Notas iniciais
Gente esse é o maior capitulo ever desculpem se ficou cansativo mas ta fofinho ah sla

O aeroporto parecia ter sido invadido por uma multidão de jovens cantantes e animados. Os dias já haviam passado, chegou enfim a quarta-feira em que o Studio rumaria à Europa para espalhar os seus diversos talentos por lá. Angeles, com uma planilha em mãos, estava ficando louca tentando controlar os alunos e conferir se todos estavam ali. Pablo e Gregório já haviam ido para Sevilla no dia anterior, a fim de acertar as coisas no hotel e deixar tudo preparado para a chegada dos alunos. Portanto, os únicos adultos responsáveis naquele momento eram Angeles e German, que ultimamente já havia virado parte da equipe do Studio.

– German — Angie chegou perto do homem, bufando.

– Oi — ele virou-se para ela, sorrindo.

– Me ajuda, temos que embarcar em cinco minutos e eles não param quietos! Eu já falei mil vezes que eles não podem sair daqui e a Violetta acabou de me dizer que um grupo foi na lanchonete lá do outro lado do aeroporto fazer sei lá o que — ela desabafou, gesticulando irritada.

– Eu dou um jeito. Fica na entrada da sala de embarque, vou mandar eles fazerem uma fila a sua frente. Assim você vai conferindo um por um, ok? — o homem falou com docilidade, para transmitir tranquilidade a Angeles. Ela assentiu, sorrindo sem mostrar os dentes e logo se dirigindo para a entrada da sala. — GALERINHA, TODOS VOCÊS, FILA INDIANA AGORA NA FRENTE DA ANGIE, VAMOS! — German saiu batendo palmas para agitar os alunos.

– Nós já vamos embarcar? — Francesca olhou-o, confusa, mas mesmo assim fazendo o que ele havia mandado.

– Sim, agora mesmo, então sem enrolação — o homem ia empurrando levemente o pessoal para perto da mulher loira que estava encostada no batente da porta da sala de embarque.

– Mas os caras do primeiro ano acabaram de sair daqui... — Leon ia começar a protestar, para defender os amigos.

– Avisamos que não era para saírem deste local. Se eles perderem o vôo a culpa não é nossa. — German falou firme, fazendo Violetta dar uma risada da situação. Mesmo sem querer, German deu uma cortada em Leon e como ela e o menino estavam brigados, a garota precisou rir.

Assim, uma imensidão de jovens formou uma fila indiana que cruzava completamente o saguão principal do aeroporto. Angie conferia o nome de um por um, fazia um X de presença em sua planilha e então os jogava para dentro da sala de embarque. Com German ajudando, o processo logo acabou e todos já estavam pegando o ônibus para chegar ao avião. A mesma fila indiana foi formada para adentrar o transporte aéreo. A quantidade de alunos do Studio ocupava quase o vôo inteiro, e conforme eles iam entrando German rapidamente os obrigava a sentar em qualquer lugar, evitando aquela enrolação de ficar escolhendo onde e com quem sentar junto. Os alunos que haviam se dispersado do grupo minutos antes chegaram atrasados e eufóricos, pedindo desculpas para Angeles e alegando que não se repetiria. A loira apenas assentiu e os deixou entrar. Quando todos estavam finalmente sentados, Angie e German se posicionaram lado a lado na frente do corredor, para falar com os alunos.

– Sei que já conferi os nomes na entrada, mas eu preciso fazer mais uma chamada de presença pra garantir que ninguém se perdeu no caminho. — a mulher mordeu os lábios, voltando-se para a planilha e chamando cada um ali por ordem alfabética. Depois que todos responderam "presente", ela suspirou aliviada.

– Bom, é isso então, pessoal — German continuou — Atenção para as instruções do cronograma. É meio dia e meia agora, e o vôo dura onze horas. Mas quando aterrissarmos em Sevilla serão três e pouco da madrugada, pois o fuso de lá é quatro horas mais adiantado que o nosso. Vai estar tarde, vamos pegar as malas e já ir direto para o hotel. Pablo e Gregório já estão lá, então já fizeram o check-in de todos para agilizar. Portanto, quando chegarmos, já vamos direto distribuir as chaves dos quatros. Já foi avisado que os quartos serão em dupla e estas já foram divididas, vamos passar uma lista informando quem vai dormir no quarto com quem assim que eu acabar de falar. Será uma chave por dupla, então apenas um vá buscar quando chegarmos, para evitar tumulto. O hotel tem quatorze andares, então vocês estão bem distribuídos. Quando chegarem, procurem já ir descansar. Amanhã o dia é livre para vocês fazerem o que quiserem, pois sabemos que a viagem vai ser pesada e não daríamos conta de nenhum esforço amanhã. Só procurem não ficar o dia inteiro dormindo no quarto, Sevilla é uma cidade maravilhosa e vocês não terão muito tempo livre para conhecê-la. Aproveitem o dia de amanhã. — German olhou para Angie, se questionando se havia mais alguma coisa para falar.

– Bom, por enquanto é isso. Aqui está a lista com as duplas de quarto — a loira tirou uma folha da prancheta e entregou a Camila, que era a que estava sentada no primeiro banco do lado direito, junto com Maxi. — Vão passando pra trás e quando todos verem, me devolvam o papel. Eu preciso saber em que quarto que vocês estarão e com quem.

German e Angie, então, se sentaram nas primeiras poltronas. Teriam que ficar na frente de todos os alunos, já que eram os responsáveis por eles. Para a alegria dos dois, então, tiveram que sentar juntos. Não trocaram muitas palavras no começo, apenas ficavam ouvindo os alunos atrás de si gritarem uns com os outros "FULANO, estamos no mesmo quarto". Até que a loira ouviu a voz de sua sobrinha no meio de tantas outras:

– AHHH, vou dormir no quarto com minha tia!!! — a menina exclamou divertida. Angeles olhou pra trás, sorrindo pra Vilu e mandando beijo para ela. Violetta mandou outro de volta, e ambas riram.

– Qual o número do quarto, Vilu? — Fran perguntou para a amiga.

– 124, décimo segundo andar. E o seu?

– Ah, o meu é no 98, nono andar — a de cabelos pretos fez bico — Estamos longe!!!

– Relaxa, gente, vocês mal vão ficar no quarto — Broduey rolou os olhos.

– Eu to do seu lado, Vilu!!! — Camila exclamou, contente — Quarto 123.

– Aeeee, bate aqui, gata — a menina esticou os braços para alcançar o da amiga, duas poltronas a frente. As duas deram um toque e caíram na gargalhada. Francesca bufou.

– Não é justo! — ela disse. — E eu ainda estou no quarto com a Ludmila!

– Ei! — a loira, que estava sentada com Violetta, ouviu perfeitamente aquilo. — Eu não sou mais tão chata assim!

Todos riram. — É brincadeira — Fran se explicou, rindo.

Logo em seguida disto, a voz da aeromoça ecoou pelo avião por meio de auto falantes, avisando que o avião já iria decolar. Todos então se ajeitaram nas poltronas e colocaram os cintos de segurança. Assim, foram-se então as onze horas passadas em uma cabine de avião. Durante o dia todos conversavam animados, observavam mapas de Sevilla que trouxeram e planejavam os passeios que fariam no tempo livre. Mas quando foi anoitecendo, aos poucos todos no avião foram caindo no sono, inclusive Angie e German. A loira só acordou quando a aeromoça anunciou a aterrissagem. Virou-se para German ao seu lado, dormindo como um anjinho, e sorriu. Não tinha coragem de acordá-lo. Então, esticou o pescoço levemente para trás e viu que todos os alunos também dormiam, exceto quatro deles do segundo ano que conversavam baixinho, mais pro fundo do corredor.

