Soul Angel
17 A calmaria antes da tempestade.
Notas iniciais
É assim que eu demonstro o meu amor
Eu criei isso na minha mente porque
Eu culpo o meu Distúrbio de Déficit de Atenção, querido
É assim que um anjo morre
Eu culpo o meu próprio orgulho doentio
Culpe o meu Distúrbio de Déficit de Atenção, querido
– Sail, Awolnation

Capítulo 17: A calmaria antes da tempestade.
Will Solace e Nico di Angelo estavam na cozinha. Will lavava a louça assoviando desafinado, enquanto Nico cutucava um ovo frito na frigideira. Finalmente o Sr. Johnson havia consertado o relógio, e ambos puderam acordar às dez horas da manhã. Agora, dez e meia, o almoço estava quase pronto. E o melhor de tudo: pela primeira vez em muitos dias, adiantado.
Os bifes com batatas já estavam prontos e esfriando em cima da mesa, preparados por Will. Aliás, o garoto era surpreendentemente um excelente cozinheiro. Seus tacos eram realmente impressionantes. De fato, ele era uma dona de casa perfeita. Seu quarto podia ser uma bagunça medonha de livros de medicina, desenhos anatômicos e revistinhas da DC Comics, mas o resto da casa simplesmente brilhava, e era sempre Will quem limpava. Nico não entendia muito dessas coisas, pois a maior parte da vida ele passara em um cassino.
Will riu fechou a torneira, indo até ele:
– Meu amor, está faltando óleo, é por isso que está grudando em baixo — ele lhe deu um beijo estalado na bochecha e retirou a colher de suas mãos — Deixe que eu termino isso, está bem?
Nico ficou o observando pegar a garrafa de óleo e colocar mais na frigideira.
– É, nem um ovo frito eu sei fazer — Nico reclamou prendendo os cabelos em um rabo de cavalo.
– Ainda bem que você tem a mim, ou ia morrer de fome — Will comentou com as sobrancelhas erguidas.
Nico catou o sal no armário e colocou em cima da mesa.
– Está pronto — Will limpou as mãos no pano de prato e virou-se para ele — Vá chamar o papai, por favor.
Então o garoto coçou o braço distraído, e Will fez uma careta ao rever as linhas vermelhas e brilhantes gravadas fundas em sua pele.
– Você sabe o que isso quer dizer? — Will perguntou apontando hesitante para a marca.
– Não — respondeu Nico encarando o Ἔρως" em seu braço — Na verdade eu ia perguntar para você, já que você é que entende dessas coisas.
Will acariciou a marca com a ponta dos dedos.
– Não. Algumas marcas só tem significado depois que a maldição se completa. Talvez você só entenda quando algo acontecer — Will comentou de um jeito macabro.
Nico revirou os olhos.
– É realmente um consolo. Vou chamar o seu pai.
Então deu a volta para sair da cozinha, batendo de cara na protuberante pança do Sr. Johnson.
– Ei, filho. Pode se sentar que eu já cheguei.
Mas havia algo estranho. O padrasto de Will sempre estava com um sorriso no rosto. Só que desta vez, sua expressão era uma mescla de seriedade e infelicidade. Will foi até ele e tocou em seu braço de forma tranquilizadora:
– Pai? Está tudo bem? O que houve? — perguntou o garoto nervoso.
– Ah, vocês notaram — O Sr. Johnson suspirou meio culpado — Sinto muito, eu não queria incomodar com os meus problemas, afinal, vocês já tem tantos.
– Pai, nós sempre vamos querer saber! Afinal, o que aconteceu?
O padrasto de Will se sentou com alguma dificuldade na cadeira, e então Nico viu que seus olhos estavam brilhantes. Algo estava errado com ele. Ele podia sentir. O homem remexeu as mãos parecendo nervoso.
– Bem, faz um tempo que eu estava para falar... Eu ando me sentindo meio indisposto... Eu sabia que você ia ficar pirado, querido, por isso não falei nada. Não é nada aliás — ele se apressou a dizer quando a boca de Will se escancarou — É só que eu ando tendo uns probleminhas de pressão alta e...
