Soul Rebel Second Season
31 A reason
Notas iniciais
Parecia estar vivenciando um sonho. Para mim era como se Julie tivesse falado pela primeira vez, aquela emoção agitou meu coração. Eu a tinha completamente, era como se eu tivesse encontrado a peça que faltava do quebra cabeça, como se o cordão umbilical nunca tivesse sido rompido. Ela era minha, minha neném, minha princesa, minha filha, meu amor.
– Caissy você vai quebrar a menina de tanto que você a aperta.
Não conseguia me conter, a emoção era tanta! Julie nunca entenderia o motivo pelo qual eu a apertava com tanta força e chorava feito louca, mas eu só queria checar se aquilo era realidade ou se eu estava vivenciando o meu melhor sonho.
Justin estendeu a toalha para embrulhar Julie, eu a entreguei a ele que tentou aquecê-la com a toalha. Ela ainda batia os lábios com frio.
– Dá um banho quente nela. — ele pediu a Paola que pegou Julie de seus braços.
– Obrigada por me dar os melhores presentes do mundo. — passei a mão sob o ventre.
Ele me puxou colando nossos corpos, passando o polegar de forma carinhosa pelo meu rosto desenhando minhas bochechas.
– Obrigada por você ser o melhor presente para mim. — ele disse encostando os lábios calmamente aos meus.
E apesar desse amor difícil
Ser tudo o que nós temos
Nós vamos continuar escalando
Até o topo da montanha
Seu mundo é meu mundo
E minha luta é sua luta
Minha respiração é sua respiração
E seu coração (agora eu tenho)
Meu único amor
Meu único coração
Minha vida com certeza
Estava terminando de colocar os brincos quando Julie entrou correndo no quarto. Paola já tiha vestido do jeito que pedi. Iríamos jantar na casa de Melissa, Chris e ela já tinham chego de viagem e nós íamos na casa nova deles.
– Você ainda não ta ponta? Eu já to ponta.
– Eu to terminando de me arrumar...
– Você ainda ta de roupão.
– Seu pai ainda ta de cueca...
– Não mais. — Justin disse saindo do banheiro, com a calça caída deixando o bumbum de fora, mostrando a cor preta da boxer que ele usava.
– Papai não vai subir a caça?
– Pra que?
– Porque seu traseiro ta de fola.
– Que isso menina? Tá aprendendo isso com quem?
– O Jaxon falou que eu tenho uma delicia de tlaseiro que nem minha mãe... Ai eu perguntei po vovô que é tlaseiro e ele disse Bubum meu anjo e você ta com o tlaseiro de fora papai. — eu já não me aguentava de tanto rir Justin estava vermelho quase explodindo.
– Eu vou mata aquele capeta... Quem ele pensa que é pra falar da minha filha e minha mulher? Para de rir Cassidy, não tem graça isso!
– Amor, ta no sangue! É mal de Bieber ser safado...
– Eu vou afoga aquela peste na privada... Porra Caissy, eu passei a olhar pra bunda das mulheres quando eu tinha uns dozes anos quando bati minha primeira punheta, mas ele só tem seis anos e a Julie é sobrinha dele e você minha mulher. — ele disse aumentando a voz quase gritando.
– Não acredito que você está levando isso ao pé da letra... Jaxon é só uma criança que convive com muitos adultos. Mas ele nem sabe o que sente quando olha pra bunda de uma mulher.
– Nada... A partir de hoje ele não vai sentir nada, porque eu vou arranca o pau que ele nem tem fora. — ele saiu do quarto um pouco nervoso Julie me olhou com os olhos estalados.
– Ele fico bavo porque eu falei tlaseiro?
– Não. Ele ficou bravo porque é um grande idiota. — ela ficou pensativa enquanto voltei pro closet colocando o vestido. — Ju vem cá meu anjo. — ela apareceu na porta do closet e seu semblante era de quem estava assustada. — Qual sapato a mamãe deve por?
– Exe. — ela disse pegando um de meus saltos na sapateira.
Perfeita escolha, assim como a mãe tinha um ótimo gosto.
– Julieeee. — escutei Justin berrar subindo as escadas.
Julie me olhou tão assustada, que seus olhos pareciam que saltariam pra fora. Não sabia o que estava acontecendo, mas pelo olhar dela, já parecia culpada.
– Eu vou te matar Julie... — ele adentrou o quarto gritando, nunca tinha visto Justin falar daquele jeito com Julie.
– Justin para de gritar com a menina!
– Cassidy. — ele passou as mãos no cabelo de forma desesperada. – Cassidy, ela arranhou o Batmóvel. — realmente ela estava encrencada.
– Julie nunca chegou perto daquele carro. Impossível ela ter arranhado aquele monte de sucata.
– Fui até a garagem pegar uma arma que deixei na ranger e vi aquela porra na lataria do meu carro.
– E como sabe que foi a Julie?
– Paola me disse que ela tinha sumido e que a encontrou na garagem... Ela estava lá com aquele elefante idi...
– Chega! — gritei o interrompendo. — Julie você mexeu no carro do seu pai? — ela estava com a ponta do nariz vermelha.
– Eu no queria arranha o carro mamãe. — ela começou a chorar de forma sentida. Seu olhar não negava que ela estava morrendo de medo do ogro do Justin.
