Soul Master
1 Joshua Mason
Notas iniciais
Há cerca de mil anos, o planeta consistia em um grande e massivo campo de guerra, onde os humanos batalhavam entre si e contra entidades sobrenaturais. Um dia, um homem sozinho pôs fim ao conflito e a humanidade finalmente pôde viver em paz, sob a tutela da organização THELEMA, que atua fiscalizando e destruindo os eventuais (e constantes) desequilíbrios que existem, a nível natural e sobrenatural.
Jovens garotos e garotas que sonham em fazer parte da organização caminham para o teste de seleção anual, na cidade de Nova Athenas, sede da THELEMA.
Vale de Orleans é a menor das cinco cidades portuárias do continente alfa. Enquanto as embarcações milionárias de minério e combustível têm preferência nos locais de maior estrutura, o porto da cidade trabalha basicamente com barcos recreativos e de pesca. Eventualmente algum cruzeiro chique ancora, mas apenas para abastecer ou fazer manutenção, e a tripulação não costuma ter interesse em fazer turismo na cidade, mesmo que ela seja o lar da melhor costela de porco do continente (ou pelo menos era o que a maioria dos açougueiros repetia, baseado em um concurso de 50 anos atrás).
O bairro próximo ao porto é a zona comercial da cidade, com uma grande quantidade de barracas de comidas ou de bugigangas de segunda mão. Durante a semana o local é basicamente a definição de poluição sonora, com os gritos de diferentes vendedores tentando chamar a atenção dos clientes. Se alguém se preocupasse em fazer uma pesquisa de mercado veria que isso é inútil porque os moradores de Vale de Orleans tem o peculiar costume de sempre fazer compras no mesmo lugares por pura rotina, comodismo ou simpatia pelos funcionários. Esse hábito faz com que, no final das contas, nenhum comerciante tenha grande lucro sobre a concorrência, o que resulta em um rendimento mediano para todos, não permitindo que ninguém vá a falência ou fique muito rico (mas também torna qualquer negócio novo inviável).
O que torna a situação engraçada é que, mesmo com a óbvia inutilidade de uma disputa, o clima de concorrência entre os estabelecimentos continua em ritmo de guerra civil (ou briga de coleguinhas na escola). Quando um comerciante passa pela concorrência, faz um comentário sobre o mau cheiro, e quem está do lado de dentro grita alguma coisa sobre falta de respeito, mesmo que repita o procedimento de forma similar quando a situação se inverte.
Fora da zona comercial outra zona de fluxo razoável de pessoas é a estação de trem, o principal modo de deslocamento para fora da cidade. Como Vale de Orleans fica “fora do caminho” da maioria dos itinerários de ônibus, as empresas desse tipo, que são obrigadas por lei a realizar o serviço em todas as zonas portuárias como parte do contrato com o governo para continuar lucrando com as estradas, costumam deixar os preços nas alturas para desencorajar as pessoas. Até porque, se alguém realmente quiser ir de ônibus, a empresa faz questão que o tripulante pague pelo fato de que provavelmente o veículo vai estar quase vazio (nada pessoal por parte da população, mas o trem chegou antes e, como dito, eles são mesmo apegados aos hábitos).
Mas o que torna a cidade tão especial e, para os olhos das pessoas de fora, tão chata, é que é provavelmente o local urbano mais desconectado com os negócios da THELEMA de todo o continente, ou seja, baixíssima atividade mágica. Em cidades maiores ou até mesmo com tamanho equivalente, existiriam comércios especializados na venda de pergaminhos, itens e armas mágicas, ou mesmo que disponibilizassem encantamentos específicos para equipamentos. Em outra cidade, haveriam escolas particulares para os pais que sonham em ter filhos trabalhando na maior organização supra-governamental que existe. Em Orleans, porém, o maior sonho de um pai é ter um filho médico ou advogado, na esperança de obter gratuidade em alguns desses serviços. Jornalismo também é uma carreira de destaque, visto que a emissora de local, a TVO, é uma espécie de fábrica de celebridades locais (e quem não gosta de se gabar de um parente famoso?).
