riu.

​

- Caralho Caissy. E esse moleque ai sai ou não sai? — ele me abraçou desajeitado com Julie no colo.

​

- Ainda tem mais uns dias.

​

- Eai JB batendo muita punheta? — Ryan disse zombando.

​

- Com certeza, batendo e pensando na sua mãe!

​

- Mexeu com a minha mãe, tá apelando filho da puta.

​

- O gente. — dei um grito chamando a atenção. — Minha filha só tem quatro anos pra escutar essas baixarias.

​

- Desculpa Caissy. — Ryan disse baixinho.

​

- Agora me diz... Ryan como é o bebe da Melissa? Ninguém quis me contar.

​

- É um bebe ué. — ele disse com aquela cara de bocó.

​

- Até você Ryan.

​

- Caissy eu não sou dedo duro, você vai ver... Sabe como a Melissa é frescurenta, ela quer sigilo.

​

- Ah, odeio vocês!

​

- Dá pra parar de enrolar? — Justin disse rude.

​

- Qual seu carro? — perguntei para o Brian ignorando completamente a presença do Justin.

​

- Aquele. — ele apontou uma Land Rover preta um pouco confuso.

​

- Ju você vem comigo ou vai com o seu pai?

​

- Cassidy você tem que ir no meu carro.

​

- Os seguranças vão estar nos seguindo do mesmo jeito que vão seguir seu carro! Então não sou obrigada a ir no mesmo carro que

você.

​

- Mas você tem...

​

- Julie com quem você vai? — ela me olhou assustada.

​

- Com o papai. — ela disse em um sussurro.

​

- Então te vejo na casa da vovó. — dei um beijo na bochecha dela.

​

- Cassidy... — Justin disse com aquela voz de quem estava puto da vida, mas eu o ignorei, fingi que não estava escutando.


​

- Porque não foi com ele? — Brian abriu a porta do carro para mim.

​

- Não sei. — dei de ombro. — Estava com saudade de passa um tempo com você. — ele sorriu vergonhoso ficando sem jeito, é realmente

ele estava diferente. — Você vai ter que me falar tudo sobre ela! — ele riu.

​

- Ela quem?

​

- Não se faça de idiota... Você sabe que estou falando da sua namorada.

​

- Land rover preta, posição 3. — ele disse no radio se comunicando com os seguranças. — Porque você não desencana disso? — ele

disse me olhando.

​

- Quero saber se sua troca foi realmente boa.

​

- Troca? Que troca. — arquei a sobrancelha e ele riu se divertindo.

​

- Isso já está suando com uma pitada de ciúmes.

​

- Claro que não... Só quero saber se estão cuidando bem de você.

​

- Estão. — ele sorriu e aquilo sim me fez sentir ciúmes. — Estão cuidando muito bem de mim.

​

- Que bom. — respondi friamente.

​

- Mas e você? — ele mudou de assunto rapidamente. — Como foi a viagem?

​

- Boa...

​

- Se divertiu?

​

- Sim.

​

- Pensei que não voltariam mais.

​

- E não iriamos...Mas. — não consegui terminar.

​

- É eu sei...

​

- Você acha que ele está falando a verdade? — ele tirou os olhos do volante por um tempo prestando a atenção em mim. — Acha que ele é meu pai?

​

- A ordem dos fatores não altera o produto.

​

- Se Justin não estivesse tão apreensivo eu também pensaria a mesma coisa, mas eu sei... Eu sinto que ele está me escondendo algo.

​

- Cassidy ele só quer o seu bem. — ele colocou a mão por cima da minha causando um leve choquinho ao tocar das nossas peles.

​

- Eu tenho medo, tenho medo de tentarem me tirar dele, tenho medo de quem esse homem possa ser. Ele sumiu durante 19 anos e agora ele resolve aparecer, eu não preciso mais dele... Eu nunca precisei. — não consegui mais segurar e deixei as lágrimas caírem.

​

- Hey anjo. — com o indicador ele ergueu meu rosto e com o polegar secou minhas lágrimas. — Tudo vai dar certo...