– Não foi por querer meu amor, eu sei.
– O que? Ela arranhou meu carro e você diz isso? Puta que pariu Cassidy.
– Quer que eu faça o que? Mate a menina porque ela arranhou aquela porcaria?
– Você sabe muito bem que aquele carro vale muito pra mim.
– Estou vendo a importância dessa joça! Você teve coragem de gritar com a Julie feito louco. Ela só tem quatro anos, não entende sua obseção por aquele treco. Justin ela não tinha a intenção de arranhar o carro. — ele bufou soltando o ar firmemente.
– Termina de se arrumar logo. Estou com pressa. — ela saiu e bateu a porta do quarto com força.
Julie voltou a sentar na cama, voltei a me vestir. Já estava pronta
quando fui procura-la. Ela já não estava mais sentada em minha cama, à porta do quarto estava aberta. Peguei minha bolsa procurando Julie, olhei nos quartos de hospedes e ela não estava pro lá, procurei no quarto dela e achei. Julie estava deitada na cama com a chupeta na boca agarrada ao Beaver, me deu uma dor no coração, pois ela dormia e soluçava. Acho que de tanto que ela chorou, acabou pegando no sono. Justin filho da puta!
Aproximei-me da cama com cuidado e me agachei na altura dela, tentando acorda-la com o máximo de cuidado possível.
– Bebezinho... Minha princesa. — passei a mão nos cabelinhos dela. – Jú, meu amor... Acorda bebê.
Ela abriu os olhos preguiçosamente, depois se esticou toda ainda espreguiçando na cama.
– Eita preguiça. — dei um beijo na bochecha dela. — Vai ficar ai dormindo? Vamos ver a vovó, Jaxon, Jazzy, seus tios. Vamos meu amor? — ela se remexeu na cama.
A roupa dela tinha amassado um pouco, mas nada que duas passadas de mão não resolvessem, passei a escova no cabelo dela e as pontas ficaram onduladas.
– Dá a chupeta. — estendi a mão, mas ela negou com a cabeça. — Você com esse treco feio na boca? Não acredito que vai conhecer a tia Melissa chupando chupeta.
– No quero dexa minha pepeta. — ela disse embolado, quase que não entendi nada.
– Tudo bem. — suspirei. — Vá com a chupeta, chega de confusões por hoje. — a peguei em meu colo e confesso que ter que tomar cuidado com ela e ter que tomar cuidado com o salto não foi nada fácil.
Justin estava sentado no sofá tomando cerveja e se levantou assim que nos viu descendo. Julie enterrou a cabeça em meu ombro, evitando olhar pra ele.
– Tá pronta? — ele perguntou sem graça.
– Vamos logo Justin, Julie está pesada. — tentei ajeitar ela em meu colo.
– Quer que eu leve? — ela se mexeu desconfortável.
– Não! A cadeirinha já tá pronta?
– Já, o carro também. Só estava esperando vocês.
– Ótimo. — sai andando em direção à porta.
O carro estava parado no meio do jardim com as portas abertas. Aliviei-me quando sentei Julie dentro do carro na cadeirinha. Ela estava cada vez mais pesada, daqui uns tempos não poderia mais ficar carregando aquele chumbinho. Estava curvada e quando me levantei senti uma sensação diferente na barriga. Levantei-me levando a mão na barriga onde pareciam ter borboletas batendo asas.
– Caissy? — Justin me olhava confuso enquanto eu tentava entender se era aquilo mesmo. — Ta tudo bem?
– Da sua mão. — puxei a mão dele com pressa colocando em cima da minha barriga, achei que não aconteceria de novo, mas quando eu menos esperava Jason fez outra vez, parecia um celular vibrando, ele me chutou duas vezes seguidas era pequena a sensação, mas já dava pra senti os movimentos.
– Ele... Ele tá chutando? — Justin disse engasgando.
– Ah meu Deus, essa é a melhor sensação. — disse rindo e Justin pressionou os lábios nos meus por impulso de forma carinhosa.
Entramos no carro quando Julie reclamou de estar presa a cadeirinha, mas eu não conseguia parar de rir feito boba.
[...]
– Não vai tirar essa chupeta da boca bicão? — Justin parou o carro em frente ao prédio onde Melissa e Chris estavam morando.
– No quero, eu vou ficar com minha pepeta!
– Deixa eu guardar pra você, vou colocar aqui no porta luvas e quando a gente voltar eu te devolvo.
– Não.
– Deixa ela, depois que ela começar a brincar com Jaxon e Jazzy vai largar isso.
Sai do carro primeiro e Justin abriu a porta de trás pegando Julie. Vou confessar, estava com medo da reação da Melissa, não era um medo negativo, era mais uma coisa positiva. Eu sabia que ela ficaria louca com tanta noticia ao mesmo tempo, mas eu estava apreensiva, ela ficou praticamente um mês longe de casa e aconteceram tantas coisas, tantas histórias pra contar. Sei que ela teria milhões de novidades, mas eu tinha duas pra contar, as mais importantes da minha vida. Julie e Jason, Melissa não sabia nada sobre os dois e aposto que ela cairia dura pra trás quando soubesse que Julie sempre esteve viva, e que eu mais uma vez fui abençoada e estava esperando um baby macho... Era muita noticia boa para um dia só.