“Orleanígena” é o melhor termo que define um nativo. O apelido surgiu de uma provocação que a tripulação de um dos cruzeiros chiques gritou quando estava de saída e que acabou virando, de fato, a forma comos muitos habitantes da cidade se chamavam, como se tivessem se denominando especiais ao invés de esquisitos. Essa aliás sempre foi uma característica marcante da população, todos se acham muito especiais por morarem na pacata Orleans, principalmente se forem nascidos lá e mais ainda se tiverem um sobrenome importante, vindo de alguma das famílias “tradicionais”. Essas famílias costumavam enriquecer quando o porto da cidade possuía algum destaque, mas pararam de acumular capital quando as embarcações passaram a ir para outro lugar. Depois de uns 50 anos, sobrou pouco dinheiro para se vangloriar, então a pseudo-nobreza se prende com muita força aos sobrenomes.
A Tv Orleans, ou TVO, é talvez o principal contato que os “Orleanígenas” tenham com o mundo do lado de fora da redoma. É tudo bem limitado porque, apesar do aparente glamour, não é uma emissora com recursos para bancar correspondentes fora da região, então se contenta com press-releases enviados pelas assessorias de orgãos como a THELEMA. Talvez o fato de que se falasse tão pouco de portais dimensionais sendo destruidos pelos agentes do governo na cidade vizinha e muito acerca do concurso de costelinhas do porto tenha ajudado a dar ao nativo de Orleans um ar de importância artificial.
Basicamente é uma cidade alheia à todo o caos diário instalado no resto do mundo. Na contramão dos últimos 50 anos em que o planeta nunca esteve tão obviamente misturado com todos os planos acima e abaixo dele, qualquer atividade minimamente sobrenatural ou mágica desperta uma surpresa negativa nas pessoas. Certa vez, um pequeno portal havia sido aberto por um viajante através de um pergaminho por acidente. Inofensivo, apenas liberava criaturinhas semelhantes à libélulas multicoloridas a sair voando pela cidade, se dissipando após algumas horas, mas deixando em qualquer lugar que tenham pousado uma mancha de tinta que brilhava no escuro. No dia seguinte, o âncora do jornal matinal da TVO começou o programa com uma enquete “ Líbelulas coloridas: arte ou vandalismo?” e mais de 80% votaram na segunda opção, mesmo que os “danos” causados pelo acidente tenham sido próximos de inexistentes.
Para todo padrão de conduta, porém, existem algumas exceções. Joshua Mason, 16 anos, é um garoto que tem o sonho não só de entrar na Thelema, mas de ser conhecido como o próximo Soul Master, título dado ao homem que salvou a humanidade de um grande cataclisma espiritual, sendo responsável pela criação da Thelema, bem como a organização do trabalho da mesma, que deixou o mundo em um período de estabilidade completa até o dia de sua morte.
Josh, como é chamado por todos da cidade, é um rapaz magricelo, de altura mediana, cabelos bagunçados e volumosos que cobrem as orelhas. A principal forma de reconhecê-lo, porém, é o fone de ouvido azul grande que vive usando, seja no ouvido ou na forma de um adereço muito chamativo para o pescoço.
Por ser sobrinho do chefe administrativo da Guarda Municipal, quase todos na cidade o conheciam e tinham empatia pelo garoto. Exatamente por isso não foram poucos que o aconselharam a não cometer a loucura de se inscrever para o exame anual para admissão de agentes na Thelema este ano. No último dia em que planejava ficar na cidade antes de finalmente viajar, ouviu sermão do padeiro, do açougueiro e da sua vizinha. Chegando na porta de casa, sabia que era a hora de ouvir mais um, da sua mãe.
