Soul Angel

18 Não desligue as luzes, eu ainda quero estar aqui.


Notas iniciais
ATENÇÃO - Devido a uma penca de leitores pirando nos comentários, vou me obrigar a dar spoiler de dizer: Gente, a história dos dois não acaba aqui. Tenham em mente que a fanfic é Solangelo :v Então, recado dado, espero ver vocês capítulo que vêm hahaha Esse capítulo é dedicado a Myllena, que fez o desenho de hoje >.< Eu também gostaria de agradecer aos leitores do capítulo passado, mas se eu for um por um hoje vocês vão receber esse capítulo meio tarde! Um abraço!

Por favor, me diga que sou o único

Ou minta, e diga pelo menos essa noite

Tenho uma nova cura para a solidão

E se você me der o que eu quero

Então, eu vou te dar o que você gosta

Quando você apaga as luzes

Vejo estrelas em meus olhos

Isso é amor?

Talvez, algum dia...

Então, não acenda as luzes

Vou te dar o que você gosta

As emoções não são tão difíceis de tomar emprestado

Quando o amor é uma palavra que você nunca aprendeu

E em uma sala cheia de garrafas vazias

Se você não me der o que eu quero

Então, você vai ter o que merece

– Give you what you like, Avril Lavigne.

Capítulo 18 — Não desligue as luzes, eu ainda quero estar aqui.

Nico coçava a marca da maldição de Apolo distraído naquela manhã, sentado em sua cama, enquanto Will penteava os cabelos loiros e bagunçados com uma escova de plástico. Era quase meio dia. Will iria ao hospital buscar os exames e o padrasto, enquanto Nico passaria a tarde na casa de Percy, de molho.

Era engraçado ver como Will falava no telefone com o pai ao mesmo tempo que penteava os cabelos, conseguindo prestar a atenção em ambas as tarefas.

– Sim papai, eu estou pegando o carro agora. O senhor pediu uma cópia de todos os exames? Sim. Sim, claro — e então levantou os olhos para Nico — O papai te mandou um beijo.

– Outro para ele — Nico lhe sorriu de canto.

– Ele está mandando outro — Will falou ao celular, jogando a escova no chão do quarto e indo enfiar as calças — Em que quarto você está?

Nico não havia dormido bem a noite. Ele tivera a impressão que alguém andara sussurrando em seus ouvidos. Mas quando o garoto abria os olhos, não havia nada ali. Pelo menos, nada que ele pudesse enxergar.

Will desligou o telefone e tirou a bateria.

– Vamos, antes que um mostro imbecil apareça — disse ele jogando a bateria pela janela do quarto e pegando outra da mochila.

Nico levantou da cama e se espreguiçou, já vestido.

– Já podemos ir?

– Sim, eu vou pegar as chaves — disse o garoto checando os cabelos no espelho — Sei que você deve estar com sono, quase não dormiu.

Nico levantou as sobrancelhas.

– Como você sabe?

– É porque quando você dormia as luzes começavam a piscar — Will comentou calçando os sapatos, como se esse comportamento fosse absolutamente normal.

– Sério? — Nico se surpreendeu — Que droga, desculpe. Acho que estava tendo pesadelos.

– Tudo bem — Will riu para ele, abrindo a porta do quarto e lhe oferecendo a mão — Confesso que é mais bonitinho quando você começa a ralhar em italiano, mas piscar as luzes da rua é bacana também.

Nico pegou sua mão, e ambos saíram até a sala. Ele pensou sobre o que o garoto dissera. Quando ele ficava nervoso, normalmente a luz em volta dele começava a ser engolida pelas sombras. Mas ele fazer isso dormindo era algo novo. Ele tinha que aprender a controlar esse tipo de coisa.

– As luzes da rua?

Will procurou pela chave da porta enquanto respondia:

– Sim, da rua inteira se quer saber. Hoje de manhã o carro da companhia de eletricidade estava aí na frente, checando os cabos.

– Desculpe — falou Nico saindo pela porta que Will abrira — Eu sei que não devia chamar atenção.