Eu também estava ansiosa pra ver como ela estava. Melissa já estava gordinha e com a barriga bem visível da última vez que a vi e agora; ela deve estar completamente grande. Quase sete meses, a barriga dela deveria estar enorme.
O elevador parou no andar em que Justin pediu. Podia escutar a bagunça vindo do apartamento deles. Justin segurava Julie enquanto a outra mão livre estava entrelaçada na minha que suava frio. Paramos em frente à porta e eu que tive que apertar a campanhia, enrolei um pouco, mas depois do olhar do Justin resolvi apertar aquilo e seja o que Deus quiser.
Acho que Julie estava se sentindo acuada com o barulho que vinha de dentro do apartamento, ela enterrou a cabeça no pescoço do Justin como se estivesse se escondendo e com vergonha de quem estava do outro lado da porta. Demorou um pouco e depois de um tempinho Chris abriu a porta nos recebendo. Ele sorriu ao nos ver, mas seu olhar de confusão ao ver Justin segurando uma menina que para ele era desconhecida foi visível, as explicações começariam ali, pelo visto ninguém tinha comentado nada e tudo seria uma surpresa pra eles.
– Eae. — ele disse sorrindo desconfiado. — Como de costume vocês sempre atrasados.
– Diz isso pra madame que demorou um ano se arrumando. — revirei os olhos soltando a mão de Justin para dar um abraço em Chris.
– Tudo bem. — disse o abraçando com força e saudade. — Estava morrendo de saudade. Fizeram muita falta, espero que tenham trazido algo para mim.
– Ah, isso Melissa não esqueceu, ela trouxe uma mala só com presentes.
– Ai, adoro. — dei um gritinho empolgada e Chris riu se afastando.
– Eae mané. — ele abraçou Justin com Julie ficando entre os dois. — Quem é essa coisinha pequena? Parente sua Caissy? — Justin e eu nos entre olhamos e acho que foi um pouco mal educado de minha parte, mas mudei de assunto.
– Onde está Mel? Eu quero ver aquela gordinha.
– Serve aquela ali? — Chris apontou Melissa no canto da sala como de costume discutindo com Claire.
Adorei ver aquela cena me deu uma tremenda nostalgia. Elas riam e gritavam algo impossível de entender. Melissa estava com a barriga enorme e perfeitamente linda, os cabelos dela pareciam ter crescido e rosto dado uma inchadinha assim como o resto do corpo, minha amiga estava gostosa!
– Ah como você está linda. — gritei fazendo elas me notarem.
– Caissy. — Melissa gritou e em seguida deu outro grito histérico me abraçando.
– Que saudade. — a abracei com dificuldade, pois aquele barrigão chegava a mim primeiro que Melissa.
– Eu estava morrendo de saudade... — ela me apertou mais. — Onde está o Justin? — ela se afastou correndo o olho na sala a procura de Justin.
Quando os olhos dela o encontraram, a primeira reação foi franzir a testa, Justin ainda estava com Julie no colo e ela se mantinha do mesmo jeito que chegamos com a cabeça escondida no pescoço do Justin.
– Quem é? — Melissa perguntou curiosa e eu não sabia o que dizer.
– Cadê a princesinha do tio Ryan? — Ryan saiu da cozinha berrando um pouco embriagado.
Pattie e Caams estavam junto dele e vieram de encontro a nós na sala. Por impulso puxei a mão de Melissa a arrastando até algum cômodo silencioso que por sinal era o banheiro, arrastei ela pra dentro do lavabo e tranquei a porta.
– Que foi Caissy? — ela disse rindo. — Está com tanta saudade de mim que vai nos trancar no banheiro?
– Eu preciso te contar umas coisinhas que aconteceram quando você estava por fora.
– Ah meu Deus. — ela cobriu a boca com as mãos. — Você e Justin se separaram outra vez?
– Não Melissa... São noticias boas, difícil de compreender, mas são boas.
– Boas? Caissy não to entendendo nada. Pra que precisa se trancar comigo no banheiro pra me contar noticia boa? Não é melhor contar pra todos?
– Todo mundo que está aqui já sabe, menos você e Chris, mas aposto que Justin deve estar se virando com ele.
– Tá se queria me assustar, conseguiu. — ela se sentou em cima da privada fechando a tampa.
– É bom que esteja sentada mesmo. — disse suspirando.
– Ai Cassidy fala logo e para de drama, também quero te contar à maravilha que o Brasil é.
Apoiei os braços na pia me encarando no espelho e criando coragem e procurando palavras pra dizer da forma certa o que estava acontecendo.
– Eu estou grávida. — comecei pela parte mais fácil.
– Sério? — ela deu um gritinho animado. — Caissy sua bitch porque não me ligou e contou isso? Bem que desconfiei desses seus peitos inflados.
– É um menino Mel. — disse empolgada.
– Não acredito? Amiga eu estou contente de mais por você... Nossos filhos vão brincar juntos serem melhores amigos assim como os pais. — ela disse orgulhosa, já que o filho dela também era menino.
– E então qual é a outra notícia? — ela estava empolgada, mais empolgada do que eu imaginaria.
Mordi os lábios um pouco perdida, sim aquela seria uma ótima notícia, mas Melissa poderia se assustar. Ou talvez não acreditar.
