Soul Angel

4 De quem somos


Notas iniciais
Arrumei o problema no Word! Desculpem o atraso do cap, fazer fanarts e escrever ao mesmo tempo não é fácil! Boa leitura!

Capítulo 4 — De quem somos.

Nico sentia que sua cabeça ia explodir assim que recuperou a consciência. Ele não abriu os olhos à princípio, eles estavam pesados e doíam um pouco com a luz que iluminava suas pálpebras. Depois de um tempo se concentrando em amenizar a dor de cabeça, ele começou a se preocupar em lembrar do que tinha acontecido no dia anterior. Tentou começar numa retrospectiva. Como tinha chegado ali? E melhor, onde ele estava? Nico abriu os olhos. Estava em sua cama, no seu quarto. Estava coberto com seu edredom. E estava com a blusa vermelha de Will Solace.

Seu coração palpitou enquanto ele tentava lembrar do que acontecera. Mas ele só lembrava do que aconteceu logo depois daquele estúpido desafio que Dante dera a Will. E o que acontecera... Nico enrubesceu e se sentou na cama, esfregando os olhos. Ele se lembrava que nada tinha importado depois que Will o havia beijado. Pois ele começou a querer mais. Querer que nunca mais se separassem. Que ele nunca mais tivesse que deixar seu abraço para enfrentar os que estavam fora dele. E então, ele lembrou de Will se levantando e lhe estendendo a mão, lhe guiando para o canto da bunker, onde eles puderam ficar mais sozinhos.

E se lembrou de sentir os músculos de seu peito nu, sua boca em seu pescoço, e o melhor, em sua própria boca. Um arrepio gelado percorreu suas veias quando ele lembrou disso. Nico jamais tinha sido beijado antes. E era muito melhor do que ele poderia ter imaginado. O perfume de Solace, seu cheiro... deuses... Ele lembrou de como se sentiu excitado, de como sentiu desejo naquela noite. E ainda assim, não lembrava mais de nada. Ele precisava saber tudo o que realmente acontecera naquela noite. O problema é que só tinha uma pessoa que poderia contar isso a ele. Uma pessoa que se ele olhasse nos olhos, tinha certeza que ficaria tão vermelho que começaria a sair sangue pelas orelhas.

E com um aperto no coração, ele sorriu. O sorriso mais feliz que ele lembrava de ter dado. Ele sentia alguma coisa boa quando lembrava disso. Ele se sentia bem. E de repente, com um arroubo de coragem e com aquela repentina felicidade, ele sentiu um desejo muito forte de ver Will Solace. Ele pulou da cama rapidamente, vestiu a camiseta do acampamento que ele o havia dado, calçou suas botas e saiu. Praticamente correu pela trilha que levava até as tendas, e quando finalmente entrou na tenda para qual Will tinha sido designado com um sorriso ofegante no rosto pela corrida, viu que não era somente Will que estava ali. Jason também estava.

Nico ficou bem confuso por um instante. Ao que parecia, Jason estava sentado em um catre enquanto Will segurava seu braço. Nico não pode ver mais, porque Will estava na frente. E sem saber o porquê, ficou meio incomodado que Will segurasse o braço de Jason. Isso meio que lembrava o pesadelo que ele tinha.

Então Jason ergueu os olhos.

– Ei Nico, tudo bom?

Will se virou. Estava com luvas cirúrgicas e um algodão ensanguentado na mão. Estava limpando um corte no braço de Jason.

– Nico! — Will lhe abriu um grande sorriso — Pensei em ir te ver quando terminasse aqui, mas olha aqui você!

Nico continuava meio incomodado.

– O que é isso? — ele apontou para os dois.

– Eu me cortei — falou Jason, de olho no algodão com que Will voltou a limpar seu corte.

– Na verdade não foi você que se cortou — comentou Will jogando o algodão no lixo e pegando uma atadura.

– É — falou Jason revirando os olhos — Annabeth se empolgou na captura da bandeira essa manhã. Sentimos sua falta no jogo — ele falou olhando para Nico.

– Na próxima eu levo ele — comentou Will disperso, juntando as laterais do corte e enrolando a atadura em volta do braço de Jason.