– Probleminhas? — a voz de Will tremeu.
– É... — o Sr. Johnson continuou cuidadosamente — Eu fui no médico, ele disse que é... Hipertensão, essa é a palavra!
– Como é que você não me avisou? — Will perguntou, a voz subindo uma oitava.
– Ah, querido. Eu cheguei e vi... Aquele homem aqui... Eu sabia que você já tinha muito na cabeça.
– Pai, é a sua saúde! — Will reclamou indignado — O senhor tem o dever de me falar!
– O que o médico disse ao senhor? — perguntou Nico.
O Sr. Johnson bufou.
– Tudo bem. Eu falo. Mas se sentem. Vamos comer enquanto isso, ou vai esfriar — Disse ele apontando para as cadeiras.
Will e Nico se sentaram, mas o prato ficou intocado em suas frentes.
– Como eu disse, eu ando meio indisposto. Eu acho que vou precisar ir para o hospital hoje para fazer mais exames, mas o problema é que eu acho que vou ter que ficar lá até que eles terminem.
– Mas é claro que o senhor tem que ir! — Will falou escandalizado.
O pai de Will remexeu as mãos nervosamente outra vez.
– Eu não posso deixar a loja meu filho. Se eu não abri-la, então as nossas contas não se pagam.
– Eu posso ficar na loja por você! — Will rebateu.
– Sim, mas e o Nico? — disse o homem apontando o garfo para Nico — Ele precisa de cuidados, acabou de ser atropelado!
– Eu não preciso mais, estou bem, meus ossos nem doem mais — Nico falou. Era mentira, mas se o pai de Will precisava deles, então o garoto aguentaria a dor de bom grado.
Will sacudiu a cabeça negativamente, mordendo o lábio.
– Não. Você tem que continuar se curando — e então lhe mirou, os olhos azuis fixos — Eu vou para a loja, meu pai vai para o hospital. Sinto muito Nico. Você vai aceitar o convite de Percy para passar a tarde na casa dele.
Nico sacudiu a cabeça negativamente de leve, a boca aberta:
– Não! Não, eu quero dizer... Eu estou bem, posso ir te ajudar na loja!
Então uma voz estranha e persuasiva soou em sua cabeça: "aceite". O garoto sacudiu a cabeça confuso.
– É o único jeito Nico. Os seus pontos ainda não fecharam. Se você parar de ir, então seu osso vai quebrar outra vez — e então Will se virou para o pai — Vamos almoçar pai. Eu levo o senhor no hospital depois do almoço.
Não foi o almoço mais feliz que Nico tivera. Todos comeram em um silêncio constrangedor e preocupado. Depois, Will foi buscar um casaco no quarto antes de sair, deixando Nico e o padrasto na cozinha. O homem o mirou de esguelha assim que Will saiu.
– Apolo engrossou muito com vocês?
Nico deu de ombros.
– Nem importa. Ele disse que não devíamos ficar juntos. Que não era o certo.
– Por vocês serem homens? — o Sr. Johnson pareceu indignado.
– Não, por sermos opostos ou algo assim — Nico comentou girando a aliança no dedo — Ele é um idiota.
O homem assentiu.
– Vocês se amam, é o que importa. Não é?
– Sim — Nico assentiu sem ter muita certeza.
E se Will realmente corresse perigo? A última noite fora apenas uma mistura insana de pesadelos sobre o assunto. O Sr. Johnson coçou a cabeça careca em cima com alguns cabelos marrons em baixo.
– Se tem alguma coisa que me deixa feliz, é que vocês vão ficar juntos. Vão ir para Nova Roma e serão felizes lá. Isso é tudo que eu preciso — disse ele sorridente.
Então Will entrou de casaco na sala.
– Ainda não acredito que você está com frio — disse Nico levantando.
– Para mim está frio — rebateu ele dando a língua.
Então o Sr. Johnson se aproximou de Nico.
– Eu vou ir indo para o carro, sei que Will vai deixar você lá em baixo — e então lhe segurou pelos braços sorrindo — Até amanhã filho.
E então lhe deu ou abraço apertado.
– Boa sorte, Sr. Johnson — Nico lhe deu palmadinhas nas costas.