– Caissy fala logo e para de fazer esse suspense chato, mulher.
Respirei fundo recuperando todo o ar que precisaria para falar aquilo, talvez falasse tudo de uma vez ou enrolasse antes dela cair dura pra trás.
– Sabe aquela garotinha? — ela franziu a testa tentando se lembra de qual garotinha estava falando.
– Ah sei, aquela que está no colo do Justin? Aliás, Caissy quem é ela? Pensei que era a Jazzy, mas Jazzy tem o cabelo mais claro. E Então... Caissy quem é ela? — abaixei o olhar.
– É minha Julie. — Melissa teve um ataque e começou a rir sem parar.
– Tá ficando doida? Que papo é esse? Nossa brincadeira idiota Cassidy!
– Não Melissa. — disse séria. — Aquela é minha filha, é a Julie, pode ser difícil de entender, mas ela é a minha filha.
– Impossível. — ela se levantou. — Alexia matou Julie há três anos... Cassidy você está tendo outra crise? Está ficando louca outra vez?
– Não Melissa! No dia do seu casamento... Eu recebi uma ligação dizendo onde Alexia estava. Eu estava nervosa de mais, Justin e eu havíamos brigado e... Eu não contei pra ninguém, fui atrás da Alexia apenas com a ajuda do Ryan que estava podre de bêbado. Não sabia se aquilo era verdade, também não sabia que encontraria Julie, mas eu fui. — senti as lágrimas correrem em meu rosto ao relembrar aqueles momentos. — Eu fui até onde me mandaram e como de fato Alexia estava lá, eu consegui descontar minha raiva, eu sentia meu corpo transbordar em ódio, em cada palavra, em cada tapa que dei nela, mas aquilo não foi o suficiente, porque se matasse Alexia eu não iria fazer a Julie voltar. Mas eu estava completamente errada, estava errada quando pensava que ela não estava viva, e certa quando sentia que ela ainda estava em alguma parte desse mundo. Todos esses anos Alexia criou Julie como se fosse filha dela, Julie sempre esteve viva, Alexia mentiu ao dizer que a matou.
– Meu Deus que loucura. — Melissa cobriu a boca em choque.
– No mesmo dia eu levei um tiro e fui pro hospital, fiquei um tempo internada, mas graças a Deus eu não sofri nada e nem o bebê. — respirei aliviada por conseguir contar tudo.
– Então aquela garota... Aquela garotinha que Justin estava segurando é realmente a Julie? — tanto ela quanto eu chorávamos.
– Sim. — mordi os lábios. — Ela é a Julie! — sorri orgulhosa. — Minha Julie.
– Não acredito! — Melissa foi até a porta desesperada a destrancando rasgando feito louca na sala até onde Julie estava perto de Justin.
Todos ficaram em silêncio. Justin me olhou e depois olhou Melissa em completo estado de pânico, ele já havia entendido que eu tinha contado tudo a ela. Melissa encarava Julie como se ela fosse algum tipo de aberração, eu poderia interferir, mas eu já tinha feito de mais ela tinha que tirar a prova e ver que Julie existia. Depois de um tempo parada sem ação, ela caminhou na direção de Julie e a tocou com medo. Julie estava intacta no colo do Justin e não fugiu quando Melissa tocou as bochechas dela.
– Julie? — ela massageou os cabelos de Julie e depois passou a mão pelo rosto dela. — Meu Deus que milagre é esse? — ela arrancou Julie dos braços de Justin a pegando no colo.
Pela cara de Julie diria que em segundos ela iria abrir a boca pra chorar, ela estava assustada, não estava entendendo nada. Todos estavam olhando pra ela e Melissa estava agindo feito louca. Aproximei-me de Justin e os braços dele me acolheram enquanto olhávamos Melissa apertando Julie conferindo se ela era realmente real.
– Porque não fiquei sabendo disso antes? — Melissa encarou Justin e eu.
– Ah qual é gordinha não queríamos estragar sua lua de mel. — Justin tomou a frente.
– Acha que fiz muita coisa com essa barriga enorme? — ela nos fez rir.
– Mamãe. — Julie estendeu a mão em minha direção, Melissa hesitou em me entrega-la, mas quando Julie suspirou segurando o choro, ela me devolveu minha princesa na hora.
– Chris você sabia disso? Também sabia de tudo isso? — ela disse brava encarando Chris.
– Claro que não Mel! Estou tão chocado quanto você.
– Vocês poderiam fazer meu filho nascer antes da hora. — ela deu um tapa em Ryan que estava mais perto.
– Ai Melissa. — ele esfregou o braço. — Grávidas são mais fortes sabia?
– Já acabou o momento brega? — Claire interferiu. — Não sério, porque esse monte de lágrimas me deixou enjoada. — ela revirou os olhos.
– Eita Chaz, Claire está enjoada. — Justin zombou rindo.
– Nem vem porque isso está fora de cogitação. — ela sorriu. — Estou do jeito que o vampiro gosta!
– Ah que Nojo. — Justin resmungou.
– Nojo por quê? Acha que Cassidy nunca ficou menstruada? Eu até sei que você já comeu ela assim. — ela disse rindo.