Will retomou sua mão depois de trancar a porta, e ambos desceram as escadas até o apartamento de Percy. Porém, antes de tocar a campainha, Will suspirou.

– Bem, é aqui que nos separamos.

Nico acariciou seu rosto com a ponta dos dedos.

– Logo estaremos juntos — ele prometeu.

Will sorriu.

– Você me faz um favor?

– Qualquer coisa — Nico sorriu para o namorado.

– Você me beija? — Will lhe falou com a maior cara de cachorro sem dono.

Nico revirou os olhos, pondo uma mão em sua cintura, a outra trazendo de leve seus cabelos loiros até o próprio rosto. Então seus lábios se tocaram, e Nico o beijou apaixonadamente. A boca dele tinha o melhor gosto que ele já tinha provado.

Quando ambos se separaram, Will tocou a campainha lhe lançando um olhar malicioso.

– JÁ VAI! — gritou a voz de Percy ali dentro.

Will se encostou no marco da porta enquanto esperava.

– Que horas você volta? — perguntou Nico puxando assunto.

– Não sei, tenho que acertar tudo lá no hospital — comentou Will rodando as contas do colar entre os dedos.

O fato do inverno estar chegando e Will ter começado a usar casacos só o deixava mais bonito ainda. Ele ficava diferente de quando usava bermuda e chinelos. Mas ainda assim era um exagero usar casacos, já que devia estar uns vinte graus na rua.

– Que demora — bufou Will — Que raios ele está fazendo?

Então o barulho das chaves chacoalhando soou contra a porta, e Percy apareceu do outro lado.

– E aí? — ele lhes sorriu.

Nico corou. Will lhe olhou de cima a baixo.

– Jackson, porque você está de roupão? — perguntou Will tentando manter a voz educada.

– Eu estava tomando banho, Solace — rebateu Percy com os olhos semicerrados — Achei que vocês iam vir de manhã, que nem ontem. Mas vocês não vieram, então eu fui tomar banho.

O garoto usava um roupão azul, e o cabelo estava tão molhado que se grudava por todo o rosto. Percy abriu a porta para que Nico passasse.

– Entra aí, eu já estou acabando — comentou Percy.

– Eu voltou outra hora — comentou Nico dando as costas aos dois, mas Will lhe pegou pela blusa e o fez voltar.

– Não, eu vou levar a chave comigo — falou ele lhe recolocando no lugar — Você não é criança, se ele tentar te estuprar é só ligar 911.

Nico corou mais ainda.

– Tá.

Percy riu.

– Andem logo, o sabão está começando a coçar.

Nico entrou, sentindo que tudo que queria era enfiar a cabeça nas sombras para não ter mais que encarar Percy seminu. Will lhe acenou.

– Até mais Nico. Percy.

– Falou Will — despediu-se Percy fechando a porta.

Percy lhe deu um sorriso largo.

– Você nem sabe!

– O quê? — perguntou Nico desejando com todas as forças não estar vermelho.

– Olha só! — falou ele alegre, pegando uma mão de Nico e depositando em seu rosto.

– Viu? — Percy perguntou exultante.

Nico se sentiu incrivelmente incomodado em tocar o rosto de Percy, ou estar em tão próximo de seu rosto. Mas seus olhos verde-ácido esperavam uma resposta, e Nico sentiu um áspero em seu queixo, onde o garoto segurava sua mão. Surpreso, Nico arqueou as sobrancelhas.

– Isso é barba?

– Ahã! — confirmou Percy largando sua mão — É que eu sou um adulto!

Nico não aguentou. A risada veio antes que ele pudesse contê-la.

– Tudo bem, eu vou fingir que acredito.

Percy revirou os olhos.

– Você está com inveja porque não tem.

– Eu não acho que ficaria legal com a minha altura — comentou o garoto se jogando no sofá e ligando o playstation.

– Ah, acho que você ainda cresce — comentou Percy se apoiando na beirada do sofá.

– Óbvio que eu cresço — comentou Nico ofendido — Eu tenho só quinze anos!