Nico sentiu que era a hora de pedir desculpas a Jason, embora não quisesse que Solace soubesse o motivo da discussão.

– Hã... Jason, eu queria pedir desculpas. Acho que eu fiquei muito bravo com você, mas acho que você não tinha intenção de me ofender — ele se balançou na ponta dos pés sem encará-lo — Eu não devia tê-lo deixado falando sozinho.

– Tudo bem, são águas passadas — Jason sorriu e acenou com a mão, dispensando sua preocupação — Mas eu realmente gostaria que da próxima você não ficasse furioso comigo quando eu estou sendo sincero com você.

Nico corou e assentiu.

– É isso — disse Will, e Jason pulou do catre.

– Obrigado Will — ele deu um tapinha no braço de Will — Nico.

E então pegou sua espada em cima da mesa e saiu da tenda, o deixando sozinho com Will. O garoto não pareceu ficar aborrecido com isso, pelo contrário, se encostou no balcão de ferramentas e lhe abriu os braços sorrindo. Nico hesitou, fazendo Will olhar para seus próprios braços.

– O que foi? Ah, tudo bem, sangue. Eu vou lavar — e ligou torneira do balcão e começou a lavar os braços.

Não foi por isso que Nico hesitou. Mas então Will voltou a mirá-lo, se limpando com um punhado de toalhas de papel. Nico sentiu que devia perguntar antes que Will o tentasse abraçar de novo.

– Will, eu tenho que te perguntar uma coisa — ele falou hesitante.

– Pode dizer — ele falou, jogando as toalhas de papel no lixo.

– Eu prefiro não falar aqui.

Will levantou os olhos e o encarou. Nico fixou seu olhar.

– Tudo bem, a gente pode conversar perto do rio, ninguém vai estar por lá essa hora.

Ele pegou seu arco que estava encostado no balcão e fez um sinal pra que Nico lhe acompanhasse até fora da tenda. Eles andaram em silêncio pela trilha até o rio. Will de vez em quando parava para mirar em algum pássaro, mas quando parecia estar com a mira perfeita, ele baixava o arco e seguia em frente. Na terceira vez, Nico decidiu perguntar.

– Porquê você está mirando e não atira? — perguntou Nico o observando mirar em uma pardal gordo.

– É simples — disse ele concentrado, o olho nem piscava enquanto ele ajustava a mira.

E então baixou de novo o arco.

– Se eu atirar você vai sentir.

Nico se sentiu surpreso e grato ao mesmo tempo.

– Como você sabe?

– A gente escuta umas história por aí — ele jogou o arco nas costas — Mas de qualquer forma é melhor treinar a minha mira, fiquei muito tempo naquela tenda ajudando as pessoas.

E então chegaram na última árvore antes do rio, uma macieira solitária em cima de um barranco. Will retirou novamente o arco e mirou numa maçã. Atirou duas vezes, fazendo com as duas caíssem. Pegou uma pelo cabo e ofereceu ao garoto, sentando-se à sombra da árvore.

– Suponho que não sinta as frutas partindo?

– É, você está certo — ele sorriu de canto, pegando a flecha com a maçã espetada.

Nico sentou-se ao seu lado e tirou a maçã do cabo da flecha.

– Você não sabe fazer isso — Esnobou-se Will de boca cheia.

– O quê, derrubar maçãs? — ele perguntou ironicamente — Seus poderes me assustam Solace.

Will revirou os olhos.

– Não, pegar coisas que estão no alto. O que você faria? Jogaria sua espada lá em cima? — ele mordeu a maçã outra vez — Baixinho.

Nico o encarou atônito por um momento. Então uma maçã do topo da árvore foi engolida pela sombra das folhas, pulando com um sonoro "pop" da sombra da árvore no chão. Nico a pegou no ar e a mordeu.

Will o encarou com os olhos semicerrados e um sorriso malicioso.

–Tudo bem, você venceu. Dessa vez. O que ia me falar?

Nico revirou a maçã nas mãos.

– Eu bem não sei por onde começar.

Will se espreguiçou despreocupado, deitando-se na grama ao seu lado.

– Quer falar sobre ontem?

Nico ficou quieto. Não sabia realmente como perguntar aquilo pra ele. Para sua surpresa, Will estava sorrindo.