– Para de mentir Claire! — gritei envergonhada, aquilo era mentira, minha menstruação já estava ao fim quando fizemos.
A campanhia suou e Chris que estava perto da porta a abriu mais uma vez. Jeremy, Pattie, Jazmyn e Jaxon chegaram. Julie abriu um sorriso empolgada ao vê-los e se ajeitou no meu colo pronta pra descer.
– Olha meu amor, quem chegou. — ela exalou um sorriso completamente lindo ao ver Jaxon.
– Tó pai. — ela tirou a chupeta da boca arrumando os cabelos.
– Ah agora decidiu tirar essa merda? — ele pegou a chupeta da mão dela e guardou no bolso.
Não tive nem tempo de coloca-la no chão, quando estava abaixando para coloca-la no chão, Julie pulou de meu colo correndo em direção ao Jaxon dando um abraço nele que foi muito bem retribuído. Segurei o braço de Justin quando ele ameaçou ir atrás de Julie.
– Ele tá bulinando minha filha. — ele esbravejou.
– São só crianças, não há maldade.
– Jaxon está no meio, Julie é inocente. Jaxon não!
– Para. — disse rindo. — É tão lindo ver você com ciúmes de Julie.
– Não é ciúmes, mas tenho que proteger minha garotinha!
– Imagine quantas garotinhas você desvirtuou... Que coisa em amor, tomando rasteira do próprio irmão. Tapa na cara. — ele me fuzilou. — To brincando, to brincando. — beijei os lábios dele rindo.
– E ai JB demorou uma partida de sinuca? — Ryan chamou, Justin olhou Julie e Jaxon brincando da sala.
– Ah para com isso! Vai se divertir com os garotos, eles só estão brincando. — ele pensou um pouco.
– Estou de olho. Se Jaxon tentar mais alguma coisa quebro a cabeça dele com o taco. – gargalhei. Ele estava realmente bravo.
– Ta bom...
– Bieber. — Jazzy veio em nossa direção abraçando as pernas de Justin, ela me ignorou pulou em Justin e fingiu que eu nem existia.
Jazzy nunca foi de me ignorar, não que eu lembrasse. Deixei aquilo de lado achando que era coisa da minha cabeça. Fui cumprimentar Pattie e Jeremy que estavam escutando os surtos de Melissa por ainda não acreditar que Julie estava viva.
– Sogros. — me aproximei sorrindo.
– Caissy! — os dois disseram em um coral.
– Tudo bem? — Pattie me deu um beijo no rosto.
– Sim e vocês?
– Estamos bem. — ela sorriu apontando Melissa. — O que fizeram com a garota?
– Ela ainda está em choque.
– Todos ficamos. — Pattie completou.
– Pai chega ai. — Justin gritou chamando Jeremy e ele pediu licença indo até onde os meninos estavam.
As mulheres se reuniram e começaram aquele papo chato de mulher. Aquilo estava me entediando, eu preferia mil vezes está no meio dos meninos contando o placar e fazendo bagunça, zoando que estivesse perdendo na sinuca do que estar ali escutando as coisas que Melissa dizia sobre sua gravidez. Elas estavam bem entretidas e nem perceberam quando me afastei de mansinho. Fui para a sala de jogos e como esperado os meninos estavam fazendo bagunça e no meio de uma discussão.
– Nem vem Justin. — Ryan reclamava assim que entrei.
– Vai se fuder Ryan! Vocês sempre ficam falando que eu roubo.
– Você não sabe jogar nada sem trapaças Drew!
– A qual é! Chaz você tá no meu time, viu que eu to jogando limpo.
– Eu não vi!
– Filho da puta, viu sim. Isso é complô. — os olhos dele me notaram. — Amor ainda bem que você chegou, agora ela vai contar essa porra direito.
– Pronto. Agora você vai roubar todas.
– Tá me chamando de ladrona Ryan?
– Não, mas que você puxa a sardinha pro lado do Justin puxa.
– Caissy e Justin um casal fora da lei ocupando o mesmo espaço. — Chaz zombou.
– Tudo isso é porque vocês não aguentam perder e ficam dando desculpas quando Justin ganha de vocês.
– Toma seus otários. — Justin me deu um selinho. — Que comecem a partida. — ele riu. — Vou ganha essa pra você.
Revirei os olhos e fiquei ali observando eles jogarem e brigarem ao mesmo tempo. Fiquei um longo tempo presenciando o jogo deles, mas algo começou a me inculcar, o fato de Jazzy não ter falado comigo estava me incomodado. Deixei os meninos em mais uma discussão e fui atrás dela.
– Está me ignorando? — Jazzy estava sentada no sofá emburrada.
– Não. — ela disse cruzando os braços.
– Então porque não me deu um abraço de urso e um beijo estalado como sempre faz?
– Porque eu não estou com vontade. — ela observava o nada.
– Está vendo? Está brava comigo e eu nem sei o porquê... Poderia me dizer?
– Não, você é mamãe da Julie vai defender ela. — Jaxon e Julie passaram correndo em nossa frente.
– Então o problema é Julie?
– Ela está roubando tudo o que é meu. Roubou você, Bieber, Pattie e agora o bebê... Ele só gosta de brincar com ela e só se importa com ela.
– Julie está te atrapalhando?