— Eu já vou indo então mãe — disse o rapaz ao chegar em casa, encostado no batente da porta, encarando os olhos aflitos de sua mãe, que não sabiam se focavam no filho, na parede ou na bolsa.
— Você é um idiota mesmo, não vai tirar essa bobagem da cabeça? — Martha fingiu procurar algo na bolsa, mas os olhos nervosos que fitavam o filho regularmente indicavam que ela só queria parecer ocupada.
— A senhora sabe que não, mãe, já passamos por isso antes, não precisa se preocupar porque não sou mais criança.
— Não sou mais criança – imitou a última fala do filho com uma careta e com um tom de voz agudo para imitar uma criança — Você ainda é uma criança, essas suas ideias loucas são a maior prova disso — Josh apenas sorriu, sabia que a discussão já tinha sido ganha alguns meses atrás, então permitia que sua mãe resmungasse, era um direito afinal de contas.
Martha Birch era uma mulher de quarenta e poucos que poderia facilmente enganar alguém no bar como tendo 10 anos a menos. Tinha cabelos cacheados até o meio das costas e tinha o mesmo nariz pontudo do filho. Se vestia quase sempre com paletós, calças sociais e sapatos de salto alto. A aparência bem arrumada vinha da profissão, já que era a repórter encarregada de realizar reportagens externas para o noticiário da TVO. Apesar de se vestir de forma elegante e apresentar notícias com a frieza de uma jornalista experiente, a personalidade longe das câmeras era diferente: era explosiva, gritava sem motivo aparente (na verdade o tom de voz dela já era mais alto do que o de uma pessoa normal, então quando falava num volume que julgava normal, ainda parecia que estava brigando) e sempre parecia nervosa. A revelação, três anos mais cedo, de que o filho tinha a intenção de ingressar em uma das carreiras com maior índice de mortalidade do mundo (nesse caso haviam estatísticas para comprovar) gerou todo o tipo de discussão em casa, mas Josh eventualmente a venceu pelo cansaço.
— O tio disse que eu estou até mais preparado que ele quando tinha a minha idade — Argumentou o filho, se aproximando de Martha, que desferiu-o um olhar de deboche.
— Isso é o que eu ganho por te expor ao meu irmão louco! — disse, com o volume de voz alterado que a caracterizava — Depois da pequena lavagem cerebral que ele lhe fez seria quase impossível tirar isso da sua cabeça, né?
Josh respondeu com um sorriso.
— Você se diverte com essas coisas, né? Apesar do Ben ser meio biruta, ele acredita que isso é um negócio de família e que, de alguma forma, temos responsabilidade com o mundo. Esse seu jeitinho de ir correr risco de morte como se tivesse saindo de férias é completamente herdado do seu pai! – Resmungou.
— Ah, se eu pareço com o meu pai não pode ser algo ruim, afinal de contas você gostava muito dele — Martha deu um sorriso de canto de boca, era o máximo de “te apóio, vai em frente” que ela era capaz de dar sem enfrentar alguns princípios.
— Não quero ter que escrever uma reportagem sobre sua morte, tá?
— Aposto que vai escrever muita coisa sobre as coisas legais que vou fazer — Deu um tapinha no ombro da mãe. Ao terminar a frase, ouviu passos descompassados e pesados entrando na sala de estar que só poderiam vir de uma pessoa.
— Como você é convencidinho, moleque! É exatamente o tipo de coisa que faz alguém ser morto — A voz masculina e grave confirmou a identidade do tio Ben. Era um sujeito gordo, barbudo e parcialmente calvo. Usava um colete aberto com o distintivo da guarda municipal, sem nenhuma camisa por baixo, deixando sempre evidente a barriga cultivada por anos com cerveja, comida e sedentarismo de escritório. Apesar de ocupar o maior cargo burocrático da polícia, a aparência rústica de Ben facilmente o faria ser confundido com um trabalhador braçal aposentado. Foi só se fazer presente que Martha pôde finalmente descontar sua raiva em alguém.