Todos acabaram acordando instantes depois, afinal, teriam que sair do avião. Seguiram o cronograma passado anteriormente, alguns quase como zumbis de tanto sono e outros mais animados e ansiosos. Um ônibus levou todos ao hotel. Ao chegarem, pediram que fizessem silêncio, já que o resto dos hóspedes já estavam dormindo. Pablo, Gregório, Angie e German distribuíram as chaves com pressa e os alunos foram para seus respectivos quartos.

– Boa noite, Ge — a loira sorriu para ele, vendo-o sair do elevador com sua mala. Seu quarto era no 5º andar, por isso descera antes. O homem olhou para Angie e Violetta ali no elevador e sorriu.

– Boa noite, lindas — ele disse enquanto a porta se fechava.

Vilu sorriu grande para a tia.

– Uh, lindona — a garota riu — Aposto que você ganhou o dia!

A loira deu de ombros — Ah, nada demais — ela tentou esconder o sorriso. — Que horas são? — Angeles olhou o celular e então respirou fundo, balançando a cabeça.

– Que horas? — Violetta perguntou, querendo saber a resposta, já que a tia já havia visto.

– Quase quatro. — respondeu de um jeito como se não quisesse conversar. Parecia triste de repente.

– Hmmm, valeu — a menina estranhou, mas nada disse. O elevador se abriu e as duas foram até o quarto em silêncio. Quando Angie destrancou a porta, Violetta entrou correndo com sua mala e soltou um grito de emoção — QUE LUGAR MANEIRO!

– Shhh, vai acordar os hóspedes, Violetta — Angie entrou logo atrás, deixando sua mala em um canto. Olhou ao redor e a tristeza foi embora por alguns segundos. Era tudo extremamente sofisticado, e a janela de vidro que ia do chão até o teto em uma das paredes do quarto dava uma vista maravilhosa para a cidade iluminada à noite. — Uau!

– Não é demais? — a mais nova pulava, empolgada — Eu quero morar aqui!

– Mas você acabou de chegar — a loira riu baixo.

– E daí? Olha essa super cama de casal!!! — Violetta se jogou na cama — Cabe eu, você, o papai e mais o Studio inteiro!

– Não exagera, Vilu — Angeles se sentou na cama e se surpreendeu sobre como ela era confortável. — Nossa!

– Cadê a animação, Angie? Vamosss, estamos na Espanha! — a mais nova sacudiu a tia.

– Eu to com sonooo — Angie falou qualquer coisa e afundou a cara no travesseiro. No mesmo instante, o celular de Violetta tocou brevemente. A loira olhou-a, querendo saber quem era.

– É mensagem da Fran. Ela disse que o Maxi e o Broduey descobriram que tem piscina e sala de jogos no último andar e que nossos amigos vão se reunir lá pra bater um papo. — a garota dizia enquanto lia a mensagem.

– Vai ir? — Angie murmurou.

– Posso? — Violetta ergueu as sobrancelhas.

– Claro que pode, que pergunta, não sou seu pai pra dizer não — a mulher se sentiu ofendida. A menina riu. — Só fica com a chave pra quando for voltar, porque eu num tô a fim de interromper meu sono de beleza pra abrir a porta pra você não — disse divertida, entregando as chaves na mão da sobrinha.

Vilu riu de novo — Ahhh, obrigada, você é a melhor pessoa do mundo — ela se inclinou, beijou o rosto da tia e então deixou o quarto, correndo desesperada. Angeles balançou a cabeça e riu baixinho. Levantou-se para trocar de roupa, escovar os dentes e conferir se Violetta havia trancado a porta. Depois disso, sem nem querer pensar, se jogou na cama para dormir.

Violetta seguiu o caminho até o elevador, e quando este abriu as portas para ela entrar, a menina viu Leon, sozinho e apoiado na parede da máquina. Hesitou um pouco em entrar, mas tentou transparecer normal. Virou-se para o painel para apertar o botão que levava à cobertura, quando viu que este já estava apertado. Droga. Leon estava indo para o mesmo lugar que ela.

– Boa noite — o menino puxou assunto. Violetta se assustou e respirou fundo, virando-se pra ele.

– Oi — sorriu desconsertada.

– Aqui é bonito, não? — ele continuou. A garota se perguntava por que raios ele estava tratando-a normal depois de terem brigado. Não haviam terminado. Sim, Leon ainda era seu namorado. Apenas não estavam se falando. Mas ainda sim era estranho.

– Uhum...

– Fala comigo, ainda sou seu namorado e não um estranho — o menino bufou, vendo que ela não estava colaborando com a conversa.

– Desculpa — Violetta olhou para o chão. — Está no quarto com quem?

– Diego — Leon respondeu prontamente e não deu continuidade ao assunto.

– Não vai perguntar com quem eu estou? — a morena bufou.

– Não, eu sei que está com a Angie. Você meio que gritou isso no avião, até parece que faz pra chamar atenção — ele a encarou. Violetta arqueou as sobrancelhas, surpresa.

– Chamar atenção?! Ok, Leon, Ok — ela aproveitou que o elevador finalmente abrira as portas e saiu correndo dali, irritada.

– Não, Vilu, espera aí! — o garoto foi correndo atrás, percebendo que havia deixado a raiva falar por si — Desculpa. Eu quero que fiquemos bem e aquele não é o melhor jeito.

– Ah, você jura que não é o melhor jeito?! — a menina virou-se para ele, falando alto e ironicamente.

– Desculpa — Leon se aproximou. — Você fica um amor assim brava... — encostou a testa na dela.

– Nem vem — Violetta tentou afastá-lo. Mas então Leon beijou-a. Indignada, a menina tentou de soltar dele, e por isso em seguida ele mesmo a soltou.

– Ta, eu não vou te beijar a força — suspirou e saiu andando em direção aos amigos, que conversavam animados, sentados na borda da piscina. A noite estava linda.

– Ow! — Violetta gritou. — Não era pra você ter parado — ela bufou — era pra você ter insistido até eu parar de me fazer de difícil e me deixar levar pelo tanto que eu amo você...

Leon parou e sorriu ao ouvir aquilo. Virou-se novamente pra ela. — Vem cá, vai. — ele abriu os braços. A menina gargalhou e correu para pular no colo do namorado, enchendo-o de beijos. Assim, o casal se aproximou dos amigos e entraram na conversa. Nem perceberam o tempo passar, logo o dia estava nascendo na cabeça deles e eles não estavam nem aí por não terem dormido. Afinal, juventude era aquilo.

Violetta retornou ao quarto às oito da manhã, de fininho para que a tia não acordasse. Se dirigia ao banheiro do quarto cautelosamente, mas todo o esforço fora em vão. Angeles acordou, murmurando sonolenta.

– Você chegou agora? — a mulher disse meio mole, com a voz abafada pelo travesseiro.

– Er.. sim — Violetta não mentiria para a sua tia.

– Que horas são?

– Oito.

– Hm, obrigada — a loira murmurava, desanimada. Ainda parecia triste.

– Você ta bem? — Vilu se aproximou da cama. Angie ergueu o olhar para a menina e assentiu com a cabeça.

– Vai dormir, vai — a mulher mudou de assunto. — Você não vai aguentar ficar o dia inteiro sem ter dormido nada.

– Eu dormi no avião — Violetta deu de ombros. — Vou tomar um banho e ir tomar o café. Estou faminta. Vamos juntas?

– Ah, não, valeu. Quero dormir mais. — Angeles voltou a fechar os olhos.

– Ahm.. okay então, dorme bem — a menina estranhou antes de entrar no banheiro e tomar seu banho.

