Sou Meu Pior Pesadelo
18 Meus pais ...
Eu estava sorrindo a cada passo que dava até chegar curva de casa, mas não conseguia me sentir feliz de verdade.
E como de costume, Nightmare estava me esperando chegar no portão de casa deitado no jardim da frente.
Assim que ele me vê, se levanta rapidamente e eu o pego no colo e faço carinho no seu pelo escuro. Ele finca de leve suas unhas na minha pele mas eu acabo sorrindo.
Assim que entro em casa, vejo meu pai que estava na mesa da sala lendo jornal e com café em mãos. Minha mãe estava sentada no sofá da sala, mas assim que me viu ela se levantou para vir me abraçar de repente.
Quase não tive tempo para largar a minha mala, mas soltei Nightmare no sofá mais próximo para não ser esmagado pela minha mãe.
Depois de me soltar, minha mão pigarreia para meu pai que logo fechou o jornal e veio em nossa direção.
— Minha querida, — ela sorri de um jeito muito alegre — Sei que não lhe interessa muito, mas eu e seu pai compramos algo há muito tempo, quando era bem mais jovem e espero que sirva em você hoje em dia — logo em seguida, ela foi até a cozinha, pegou uma caixa de presente e entregou para o meu o meu pai antes.
— Bem, — meu pai tossiu e me olhou de um jeito estranho, meio constrangido — Eu sei que faz algum tempo não nos falamos direito e...
— Quatro anos... cof — tossiu minha mãe, sendo mais direta e exata.
Meu pai engoliu o seco e tentou não olhar feio para ela.
— Enfim – disse ele limpando a garganta e se recompondo para continuar a suposta conversa – Compramos isso na esperança de que um dia você usasse — ele simplesmente esticou os braços e me entregou o pacote.
— Tá, valeu...
Eu não sabia o quão velho era o pacote e não estava tão curiosa assim para saber o que tinha na caixa.
Mas apesar de tudo, estava um tanto emocionada pois realmente fazia muitos anos que não falava com meu pai. Ele simplesmente me ignorava quase desde sempre, principalmente depois dos pesadelos e tudo mais.
Larguei o pacote no sofá onde estava Nightmare e lagrimas começaram a surgir e escorrer pelo meu rosto.
Meu pai reparou na minha reação de ultima hora e ficou emotivo também.
No começo ele estava vermelho, virou o rosto para não piorar a situação, mas eu não aguentei e me joguei nos braços dele e comecei a chorar muito enquanto o abraçava. Logo ele sorriu para mim e foi um sorriso sincero. Algumas lagrimas brotaram dos seus olhos e por poucos que fossem, eu percebi que ele também sentiu a minha falta.
Quando quase não tínhamos mais o que chorar, fui soltando o abraço, mas naquele momento em que abri os olhos, minha mãe estava tão chorosa quanto nós dois. Meu pai enxugou o rosto e estendeu um dos braços, para que ela se juntasse a nós.
Depois daquele breve momento de emoções a flor da pele, nos sentamos na mesa da sala e ficamos conversando um pouco sobre tudo. Meu pai quis saber de quase tudo o que tinha feito na escola, minha mãe o interrompeu para que não fosse tão coruja de repente. Por incrível que pareça, naquele momento pareceu que todas as nossas brigas, discussões e tudo mais tivesse sumido no vazio.
Finalmente parecíamos uma família normal.
Nightmare estava dormindo no sofá e logo ao seu lado estava o pacote que nem mesmo aberto, mudou boa parte da minha vida agora.
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