— Você sabe que isso tudo é culpa sua, não é? Jogando as suas – Martha fez um gesto irônico de aspas com as mãos — histórias de veterano de guerra, já fazem dez anos que você se aposentou, aleijado!
— Meu corpo se aposentou, não o meu espírito e muito menos a minha vontade de lutar.
—O-B-S-O-L-E-T-O — Soletrou com desdém para o irmão, que reagiu conforme o costume, arremessando a primeira cadeira que viu em direção à mulher, que segurou com uma só mão sem tirar o olhar dele. Benjamin sorriu, mostrando os seus dentes amarelados, fruto de um consumo preocupante de cigarros.
— Cacete! Com reflexos como os seus, não sei como se impressiona quando o filho resolve ir para a Thelema, ISSO É DE FAMÍLIA — Socou a mesa.
— NÃO ME COMPARE COM UM SELVAGEM COMO VOCÊ — gritou Martha — Eu fiz FACULDADE, sabe o que é isso?
— Sei sim, e dispenso essa chatice — Gargalhou alto o homem
Era mais uma briguinha previsível entre os irmãos e Josh sabia que tudo não passava de birra de ambos os lados. O tio, assim que a esposa faleceu, se mudou para a pequena Orleans, contrariando toda a sua paixão por lugares mais movimentados, justamente para ficar perto do sobrinho e da irmã. A presença do tio Ben era uma das coisas afastava de Josh a ideia de estar “abandonando” a mãe. Seu tio não a deixaria sozinha e, mesmo que deixasse, ela saberia muito bem se virar.
Aproveitou para subir as escadas de casa e dar uma última olhada no quarto. Era muito simples, mostrando não apenas que a família Birch era de uma condição financeira mais ou menos, mas também que aquele não era um lugar onde Josh passava tanto tempo assim. Sempre foi o tipo de criança que fazia da rua a sua casa, e só usava os aposentos para dormir.
O som de galhos se formando chamou a atenção do garoto, e ele viu uma figura familiar ascendendo até a janela.
— Você não sabe usar a porta como uma pessoa normal? Resmungou o garoto para a menina sentada no parapeito da janela. Atrás dela vários galhos iam sumindo.
— Em minha defesa, eu até iria pela porta, mas tá um climão ali com sua mãe e o seu tio — Josh assentiu com a cabeça.
Lisa parecia ter roubado o figurino de uma peça que retratasse o esteriótipo de artistas de rua, que vivem da venda de miçangas e placas personalizadas. Usava quase sempre vestidos floridos ou com estampas étnicas. Seu cabelo era ondulado e volumoso. Sua principal característica era a tatuagem em forma de girassóis que subiam da panturrilha esquerda até o quadril. Com o tamanho dos vestidos rotineiros, apenas parte da tatuagem ficava visível.
Sua personalidade, se considerarmos a da mãe de Josh, previamente descrita, como um furação, se assemelhava mais àquelas tardes de outono, onde tempo passa devagar em uma temperatura amena. Era uma garota calma e comedida, talvez o contrapeso perfeito para se ter por perto de uma pessoa impulsiva como Josh.
— Então, ansioso? — Perguntou Lisa, enquanto saiu de onde se apoiava para andar pelo quarto.
— Claro que sim, você não?
— Eu quero muito fazer isso, mas tento viver um dia de cada vez, você sabe.- Respondeu devagar – Já fez as malas?
— Quase, só falta você me entregar aquilo que veio trazer — O garoto estendeu a mão, e Lisa o entregou um pergaminho.