XX

Era por volta do meio dia quando German acordou. A viagem de avião havia sido cansativa, ele realmente precisara descansar. Imaginou que, pelo horário, nem Violetta nem Angie estariam mais no quarto delas. Então, ele se arrumou e desceu para o restaurante do hotel, afinal, era hora do almoço, e German estava faminto.

– Paiiiii — German sentiu alguém pular em suas costas. Sorridente, virou-se para sua filha. Ela mantinha um grande sorriso na cara.

– Vilu — German acariciou o rosto da menina sorridente. — Como você está? Já almoçou? Onde está indo?

– Estou bem, já, e estou indo visitar uns lugares bem bacanas aqui com a Fran e com a Cami. Hoje temos o dia de folga, e amanhã começam os shows. Quero aproveitar! — Violetta abraçou seu pai. Ela estava muito contente por estar na Espanha depois de muito tempo.

– Hum, divirta-se então. Não volte muito tarde! Quero jantar com você hoje.

– Tá bom, papai, pode deixar — Vilu beijou o rosto de seu pai e já ia sair andando, até que German interrompeu-a com a pergunta que rodeava sua mente.

– Onde está a Angie? — ele tentou manter o tom de voz como o de quem não queria nada e que só perguntou por perguntar.

Violetta virou-se.

– Ah, hoje de manhã ela disse que queria dormir mais, mas ela não parecia muito bem, nem saiu da cama. Deve estar lá no quarto. — a menina sorriu torto.

– Você sabe o que ela tem? — German respondeu, claramente preocupado. Violetta negou com a cabeça.

– Acho que é o que ela tem é mais para o lado emocional do que para o lado físico. Ela parece triste. Aconteceu alguma coisa entre vocês?

– Não, não aconteceu nada — German realmente estranhou. Ele olhou o relógio do celular para ver se dava tempo de ir ver Angie antes que o horário do almoço acabasse e acabou por bater os olhos na data do dia, que fica logo abaixo ao horário na grande tela do iPhone. E então German se lembrou. 7 de outubro. Ele não havia se tocado que aquele dia novamente chegara. Assim, tudo ficou claro. Ele soube na hora o que Angie tinha.

7 de outubro. Data de aniversário de Maria Saramego.

– Ah, eu acho que eu já sei o que ela tem. Vilu, eu vou almoçar e vou falar com ela depois. Nos vemos mais tarde. — German beijou o rosto de sua filha e correu para o restaurante.

Fez tudo muito rápido. Pegou um filé de frango e engoliu quase que de imediato. Depois, pegou outro prato, colocou um pequeno pedaço de lasanha, pagou, e saiu do restaurante com o prato em mãos. Ele não iria deixar Angie sem comer o dia inteiro.

Agradeceu em pensamento quando viu que o elevador já estava parado ali no térreo e entrou. Subiu até o andar do quarto de Angie e de Violetta e correu até a porta o mais rápido que pode, tomando cuidado com o prato de lasanha. Bateu na porta.

– Quem é? — Angie gritou de lá de dentro.

– Sou eu. Abra!

Instantes depois, a porta se abriu. Angie virou-se de costas e voltou a caminhar de volta à cama de casal que ela e Violetta estavam compartilhando. Ela vestia um short jeans e uma camisete preta, apenas.

German entrou no quarto e percebeu que Angie não queria papo. Deixou o prato de lasanha no móvel e caminhou até a cama que agora a loira estava espatifada novamente.

– Ei — German chamou a atenção dela. Era difícil para ele lidar com essas datas também, mas não tanto quanto era para Angeles.

Angie olhou-o. Ela tinha os olhos levemente avermelhados. German suspirou e esticou a mão pra ela. A mulher não hesitou em pegar e deixar que German a erguesse até que ela se sentasse na cama. Ele sentou-se ao lado dela e a abraçou pelos ombros, levemente. Angie se deixou levar, apoiou a cabeça no ombro de German e fechou os olhos, segurando o choro.

– Calma, tá? Eu sei como você se sente...

– 38 anos. Ela estaria fazendo 38 anos. Ela ainda seria nova, merda. — Angie deixou uma lágrima escorrer. — Ela morreu com 25, cara. Você sabe o que são esses 13 anos que ela poderia ter vivido e não viveu?! — a loira parecia estar com raiva do destino.

– A vida é assim, Angie. Tudo acontece por um motivo. Um dia vamos entender, eu espero. — German afagou os cabelos de Angie.

– Ah, German, eu sinto tanta falta dela — ela falou mais baixo que antes, e então começou a chorar freneticamente.

– Eu também... eu também. — ele respondeu praticamente num sussurro e ficou acarinhando os cabelos da mulher até que ela se acalmasse. — Você precisa comer. Eu trouxe lasanha. — German falou baixinho depois de um tempo, quando ela parou de chorar. Angie levantou a cabeça para olhá-lo melhor.

– Obrigada, você é maravilhoso, sabia? — ela abriu um sorriso triste. — Mas eu não estou com fome...

– Angie, você não pode ficar o dia inteiro sem comer, vai desmaiar! — ele estava preocupado. — Come só um pouquinho, vai? Eu te ajudo. — German nem deixou que ela respondesse e se levantou da cama para pegar a bandeja com o prato de lasanha. Voltou até a cama e sentou-se ao lado dela. Angie apenas o observava. German cortou um pedaço da lasanha e espetou com o garfo. — Abre a boquinhaaaaa — ele riu levemente tentando colocar a comida na boca de Angie. Ela fez careta, rindo. Abriu a boca e deixou que German colocasse o garfo com a lasanha lá. E então, segurou o garfo ela mesma.

– Eu sei comer sozinha — riu brevemente — valeu.

Ela pegou a bandeja das mãos dele e acabou comendo metade do pedaço de lasanha que German trouxera. Foi mais do que ele esperara, então ficou satisfeito.

– Não quero mais... — Angie murmurou.

– Você comeu bastante, já está bom. — German pegou a bandeja das mãos de Angie e voltou a deixá-la no móvel. — Vem cá, deita um pouco — ele puxou-a carinhosamente consigo enquanto se deitava na cama, fazendo com que ela se deitasse junto, em seu peito.

German voltou a afagar aquele cabelo loiro e ficava cantarolando algumas músicas tranquilas, deixando o ambiente bem confortável. Angie tinha uma das mãos repousada na lateral do abdômen dele, e de vez em quando o acariciava também, meio receosa. Ela estava pensativa, perdida entre lembranças, até que o dia do acidente de Maria veio em flashback na sua mente, fazendo-a arrepiar e, involuntariamente, apertar com força o abdômen de German.

– Ai, desculpa — Angie balançou a cabeça — é que eu estava lembrando de umas coisas e..

– Não se preocupa, não foi nada! — German depositou um beijo na cabeça dela. — Se você quiser falar sobre ela, pode falar, tá?

Ela fez silêncio.

– No aniversário dela a gente sempre ia na sorveteria preferida dela — Angeles falou baixo depois de um tempo. — E então encontrávamos alguns amigos e familiares, sempre nos divertíamos muito. Maria amava seu aniversário. — Angie sorriu nostálgica. German sorriu junto, ele se lembrava disso. — Na véspera, ficávamos acordadas até o relógio bater meia-noite, e então eu começava a cantar parabéns bem alto para ela. Os vizinhos não gostavam. — Angie riu. — À noite, nas datas de seu aniversário, íamos a um restaurante chique, e Maria cantava para gente. Era tudo tão... era tudo tão bom. Ela era uma mulher maravilhosa, German. A vida foi tão injusta com ela. — a voz de Angie se embargou novamente. German já estava chorando, mas silenciosamente, para Angie não perceber.