– É, de vez em quando eu esqueço — Percy falou distraído — É que na maior parte do tempo você parece mais adulto do que eu.

– Nisso você tem razão — Nico rebateu procurando por algo para jogar entre os cd's de Percy — Mas afinal, nossas vidas costumam ser tão curtas que quanto antes crescermos... melhor.

– É — Percy lhe observou tirar "Soul Calibur" da caixinha.

Nico virou para trás para encará-lo.

– Vêm cá, você não devia estar tomando banho?

Percy levantou as mãos como se rendesse e foi para o banheiro.

– Okay. Já volto.

Nico passou os dez minutos do banho de Percy aprendendo os comandos do jogo. Alguma coisa estranha acontecia com seu braço. As cicatrizes malditas de Apolo ardiam. Então Percy voltou a sala, de bermuda preta e com uma camiseta verde, segurando uma bacia d'água e uma toalha nas mãos. Nico franziu a testa.

– Cadê a outra bacia?

– Você está quase curado, eu pensei que talvez conseguisse dar um jeito de uma vez por todas nisso aí — Percy sentou no sofá a seu lado e cruzou as pernas — Tire a blusa.

Nico enrubesceu.

– Não!

– Sinto muito! — falou Percy irritado — Mas eu só vou conseguir se você colaborar!

– Não, vá pro inferno — falou Nico desviando o rosto vermelho.

– Que droga Nico, eu já vi você sem camisa! — e então pegou o telefone do gancho e atirou no garoto — Se eu te estuprar é 911.

Nico achou que o sangue iria começar a escorrer de seu nariz se ele ficasse mais vermelho. Então aquela voz perturbadora soou novamente eu seus ouvidos.

"Obedeça."

Nico então respondeu mentalmente à voz:

"Não. E se você for minha consciência, pode ir pro inferno também."

"Eu não sou sua consciência"

"Vá de qualquer forma"

Percy lhe fez uma careta.

E então a voz lhe esfregou um monte de imagens na cabeça. Todas de Percy. Todas vistas há tantos anos atrás, com seus olhos impressionáveis de garoto. Nico tirou a blusa, ainda confuso do motivo pela qual obedecera.

Percy lhe sorriu.

– Pronto. Seus pontos estão bem melhores — comentou o garoto limpando-os com o pano — Olhe, eles estão caindo!

E realmente, onde Percy encostava a ferida se fechava por completo, cuspindo os pontos e deixando uma cicatriz fina no lugar.

– Devo estar ficando maluco — Nico murmurou.

– Quê? — perguntou Percy distraído.

– Nada.

O que Percy pensaria dele se soubesse que ele andava dormindo tão mal que estava ouvindo vozes até quando estava acordado? Então Percy mergulhou o pano na bacia outra vez.

– Levante a barra da calça na perna direita pra mim terminar com isso aí — Percy falou levantando e dando a volta na mesinha de centro.

Nico puxou a barra da calça para que revelasse o grande hematoma arroxeado ali. Então Percy passou a toalha em sua perna, e a mancha foi sumindo como se fosse alguma sujeira.

– Se segure aí, eu vou tentar colar o seu osso de uma vez por todas — disse Percy.

Nico não teve nem tempo de perguntar: "O quê?"

No mesmo segundo seu osso fez um estalo dolorido.

– Figlio di una cagna, si brucerà tra le fiamme dell'inferno per sempre!

Percy riu:

– Não tenho ideia do que você disse, mas eu te amo também.

Nico agarrou a perna, o mundo ainda girando por causa da dor. Percy levantou e levou a bacia até a cozinha.

– Coloque na tv para a gente assistir.

Nico bufou, e então catou o controle remoto em cima da mesinha de centro e trocou do playstation para a tv. Percy voltou e se atirou no sofá a seu lado.

– Que filme é esse?

– O retrato de Dorian Gray — Nico leu na legenda.

– Nunca vi, mas o ator é bem bonito — comentou ele.

Nico lhe olhou como se o garoto fosse um alienígena.

– O quê você disse?

Percy corou um pouco.