​

- Acho que não gostam de me ver feliz. — ele riu.

​

- É porque todo mundo sabe o quanto você é forte e não cai tão fácil.

​

- As pessoas que eu amo que me fortalecem. — ele sorriu.

​

- Então não tem porque ter medo. — respirei fundo liberando um suspiro devido ao choro, eu estava precisando das palavras dele para

me confortar e eu me acalmar diante.

​

Brian continuou com a mão por cima da minha. Eu estava com saudade daquelas ruas movimentadas de Atlanta, mas era diferente ver

as pessoas vestidas dos pés a cabeça com cachecol, toca e luvas, quando no Brasil todos usavam poucas roupas devido ao clima

maravilhoso... Disso com certeza eu sentiria falta.

​

Estava treinando minha mente para não pensar no que aconteceria depois que eu conhecesse aquele tal homem. Brian avisou os

seguranças que estava parando o carro, vi Justin sair com Julie no colo cercados de seguranças armados, aquela sensação de que

nem tudo estava bem estava tomando conta de mim, outra vez. Depois de uns cinco minutos os mesmos seguranças que levaram

Justin e Julie vieram me buscar, caminhamos rápido pra dentro da casa e ver aquele monte de homens armados a minha volta me

deixava agoniada. Eu podia escutar de longe as risadas, podia escutar a felicidade que aquela casa irradiou quando Julie chegou.

Pattie tinha um sorriso de canto a canto, Chris e Chaz estavam sentados no sofá e Claire? A vadia fez questão de me dar um susto

assim que cruzei a entrada, ela deu um berro tão alto que acho que a mansão toda pode escutar aquela louca.

​

- Vadia! — ela gritou e depois me abraçou.

​

- Que saudade...

​

- Achei que me abandonaria, estava quase pegando minhas coisas e indo para o Brasil.

​

- Não sem mim. — Chaz me cumprimentou com um beijo estalado na bochecha. — Aposto que você não me deixaria docinho de coco. — ele disse abraçando Claire de lado.

​

- Chaz se você estivesse um pouquinho mais magro te colocava na mala, mas neném já viu o seu tamanho?

​

- Menor que a Cassidy eu estou. — ele disse rindo.

​

- Idiota. — dei um murro de leve no braço dele e Chris se aproximou usando uma muleta.

​

- Oi. — ele sorriu vergonhoso pelos olhares que dava em minha enorme barriga.

​

- Eu sei tá grande. — Claire acariciou minha barriga.

​

- Melissa conseguiu ficar maior que você.

​

- Céus, parece concreto. — ela disse rindo enquanto passava a mão carinhosamente pela minha barriga. — Ele chuta muito?

​

- Só quando o Justin tá por perto ou na hora de dormir. Parece que ele adivinha a hora em que vou dormir.

​

- O que está acontecendo com essas crianças? O bebê da Melissa também não deixa ela dormir.

​

- Conta as coisas direito Claire ele não deixa eu dormir. — Chris disse um pouco emburrado.

​

- Melissa vira pro canto e coloca ele pra cuida do moleque.

​

- Está certa. — disse rindo. — vocês não tem noção o que é ficar nove meses carregando essas pestinhas que dão muito trabalho. — eles

riram.

​

- O que vocês fizeram com a minha boneca? Desde que ela chegou não para de fala um minuto, é muita informação vovó. — Pattie se aproximou me abraçando.

​

- Ela ficou inquieta a viagem toda querendo contar pra você tudo o que aprendeu.

- Minha princesa está linda. — Pattie disse orgulhosa. — E meu garoto? Tudo certo com ele? Nossa como ele está grande. — ela deu um beijo em minha barriga a acariciando.

​

- Não vejo a hora de ele nascer, sério Pattie ele dá trabalho.

​

- Vai ser peralta igual ao pai. — Claire disse e todos riram.

​

- A não... Quero que Jason seja um anjo. — disse reclamando.

​

- Pode tira o cavalinho da chuva meu bem, ele é filho do Justin. — Pattie disse.

​

- Vem. — Claire me puxou até o sofá me fazendo sentar. — Conta tudo eu quero saber tudo sobre a viagem. — ela disse empolgada.