German suspirou e não disse nada, apenas continuou acarinhando-a enquanto ela chorava levemente, com a cabeça afundada no seu peito. Sua camisa estava ficando molhada por conta das lágrimas da mulher, mas ele nem se importava.

E ficaram assim. Um consolando o outro. Pareciam mesmo um casal. E, talvez, eles se sentissem como um. Muito tempo depois, Angie acabou adormecendo ali mesmo, sobre ele. Quando German percebeu, sorriu levemente, e querendo fazê-la se aninhar mais a si, a abraçou pela cintura. Ele queria fazê-la se sentir melhor, vê-la chorar daquela forma doía mais que a ferida de Maria que estava sendo cutucada pela data de hoje. Foi naquele momento, então, que German prometeu a si mesmo protegê-la de qualquer coisa que a fizesse mal.

– Você parece um anjo, mulher — German pensou em voz alta sobre Angeles, afinal, ela estava dormindo mesmo. — Anjos não devem chorar — ele sussurrou, apertando-a um pouco mais contra si. Angie, ainda dormindo, arrastou sua mão do abdômen dele até seu peito, e inconscientemente acariciou-o com suas unhas. German arrepiou.

– Pai? — ele se assustou ao escutar Violetta adentrando o quarto. Eles não haviam trancado a porta.

– Oi, filha — German tentou responder normalmente, como se nada tivesse acontecido. Violetta se aproximava da cama — O que faz aqui?

– O que VOCÊ faz aqui, né? Esse quarto é meu — Violetta riu.

– Ah, é que você disse que ia sair e tal... eu vim ver como ela estava.

– Eu saí, mas esqueci a câmera. — Vilu respondeu, encarando sua tia dormindo. — Ela está dormindo?

– Está sim — ele respondeu, acariciando os cabelos da loira. Estavam falando baixo para não acordá-la.

– E ela está melhor, papai? — a menina sentou-se na ponta da cama e colocou a mão na perna de Angie, acariciando-a também.

– Na verdade não. À noite te explico por que, tá bom? Agora quero que ela descanse um pouco... Ela caiu no sono no meu colo sem querer — German falava com Violetta, mas olhava carinhosamente para Angeles.

– Vendo vocês assim parecem até... um casal de verdade — Violetta terminou a frase, balançando a cabeça. Riu baixo e olhou para sua mão, estava meio ansiosa em pensar nisso. German olhou-a e sorriu.

– Logo, meu amor — German respondeu pra sua filha — Tudo tem seu tempo.

Violetta sorriu.

– Essa é a graça do amor. Esperar um pelo outro é a coisa mais linda do mundo. — a menina concluiu sorridente e deixou seu pai um pouco pensativo. Ela se levantou e pegou a câmera que esquecera. — Papai, se você quiser deixá-la aí na cama e sair eu te ajudo, não sei, se você tinha planos pra sair hoje à tarde e tal...

– Não precisa, acho que vou dormir um pouco com ela. — German abraçou mais a Angie e beijou a cabeça dela muitas vezes seguidas, fazendo Violetta rir.

– Certo, vou deixá-los a sós — a menina piscou divertida para seu pai, com certa malícia, e ele atirou o travesseiro da outra ponta da cama nela. Vilu se levantou, ainda rindo, e caminhou até a porta. — Pai — ela chamou-o antes de ir. Ele olhou-a. — Acho que o tempo certo já chegou. Não deixe a sua felicidade escapar.

E então a menina retirou-se. German suspirou, pensativo. Olhou para Angeles e então beijou sua cabeça mais uma vez. Ele estava sentindo uma grande necessidade de enchê-la de carinho até que ela não aguentasse mais — coisa que não ia acontecer, Angeles nunca ia se cansar dos mimos de German.

Depois de alguns minutos apenas pensando e acarinhando-a, German finalmente adormeceu junto.

XX

15h da tarde. Um feche de luz solar do sol de meio de tarde atravessa uma brecha deixada pela cortina do quarto e bate diretamente no rosto de Angeles. Incomodada, ela acorda, e põe a mão nos olhos para tapar o sol.

– Ai — Angie murmurou para si mesma. E então notou algo estranho. Ela não estava deitada em um travesseiro. De repente, pareceu sentir um cheiro conhecido. German. A loira rapidamente olhou para a pessoa que a rodeava firmemente com os braços e o viu, calmo e sereno, dormindo.

Angie abriu um pequeno sorriso e voltou a deitar-se no peito dele. Ela se sentia tão confortável. Então ficou ali. Brincando com a gola da camisa dele, e fazendo carinho no seu peito por cima da camisa. Evitava pensar em Maria. Os primeiros botões da camisa de German estavam desabotoados, deixando o peito do homem um pouco à mostra. A loira suspirou e repousou os seus dedos na pele do peito dele que não estava coberta pela camisa. Estremeceu levemente, era a primeira vez que o tocava fora de um momento de excitação. Riu se lembrando de como havia apertado aquele peitoral dias atrás, quando quase fizeram sexo no sofá. Com seus dedos por lá, acariciou-o.

– Você devia ser meu assim há muito tempo — ela sussurrou, aproveitando que ele não estava ouvindo.

Ficou um grande tempo deste modo, até que decidiu levantar-se. Se desvencilhou dos braços dele cautelosamente para não acordá-lo, andou até a cortina e fechou-a por completo, fazendo o quarto ficar com um tom alaranjado pelo fato da cortina ser laranja e o sol estar batendo nela. Angie caminhou até sua mala e tirou de lá uma roupa qualquer, dirigindo-se ao banheiro do quarto e se trocando. Quando viu seus olhos inchados pelo choro, lavou seu rosto também.

Depois voltou à cama para acordar German.

– German — Angie chamou-o um pouco baixo, no fundo não queria acordá-lo. Parecia tão tranquilo dormindo. — Ei, Ge. — ela tentou sacudi-lo levemente, mas ele não acordou. Então Angeles se aproximou do ouvido dele e sussurrou: — Psiuuu!

O homem se assustou com o vento das palavras de Angie em sua orelha e acabou acordando. Virou-se e a viu sorridente, o encarando.

– Olá — ela falou. Por um instante sua tristeza por Maria desaparecera. A mulher estava de joelhos na cama.

– Oi — German segurou a cintura dela e puxou-a, até que ela caísse em cima dele. Ambos riram. — Está melhor?

– Uhum — Angie murmurou, e o olhou. Estavam com os rostos bem próximos. — Mas eu quero me distrair. Vamos sair?

– Para onde você quer ir? — German roçou seu nariz levemente no dela, como um beijinho de esquimó. Angie quis beijá-lo, mas se conteve. Não estavam no clima.

– Ah, não sei, a gente vai andando por aí. Afinal, hoje é aniversário dela, e se ela não está aqui, devemos comemorar por ela, não é? — Angie sorriu e German se alegrou por ela estar falando de Maria sem chorar. — Fiquei pensando. Maria amava seu aniversário, ficava tão feliz. Então hoje não devemos ficar tristes, devemos ficar felizes por ela. Ela deve estar muito contente lá no céu. — Angie riu.

– Sabe que você tem razão? — German sorriu junto. — É um dia de festa, quero ver você sorrindo. — ele beijou a bochecha da mulher e se levantou da cama. — Vem? — estendeu a mão para ela. Angie abriu um sorriso enorme e segurou sua mão, levantando.

XX

German e Angie saíram do hotel, caminhando, lado a lado. Angie mantinha sua mão na sua bolsa vermelha apoiada no ombro e German andava com as mãos no bolso da calça. Andaram por um bom tempo sem dizer nada.