– Você é sempre tão melancólico.

E então Nico pode apreciar como Will era bonito em sua preguiça, seu rosto iluminado pelos filetes dos raios de sol que conseguiam escapar entre as folhas das árvores. Ele desviou os olhos de seu sorriso.

– Você é que acha que tudo é tão fácil.

Will puxou a barra de sua calça para chamar sua atenção.

– Quer falar sobre como te beijei?

Nico enrubesceu.

– Por favor.

– Por favor o quê?

– Por favor, já é bem difícil sem a sua espontaneidade.

– Desculpe.

Nico respirou fundo.

– Você gostou? — Will perguntou sorrindo.

Nico corou mais ainda.

– Sim, Will.

– Que bom. Eu também gostei — e pegou sua mão.

Nico não a largou.

– Eu queria saber o que aconteceu depois... disso.

Will levantou as sobrancelhas.

– Você não se lembra?

– Não.

Will colocou a mão sobre os olhos para cobrir o sol.

– Bem, você não parecia estar muito bem, então eu segurei você no colo até o fim da festa, claro mas não antes da gente se beijar bastante — Nico corou outra vez, Will sorriu, mesmo não enxergando seu rosto — Depois eu te levei para o seu chalé. Eu não achei a sua blusa, então eu coloquei a minha em você. Você parecia estar com frio, então eu peguei um cobertor no seu armário para te tapar. Depois fui pro meu chalé. Não me aproveitei de você se é que está pensando.

– Eu não pensei isso — Nico falou mortificadamente rubro.

– Pensou sim.

– Não pensei não!

– Claro que pensou — ele sorriu.

Nico encarou seu rosto sorridente, escondido pelo braço. Então largou sua mão e passou os dedos entre seus cabelos dourados. Will se arrepiou um pouco.

– Isso é muito bom.

Nico olhou para o sol no alto. Depois para o rio azul e límpido a sua frente. Ele estava seguindo em frente.

– E então, como vai ser? — perguntou Will.

– O que quer dizer? — perguntou Nico disperso.

– Você gosta de garotos ou de garotas?

– Desde que nunca beijei uma garota, acho que... — e ele sentiu que era hora de aceitar isso em voz alta, pelo menos para si mesmo — Acho que eu gosto de garotos sim.

– Você acha? — a voz de Will soou meio ofendida do seu lado — Pensei que te amassar todo com todo meu charme de Apolo era o suficiente pra tirar esse "acho".

E Nico não pode evitar corar outra vez.

– Tudo bem. Eu gosto de garotos.

– Com "S" no final?

– Não fique muito confiante Solace.

– Vou ter que tirar muitos da jogada então? — e se arrepiou quando Nico lhe afagou a nuca.

Ele não lhe respondeu.

– As vezes eu gostaria de saber o quê você está pensando — comentou Will.

Ficava bem mais fácil olhar para o seu rosto quando Will estava com os olhos tapados. Ficava muito mais fácil chegar mais perto. E Nico chegou. Ele se curvou até onde o rosto do garoto estava deitado preguiçosamente na grama, e o beijou. Will se sobressaltou, mas logo parou, colocando uma mão do lado do rosto de Nico.

Nico movimentou seus lábios nos dele, pondo sua cabeça no colo. Quando Nico se afastou, Will lhe abriu um sorriso.

– Bem, estamos começando a nos entender.

Nico revirou os olhos, sorrindo de canto, e voltou a afagar seus cabelos. Will fechou os olhos de novo. Nico viu os pelos claros de seu braço se arrepiarem.

– Posso perguntar uma coisa? — Will falou.

– Desde quando você precisa da minha permissão para me encher de perguntas impertinentes?

Will ignorou o comentário.

– Você gosta de mim?

– Eu adoro você — Nico respondeu.

– Não desse jeito — ele bufou — Isso eu sei. Acho que a pergunta é: Você me acha atraente?

De todas as perguntas estúpidas que Solace poderia fazer, essa devia ser a mais estúpida da lista. Will era simplesmente muito bonito. Mesmo desleixado, era esbelto, loiro, a pele queimada do sol e com alguns músculos que adquirira recentemente.

– Vocês filhos de Apolo não tem espelho em casa? — Nico retrucou um pouco indignado.