​

- Isso é com a Julie, ela tem muita coisa pra contar...- rolei os olhos na sala e notei Justin e Brian no canto da sala cochichando, eu nunca tinha visto os dois tão próximos como estavam naquele momento... aquela cena pra mim foi um pouco surpreendedora.

Pattie me olhava de um jeito diferente, como se ela estivesse com medo, ela ficava encarando com uma expressão diferente, mas nunca dizia nada. Brian e Justin sumiram os dois juntos e conversando sem brigas, aquilo me assustou.

​

- Cassidy? — eu estava tão desligada que nem vi de onde Melissa surgiu.

​

- Oi. — eu estava dispersa.

​

- Tia deixa eu vê o bebe. — Julie gritou subindo no sofá e puxando a manta que tinha sobre o bebe.

​

- Calma Ju você vai assustar ele. — Claire ajudou Melissa a colocar o bebe no colo dela.

​

- Ai bitch eu estava com tanta saudade. Você está ótima, olha como está linda. — Melissa disse me admirando depois me deu um

abraço.

​

- Obrigada, Me. — retribui o abraço.

​

- Fala a verdade, os últimos meses são os piores né?

​

- Um pouco. — disse distraída.

​

- Vem ver meu bebe, vem ver meu Miguelzinho. — ela disse puxando minha mão me levando para perto do bebe.

Eu estava tão empolgada para ver o filho da Melissa, mas o mistério de Brian e Justin estava me incomodando. Os dois estavam de segredinhos de um lado pro outro, aquilo não era comum nem em sonhos. Eu senti uma sensação diferente quando peguei Miguel em meus braços, naquele momento o que mais queria era que pudesse ter o meu Jason em meus braços.

​

- Mãe pute ele não fica com o olho aberto? — Julie perguntou enfiando o dedo no rosto do garoto.

​

- Julie. — esbravejei. — Tem que ser devagar com cuidado, não pode fazer isso. Filha ele e nenezinho você tem que ser cuidadosa ele é delicado.

​

- Não gostei dele, muito fresco.

​

- Quando você era pequena também era fresquinha. — Claire disse apertando a barriga dela.

​

- Minha mãe Alexia disse que eu era um bebe lindo. — vi o olhar dela mudar como se ela estivesse ficado pensativa por um tempo.

​

- O Miguel também é lindo. — Melissa disse.

​

- Ele é estranho, fica mastigando o vento. Leva ele embora. — Julie disse com maldade.

​

- Julie. — esbravejei, mas ela não parou. Julie era exatamente como o Justin, sabia como dizer coisas pesadas quando estava brava, e no caso dela ela estava enciumada por Miguel ser o centro das atenções quando algumas horas atrás todos tinham as atenções voltadas a ela.

​

- Eu não gostei do seu filho, leva ele embora da casa da minha vó. Agora. — ela gritou com os olhos marejados e eu nunca tinha visto Julie naquele estado. — Tira a mão dele Cassidy, solta ele. — ela avançou em cima de mim tentando tirar o bebe de minhas mãos.

​

- Julie para. — gritei nervosa e o garoto se assustou e eu tive que o entregar pra Melissa. Peguei na mão dela e ela tentou lutar comigo, mas eu usei a força para arrasta-la para um cômodo onde não houvesse ninguém eu não conhecia aquela Julie.

​

- Me solta. — ela gritou com os olhos cheios de fúria e eu não acreditava que ela tinha se transformado em tão pouco tempo.

​

- Julie que isso? Você nunca ficou nesse estado.

​

- Eu não quero mais ficar aqui eu quero ir embora eu quero a minha casa, quero a minha mãe de verdade, quero a Alexia. — ela berrou como se estivesse tendo um surto e por um momento eu pude entender de onde vinha toda aquela rebeldia. Ela já não sabia mais lidar com a saudade que sentia de Alexia e quando tocou naquele assuntou doeu.