– Então, Angie — German tentou puxar assunto — Quantos shows o Studio vai fazer por aqui? Qual o cronograma da semana?

– Huuum, bem, hoje é dia 7, certo? Temos o dia de folga, para conhecermos a cidade e tudo mais. Amanhã à tarde os alunos vão passar o dia ensaiando e temos nosso primeiro show à noite. Dia 9, os alunos vão dar entrevista para uma gravadora e eu vou acompanhá-los. No dia 9 também, à noite, eu tenho uma entrevista na rádio junto com a Violetta, o Leon, a Ludmila e o Diego, que foram escolhidos para isso. Dia 10 o Gregório vai levar os alunos para uma excursão: concerto e um museu de instrumentos que pertenceram a grandes artistas um dia, e à noite tem ensaio. Eu não preciso ir na excursão. Dia 11 tem dois shows, um no fim da tarde e outro à noite, vai ser bem cansativo. Dia 12 tem mais um show pela noite e pelo dia os alunos vão ensaiar bastante, dia 13 é dia de folga e dia 14 faremos o show final. Dia 15, bem-vindo de volta à Buenos Aires, querido. — Angie riu. — O cronograma veio na autorização que você assinou para trazermos sua filha para cá, você não leu, é?

– Não — German riu — Fiquei com preguiça.

– Ah, seu besta — ela riu. Andaram mais um pouco em silêncio — Olha, German! Um parque! — Angie saiu correndo e adentrou o parque, cheio de jardins, fontes de água, pedras, e o rio que cortava a cidade também passava por ali. Aliás, era dali que saíam as canoas de passeio que velejavam pelo rio. Era um parque grande. Era fim de tarde de uma quinta, e mesmo assim famílias faziam pique-nique pela grama, crianças jogavam pedras no rio, um grupo de adolescentes conversando em cima da árvore, pais ensinando filhos a andarem de bicicleta, um pequeno play-ground, casais sentado nos bancos curtindo o tempo juntos... E no meio do parque, uma mulher loira, andando sozinha, enquanto um homem alto e moreno andava atrás dela. Angie e German.

– Calma, Angie! — German puxou o braço dela rindo. Ela se virou pra ele.

– Foi mal — sorriu. — Mas olha que lugar lindo. — ela mostrou em volta. — Vem cá — Angie puxou German pela mão até um lugar mais vazio do parque, com uma fonte de água, um jardim e algumas pedras em volta. Ela percebeu que não havia soltado a mão dele e então, quando o fez, ele rapidamente a pegou de volta e entrelaçou os dedos. Angie olhou para o homem e ele simplesmente sorriu. Ela não soltou mais sua mão.

Ficaram andando em silêncio por alguns minutos, até que German viu o píer de onde as canoas que passeavam pelo rio saíam. Ainda segurando a mão de Angie, a puxou para lá.

– Olha! — ele disse sorridente vendo as canoas cheias de casais andando vagarosamente pela água. Um senhor grisalho se aproximou deles.

– Boa tarde, por que não pegam uma canoa? — o senhor dissera contente, com seu sotaque espanhol. Ele tinha um bigode engraçado, que fez Angie rir. — Do que está rindo?

– Não, nada — ela sorriu — Não queremos um passeio hoje, obrigado.

– Mas por que não?! É um ótimo lugar para um casal passar um tempo junto! — o velho esticou os braços enquanto falava, como se mostrasse todo o rio atrás dele.

– É.. nós.. não somos um casal não — Angie rapidamente soltou a mão de German. Por mais que ela quisesse, ela e German não tinham nenhum tipo de compromisso sério ainda.

– Sim, não somos um casal — German falou nervoso e encolheu os ombros.

– Como não?! Vocês estavam de mão dadas! São o casal mais apaixonado que eu já vi por aqui! — exclamou o senhor. Angie ficou vermelha. — Vamos, peguem um barco! Nem precisam pagar pelo aluguel, hoje é por conta da casa! Prometo que vão se divertir, venham — o velho nem deixou-os falar e já puxou-os para onde os barquinhos estavam "estacionados" na água, presos no píer por uma corda forte.

– Ah, vai ser legal, vai — German sussurrou pra Angie enquanto ela seguia, confusa, o senhor grisalho.

– Entrem, entrem! — o senhor havia soltado uma das barcas e estava segurando-a, para que Angie e German entrassem.

Eles se entreolharam e por fim resolveram entrar, afinal, não podia ser tão ruim assim.

Sentaram-se nos banquinhos do barco um de frente para o outro, e o senhor entregou-lhes dois remos: um para Angie e outro para German. Assim, eles já podiam partir.

– Você viu o bigode daquele cara? — Angie se inclinou pra frente, falando baixinho para German quando o senhor se afastou. Ela começou a rir sozinha — Era tudo torto!

– Parece que alguém tremeu bastante enquanto fazia a barba — German riu junto fazendo uma careta bem engraçada. Angie soltou outra gargalhada e balançou a cabeça. Ficaram em silêncio por alguns segundos.

– Você sabe remar? — a loira indagou, tentando equilibrar o grande remo em suas mãos.

– Hum, sei sim, você não sabe? — German riu ao vê-la toda atrapalhada daquela maneira.

– Sei, claro — Angie assentiu forçadamente, é óbvio que ela não sabia. A correnteza do rio já havia começado a levá-los. German riu novamente.

– É assim, Angie — German segurou o remo com as duas mãos e apoiou-o nas laterais do pequeno barco. Em seguida, foi mergulhando o remo na direita e na esquerda, e quando o levantava, dava um empurrãozinho na água para trás.

Angie tentou fazer o mesmo. Ela começou a remar, sem querer, na direção oposta à de German, e isso fez com que eles não saíssem do lugar.

– Angie! — o homem riu.

– Eu não consigooooooo — a mulher começou a bater o remo na água, espirrando um pouco de água para os lados.

– Calma, calma — ele tirou o remo das mãos dela. — O que acha de deixarmos a correnteza nos levar?

– E se a gente se perder?

– Eu nunca estou perdido quando estou com você — sorriu. Angeles não conseguiu esconder o pequeno sorriso que se formara em sua face. — Eu já te disse o quanto você está linda?

– Hum... por que está me falando isso agora? — ela pareceu confusa.

– Não sei, eu estava te olhando e sei lá. — German enrubesceu timidamente. Angeles era a única pessoa do universo que deixava German tímido, que fazia-o se sentir vulnerável.

– Bem — Angie olhou pro chão do barco sorrindo — Obrigada — voltou a olhar para ele. German soltou um outro sorriso e mais uma vez o silêncio se instalou.

Angie ficou olhando para o céu, para a cidade nas margens do rio, para o desenho que o barco fazia na água quando passava... Estava apenas sentindo a sensação confortável que permanecia entre ela e German. Estava tudo tão tranquilo.

– Onde estamos? — a loira olhou em volta, depois de um tempo, quando percebeu que a correnteza parou e o barquinho, consequentemente, também. De repente, ela percebeu que não via mais a cidade, apenas um jardim na margem do rio e uma cachoeira no fim dele.

– Nossa! Acho que chegamos à nascente e nem percebemos. — German remou um pouco com as mãos até ficar um pouco mais próximo da cachoeira. — Olha que lugar lindo que o destino nos trouxe. Como em todo o lugar que estamos alguém nos atrapalha, talvez aqui seja a nossa chance.

Angie riu.

– É realmente lindo. Olha aquelas flores! — ela apontou para o jardim um pouco distante e sorriu. German olhou, sorridente, e avistou sem querer uma rosa vermelha. Seu sorriso se desfez num suspiro triste, que Angie notou sem dúvidas. Ela suspirou. — Sabe, é a primeira vez que não vou poder visitar a Maria no cemitério em seu aniversário — a mulher comentou num tom tristonho. German olhou-a e fechou os olhos com força. Ele odiava vê-la triste assim.