– Não é isso Caissy, mas todo mundo só se importa com ela. — ela começou a falar sério, mas eu sentia uma vontade enorme de rir. — Eu era a princesinha e estão me trocando.
– Jazzy. — a puxei pra perto de mim. — Ninguém nunca vai pegar seu lugar, você sempre vai ser a bonequinha do Justin, a princesinha do seu pai, meu anjinho e a garotinha da Pattie. Julie não vai tomar seu lugar, ela é pequenina por isso todos dão atenção a ela, mas será que não tem um espacinho pra ela? Será que ela também não pode ser nossa princesinha?
– Pode, mas é que...
– Então vamos fazer assim... Você sempre será a princesa, mas sua função é cuidar da Julie e ensinar para ela como ser uma princesa. Fechado? — estendi a mão propondo um acordo.
– Fechado. — ela apertou minha mão e eu a puxei para um abraço.
– Caissy... Caissy. — Julie veio gritando e correndo, até me assustei de inicio.
– Que foi Julie?
– O papai pego o Jaxon. — ela estava ofegante. — Ele vai machuta o Jaxon.
– Cadê seu pai?
– Tá lá. — ela apontou em direção a sala de jogos.
– Merda. — eu sabia que era só eu me afastar e o pivetão iria aprontar, ele estava querendo pegar o Jaxon desde que ele chegou.
A porta do salão de jogos estava fechada. Segurei a maçaneta a rodando e coferindo que estava fechada, escutava os gritos do Jaxon e risadas, Justin estava acompanhado. Voltei pra sala a procura de algo que pudesse abrir aquela bosta. Vi os grampos brilharem na cabeça de Pattie e não pensei duas vezes, puxei um e ela me olhou assustada pelo ato.
– Tá louca Cassidy?
– Já eu devolvo. — voltei correndo até a sala do salão de jogos.
Abri o grampo e os gritos do Jaxon estavam me deixando nervosa, me fazendo tremer. Demorei um pouco, mas depois de umas três tentativas consegui abrir a porta. Dois retardados; Justin e Ryan. Eu sabia que só podia ser os dois pra torturar o garoto daquele jeito. Jaxon estava pendurado na sacada pela cueca enquanto Ryan e Justin riam e ele chorava loucamente.
– Justin. — gritei desesperada. — Seu filho da puta. — corri até Jaxon tentando o tirar dali.
– Como você entrou aqui? — Justin disse assustado.
Peguei Jaxon e dava dó. O bichinho chorava desesperado como se estivesse em pânico e com certeza as bolas dele estavam doendo.
– Vocês dois são uns idiotas. — gritei nervosa sentando no sofá com Jaxon em meu colo.
– Ele estava brincando de bater na bunda da Julie. — Justin disse na defensiva.
– Foda-se. Você tá ficando louco? Pendurar o moleque pela cueca na sacada, vinte metros do chão e se ele caísse seu idiota?
– Caissy eu não tenho...
– Cala boca Ryan. Você é tão retardado quanto Justin!
– Eu só queria dar uma lição nele. — desta vez Justin parecia ver a proporção da brincadeira estúpida.
– Ótimo! Toda vez que sua filha errar, vou pendurar ela pelos cabelos na sacada. O que acha disso meu amor?
– Tá louca? — ele gritou intuitivamente.
– Está vendo como é bom? — Jaxon já estava sanando o choro.
– Mamãe machuto ele? — Julie entrou na sala acompanhada de Jazzy, Jaxon imediatamente limpou as lágrimas para elas não verem que ele estava chorando.
– Está melhor Jaxon? Tá doendo muito?
– Não. — ele desceu do meu colo enfiando a mão nas calças puxando a cueca, aquilo foi meio grotesco e as meninas ficaram espantadas, mas bem feito pro trouxa do Justin teve que ver a filha dele vendo o tio arrumar o saco nas calças.
– O que acham de ir brincarem lá na sala crianças? Chamem o tio Chaz e a tia Claire pra brincar com vocês.
– Tá. — Julie saiu na frente arrastando Jazzy pela mão enquanto Jaxon foi atrás caminhando com cuidado e massageando o membro.
– Olha aqui vocês dois. — levantei apontando o dedo na direção dos panacas. — Se relarem mais uma vez em Jaxon eu vou jogar água quente no ouvido dos dois e arrancarem o que vocês mais tem orgulho fora e dar pro cachorro comer.
– Ai. — Ryan sentiu a dor levando as mãos no membro só de pensar.
Voltei pra sala e fiquei de olho nas crianças. Tudo bem que Jaxon exagerava nas aproximações com Julie, mas qual era o problema? Eram duas crianças não havia maldade. No decorrer da noite não deixei Justin chegar perto de mim. Fiquei o tempo todo perto das crianças, observando eles brincar e sentindo um pouco de mal estar. Chegou um tempo em que não consegui mais aguentar e pedi para que fossemos embora, sentia Jason se remexer dentro de mim e eu estava ficando nauseada. Julie entrou no carro e acabou pegando no sono, dei graças a Deus por não ter que fazê-la dormir, não dei uma palavra com Justin e ele estava incomodado com aquela situação, principalmente por saber que eu não estava muito bem.