– Ué. O ator. É bonito.

Nico assentiu meio perturbado. A voz voltou a incomodá-lo.

"Você ainda tem chance"

Então Nico sacudiu a cabeça de leve, tentando ignorá-la. O ator tinha cabelos negros e compridos. Nico tentou não pensar nisso.

"Você sabe que nunca o esqueceu. Você pode mentir para si mesmo. Mas não para mim"

Percy encostou a cabeça no sofá, olhando a tv distraído. Nico era só uma criança outra vez. E Percy... Percy estava ali na sua frente. Lindo. Desejável. E longe do seu alcance.

"Ele quer você. É só você pedir"

Percy lhe fixou o olhar e sorriu.

– Porque está me encarando?

Nico deu de ombros e virou a cabeça para mirar a tv. Seu coração estava a mil. Então viu que o ator se agarrava com um outro homem na televisão.

– Podemos trocar? — perguntou Nico tenso.

– Porque? — Percy perguntou surpreso.

– Eu não sei, não quero ver isso.

Percy se sentou melhor.

– Sabe, de vez em quando eu acho que você tem alguns preconceitos.

Nico sacudiu a cabeça negativamente.

– Não é isso.

"Ele pode ser seu. O grande Percy Jackson o quer. Ele pode ser seu"

E mais imagens inundaram sua mente. Percy o salvando do Dr. Espinheiro. Percy voando em seu pégaso para ir salvar sua irmã. Percy saindo do rio Estige de pé, como um perfeito herói. Absurdamente perfeito.

Naquele momento, as lembranças se tornaram insuportáveis. O coração de Nico deu um solavanco. Ele se sentia sujo. O pior dos fantasmas. Uma mania. Não havia ninguém menor que ele no mundo. Ninguém pior.

– Me beije — falou ele encarando Percy nos olhos verdes.

O garoto ficou em silêncio por um momento. A marca em seu braço parecia ser feita de fogo. Então Percy gaguejou:

– Mas... mas... e o...

"Continue"

Nico colocou uma mão sobre seus lábios, se ajoelhando no sofá à sua frente.

– Shhh. Não importa nada. Não agora.

Percy parecia estar tendo um aneurisma. O garoto parecia absolutamente sem reação.

– Você tem um momento para decidir. Eu quero você. Agora.

Percy fez que não com a cabeça. Parecia muito confuso.

– Eu... Não posso deixar você...

"Convença-o. Agora"

– Percy. Me beije — Nico falou chegando bem perto de seu rosto, sentindo que todo o minuto que sofrera por ele seria compensado.

Então Percy fechou os olhos, e chegou mais perto. Finalmente, seus lábios estavam nos dele. Queimando. O gosto da sua boca era exatamente como o garoto havia imaginado. Mas nada se comparava ao frio na barriga de ter realizado seu desejo. Só então ele pode ver o quanto isso o frustrara, todos esses anos. Os lábios de Percy deslizavam pelos dele. As mãos do garoto apertavam sua cintura. Suas línguas disputavam uma luta selvagem em suas bocas. Não havia volta. Não havia perdão. E ele se arrependia a cada segundo.

– Nico, você tem certeza? — Percy perguntou em seu ouvido, ofegante.

E ele não tinha. Ele queria parar. E ao mesmo tempo queria muito continuar.

"Se parar agora, vai ficar o resto da vida imaginando o que teria sido"

Então Nico o calou com seus lábios. Se ele não tinha respostas para suas perguntas, então não havia sentido em ouvi-las. Puxou a camiseta do mais velho para cima, sentindo seu corpo. E ele tinha pensado nisso tantas vezes...

– Não aqui — murmurou Percy entre seus beijos.

Então ele levantou, puxando Nico consigo, caminhando de costas até seu quarto. No escuro, Nico sentiu-se diferente. Ele costumava ser o que controlava. O que estava no comando. Mas ali com Percy, ele estava completamente sob seu controle. Era completamente diferente.

Percy o deitou na cama devagar, traçando um caminho de beijos pelo seu corpo. Então começou a desabotoar suas calças.