– Angie — o homem pegou as duas mãos dela. — Você não precisa ir ao cemitério para estar perto dela. A Maria está a todo momento com você, comigo, com a Violetta... Ela está mais perto do que você imagina, sabia? Ela está aqui neste exato momento, e tudo o que ela mais quer fazer é poder te abraçar e dizer o quanto te ama. — German concluiu e a loira olhou-o com ternura. Ele sabia direitinho como consolá-la.

– Você acha que ela está feliz? — Angie sorriu triste.

– Não acho que ela esteja contente vendo você com essa carinha. Vamos, se anima. Dá um sorriso bem grande pra deixar sua irmã feliz! — German apertou as mãos de Angie e ela soltou uma risada baixa — Aêeee, bem melhor. Agora sim, Maria está feliz.

– Você é incrível, sabia? — a mulher falou sorrindo.

– Sabia sim, mas obrigado por me lembrar — o moreno disse, se fazendo de orgulhoso, e ela soltou uma risada um pouco mais alta. Angeles tinha cada vez mais certeza de que tinha se apaixonado pelo homem certo.

– Seu besta! — deu um leve tapinha no braço dele.

– Só quero fazer você dar esse sorriso maravilhoso mais vezes — German piscou para ela.

– Para.. — Angeles murmurou, envergonhada. — Eu não acho justo você e eu estarmos assim no dia do aniversário da Maria. — a mulher desabafou. German olhou-a e percebeu que ela falava sério. Ele suspirou, soltou as mãos dela e se levantou do seu banquinho para sentar-se no mesmo que no da mulher, ficando agora ao lado dela.

– Angie, você devia saber que a Maria amava você demais. E tudo que ela queria era te ver feliz. Onde você é feliz hoje? Pode me dizer? — German falou virado para Angeles.

– Perto de você e da Violetta — a loira rapidamente respondeu.

– Então você acha que ela vai querer que você fique onde?

– Perto de você e da Violetta... — Angie concluiu baixinho — Mas, German, você foi marido dela, poxa! Não é justo com ela!

– Ah, Angie, mas ela infelizmente morreu, e deixou três pessoas que ela amava muito para trás. Tudo o que ela deseja agora é ver essas pessoas sorrindo verdadeiramente, para sempre. Felizes. E a única maneira de eu, você e Violetta estarmos todos felizes é quando estamos os três juntos. Entende? Eu acho que hoje o maior presente que Maria poderia ganhar é ver que nós, finalmente, estamos dando um rumo na nossas vidas, acabando com todas as barreiras que bloqueiam a nossa felicidade.

A loira abaixou a cabeça.

– Ei, olha pra mim. — ele levantou a cabeça dela. Ela olhou-o nos olhos. — Você é o destino que o meu coração escolheu. Agora eu sei disso. E dessa vez, eu vou pegar a estrada certa. — German sorriu, falando como Angeles havia falado com ele sobre o destino dias antes — Eu já fiz a minha escolha, Angie. Falta você fazer a sua.

Angeles não tinha mais o que dizer. Tudo o que ela sabia agora era que a escolha dela já estava feita há muito tempo, e agora era o momento certo para mostrar isso. Ela sorriu sem mostrar os dentes e aproximou seu rosto do de German. Ele colocou a mão no rosto dela e ambos fecharam os olhos. Seus lábios estavam quase se encostando... mas o celular de German começou a tocar.

Ele bufou baixinho e se afastou de Angie para tirar o celular do bolso e atendê-lo.

– Fala, Ramalho. — German foi um pouco grosso e Angie virou o rosto pra frente, segurando a risada. Não via muita graça nisso mas essa era a reação dela quando está nervosa.

– Nossa, German, que mau-humor! — Ramalho exclamou do outro lado da linha. — Aconteceu alguma coisa? — curioso, como sempre.

– Na verdade, sim. Estava acontecendo. Até você me ligar. Seja lá o que for podemos resolver depois... — o homem tentava desligar o mais rápido possível.

– Olha, nem quero imaginar o que seja! Desculpe interromper, então, eu te ligo à noite. — Ramalho disse e rapidamente desligou. Parece que ele havia entendido a mensagem do amigo.

German virou-se para Angie e a viu rindo, com as mãos no rosto.

– Que foi? — ele riu junto.

– Coitado, nem sabe o que tá acontecendo e você fala com ele assim! — A mulher olhou para German, vermelha de rir.

– Ah, ele não liga. Na verdade está acostumado. Fazer o que, nem no meio do nada deixam de nos interromper! Agora vem — o moreno aproximou novamente seu rosto do dela — Onde paramos?

– Ah, não — Angie empurrou-o para trás levemente — Não quero mais, quebrou todo o clima!

Ela levantou-se e andou, tentando se equilibrar — já que o barquinho balançava muito -, até a outra ponta do barco. O barco ainda estava parado, perto da cachoeira, sozinho naquele monte de água. Eles eram os únicos seres por ali.

– Ah, Angie! — German levantou-se junto e caminhou até ela. — Podemos reconstruir o clima então, hã? O que acha? — ele sorriu. A mulher estava virada de costas para ele e de frente para a bela paisagem de fora do barco. — Sabe — o homem se posicionou ao lado dela, olhando na mesma direção que ela. Para a cachoeira. — Podíamos fazer isso sempre. Digo, se alguém destruir, nós reconstruímos. Juntos.

Ele falou de modo carinhoso e Angeles, ainda olhando para frente, sorriu sem mostrar os dentes. German olhou-a de soslaio e se contentou ao ver que ela sorrira.

– Fala alguma coisa, poxa! — ele riu. Inesperadamente, Angeles virou-se para ele e tascou-lhe um rápido selinho. Então, voltou a olhar para o horizonte. German sorriu bobo. — Ah. — ele continuou sorrindo. — Quero um beijo direito!

– Eu não quero te beijar — a loira riu. Ela estava mentindo, claro que estava, mas também queria provocá-lo, achava extremamente divertido.

– Não, é? Então por que acabou de me dar um selinho? — German sorriu cafajeste.

– Hum... porque você foi fofo. Aliás, se eu quisesse te beijar direito eu teria o feito em vez de te dar um selinho só.

– É? E eu não acredito em você! — o homem riu e encostou a testa na têmpora dela. Angie afastou-o, sorridente.

– Já disse que não! — ela nem tentava esconder o sorriso.

– Mas eu vou te beijar mesmo assim — German riu divertido, ele sabia que Angeles queria tanto quanto ele. Aproximou seu rosto do dela e ela deu dois passos para trás.

– Você não vai conseguir assim tão fácil — Angie cruzou os braços rindo.

– Estamos num barco no meio de um rio no meio do nada — German cruzou os braços para imitá-la. — Você não tem para onde fugir, princesa — ele piscou e voltou a se aproximar. Angeles foi dando passinhos para trás, pulando os banquinhos do barco, até chegar na outra ponta. German a acompanhou. — Ahá! Você não tem saída.

Ele riu, encurralando-a na outra ponta do barco em que chegaram. Angie não tinha mais como escapar dali. Mas, ela não ia resistir assim, simplesmente. German foi tentando encurtar a distância de seus rostos, enquanto ela foi inclinando seu corpo para trás o máximo que podia, esquivando-se. Até que, de tanto se inclinar, acabou percebendo que perdera o controle do equilíbrio e que iria cair para trás, na água. Antes que ela caísse, segurou o homem a sua frente, e depois disso a única coisa que se pôde ouvir foi um tchibum na água. Caíram os dois do barquinho.

