Fico um tempo acordada, fico pensando em talvez ligar para Nicko.

Mas logo crio coragem e pego meu celular, disco para o número dele.

— Alô? – uma mulher responde na outra linha.

— Ahn, olá... Gostaria de falar com Nickolas.

— Claro, um segundo. – A mulher responde. Não parece nem um pouco surpresa para uma mãe. Ou pelo menos presumo que seja.

— Cora? – Nicko pergunta assim que pega o telefone – Tudo bem?

— Tudo... – respondo – E você?

— Estou bem. O que foi? – pergunta preocupado.

— Nada de mais... – digo estranhando o tom de voz dele – Está tudo bem mesmo?

— Sim! – ele faz uma longa pausa. – Deixe-me te perguntar uma coisa... Você reconhece aquela sala? – ele pergunta com um tom preocupado.

— Não sei. – digo, coçando a nuca, como se fosse me fazer lembrar de alguma coisa.

— Eu tenho o pressentimento que conheço. – ele diz rapidamente – Você não?

Penso mais um pouco. Mesmo com ele me dizendo isso...

— Acho que não. – digo em duvida – Não sei se me parece familiar.

Nicko suspira um pouco apreensivo do outro lado da linha.

Eu bocejo. Com um pouco de sono.

— Alô? – Nicko pergunta, como se me procurasse.

— Estou aqui... – digo meio sonolenta.

— Ei! Tenta dormir novamente! – ele diz apressado, mas com um tom de ríspido.

— O que? – pergunto, sem entender.

— Durma de novo! – diz ele mais calmo agora. – Preciso saber o porquê aquela sala me tão parece familiar.

— Mas eu não estou com sono! – minto, soltando outro bocejo.

— Sei... Tô ligado – ele fala sarcástico.

Percebo que ele estava tirando com a minha cara, mas deixo quieto.

— Por que eu tenho que ir? – pergunto relaxando os ombros.

— Porque eu não quero estar sozinho nessa.

— Está bem... – deito na cama e entro debaixo das cobertas. – Mas apenas vou porque já estou na cama e com sono. – digo, bocejando de novo.

— Ótimo! – diz ele animado.

Acaba sendo estranho a animação dele, mas imagino que ele queira entender tantas coisas quanto eu.

Naquele momento estou com muito sono e não consigo dizer mais nada.

— Bons sonhos Cora! – ele diz, provavelmente indo em direção ao quarto dele, logo desliga sem mesmo me dando tempo de responde-lo.

Eu desligo também e coloco o celular do meu lado.

— Bom... – sussurro para a minha parede — Boa noite para mim mesma. -digo à mim mesma.

Fecho os olhos, sabendo nas possíveis consequências que teria novamente.

Estávamos à procura de uma resposta, em um lugar que nem conhecíamos. Com probabilidades de sucesso minimas

Respostas que talvez nem existam.