A cada vez que Nico apertava as beiradas da cama, cada vez que Percy gemia baixinho em seu ouvido, cada vez em que o garoto lhe abraçava mais forte, ele podia sentir-se vitorioso, e ao mesmo tempo vazio. Então ele procurava seu lábios outra vez.

Alguma coisa faltava ali. Ele tinha o desejo. Tinha a vontade. Mas ele não tinha seu amor. Ele também não o amava. Aquilo era pura paixão, queimando entre os dois enquanto seus corpos se enroscavam como cobras.

Era doentio. E era estranho. E era tão bom enquanto durasse!

Durante muito tempo, Nico desfrutou o prazer dos braços de Percy em volta dele. De seu corpo em cima do seu. E ele fingiu. Fingiu que Percy o amava. Fingiu que estava feliz com isso. E então, Percy caiu cansado ao seu lado. E no mesmo momento, Nico teve vontade de chorar.

"Isso"– a voz comemorou.

"Olhe o que você fez comigo"– Nico se sentou na cama, abraçando as próprias pernas.

"Eu? Eu não fiz nada com você, Nico. Eu não tenho o poder de interferir meu querido. Eu só o instiguei. Você só pode culpar a si mesmo."

E então Nico soltou um grito de dor. A marca em seu braço ardeu como se ele tivesse sido amputado ali. Percy se sentou ao seu lado e segurou seu braço apavorado. Ali linhas vermelhas haviam se tornado negras, como se algo tivesse se enraizado no local. Enfim ele entendeu as palavras em seu braço. Reluzindo na claridade fraca que perpassava as cortinas, estava a palavra "EROS".

– Nico, seu braço! — Percy falou apavorado.

– Eu sei — Nico falou com a voz dura — Por favor. Se vista.

Percy não discutiu, apenas enfiou a bermuda outra vez. Nico enfiou a cueca e as calças, e então começou a buscar a camisa.

– Me desculpe — falou Nico vazio.

– Bem... Você não precisa se desculpar — Percy falou encabulado — Eu... Eu também...

Nico assentiu, virando a blusa do lado certo.

– A marca. Eu fui estúpido. Eu não vi. Apolo fez com que Eros me influenciasse — Nico falou entredentes, as lágrimas de vergonha queimando-o — Mas não foi por isso que eu fiquei com você.

Nico se virou e o encarou. Percy parecia muito confuso.

– Eu sou apaixonado por você. Dane-se, agora mentir não importa mais.

– Eu também — Percy levantou da cama e chegou perto dele — Nós podemos dar um jeito, Nico!

Nico levantou um dedo para que Percy o deixasse falar. As lágrimas amargas queimavam mais que a agonia em seu braço. Mas não importava. Ele merecia cada momento da vergonha.

– Eu sou apaixonado por você. Mas eu amo Will. Eu sei que você também gosta de mim. Mas você ama Annabeth. Não é pra ser.

Nico saiu do quarto, tentou vestir a camisa, mas suas mãos tremiam demais. Percy segurou seu braço. Parecia a beira de lágrimas também.

– Isso é tão injusto! Porque nós temos que gostar de mais do que uma pessoa ao mesmo tempo? Eu gosto de você! Depois... Depois do que nós passamos aqui, agora.

Nico pestanejou, tentando fazer com que as lágrimas saíssem de uma vez. Então fixou seu olhar.

– Percy, esqueça isso. Porque entre mim e ela, sempre seria ela. Para de mentir para si mesmo.

Uma lágrima solitária escapou de seus olhos verdes, mas Percy a limpou antes que escorresse.

– Você... Você pode me beijar uma última vez?

Nico assentiu, suspirando. Depois de tudo o que acontecera, que mau faria?

Então Nico o beijou, e o gosto de suas lágrimas salgadas de misturou. Nico tentou por muitas coisas não ditas naquele beijo. Tentou dizer adeus.

Mas então a porta se abriu, e ambos se separaram.

Will estava com o rosto vermelho e muito inchado, lhe encarando confuso.

– Nico? Percy? O que está acontecendo?

