Descobri quem é o garoto novo.

Ou melhor. Só o nome.

Nicko. No caso é apelido de Nickolas.

Porém isso não me importava.

Mas voltando para a realidade.

Química é uma aula maravilhosa. Só que quando tem uma líder de torcida e uma patricinha metida a besta falando das fofocas da semana toda de forma mais alta possível — quase tão pior quando um megafones. É difícil prestar atenção em qualquer coisa.

E a “melhor” parte: Você sabe de tudo do que está acontecendo.

Tanto a parte que não interessa para ninguém até a parte que todo mundo grita pedindo para calar a boca.

Nem é preciso ligar a TV para saber das "noticias" da cidade.

É insuportável.

O falatório não acaba e eu ainda não compreendi nada do que o professor está explicando.

Minha paciência foi para o fundo do poço. Não aguento mais.

Puxo o capuz do casaco para frente do rosto. Pego meu fone e meu iPod e ligo a música e olho para o professor. Fingindo que presto atenção na aula.

Mas não adianta muita coisa.

Mais alguns minutos e todos da sala se levantam e saem. Percebo que o sinal bateu, saio depois de alguns alunos e vou para o corredor.

Ando por ele, procurando a próxima sala no meio da multidão. Tiro os fones e os guardo de volta no bolso.

Volto meu olhar para o corredor lotado outra vez e vejo um garoto em volta de algumas meninas, olhando diretamente para mim. Perplexo.

Não reparo muito. Já estou acostumada com esses olhares faz um bom tempo.

Continuo andando, com o capuz sempre na frente do rosto, sem que ninguém perceba que estou ali. E atinjo a próxima sala.

Quando me sento, percebo que conheço aquele garoto de algum lugar.

O problema é:

De onde?