​

- Olha pra mim. — ela fechou os olhos os pressionando com força. — Julie olhe pra mim agora! — gritei e ela não me obedeceu. — Isso que você fez com a Melissa foi muito feio, ela nunca te maltratou pra você falar daquela forma com ela.

​

- Eu não quero mais ficar aqui. — ela gritou batendo o pé. — Me leva embora. AGORA!

​

- Ei, ei. Que porra é essa que está acontecendo aqui? Está ficando louca Julie? — Justin entrou gritando e ela engoliu o choro na hora abaixando o olhar. — Porque você está gritando feito louca?

​

- Eu quero ir embora. — ela disse tentando segurar o choro.

​

- Não, você não quer. — ele disse com um olhar severo sobre ela.

​

- Eu quero sim papai. — ela começou a chorar sentindo, soluçando e suspirando, ameacei ir até ela, mas Justin segurou meu braço me impedindo.

​

- Você acha que pode gritar com todos desta forma Julie?

​

- Não. — ela disse em um sussurro.

​

- Você merece ficar de castigo não é?

​

- Justin...

​

- Cala boca Cassidy... Não merece Julie?

​

- Mereço. — ela disse entre o choro.

​

- Agora me diz, porque você está chorando?

​

- Eu não sei, eu fiquei com vontade de chola, ai, ai o bebe da Melissa... — eu não consegui entender mais nada do que ela queria dizer por que ela se embolou toda com o choro e as palavras.

​

- Engole o choro. — Justin disse mandão e ela secou o rosto rapidamente tentando engolir o choro.

​

- Agora você vai voltar lá na sala e vai pedir desculpas pra todo mundo principalmente pra Melissa, depois você vai subir e ficar lá no quarto da sua vó sozinha, pensando no que você fez..

​

- Para de falar com ela desta forma. — disse baixo para que só ele ouvisse.

​

- Só estou conversando com ela.

​

- Está parecendo um sargento.

​

- Se acha que estou errado corrija melhor. — revirei os olhos o ignorando e Julie saiu de mansinho voltando pra sala e cortou meu coração em vê-la pedindo desculpas a todos sendo que aquilo só aconteceu porque ela era muito jovem para lidar com um sentimento tão pesado quanto a saudade. Ela era muito pequena pra entender o motivo pelo qual Alexia tinha ido embora.

​

Fiquei sentada na sala enquanto todos conversavam, já faziam mais ou menos meia hora que Julie estava no quarto de Pattie. Todos estavam diferentes, como se estivessem incomodados com algo. Quando vi Pattie ir pra cozinha aproveitei aquele momento para conversar com ela.

​

POV Justin

​

- Cara deixa o velho ele não é perigoso, investiguei a vida dele desde o dia em que nasceu até hoje e não achei nenhum podre que o condenasse. — Brian fechou a porta do escritório deixando o velho lá dentro, tinha que ir da um jeito de buscar a Caissy sem assusta-la.

​

- Percebi como vocês cuidaram bem das coisas, voltei do Brasil por quê?

​

- E o que você vai fazer?

​

- Cadeira do rei pra ele.

​

- Vai torturar o velho, na boa Justin você tem mais preocupações do que se importar com ele. – Brian era chato de mais pro meu gosto.

​

- Eu já consegui mudar os documentos da Cassidy a ameaça que fez não está valendo de nada, ele não tem mais poder sobre ela. Eu ainda não acredito que voltei do Brasil por causa desse verme filho da puta.

​

- você vai contar isso pra Caissy?

​

- Claro que não, tá louco? Não posso chegar pra ela e dizer; olha amor seu pai descobriu que sua mãe falsificou um documento onde você não tem o nome dele, ou seja, você não existe e não é casada comigo porque esse nome que usa não existe.

​

- Tá, mas você regularizou isso, agora a Cassidy é casada com você oficialmente.

​

- Não, eu consegui eliminar um dos documentos, mas esse velho ainda sabe de toda a história e eu não fizer o que ele quer, ele vai se criar pra cima de mim com isso.

​

- Porque você desconfia tanto dele?

​

- Porque sim...

​

- Agora é com a Cassidy, ela que tem decidir se ele vai ou não ficar na vida de vocês.