Cheguei em casa e fui direto pro banheiro, coloquei tudo o que comi pra fora, depois de vomitar me sentir bem melhor. Escovei os dentes e prendi o cabelo em um coque, deixei meus sapatos no canto do quarto e Justin ainda não tinha voltado. Ele tinha ido colocar Julie na cama enquanto sai desesperada a procura de uma privada. Precisava me alimentar, depois de colocar tudo pra fora. Entrei no quarto de Julie ignorando a presença de Justin e dei um beijo nela, ele já tinha trocado e embrulhado ela nas cobertas, pelo menos pra isso ele servia.
Deixei Justin lá e voltei a tomar meu rumo em direção à cozinha. Meus pés descalços entrando em atrito com o porcelanato do piso me causaram arrepios. Os empregados já tinham todos idos dormir, a cozinha estava um brinco e eu estava ali para sujar. Abri a geladeira e não estava satisfeita, nada que tinha ali me deu vontade de comer. Fiquei um longo tempo observando o que tinha ali, até que; uma lata de leito condensado chamou minha atenção e me deu água na boca só em olha-la.
– Pronta pra ser devorada amiguinha? — peguei a lata e bati a porta da geladeira indo em busca de uma colher.
A merda da lata estava com apenas um furo e eu era inútil, não conseguiria abri-la se não pedisse a ajuda do Justin, mas eu não iria fazer isso mesmo. Estava com uma puta raiva dele e ele não merecia nem que dirigisse a palavra a ele. Comecei a tomar aquilo na lata mesmo, qual o problema? Eu iria acabar com tudo só eu iria comer, então não haveria problema. Fiquei empolgada devorando a lata e nem notei que Justin tinha entrado na cozinha.
Ele estava com a regata que usava por baixo da camiseta e com a calça baixa e o boné virado de um jeito ligeiramente sexy. Quase me engasguei com o leite condensado que descia em minha garganta, comecei a tossir feito louca.
– Caissy? — ele me olhou confuso enquanto eu quase tinha um treco de tanto que tossia.
– Não toca em mim. — disse quando ele mencionou se aproximar recuperando o fôlego. — Já estou bem!
Ele se afastou e foi até a geladeira enquanto eu o encarava descaradamente safada.
– Se engasgou porque estava me olhando com essa cara de tarada? Estou tão irresistível assim? — ele se virou convencido segurando uma garrafinha de água.
– Coitado! — revirei os olhos.
– Pode babar Caissy, eu deixo.
– Realmente já passou da hora de você dormir, tá até sonhando acordado. — joguei a lata no lixo e lavei minhas mãos na pia.
Assustei-me e Justin estava atrás de mim ele me agarrou por trás, começando a beijar meu pescoço e passear suas mãos pela parte da frente do meu corpo. Sugava minha pele com uma força considerável boa, sua respiração quente batia na minha pele, me deixando louca. Tentei fugir, mas ele foi mais rápido me enlaçou e me prensou contra o balcão não me dando oportunidade de fugir.
Justin beijava meu pescoço e suas mãos passeavam pela minha bunda e quadris.
– Justin... — tentei o empurrar, mas, seus lábios encontraram os meus iniciando um beijo.
Justin mordeu meu lábio inferior enquanto sua língua se enroscava com minha e suas mãos agora se encontravam dentro do meu vestido, que o subia gradativamente. Justin apertou meus seios no mesmo segundo que chupou meu lábio inferior e roçou seu membro na minha intimidade. Meus pedidos não estavam sendo validos, ele me atacava sem me dar ouvidos.
– Justin... — tentei me afastar, mas, suas mãos me seguraram firme, impedindo qualquer tipo de fuga dali me virando de costas pra ele enquanto não tinha oportunidades de fugir.
Suas mãos entraram outra vez dentro do meu vestido. Uma foi direto pra um de meus seios e a outra fazia pressão do meu corpo sobre o dele. Podia sentir seu membro duro na minha bunda. Aquilo estava me deixando quente. Meu vestido foi erguido, mas, Justin o pegou com as duas mãos e forçou a costura, o rasgando. Uma de suas mãos foram pra dentro da minha calcinha, massageando meu clitóris e ele fazia pressão contra minha bunda, como se estivesse me fodendo. Joguei a cabeça pra frente e mordi o lábio inferior, tentando segurar um gemido.
Meu corpo foi virado bruscamente e coloquei a mão na nuca de Justin o puxando pra mim. Ele mordeu meu lábio inferior enquanto sua língua se enroscava com minha e suas mãos agora se encontravam em minha bunda. Justin apertou-me no mesmo segundo que chupou meu lábio inferior e roçou seu membro na minha intimidade. Subi minha perna esquerda pela lateral do corpo dele ate chegar em seu quadril, enroscando-me a ele. Podia sentir seu membro duro encostar-se a mim, o que me deixava mais excitada. Com as pernas e as mãos tremulas, abaixei sua calça junto da sua boxer, liberando seu membro. O peguei pela base e apertei, o fazendo dar um tapa estalado na minha bunda e murmurar um "cachorra". Sorri marota enquanto movimentava devagar a mão.