Ambos afundaram e voltaram para a superfície juntos, afinal, Angeles não sabia nadar e estava se segurando na camisa e nos ombros de German para não afundar ali.

– Angie! — German exclamou, passando a mão pelos olhos para tirar a água, e conseguindo abri-los. Angie começou a rir descontroladamente.

– Meu Deus, desculpa! — ela ria extremamente alto. O homem sorriu e enlaçou um de seus braços na cintura dela, por debaixo da água, aproveitando que ela estava toda agarrada nele para não afundar.

– Cara, toda vez que eu tento te beijar acontece algum acidente envolvendo água! Da primeira vez na vida, fui atingido por um copo d'água, dessa vez por um rio, credo, não vou nem tentar de novo que senão da próxima vez vai vir um tsunami me atacar! — German reclamou rindo. Angie ria junto com ele.

– German, seu bobo, cala a boca e vem cá — aproveitando que segurava em sua camisa, a mulher puxou-o pela camisa e beijou-o com todo o amor que ela tinha transbordando em seu peito.

E lá estavam eles. Sozinhos, no rio, ao lado de um barquinho vazio, na frente de uma cachoeira e perto de um longo jardim, beijando-se do jeito mais apaixonado que já beijaram em todas as suas vidas.

No final das contas, ele gostou de ter caído no rio. Angie parou o longo e calmo beijo com selinhos demorados e delicados. Eles encostaram as testas.

– Aí sim... — German riu baixinho e acariciou o rosto dela. A loira estava tensa, segurando firmemente nos ombros do homem. Ela deu-lhe outro selinho demorado e abriu os olhos.

– Hum, eu gosto do seu beijo. — Angeles disse baixinho. German riu.

– É — ele sorriu divertido e mordeu levemente a bochecha da mulher — E eu do seu. — então, voltou a beijá-la sem se preocupar com mais nada no mundo inteiro.

XX

– Cadê o meu pai, Jesus? — Violetta andava em círculos, pelo saguão do hotel, falando sozinha. Ela tinha o celular em mãos, discando pela quarta vez o número do seu pai, que não a atendia por nada.

– Falando sozinha? — uma voz grave invadiu os ouvidos da menina. Violetta se assustou e virou-se para trás, sorrindo imediatamente vendo Leon ali, de braços cruzados, sorrindo para ela.

– Talvez — Violetta sorriu. — Meu pai combinou de jantar comigo mas ele simplesmente sumiu!

– Bom, acabou de anoitecer, vai ver ele esteja atrasado. — Leon sentou-se no braço de uma poltrona do saguão.

– É, mas ele não me atender é meio estranho — Violetta riu e sentou-se no braço da poltrona ao lado de Leon.

– Sua tia deve saber alguma coisa, por que não liga pra ela? — Leon passou o braço em volta da sua namorada e fê-la deitar a cabeça em seu ombro.

– Pior é que eu já tentei, ela também não atende... E eu fui no quarto, ela não está lá — a menina suspirou. De repente, analisou novamente sua fala e assimilou tudo como num passe de mágica. — Leon! — ela exclamou, levantando-se da poltrona.

– Quê? — o menino levantou-se também, confuso.

– Meu pai e minha tia sumiram, então isso quer dizer que... — Violetta falava sorrindo imensamente. Leon sacou tudo e seu semblante ficou surpreso.

– Você acha?!

– Aaaaaaah, não sei, mas espero que siiiim — ela começou a dar pulinhos.

– Calma — Leon riu — Não se exalte, vai ver é só coincidência.

– Coincidência demais pro meu gosto! — Violetta cruzou os braços rindo.

– Nunca se sabe — Leon sorriu. — Meu amor, eu vou descansar um pouco, depois nos vemos, ta bom?

– Tudo bem, vai lá — a menina se aproximou e beijou o rosto do seu namorado. — Te amo.

– Eu também te amo — o garoto deu-lhe um leve selinho e se retirou.

Violetta respirou fundo e voltou a se sentar no braço da poltrona, ia tentar ligar para o seu pai novamente, mas no final das contas acabou nem sendo necessário. Angeles e German entraram no hotel, encharcados. A garota ergueu o olhar e estranhou ao vê-los assim. Ela levantou-se e correu até eles.

– O que é isso? — disse rindo. — Onde choveu?!

– Isso é a arte dessa sua linda tia que jogou a gente no rio — German comentou rindo e esticando sua camisa toda molhada pra frente, mostrando a sua filha.

– A culpa foi toda sua! — Angie riu divertida, se lembrando. Violetta encarava-os sorridente, e com os olhinhos brilhando.

– O que você fez pra ela te jogar no rio, papai? — a menina virou-se para seu pai, rindo divertida, como se já desconfiasse. Angie rapidamente arregalou os olhos e ficou vermelha.

– E-eu? — German gaguejou — Nada, a Angie que é louca! — exclamou nervoso buscando por uma boa desculpa em sua mente. Angeles encarou German e encontrou a desculpa perfeita antes dele. Na verdade não era bem uma desculpa, ela simplesmente ia desviar do assunto encenando uma pequena briga.

– Eu louca? — a loira virou-se fazendo-se de indignada. Angeles era realmente uma ótima atriz. — Claro, até porque fui eu que tentei jogar uma bexiga d'água em você, não é? — a mulher rapidamente lembrou-se das crianças fazendo guerrinha com bexigas d'água no parque e falou isso mesmo. German virou-se pra Angie, confuso com o que ela estava dizendo, mas então ele viu-a piscando e sorrindo discretamente pra ele, sem que Violetta percebesse.

– Sim, você é louca! Ninguém atira os outros no rio por causa de uma bexiga d'água! Sua fresca! — German entrou na encenação e Angie teve vontade de rir, mas se conteve.

– Ah, agora tá me chamando de fresca? Escuta aqui, German — ela levantava os braços enquanto falava — O único fresco aqui é você, por algum acaso é de açúcar por estar reclamando tanto de ter caído no rio? Seu molenga!

– Escuta aqui, você! — ele deu um passo para perto dela, fingindo estar bravo. Violetta estava caindo direitinho, olhando meio assustada para os dois. — Seja como for você não tem o direito de...

– Gente, CHEGA! — Violetta interrompeu gritando. — O que é isso? Parem de brigar por pelo menos um segundo!

German e Angie se entreolharam, segurando a risada. Angie comprimiu os lábios para não rir e German mordeu a própria língua.

– Está bem — German respirou fundo — Eu vou tomar um banho e já vamos sair para jantar, ok, filha?

– Sim, tudo bem. — Violetta assentiu. — Você podia vir com a gente, né, Angie?

– Er... — a loira não sabia se aceitava ou não. Olhou rapidamente para German depois voltou a olhar para sua sobrinha. — Não sei se o molenga do seu pai vai gostar disso, ele deve estar com medo que eu o jogue no rio novamente — Angie fez careta e Violetta riu. E German revirou os olhos.

– Eu acho que é você quem é que tá com.. — German ia começar a discussão novamente, mas Violetta os interrompeu de novo.

– Papai, chega. A Angie vai e ponto. Agora vão os dois tomar banho, eu vou andar um pouco por aí enquanto espero. — e então a Violetta se retirou dali.

Assim que a menina saiu do campo de vista deles, ambos se olharam e caíram na gargalhada.

– Bexiga d'água, Angeles? — German ria.

– Foi a primeira coisa que me veio na cabeça, fica quieto, eu te salvei dessa! — ela exclamou rindo. — Somos ótimos atores, fala sério. — a loira estendeu o dedinho para o German e ele entrelaçou o dele com o dela.