– Como assim? — Will abriu os olhos para lhe lançar um olhar cortante.

– Ah, por favor. Você é lindo — ele respondeu um pouco grosseiramente.

– Porque está falando assim comigo di Angelo? — ele franziu as sobrancelhas.

– Porque você me vem com essa pergunta idiota, sendo que sabe que é um dos cara mais... Bem, você entendeu. Sendo que é completamente óbvio. E eu ainda me presto para responder, sendo que eu é que me pergunto o que você viu em mim.

Will pegou seu queixo com uma das mãos e forçou a olhá-lo. Com certeza ia falar algumas coisa irritantemente simpática.

– Você é tão burro.

Nico sentiu vontade de empurrar Will ladeira abaixo até o rio.

– Ah sou é? — ele começou a sentir a raiva subindo.

– Sim. Você é burro feito um jumento. Eu estou bem longe de ser um dos caras mas bonitos desse lugar. Mas você... Você é diferente de todo mundo Nico, isso é o quê faz de você tão especial. Você é quieto, todo misterioso com esses seus não-me-toques, e além de tudo, você é muito bonito. Acho que ainda não se deu conta do quanto você cresceu — Will o encarou nos olhos — Eu nunca me senti tão atraído por alguém como eu me sinto com você.

Nico tentou desviar o rosto de seu olhar, mas Will segurou seu rosto no lugar.

– Ei, não desvie o olhar. Lide com isso.

E uma pergunta veio antes que ele pudesse contê-la.

– Will... Aquelas pessoas que estavam lá... E viram... Vocês acham que elas vão contar para os outros?

Will pareceu ficar rígido em seu colo. Quando respondeu, sua voz estava mais fria.

– Não sei. Porquê?

– É que ninguém nunca soube, entende? Eu fico com medo do que os outros falariam e... Ei, aonde você vai?

Will se levantara e pegou seu arco.

– Embora.

– Porquê? — Nico perguntou atônito.

O garoto se virou para responder, então viu que seu rosto parecia bem magoado.

– Porque você tem vergonha de mim.

Nico ficou paralisado. E então Will se virou e começou a voltar pela trilha. Ele se levantou rapidamente e correu atrás dele.

– Will, espera — ele pegou seu braço.

– O quê é Nico? — ele perguntou, o rosto visivelmente ofendido — Largue o meu braço, alguém pode ver e tirar as conclusões erradas sobre você.

E Nico nunca se sentiu tão confuso na vida. Queria com todas as forças mostrar a Will que não tinha vergonha dele. Mas o que as palavras que o garoto lhe dizia tinham um sentido, embora parecessem tão erradas.

– Não é você que eu tenho vergonha, não seja estúpido! — Nico falou com a voz elevada.

– Ha ha ha, de quem você tem vergonha então? — ele deu uma risada falhada e sem felicidade nenhuma.

– De mim! — Nico largou seu braço — De mim! Que devia ser o filho perfeito para meu pai! Que não devia ser... — Nico engasgou com as palavras. Ele não ia chorar na frente dele.

– O quê Nico? Fale pra mim! Fale, fale o que eu sou! — Will rebateu quase gritando.

– Pare está bem? — Nico apontou para ele — Você não sabe o que é todo mundo te desprezar, não suportar sua presença! Você é filho de Apolo! Me diz quem se importa comigo?

– Eu me importo — ele gritou, batendo no peito — Eu me importo com você, eu não te desprezo, pelo contrário, eu quero a sua presença! E é com a opinião das pessoas que não gostam de você que você se preocupa?

Nico lhe virou as costas. Sentiu as lágrimas queimar sua face. Solace não veria isso. Que fosse embora.

Então Nico sentiu que ele o abraçava.

– Seu pai nunca faria isso com você. A maioria dos campistas não ia se importar. Se você ao menos deixasse que os outros se aproximassem de você... Você não é mais afeminado do que qualquer outro garoto porque gosta de outro garoto. Você não deve ter vergonha de quem você é.

E puxou seu ombro para que o garoto o encarasse.

– De quem somos.

Notas finais
Ih, agora o Will vai querer que o Nico se assuma. E agora? Lembrando que quem quiser ver as fanarts é só seguir brunagonda.tumblr.com