– Pai, Nico está com pontos! — Will lhe puxou.
– Tudo bem — o homem se afastou sorrindo — Vou estar no carro.
Will levou Nico até o apartamento de Percy, onde tocou a campainha e ficou esperando. De todos os lugares, Nico tinha certeza de que não queria estar ali. Ficar perto de Percy quando Will estava com ele era uma coisa. Mas era muito mais vergonhoso e desconfortável estar só em sua presença.
Percy abriu a porta, se surpreendendo ao vê-los.
– Nico? Will? Aconteceu alguma coisa? Achei que só ia ver vocês as duas!
– Meu pai teve um problema de saúde, eu preciso levá-lo no hospital para fazer exames e depois cuidar da loja dele. Mas Nico não pode ir junto, ele precisa se curar. E precisa de repouso. Ele pode ficar aqui pela tarde? — perguntou Will em um tom formal, como se ele e Percy fossem pais discutindo sobre a guarda de Nico.
– Não precisa — Nico muxoxou — Eu estou bem.
– Claro — Percy abriu mais a porta para que o garoto entrasse — Ainda são onze horas, minha mãe está em casa, vai adorar te ver!
Percy lhe dirigiu um sorriso radiante. Will coçou a cabeça parecendo cansado, embora tivesse acabado de acordar.
– Bem, então é isso. Nico sabe o telefone da loja se precisarem ligar. Mas mandem uma mensagem de Íris se necessário — Will sorriu um pouquinho para ele.
– Pode ir, me avise se tiver notícias do seu pai — Nico sorriu encorajando-o.
– Aviso sim — Will sorriu um pouco mais.
E então lhe deu um beijo singelo no canto da boca. Nico se sobressaltou. Ele não esperava que o garoto o beijasse na frente de Percy. Que aliás parecia estar com uma cara tão concentrada para ficar neutra que Nico achou que talvez o garoto ficasse com aquela expressão para sempre.
– Te vejo de noite — Will piscou pra ele e saiu, falando por cima do ombro — Até, Percy.
– Até — respondeu Percy com uma voz estranha.
Mas então o garoto voltou sua atenção a Nico, lhe dando um sorriso extenso.
– Entra, a gente pode jogar videogame enquanto fica de molho.
Nico passou pela porta que Percy mantinha aberta. O apartamento de fato parecia muito com o do pai de Will, como Percy mesmo havia dito. Mas o dos pais de Percy tinha as paredes e os móveis em tons claros de azul, o que lembrava muito uma casa de praia. As cortinas brancas se agitavam com a brisa, na tv ligada passava um noticiário no "mute", e na porta onde ficava a cozinha estava Sally, a mãe de Percy.
– Quem era na porta, querido? — perguntou ela espiando.
– Era o Nico mãe — Percy apontou para o garoto — Lembra dele? Eu até comentei com a senhora que ele estava aqui!
A mulher pareceu sinceramente feliz em vê-lo.
– Nico! — ele saiu da cozinha com os braços abertos — Há quanto tempo, querido!
Nico lhe abraçou meio sem saber o que fazer.
– Faz algum tempo mesmo, Sra. Jackson.
Ela segurou seu rosto nas mãos.
– Deuses, você cresceu!
– Mãe, lembra que eu disse que o Nico foi atropelado e tudo? E eu estava ajudando ele a se curar? A gente pode pegar algumas bacias suas para fazer isso aqui em casa? — Percy perguntou colocando uma mão em seu ombro.
– Claro querido! — Sally sorriu — Venham até a cozinha, eu ajudo vocês.
Sally ajudou eles encherem e levarem as bacias para a sala. Sendo mãe de Percy, provavelmente ela já desistira de perguntar quando ele lhe pedia algo estranho. Nico também reencontrou o Sr. Blófis, padrasto de Percy. O homem era realmente simpático, e lhe recebeu com tapinhas nas costas. Mas eles não podiam ficar, tanto a mãe quanto o padrasto de Percy trabalhavam.
Então onze e meia ambos se despediram e os deixaram com um Percy que tentava arrumar os cabos do videogame na televisão.
