Sou Meu Pior Pesadelo

10 Amigos? Talvez ...


Não prestei muita atenção na última aula.

Principalmente porque era matemática, mas também porque não conseguia pensar direito.

Não sabia como aquilo era possível.

O garoto dos meus sonhos ser real. E pelo jeito ele também sonha comigo.

Bizarro mas irônico ao mesmo tempo.

Quando dei conta de mim mesma, o professor tinha terminado a chamada e todos se foram.

Pego o meu livro colocando de qualquer jeito na mochila que carrego no ombro e saio da sala para o corredor.

Quando avisto de longe o meu armário, o tal garoto está parado e apoiado nele.

Reviro os olhos e dou meia volta.

Mas infelizmente ele me vê. Que corre em minha direção, para na minha frente e segura meus ombros.

— Ei – diz ele – Não vou te impedir de usar o armário. Está tudo bem. Só quero falar com você. – e ele me vira e me arrasta, indo em direção do armário.

Quando paro na frente do armário, ele me solta e se apoia no armário do lado.

“Qual o problema dele?” pergunto a mim mesma, abrindo o armário e colocando o livro de matemática lá dentro.

Ele fecha o armário antes de mim e depois me olha, curioso.

— Como você pode ser existir? – ele pergunta um tanto fascinado demais.

Isso é estranho. Há uma aula atrás ele não acreditava que eu era real.

E agora ele está sendo amigável comigo?

Ok. Eu não queria escutar mais nada, apenas queria voltar para casa.

Viro de costas para ele e vou andando em direção para fora da escola. Insistente, que corre para me alcançar e me para novamente, sorrindo.

— O que foi? – ele pergunta pra mim, parecendo confuso e feliz ao mesmo tempo. Eu o olho torto – Ei! Não está feliz em não ser a única que sonha com a sua própria morte?

Fico surpresa.

Sonhar comigo era uma coisa, mas ter exatamente o mesmo sonho era outra história.

— Eu me sinto incrível em saber que não sou só eu. – ele continuou – E para ser bem sincero. Não gosto de ser novo na escola. Isso traz muita fama e eu prefiro de viver a minha vida sozinho ou pelo menos mais tranquilamente no meu canto. – ele sorri de canto, parecia tentar ser otimista demais — Mas agora com você aqui, fica mais fácil.

Tento sorrir também, mas é meio difícil. Como ele consegue ficar tão feliz com uma coisa tão estranha?

Percebo que todos da escola foram embora. Exceto alguns alunos que esperam o ônibus do outro lado da rua, alguns professores indo para casa e Gerad que está fechando a porta da escola. Só que o corredor estava praticamente vazio.

Ficamos parados, perto da entrada principal que dava de frente à escola.

Ele me olhava de forma engraçada, como se quisesse me analisar ou como se fosse uma cobaia, quando tento retribuir o olhar, ele ajeita o próprio cabelo para cima.

O cabelo dele era bem legal para ser sincera. Nunca tinha visto algo parecido.

Era bem arrepiado na parte de cima, com certeza o cabelo não sofreu tanto com a tinta que era a parte vermelha. A partir da orelha até a nuca era preto e um pouco mais curto que o resto.

Exótico, com certeza.

Mas a parecia muito normal a coloração do próprio cabelo. Não sei dizer porque, mas parecia que aquele vermelho vivo tinha desde que ele fosse nascido.

— Ah! Nem me apresentei. Eu sou o Nickolas. – diz estendendo a mão para mim. – Você é?

Penso se devo responder ou não. Então aperto sua mão e digo:

— Coralin.