Nico sentiu a marca esfriar em seu braço. A maldição devia ter se completado. E ele estava com muito, muito medo. Apolo tinha conseguido. Eros tinha conseguido. Ele não tinha mais nada.

– Will? Will meu amor — sua voz falhava — Não... Não é nada.

Percy pareceu ter levado um soco. Nico chegou mais perto de Will, que encarava a cena ainda parecendo muito incrédulo. Mas quando Nico tentou tocá-lo, o garoto se assustou. E sua ficha pareceu cair.

– Vocês... Vocês dois...

Seus olhos azuis se marejaram de lágrimas. Ele se segurou no trinco da porta, parecendo sem chão, então todo seu corpo se sacudiu num choro agoniante e dolorido. Nico entrou em pavor. Todo seu ser queria acalmá-lo, dizer que não era verdade. Mas ele não podia. Então Nico tentou tocá-lo outra vez.

– NÃO! — Will gritou para ele, se afastando.

E Nico sentiu seu coração se partir outra vez, olhando o ódio nos olhos de Will Solace.

– Eu confiei em você! Eu amei você! — Will falou desesperado — Você é igual a todos os outros!

– Não! — Nico tentou lhe abraçar, mas Will o empurrou para trás, e o garoto caiu no chão.

– Will, não foi culpa dele — Percy se colocou em sua frente — Foi minha! Fui eu quem...

Mas Percy não teve tempo de completar a frase. Will virou sua cara com um soco. Percy cambaleou para trás, tonto.

Will era a visão da infelicidade. Ele fixou seus olhos em Nico, que o encarava do chão, e começou a gritar descontrolado, chorando e soluçando.

– Seu traírazinho, você sabia de tudo que ia acontecer, não sabia?

– Eu não sabia Will, eu juro– Nico chorou de volta.

E agora meu pai está morto!– a voz de Will se quebrou em um uivo de dor - E você sabia disso! Você pode sentir quando as pessoas estão morrendo!

Nico sentiu que estava tentando engolir um tijolo de gelo estígio. Não podia ser verdade. Ele devia estar mentindo. Ele tinha que estar mentindo.

– O seu pai...

– MORREU! — Will berrou chorando e tremendo — MORREU, NA MINHA FRENTE!

Nico queria morrer também, afundar na terra fria para sempre. Não havia motivos para continuar ali. Tudo se fora. Nada seria igual. Will o odiava, Percy não o amava, e o Sr. Johnson estava morto. Ele sentiu todo o seu corpo sacudir em dor e pesar.

– Ele teve um ataque cardíaco na minha frente — Will falou com a voz meio morta, o choro cessando — Pensei que de todas as pessoas, era para você que eu deveria voltar.

Will lhe olhou com desprezo.

– Mas você nunca me amou. Você sempre preferiu à ele. Eu nunca fui o heirói que você quis.

E então virou as costas e saiu do apartamento de Percy.

– Não! Will! — Nico se levantou cambaleando, e correu atrás dele pelas escadas.

O alcançou quando o garoto já estava entrando no carro.

– Will, Will, por favor, não me deixe– Nico se agarrou em suas roupas desesperado, tentando segurá-lo a qualquer custo.

Will lhe fixou o olhar.

– Eu não tenho ninguém aqui. Eu estou indo. Vá embora Nico. Pra bem longe. Eu nunca mais quero ver você outra vez.

Para Nico foi o suficiente. A luz da rua pareceu virar noite, mesmo sendo de tarde. Um poço de escuridão circundou seus pés, e a última coisa que ele pode sentir foi seu próprio sofrimento, enquanto as trevas o engoliam e o levavam para longe dali.

Notas finais
Pra você aí que vai me chamar de 40000 nomes diferentes nos comentários, uma dica: DÊ UMA PASSADA NA FANFIC SOLANGELO MARAVILHOSA DA LOGAIA!!!! EU ME APAIXONEI! VOCÊ VAI AMAR TAMBÉM!!! http://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-os-herois-do-olimpo-when-the-day-met-the-night-2878517