​

- Não ele não vai... Eu até poderia pensar no caso dele, se ele não fosse tão baixo. O filho da puta tentou se criar pra cima de mim usando aquela desculpinha barata que tiraria a Cassidy de mim.

​

- Justin você pode estar me odiando, mas o Ethan tem o direito de se redimir e querer conhecer a filha. — Pattie disse e eu estava com tanta raiva dela por ela ter apoiado aquela ameaça.

​

- Eu não confio nesse cara, a primeira coisa que uma pessoa tem que fazer é lutar pra não perder minha confiança e ele não tem a minha desde que apareceu. Não quero ele perto da Cassidy e nem dos meus filhos.

​

- Errar é humano todo mundo merece uma segunda chance! — Pattie disse nervosa.


​

- Com certeza eu deveria dar a chance a um cara que desapareceu durante 19 anos da vida da minha mulher, quando volta usa golpes baixos para tentar se aproximar dela. Se a mãe da Cassidy escondeu que ela tinha o nome do pai durante toda a vida dela é porque ele não é coisa boa, antes ele podia até dizer que tinha algum poder sobre ela, mas agora não. Eu consegui mudar os documentos e agora ela é oficialmente minha mulher, agora ele não tem direito nenhum sobre ela e eu só vou deixar ele falar com a Cassidy hoje porque amanhã ele vai ter uma surpresinha e vai se arrepender de ter me conhecido e me ameaçado.

​

- Porque você sempre desconfia de tudo e de todos? — escutamos barulhos na cozinha e nos entre olhamos, colocar aquele cara sem que ninguém o visse foi um custo, pois pelos olhares Cassidy já estava desconfiada.

​

- Mãe esse cara me colocou em estado de alerta. — abaixei o tom de voz. — Eu estava do outro lado do país, com minha família sossegado. Porque você está defendendo tanto ele?

​

- Porque eu fui amiga da Mãe da Cassidy, eu sei o quanto era importante pra ela que o pai se aproximasse da filha, você não tem noção o quanto ela queria isso.

​

- Mãe se ela queria tanto isso, porque ela mudou o nome da Cassidy? Porque ela trocou o sobrenome dela?

​

- Porque ele era casado, a Cassidy foi acidente Justin. Ele tinha uma família...

​

- E a Caissy e a mãe só eram frutos da diversão inconsequente dele, pra mim ele ainda continua não prestando. Ele pode se arrepender amargamente que eu ainda vou desconfia dele, ele me ameaçou e eu nunca esqueço quem me ameaça.

​

- você deveria deixar a Cassidy resolver isso. Por favor, Justin.

​

- Eu voltei pra porra desse lugar colocando minha vida em risco eu só quero que você saiba que se acontecer alguma coisa, eu nunca vou perdoar nenhum de vocês e vou matar esse cara. Vocês já me convenceram, o velho está ai dentro dessa sala e eu estou indo buscar a Caissy, eu vou deixar, mas a Cassidy é inteligente ela vai se ligar não adianta ele querer da uma de bom pai, porque ela não quer conhecer ele.

​

- Eu sei que o Ethan errou em começar as coisas dessa forma, mas acredite em mim filho, as intenções dele são as melhores.

​

- Pattie de boas intenções o inferno tá cheio. — deixei Brian e ela na cozinha e voltei Cassidy estava desconfiando da nossa aproximação e eu tinha que busca-la antes que ela descobrisse tudo e as coisas piorassem.

​

Desde que entrei em Atlanta estava tentando regularizar os documentos dela. Eu não era casado com Cassidy, não quando descobri que Cassidy Anderson não era o verdadeiro nome dela. Não sei por que, mas isso é algo que ainda vou descobrir. O fato da mãe dela ter trocado o nome dela na certidão sendo que na verdadeira ela tem o nome do pai e da mãe. Aquele velho filho da puta se aproveitou disso quando descobriu que a Cassidy não tinha o sobrenome dele, ou seja, ela não era casada comigo oficialmente, porque a Cassidy na qual eu era casado não existia e o velho era o responsável legal dela até os vinte um anos de idade. Consegui anula a certidão falsa e regularizar a normal, aquele filho da puta não tinha mais direito sobre ela, mas ainda sim ele estava me chantageando porque ele iria contar pra Cassidy sobre o que fiz. Sei que era uma mentira boba, mas ela estava prestes a ganhar o Jason eu não queria que ela se aborrecesse com mais nada, aquela história já tinha ido além dos limites.