– Está difícil, heim? — comentou Nico brincando com a água da bacia.
– Vêm você arrumar, então! — falou Percy indignado, mas Nico não pode ver sua expressão, uma vez que o garoto estava atrás da televisão.
A luz da tv ligou no canal do videogame.
– Ligou — informou Nico.
– Isso! — Percy comemorou — Eu sou muito inteligente.
– Só precisou de uns dez minutos — Nico debochou.
Percy lhe fez uma careta.
– Cale a boca.
E então abriu a caixinha de um jogo e colocou o cd no console.
– Que jogo é esse? — perguntou Nico pegando o Joystick que Percy lhe ofereceu.
– Tekken — e então o olhar de Percy se fixou em seu braço — Que macumba é essa no seu braço?
Nico olhou para o braço distraído, onde a manga lhe tinha escapado e revelado a marca vermelha.
– Ah, isso? — Nico ergueu as sobrancelhas despreocupado — Nada. Apolo me amaldiçoou por não aprovar o meu... namoro com o Will.
Percy fez uma cara estranha. Mais estranha que o normal.
– Sério? Mas ele é um cara tão legal!
– É — Nico concordou — Acho que ele só estava preocupado com o Will. Eu não sou um... Bem, um cara que você ia gostar com o seu filho. Mas isso não é nada. Ares o amaldiçoou uma vez também não?
Percy assentiu.
– É, mas é diferente! Apolo não é tipo, o deus das maldições ou algo assim?
– Não sei — disse Nico confuso — De onde você tirou isso?
Percy deu de ombros.
– Eu sei lá. Escolhe aí o seu personagem.
Uma das coisas que Nico gostava em Percy, é que ele não passava muito tempo se preocupando. Ele não surtara com a marca no seu braço. Ele sabia que Nico já havia passado por coisas piores, e que lidaria com isso facilmente. No mínimo Apolo o tinha condenado a escutar Will cantar pelo resto da vida. Isso sim seria pesado, Will não cantava muito bem.
Percy escolheu um personagem com cara de tigre para jogar. Mas Nico que nunca havia jogado aquele jogo, ficou passando pelos personagens tentando achar um legal.
– Escolhe o Lee — Percy apontou para um personagem de terno preto — Ele é a sua cara!
– O cabelo dele é branco — falou Nico, como se o garoto tivesse bebido água de esgoto.
– Sim — Percy revirou os olhos — Mas dá pra mudar.
Nico levou uma sova nos primeiros rounds. Mas logo foi entendendo como se jogava. Seu personagem tinha um golpe especial de três botões seguidos que Percy não sabia como bloquear.
– E a Annabeth? — perguntou Nico sem saber bem o porque.
– Ela está na casa dos pais dela — comentou Percy concentrado no jogo.
– Ela está ok? — Nico continuou, mexendo o pé na água da bacia.
Ambos estavam com os pés em bacias no chão. O ideal seria que usassem uma para as mãos, mas Percy era destro, e não conseguia jogar com a mão só com a mão esquerda.
– Sim, porque? — Percy perguntou sem tirar os olhos da tela.
– Não sei, só por perguntar.
– Ah, ok — o garoto falou distraído, lhe acertando três rasteiras seguidas.
Ele podia jurar que não estava pensando em nada daquele tipo. Podia jurar que estava tentando aprender como defender. Mas então, tudo foi varrido de sua cabeça. Uma voz falou em meio ao silêncio, dentro de sua cabeça, aveludada e convincente: "beije-o".
Nico olhou para Percy, que estava com os olhos fixos na tv. Ele era só um menino outra vez, olhando para o grande Percy Jackson, forte, alto e heroico, os olhos verdes faiscando. Ele não pode evitar chegar mais perto. A marca em seu braço ardia.
E então Percy o olhou.
– Porque você parou de jogar? SANTO POSEIDON! — Percy saltou para trás.
E então passou. Ele era ele de novo. Era Nico di Angelo, o que já tinha crescido. O que estava na sala de Percy Jackson, quase tendo o beijado.
– Os seus olhos estavam VERMELHOS! — berrou Percy branco de susto.