— Você precisa mesmo levar aquela velharia? — Resmungou Lisa
— Eu sei que fazem mais de seis meses, mas quero levar só por precaução — Abriu o pergaminho todo na mesa, possuía várias inscrições em toda a extensão do papel, que convergia para um círculo vazio no centro. Josh foi até embaixo da cama e tirou uma máquina de escrever antiga e enferrujada. Era um objeto pesado e com várias teclas faltando, sem a menor capacidade de funcionar, visivelmente. Colocou a máquina em cima do pergaminho, na parte do círculo, e colocou as duas mãos ao redor dele, tocando nas inscrições. Algumas letras se moveram, saindo do papel e flutuando no ar, indo ao encontro do objeto, até cobri-lo completamente. A máquina levantou alguns centímetros e a tinta preta que o envolvia inchou até que fosse visível apenas uma esfera negra, que foi de encontro ao papel até se dissipar. O círculo vazio agora mostrava a miniatura de uma máquina de escrever. Graças ao pergaminho de selamento, o trambolho de dois quilos agora era um pedaço de papel enrolado pesado como uma revista semanal.
Josh agradeceu a amiga e se despediu. Ambos combinaram de se encontrar em duas horas na estação, para pegarem o último trem da semana para fora da cidade.
Desceu a escada e percebeu que a discussão havia acabado. Ben e Martha estavam sentados na mesa da cozinha, e quando Josh apareceu ambos o desferiram um olhar sério.
— Eita, fiz alguma coisa? — Disse, colocando a mochila em cima da mesa.
— Garoto... Josh... eu te ensinei tudo o que pude, mas não esqueça que você pode morrer antes mesmo de entrar na Thelema. Os testes deles não são brincadeira — Ao ouvir o que Ben disse, os olhos de Martha ficaram um pouco marejados de lágrimas, mas ela logo passou o braço para secar, queria passar confiança.
— Eu sei que é perigoso, mas vai dar tudo certo! Meu golpe com a pata de gato nunca foi tão forte.
— Técnica não é tudo, você precisa de uma arma de qualidade para acompanhar seu desenvolvimento. Eu não vim aqui apenas para me despedir, sabia? — Josh viu que tinha um embrulho de pano sujo em cima da mesa, na frente do seu tio, conhecia o embrulho e sabia muito bem o que tinha dentro — Joga fora aquela réplica enferrujada que eu fiz para você, você vai usar a original a partir de agora.
— Pera aí, VOCE VAI ME DAR A SUA PATA DE GATO? — Josh correu e puxou o embrulho, tirando as duas luvas pretas. Uma pata de gato é uma arma que, apesar de parecer uma simples luva, invoca quatro grandes lâminas no punho do usuário quando ele aplica energia mágica nela. Josh possui uma das várias réplicas da pata, mas a original, com lâminas feitas de um metal encontrado em estrelas, era do seu tio, que forjou ele mesmo e inventou o estilo de luta de pata de gato, copiado por muitos. Josh tinha aprendido com o mestre, e agora tinha sido presenteado com a sua arma.
— Não tenho como dar para a Bastet os combates que eu sei que ela ama, você não vai se importar de levar minha velha amiga na sua jornada, né?- O tio sorria, mas dava pra ver a dor em abandonar a arma nos seus olhos.
— Você nunca muda! Ainda com essa história de tratar armas como se fossem gente — resmungou Martha.
— Se tivesse passado por tudo que passei, saberia como me sinto. E aposto que nosso garoto vai sentir o mesmo, não é Josh?
— Sim Senhor! — Disse o rapaz, que não conseguia parar de sorrir.
Passos rápidos são ouvidos se aproximando, e um rapaz com o uniforme azul da guarda municipal se fez presente, ele estava claramente sem ar e tinha levado um tiro no ombro.
— Senhor Benjamim, encrenca no cais, piratas acabaram de chegar e estão saqueando tudo! O que a gente faz?
— Você vai sentar aqui e descansar, vou chamar uma ambulância — Martha pegou o telefone e discou o número do hospital
— Então sobrinho, o que acha de se despedir da cidade limpando a sujeira? Dá até pra testar essa belezinha — Josh tinha acabado de colocar a pata de gato na mão e olhou para o tio sorrindo.
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