​

- Onde está a Pattie? — Cassidy perguntou entrando na cozinha dando de encontro comigo.

​

- Não sei.

​

- Eu vi ela vindo pra cá...

​

- Não encontrei com ela não. — menti

​

- Será que você pode tirar a Julie daquele quarto, acho que ela já pensou bastante.

​

- Sim, mas antes eu preciso que você conheça uma pessoa, depois vamos pra casa.

​

- Não. — ela disse meio confusa. — Eu não quero conhecer ninguém Justin.

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- É preciso Caissy.

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- Não, não é. — ela começou a chora e eu fiquei com vontade de quebrar o acordo que fiz com minha mãe e a levar embora.

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- Calma. — me aproximei. — Pensa que está fazendo algo que sua mãe gostaria que tivesse acontecido antes.

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- Mas ela não queria. Não desta forma.

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- Todo mundo merece uma segunda chance Caissy... O Ethan é realmente o seu pai.

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- Por quê? O que ele quer? Não preciso dele pra nada! Ele some minha vida toda e depois de 19 anos aparece querendo fazer as

honras de pai?

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- Cassidy você é herdeira dele.

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- Não eu não sou, ele me rejeitou, ele preferiu a outra família dele ao invés de mim. Minha mãe não aceitou a ajuda dele e nem eu quero o conhecer. — sempre soube que ela não era manipulável.

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- Eu imagino o quanto isso é difícil pra você, mas eu prometo que ele não vai te fazer mal, porque eu não vou deixar.

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- Ele já está me fazendo mal desde o dia em que surgiu.

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- Cassidy... Desculpe-me, eu estava ouvindo a conversa de vocês. — Pattie entrou na cozinha. — Eu me sinto no direito de te ajudar nessa decisão. Por anos eu fui amiga da sua mãe e eu sei o quanto ela queria que seu pai te reconhecesse, o quanto ela queria que

ele fosse um pai para você.

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- Depois de 19 anos? Depois de eu já ter crescido, Pattie eu já sou até mãe...

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- Cassidy, eu não quero que você entre naquela sala e ame o homem que está lá, mas eu quero que você o conheça, que escute sua história e que perceba que errar é humano e que ele se arrepende amargamente por tudo o que fez.

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- Tudo isso pra ele não me tirar do Justin? Somos casados, ele não tem esse direito, se o problema é esse já está resolvido pode manda-lo embora. — ela estava nervosa e eu já estava ficando preocupado.

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- Não Cassidy eu não vou te tirar do Justin. — aquele velho arrombado surgiu na cozinha se intrometendo em nossa conversa eu tinha mandado o imbecil ficar no escritório e ele desobedeceu minhas ordens, agora ele estava mais do que merecendo um tiro na testa.

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POV Caissy.

Me virei vendo aquele homem atrás de mim. Os mesmo sentimentos que eu sentia quando era pequena me tomaram naquele momento, era como se todos olhassem para mim com pena como se todos ali estivessem tendo piedade de mim. Eu passei vários dias esperando por ele, e ele nunca apareceu, eu nunca pude saber quem era meu pai, eu nunca tive alguém para me consolar ou me colocar no colo após um tombo de bicicleta, eu nunca pude esperar por algo que nunca tive.

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Justin me olhava assustado da mesma forma que Pattie estava apreensiva os dois estavam calados me encarando, eu procurei as palavras certas para mandar aquele homem embora, para gritar, mas foi em vão a única coisa que vinha em minha mente era os flash de minha mãe dizendo o quanto era ruim me criar sozinha, os dias em que passei sozinha naquele convento.

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- Eu mandei você ficar naquele escritório e não sair de lá seu vacilão. — Justin o segurou pelo colarinho da camiseta o erguendo e o empurrando contra a parede.