Justin tirou minha mão de seu membro e ergueu ainda mais minha perna que estava enroscada em seu corpo, afastou minha calcinha e me penetrou fundo. Arqueei as costas e tombei a cabeça pra trás, ofegando e gemendo. Ele entocava rápido e com força. Às vezes, minhas costas se chocavam contra o balcão, causando uma pequena dor, mas, aquilo estava bom demais. Os movimentos foram aumentando gradativamente e nós tentávamos conter nossos gemidos. Ele entocava rápido e por um momento, perdi o chão. Minhas pernas ficaram bambas e tive que me segurar em Justin pra não cair. Sentia seu liquido me preencher enquanto ele me apertava e sugava meus lábios com os seus. Justin me ergueu me deitando em cima do balcão e depois subiu por cima de mim tomando outra vez meus lábios e o buchei a corrente dele o trazendo mais pra mim.
[...]
Acordei e fui direto pra um banho sentindo meu corpo completamente sujo pela noite de ontem. Justin ainda estava todo esparramado e babando na cama. Arrastei-me até o banheiro para tomar um banho que não foi muito rápido. Sai com os cabelos molhados e enrolada em um roupão. Justin não estava mais deitado ele estava sentado na cama se espreguiçando.
– Bom dia. — disse passando na frente dele e indo para o closet.
– Bom dia. — escutei ele responder mal humorado.
Troquei-me e nem sequei os cabelos iria os deixar secarem naturalmente. Justin estava demorando no banho então decidi dar uma olhada no computador antes de descer pra tomar café, eu iria espera-lo.
Justin não estava com uma cara muito boa pra falar a verdade ele estava concentrado. Era o dia do roubo e ele estava completamente reservado sem conversar muito, meias palavras e sem sorrisos. Confesso que estava bem, mas depois do café quando ele seguiu para o escritório começou a me bater o desespero.
Justin entrou na sala programada pegando a mala e as coisas que precisariam. Sentia um nó na garganta e um aperto no peito... Eu sempre me sentia assim quando ele estava em situação de risco. Observava Justin colocar a arma na mala e os trajes que usaria. Como eu queria ter uma vida normal, queria que Justin não precisasse se envolver com essas coisas e que ele nem sempre estivesse colocando a vida em risco na maioria do tempo. Encostei-me a mesa dele e cruzei os braços tentando esconder a Cassidy sentimental que estava querendo de dar as caras.
Não segurei por muito tempo, enquanto Justin estava entretido com as coisas dele deixei as lágrimas de preocupação me tomarem.
– Tá chorando por quê? — ele disse meio durão fechando as porta da sala.
– Não estou chorando. — funguei o nariz limpando os olhos.
– Então eu to ficando louco? — mirei outro foco pra olhar a não ser os olhos dele.
– Queria que eu estivesse como? Esbanjando sorriso atoa, como se tudo estivesse na perfeita ordem? Não sou hipócrita assim.
– Só acho que não tem motivos pra chorar... Está tudo sobre controle, esse roubo é o mais fácil que já fiz.
– Fácil ou difícil sua vida está em risco. — solucei.
– Até parece que não me conhece. Nada... NADA de mais vai acontecer comigo sua boba. — ele puxou minha mão abraçando meus ombros.
– Promete pra mim que vai tomar cuidado? Promete pra mim que não vai demorar tanto pra voltar?
– Prometo pra você que vou ser foda como de costume e vou volta rapidinho pra casa pra ter esse seu corpinho lindo colado no meu durante horas. — ele beijou minha testa.
O maldito rádio bipou e era um alerta dos meninos que eles já estavam no galpão. Senti meu corpo entrar em colapso em desespero completo. Justin me olhou nos olhos e depois selou meus lábios.
Ele pegou a mala do chão e me deu um aperto no peito vontade de grudar nele e não deixar que ele saísse de casa de jeito nenhum, que ele não fosse fazer aquilo. Eu odiava me sentir vulnerável daquela forma, pra ele era tudo bem, parecia até ter um escudo de ferro. Ele saiu na frente segurando a mala enquanto eu ia atrás abraçada aos braços. Julie estava sentada na sala com Paola e Justin foi dá um beijo nela.
– Papai você vai viajar? — ela encarou a mala no chão.
– Não, só vou buscar uns negócios e depois volto.
– Mas não vai demorla né? — ela passou os braços no pescoço dele e ele a pegou no colo.
– Não. — Justin deu um beijo na bochecha dela. — Vai ser rapidinho... E quando o papai voltar, vamos viajar todos juntos; Eu, você a mamãe e o Jason.
– Pa ondi?
– Pra onde você quer ir?
– Pra paia...
– Então vamos pra um lugar que tenha praia. — ele beijou mais uma vez a bochecha dela e depois a me entregou.
Caminhei com Julie e ele até a porta. Justin me deu o último beijo e ficamos observando ele entrar no carro.
– Tchau papai. — Julie gritou acenando e ele retribuiu.
Fiquei observando ele partir e aquela dor e a preocupação aumentava. Julie percebeu minha tristeza e deitou em meu ombro.
– Está precisando de algo senhora? — Paola me disse a me ver chorar.
– Não, está tudo bem. — subi com Julie no colo em direção ao meu quarto.
Deitei em minha cama e a alinhei em meu corpo. O cheiro do Justin estava empreguinado ali, fiquei chorando em silêncio enquanto Julie brincava com as mechas de meu cabelo.
"Meu Deus não deixe nada de mais acontecer com o Justin."
Continua...
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