Notas iniciais
Oie! Quero muito agradecer por todo o carinho de vocês em relação a fic e principalmente ao capítulo anterior hehe vocês que conversam comigo fora do Nyah, ou pelas mensagens e comentários daqui mesmo, muito obrigada do fundo da alma, gente! ♥ Estou muito feliz com a resposta de vocês a tudo que eu escrevo! Sei que estão esperando um capítulo recheado de Germangie, já que é pós-pedido de casamento, masssss esse capítulo é basicamente só Violettangie.... PORÉM MUITA CALMA não se desesperem, ainda temos até o cap 30, tem muito chão pela frente... e a história não tem só o German e a Angie por isso capítulos como esse são necessários, beijaum

— Eu não estou acreditando. Isso é sério mesmo? — mordi os lábios, não conseguindo ficar quieta enquanto German colocava o anel no meu dedo.

— Sim, meu amor. É real! — o homem riu, me olhando carinhoso. Senti meu braço arrepiar de novo. Foi a primeira vez que German me chamou de amor.

— Seu amor? — sussurrei emocionada. Eu ainda não tinha parado de chorar.

— Meu amor. — ele mantinha um sorriso gigantesco no rosto. Ainda estávamos na ponte, mas por sorte as pessoas já não estavam mais aglomeradas ao nosso redor. German me encostou na grade e eu mesma comecei a enchê-lo de beijinhos de brincadeira.

— German Castillo, meu amor — eu ria junto com ele. Estava boba. Ficaria repetindo isso pra sempre até que a ficha caísse. Não estava nem aí se ele pulou completamente o estágio do namoro, até porque, nós já sabíamos o que queríamos. Queríamos pertencer um ao outro pra sempre. Pra que perder tempo?

— Eu sempre fui seu. E eu prometo, Angeles — me olhou nos olhos -, te recompensar todos os dias por todas as palavras que eu disse a pessoas erradas, quando eu só deveria ter dito-as a você.

— Você já recompensou — soltei uma risadinha, acariciando seu rosto. Contornei alguns traços de sua pele, admirando cada detalhe. Amava cada célula daquele homem. — Eu não esperava por essa...

German riu — Foi intencional. Queria te surpreender. Ninguém pede a garota em casamento no primeiro encontro, então...

— Bem criativo — sorri, deitando minha cabeça em seu peito. Senti German me envolver com os braços. Ficamos abraçados.

— Planejei tudo desde Buenos Aires. Janette me ajudou.

— Quê? — exclamei, erguendo o rosto. — Sabia que ela sabia de alguma coisa! Aquela traidora! — comecei a rir.

— Precisava de uma cúmplice. Pensei na Violetta mas ela com certeza não aguentaria guardar esse segredo de você. — ele riu. — Janette me deu algumas dicas. Eu fiquei ensaiando o que te dizer na frente do espelho milhares de vezes. Estava nervoso.

— Eu gosto desse German sem barreiras que você é comigo, sabia? — fechei os olhos enquanto senti-o beijar meu queixo e subir os beijinhos para minha boca. Foram vários selinhos. É muito meloso se eu disser que eu não queria que aquela noite acabasse nunca?

— Esse é o German que só quem eu amo eu permito conhecer. — o homem sorriu. O abracei mais uma vez. — Precisamos voltar ao hotel, linda. Está tarde.

Murmurei baixinho. — Ah nãoooooooo... — escondi meu rosto em seu corpo. — Essa foi a melhor noite da minha vida.

— Pode acreditar, Angie — German me fez olhá-lo. — Terão muitas outras cada vez melhores. Não acredito que você realmente aceitou!

— E eu não acredito que você pediu — gargalhei, mordendo os lábios. — Vamos, então. — respirei fundo. — Violetta deve estar que nem louca me esperando.

German riu baixo — Eu até imagino. Mulheres... — ele pegou minha mão e descemos a ponte juntos, seguindo em direção a entrada do hotel de mãos dadas, como símbolo da nossa união concreta. E eu querendo apressar as coisas antes... Como fui boba. Podia ter demorado anos, ia valer a pena. Tudo com German valia a pena.