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- Justin para com isso. — Pattie gritou assustada quando ele começou a dar soco no rosto daquele cara, eu estava em estado de choque, parada vendo a cena, mas não conseguia me mexer.

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Justin estava enfurecido, completamente cego de ódio ele dava socos um seguido do outro e dizia coisas que minha mente não processava. Se ele continuasse ele o mataria e Pattie não tinha força o suficiente para tirar Justin de cima daquele cara, muito menos eu, mas eu me arrisquei, sai do transi e fui pra cima dele entrando na frente do cara que estava escorado na parede quase

desfalecendo.

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- Para Justin, por favor. — tive sorte de conseguir segurar o braço dele antes que o soco que ele estava prestes a dar acertar meu rosto. — Para. — pedi chorando e ele me olhou confuso caindo em si e vendo que perdeu a cabeça e passou dos limites.

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- Que foi gente por que vocês estão gritando? — Ryan entrou na cozinha, seguido pelos outros.

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Arrastei Justin pra fora daquele lugar. Ele estava ofegante e bufante.

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- Eu perdi a cabeça me desculpa. — ele deu um murro na parede me fazendo pular de susto. — Olha se você quiser ir lá e tentar entender o que esse cara tem pra te falar tudo bem, mas eu não. Eu não o quero perto dos meus filhos, não quero ele frequentando minha casa.

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- Se acalma. — disse assustada. — Por favor, Justin. Eu não estou entendendo mais nada eu... — não consegui termina o choro rasgou minha garganta e eu me sentei em uma cadeira desabando.

Eu me sentia como em um abismo no meio do deserto, sem escolhas. Querendo ou não eu tinha que enfrentar aquilo, que era um problema meu, somente meu.

​

Todos estavam na cozinha menos Pattie e Ethan, rumei até onde eles estavam e os encontrei no escritório. Pattie estava o ajudando com os ferimentos. Ela me olhou assim que entrei na sala.

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- Será que pode nos deixar a sós? — pedi gentilmente e ela assentiu saindo e fechando a porta.

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- Acho que não começamos bem. — ele tentou sorrir, mas foi uma tentativa frustrada, pois pareceu mais uma careta do que um sorriso.

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- O que você quer comigo? Porque depois de tanto tempo você resolveu vir atrás de mim? — ele abaixou a cabeça e ficou em silencio por um tempo.

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- Culpa, eu me sinto culpado por tudo que fiz a você e sua mãe.

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- Você nos fez um favor, foi um grande favor, talvez se você estivesse em minha vida tudo seria diferente e hoje eu não estaria aqui.

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- Naquela época eu só pensava na minha mulher, nos meus filhos e sua mãe era só minha amante. Eu não tinha noção da proporção do problema, você era apenas uma criança e eu te rejeitei, ofereci dinheiro para sua mãe te manter longe de mim... Eu me arrependo todos os dias por saber o quão mal eu fiz a ela.

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- Você fez minha mãe sofrer, fez ela definhar até a morte, seu arrependimento não a traz de volta.

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- Mas eu posso concertar as coisas a partir de agora.

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- E quem disse que eu quero que você concerte algo?

- Cassidy eu não sou o melhor pai do mundo, talvez eu nunca venha ser um pai para você, mas me deixa pelo menos tentar, me deixa te conhecer, deixa eu tentar resolver as coisas do jeito certo. Não sei o dia de amanhã talvez nós não estejamos mais aqui. — não respondi àquele apelo sentimental barato que ele estava fazendo, fiquei calada. — Eu só quero que você me conheça só quero tentar preencher o vazio que deixei durante tanto tempo. Sei que não há concerto para o que fiz, mas a partir de hoje podemos fazer diferente.

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- Eu nunca vou me esquecer. — deixei uma lágrima cair. — Nunca vou me esquecer das noites em que ela se drogava tentando esquecer os problemas, nunca vou me esquecer de ter desejado com todas as minhas forças conhecer alguém que eu nem ao menos sabia o nome. Isso é uma dor que eu não quero e não vou esquecer. Hoje é fácil tentar concertar as coisas agora que eu já cresci, não há mais nada com que você precise se preocupar, você nunca vai conseguir apagar as feridas do passado, porque elas me fortaleceram até aqui e querendo ou não eu sempre vou senti magoa de você.