– Os melhores!

– Você me deve uma! — Angie sorriu.

– Será? Você me chamou de molenga! — o homem fingiu-se de indignado e ela riu novamente.

– E daí? Você me chamou de louca! — a loira mordeu os lábios.

– Vamos ver quem é o molenga por aqui — o moreno riu e tascou um selinho em Angeles. Ela afastou-o rápido.

– Ei! Aqui não! — sorriu envergonhada e desviou o olhar.

– Por que não? — German sorriu cafajeste e segurou a cintura de Angeles, colando os corpos. A loira agradeceu mentalmente por não haver ninguém do Studio por ali.

– Hummm.. — Angie fechou os olhos com a aproximação e logo abriu-os novamente. Deixou os rostos bem próximos, fazendo que ia beijá-lo, e sussurrou contra seus lábios: — Porque não! — e então, simplesmente deu uma mordida no lábio inferior dele e saiu correndo para o elevador, deixando um German indignado no meio do saguão.

– Ei! Angie! Ah, não, volta aqui! — ele ia atrás dela mas a porta do elevador já tinha se fechado, e Angeles subiu rindo. German bufou e balançou a cabeça, logo em seguida soltando um sorriso bobo. Subiu de escada até o andar do seu quarto e foi para o banho se arrumar antes que Violetta tivesse um treco de tanto esperar.

XX

Angeles estava pronta, tinha colocado um vestido simples, azul e um pouco rodado na saia. Deixou o cabelo solto e fez os cachinhos apenas nas pontas. Sua maquiagem estava bem leve, mas é claro que ela havia passado um batom vermelho para destacar seus lábios. Passou perfume e calçou um salto não muito alto. Depois de pronta, pegou sua bolsa e desceu. Encontrou Violetta no saguão novamente.

– Ué, cheguei primeiro que seu pai? — Angie disse enquanto caminhava do elevador até sua sobrinha. Violetta sorriu para ela.

– Chegou, acredita? — a menina riu. Angeles chegou até ela e segurou seu rosto, sorrindo — Você está melhor, tia?

– Estou, meu amor — Angie deu um beijo na testa da garota. — Sobre isso, eu e seu pai queremos te contar uma coisa. Mas só quando chegarmos no restaurante, tá bom?

Violetta franziu a testa.

– Não me diga que vocês finalmente estão juntos! — Violetta arregalou os olhos e sorriu de boca aberta.

– Nãoooooo! — Angie riu — Não, não é isso. Para de tentar adivinhar, na hora você vai saber.

Nesse instante, uma mão cobriu os olhos de Angeles e sua visão ficou preta. A loira escutou uma risada de Violetta e, assim, sorriu involuntariamente. Ela já sabia quem era. Colocou as mãos sobre aquelas que estavam em seus olhos e tirou-as de lá, logo em seguida virando-se para ver quem era.

– Ah, sabia que era você — a loira mordeu os lábios sorrindo. Ele estava perto demais, ela podia sentir seu perfume. German riu e beijou carinhosamente o rosto de Angeles.

– Perdi alguma coisa? Meia hora atrás vocês estavam brigando — Violetta indagou confusa.

– Fizemos as pazes — German sorriu. — Vamos — ele segurou a mão de Angie e passou o braço pelos ombros de sua filha, saindo, então, com as duas pela porta principal do hotel.

Angie se sentia estranha por estar de mãos dadas com German na frente de sua sobrinha. Mas a menina estava agindo tão normalmente que nem devia ter percebido.

– A gente vai a pé? — Violetta questionou, percebendo que os três estavam andando pela calçada e não estavam indo em direção a algum táxi.

– Você é tão velha a ponto de não aguentar andar duas quadras? — German cutucou a cintura da sua filha e ela se esquivou, sentindo cócegas. Angie riu.

– Ah, mas eu andei o dia inteeeeeeiro, to cansada — a menina fez bico — Tia, me leva — Vilu deu a volta no seu pai, e abraçou Angeles. A loira soltou a mão de German e correspondeu o abraço, sorridente.

– Levo, meu bebezão — Angie riu e encarou German, que estava rindo também. Ambos tiveram uma ideia. German pegou Violetta pelas pernas e Angie pegou-a pelo tronco e levantaram-na, começando a correr com ela daquela maneira.

– Eiiiiiii, me ponham no chão!!!!!!! — Violetta começou a gritar e se debater. Angie e German caíam na gargalhada.

– Ué, você não queria que a gente te levasse?! — Angie dizia rindo, eles pararam de correr a ficaram andando, ainda com a menina nos braços.

– Não desse jeito!!! As pessoas estão olhando! — a menina escondeu o rosto.

– E você tá com vergonha, é? Relaxa, ninguém sabe que é você. Vamos resolver isso. EI — German começou a gritar — SIM, ESSA É A VIOLETTA CASTILLO, ELA É UM BEBEZÃO QUE GOSTA DE COLO, SABIAM? — ele saiu gritando. Muitas pessoas olhavam. As ruas de Sevilla eram incrivelmente cheias à noite. Violetta estapeou os braços de seu pai.

– Paaaaaaaaaaaiiiiiiii, para, seu doido! — ela bufava e German ria junto com Angie.

– Tadinha — a loira ria — Vamos te colocar no chão ó — German olhou Angie e então soltou as pernas de Violetta. Quando ela ficou de pé, Angie soltou seu tronco. — Agora não foge da gente! — Angie riu.

– Não vou fugir, mas estou brava — Vilu cruzou os braços e fez cara de zangada, e saiu andando na frente. German e Angie se entreolharam segurando a risada. Violetta tinha ficado brava mesmo?

German fez um gesto com a cabeça para Angie, para que eles fossem até a menina. Correram até ela e começaram a enchê-la de beijos no rosto, Angie por um lado e German pelo outro.

– Ahhhhh, minha bebê ficou bravinha, foi? — Angie dizia entre os beijos.

– Perdoa o papai e a titia, perdoa? — German dizia entre os beijos.

– Bleh, não sei se vocês merecem. — a menina mantinha o bico.

– Merecemos simmmmm, a gente te amaaaaaa! — Angie passou os braços pela cintura de sua sobrinha e German pelos ombros.

– Amam, é? — Vilu murmurou.

– Simmmm!!! Você é minha sobrinha favorita! — Angeles disse sorrindo divertida.

– Jura? — Violetta virou o rosto pra ela, sorrindo — Não, espera — ela balançou a cabeça, ficando séria novamente — Eu sou sua única sobrinha! — a menina bufou e virou seu rosto pra frente de novo. Angie riu alto.

– Ah, filha, mas você sim é minha filha favorita! — German segurou a risada.

– Não vale, você não tem outra filha — Violetta resmungou.

– Estamos brincando, meu anjo — Angie falou mexendo nos cabelos de sua sobrinha. — Você está brava mesmo?

– Não! — Violetta respondeu, soltando uma grande risada — Enganei vocês!

– Ah, mas que espertinha — German balançou a cabeça. Angie mordeu os lábios.

– Ok, German, fomos enganados. Vai ter troco, né? — Angie questionou sorridente, provocando Violetta. Ela estendeu a mão para German bater com a sua, e assim ele o fez, com cara de misterioso.

– Ô se vai!

– Eu hein, parem com isso — Violetta riu, abraçando os dois de lado. Ela estava no meio deles. Assim, os três, abraçados, entraram no restaurante. Aquela seria uma longa noite. German e Angeles revelariam o que havia de tão importante naquela data especial. Poderia ser difícil lidar com tudo aquilo, mas como uma família, eles podiam.

Notas finais
Comentem, e me perdoem da proxima eu encurto (ah e o capitulo continua daí ok)