Nico sacudiu a cabeça confuso.
– O quê?
– Eu olhei para você... E os seus olhos... — Percy se segurou no sofá — Minhas pernas ficaram moles. Você parecia... Sei lá, parecia ainda mais assustador do que o seu pai.
Nico pestanejou tentando entender.
– Você tentou me beijar? — perguntou Percy confuso.
Nico lhe encarou boquiaberto. Não tinha sentido. Não tinha o mínimo sentido. Era como se de repente, tudo que ele tivesse guardado dentro de si por anos tivesse vindo a tona. Forte como um soco no estômago. Ele realmente tentara beijar Percy. E pelo visto só não conseguira porque o garoto pulara do sofá ao ver seus olhos. E o que raios tinha errado com seus olhos?
– Nico? — Percy se sentou outra vez no sofá — Você está bem?
Nico fez que sim com a cabeça, ainda paralisado demais com o que fizera para falar.
– Hã... Me desculpe por sair para trás — Percy ficou vermelho e apontou para os olhos — Você me deu um susto e tanto com os... Bem, de qualquer forma... Vamos esquecer isso. Você tem o Will, lembra? E eu a Annabeth. Se... Se ficássemos juntos... Íamos machucar eles... Certo?
Mas Percy parecia estar buscando em Nico suas certezas. Mas Nico não sabia nem ao menos o que estava acontecendo. Então assentiu. Percy encarou a tv.
– Que tal a gente jogar cartas? Videogame não foi uma boa ideia.
E então desapareceu no corredor rapidamente, deixando Nico na sala sozinho e em silêncio, pensando:
"O que é que eu fiz?"
☼☠Ψ ☼☠Ψ ☼☠Ψ ☼☠Ψ
– Ele está mesmo bem? — perguntou Nico baixinho.
O garoto estava deitado de bruços em sua cama, olhando para Will, que lia "Harry Potter e as Relíquias da Morte" distraidamente. Ele se sentia muito culpado por ter tido aquela recaída. Quase não conseguia olhar para Will, mesmo que nada tivesse acontecido. Mas Nico o compensaria. Jurou para sim mesmo que preferia ter aquela marca maldita de Apolo para sempre à voltar a pensar tais coisas.
– Sim — Will comentou virando a página — Ele já está se medicando.
– Tudo bem. Ele volta amanhã? — perguntou Nico lhe espiando ler.
– Sim, eu vou buscá-lo de carro amanhã de tarde, antes de ir para a loja — comentou Will — Ele vai precisar ficar em repouso, então eu vou ficar na loja durante esse tempo.
Nico enfiou a cabeça no travesseiro.
– Eu vou ir com você amanhã.
– Não — disse Will com a voz firme — Sinto muito, mas você só vai quando seus pontos fecharem.
Nico pensou em fingir que ia no apartamento de Percy mas ficar em casa. E então lembrou que Will o deixava na porta. O garoto fechou o livro e lhe mirou.
– Porque você está assim?
– Eu queria ir com você.
Will se aproximou e acariciou seus cabelos.
– Eu sei. Me desculpe.
E então lhe beijou com suavemente. Nico sorriu em seus lábios.
– Temos a casa só para nós hoje — Will riu, beijando sua orelha.
Will começou a beijar toda a base de suas costas, lhe provocando arrepios onde seus lábios o tocavam. Ele queria pedir ao garoto que se afastasse. Que ele não merecia suas carícias. Mas não conseguiu. Ele o queria demais. Ele o amava demais. Ele o amava mais do que tinha certeza que jamais amaria Percy Jackson.
Ele deixou que Will o dominasse aquela noite, que fizesse dele o que quisesse. Deixou que o garoto lhe segurasse os cabelos, que lhe deixasse marcas dos beijos fortes por seu pescoço. Que o mordesse de leve, que gemesse de leve em seu ouvido. Nico se sentiu mais amado do que merecia. Mais do que jamais mereceria.
E quando Will caiu ao seu lado na cama, arfando, Nico o abraçou forte. Havia algo estranho vindo, algo ruim. A marca em seu braço coçava.
Era como a calmaria antes da tempestade.
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