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- Me perdoa. — ele abaixou a cabeça chorando, mas aquilo não me comovia, não depois de tudo que senti e sofri.

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Me assustei quando ele tirou do bolso uma bombinha e a sugou, aquilo foi estranho, porque nos segundos seguintes ele começou a tossir compulsivamente.

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- Você está bem? — perguntei assustada.

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- Tudo bem meu anjo eu vou ficar bem. — ele não parava de tossir e eu vi quando ele tossiu em um pano que pegou no bolso e saiu uma pelota de sangue.

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- Tem certeza que você está bem?

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- Estou... Estou. — ele levantou cambaleando até a porta e aquilo me assustou.

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Escutei Pattie falar com ele no corredor, mas não tive corpo para ir atrás checar o que estava acontecendo. Era tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, que eu não conseguia raciocinar Jason começou a chutar e eu me sentei em uma das poltronas sentindo a circulação dos meus pés que estavam inchados. Pattie entrou pela porta um pouco preocupada com o meu estado.

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- Está tudo bem Cassidy? — assenti balançando a cabeça. — Não há nada de errado com o bebe? — neguei comprimindo os lábios. — Me

perdoe por tudo, mas eu só queria o seu bem. — ela me abraçou, mas eu continuei parada.

- Ele está doente? — perguntei meio apreensiva e ela abaixou o olhar. — Ele só veio atrás de mim porque está morrendo, não é?

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- Ele não está muito bem Caissy...

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- O que ele tem? — ela abaixou o olhar.

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- Não tem muito tempo de vida. — aquilo sim me comoveu, ele sabia que a morte estava perto e tentou concertar as coisa e eu simplesmente fui dura e o rejeitei por causa dos rancores que tinha guardados dentro de mim, todos merecem perdão e eu ignorei este fato.

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Desviei de Pattie e sai andando apressadamente até o jardim, se desse sorte eu ainda o alcançaria na garagem. Um dos seguranças tentou me impedir, pois, não podíamos ficar transitando pela casa; essas eram as ordens. Não escutei o que o segurança dizia, apenas desviei dele e o deixei falando sozinho, eu só estava fazendo o que meu coração estava pedindo. Vi Ethan seguindo em direção a um carro que estava perto dos carros do Justin e do Brian. Senti um aperto em meu peito, mas não hesitei em gritar.

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- Ethan espera. — ele se virou assustado escutando minha voz.

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Naquele momento eu estendi o real motivo pelo qual ele havia vindo atrás de mim, toda alma merece uma segunda chance, todos merece o perdão, mesmo que seja tarde quando o arrependimento bate, mesmo que seja sofrido... Todos merecem uma segunda chance. Apostar no outro, perdoar continuamente, dar sempre uma nova chance é fundamental para superar frustrações e criar novos vínculos.

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- Eu te perdoo pai. — sussurrei e quando ele abriu os braços eu me entreguei.

Não, ele não esperava aquela reação, muito menos eu. Eu nunca tive a oportunidade de ter um pai, eu nunca pude ter um pai, mas eu estava tendo a oportunidade de ter um mesmo que fosse por pouco tempo, ou por muito, mas estava me dando essa chance, não é fácil passar uma borracha no passado, mas é fácil tentar recomeçar, se o inicio não foi bom tente pelo menos mudar o final.

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Continua..

Notas finais
Sei que to demorando um ano pra posta, mas é q a escola ta puxada e eu to tendo problemas com bloqueios, não me matem pq sei que esse cap ta uma merda kkkkkkk, mas o próximo tá bem melhor e posso falar que corações vão parar com o cap 38. Não me matem nem me batam hehehe bjos pras vcs meus amorzinhos.
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Qualquer dúvida vem no meu ask > Mascarenhaskim
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BJOS LITTLE REBELS LINDAS S2