XX

Entrei no quarto do hotel mais eufórica do que nunca. Eu ia me casar. Com o amor da minha vida. EU IA ME CASAR. Daquele jeitinho mesmo! Numa igreja, com um vestido branco, e com melodias maravilhosas tocando. Me perguntei mais uma vez se aquilo era real. Só conseguia pensar nisso. O resto do mundo desapareceu por completo. Meu coração estava mais que disparado. Aquela noite literalmente mudou a minha vida.

Era tarde e Violetta parecia estar dormindo, para a minha surpresa. Troquei de roupa rapidamente e deitei em meu lado da cama de casal. Tentei fechar os olhos para dormir, mas a felicidade era tanta que eu simplesmente não conseguia. O sorriso estampado na minha cara simplesmente não fechava. Eu precisaria de 20 calmantes para conseguir pegar no sono essa noite.

— Angie? — Violetta murmurou. Ela estava virada para o outro lado, mas devia ter acordado comigo se remexendo o tempo todo na cama.

— Oi, meu amor. Volte a dormir, você tem um longo dia amanhã — mexi nos cabelos da garota e ela virou-se, ficando de frente pra mim. Estava com uma carinha de sono tremenda.

— Angie! — ela pareceu despertar do nada assim que me viu, e se sentou na cama num passe de mágica.

— Quê? — me sentei também, rapidamente, para ficar frente a frente com minha sobrinha.

— Você saiu com o papai! Como que foi?! Me conta tudo tudo tudo! — Violetta segurou meus ombros e me sacudiu, enquanto eu soltei uma risada divertida.

— Bem... acho que isso pode te explicar — falei sorridente e estendi minha mão com a aliança pra ela. Violetta arregalou os olhos e sua boca se escancarou.

— O QUEEEEEE???? ANGIE, VOCÊS... VOCÊS VÃO..? — minha sobrinha gritava.

— Shhhhhh, as pessoas nos quartos ao lado estão dormindo — falei baixinho, rindo — Sim, nós vamos. — mordi meu lábio. Eu estava igualmente empolgada. E feliz com a reação positiva dela.

— AHHHHHH, não posso acreditar! MEU PAI E MINHA TIA ESTÃO NOIVOS! — a menina me abraçou com força e eu correspondi com a mesma intensidade, não podia parar de rir daquele desespero. — O papai vai te fazer muito feliz. E você vai gostar muito de viver com a gente. Sério! — Vilu falou no abraço. Eu a apertei mais.

— Eu tenho certeza disso. Está feliz? — sorri.

— Se eu estou feliz? — ela se afastou um pouco para me olhar — Não, não, dei esse surto porque estou triste — rolou os olhos e eu ri — Óbvio que estou feliiiiiiiiz, mais que feliz, extremamente feliz! — Violetta me abraçou novamente. — Finalmente vou ter a mãe que sempre sonhei!

— Ah, meu bebê — a balancei enquanto a abraçava — Você também não tem ideia do quanto eu estou feliz. Chorei horrores com a declaração que o seu pai fez pra mim. Vocês são a família que eu sempre sonhei, não há nada melhor do que isso que está acontecendo hoje. — beijei a cabeça dela. — Não consigo nem dormir de tão eufórica que estou!

— Ah, agora nem eu vou conseguir dormir desse jeito! — Vilu me soltou, rindo. Ela segurou minhas mãos e analisou meu anel. — Meu Deus, que coisa mais linda!

— Né? Estou apaixonada — sorri boba, também olhando para o objeto brilhante em meus dedos. — Ele foi tão romântico, trouxe até rosas.

Minha sobrinha sorriu encantada. — Queria ter estado lá pra ter visto tudo. Vocês sempre foram um do outro, não há quem possa negar.

— E pensar que vivíamos brigando — mordi os lábios, nostálgica. — Tenho saudade daquela época. Ele me demitia quase uma vez por mês, e ao mesmo tempo sempre flertava comigo. German me conquistou de uma maneira que.. ah.

— Você conquistou todos nós também, mulher — Violetta me abraçou mais uma vez, agora mais calma. Deitamos juntas na cama, sem nos soltar. Me sentia completa. — Ei, o que acha de passarmos a noite vendo filmes, querida tia?

— Hummmmm, eu acho uma ótima ideia, querida sobrinha — falei rindo. — Mas você tem show amanhã! Precisa descansarrrrr — dei um beijo na bochecha dela, carinhosamente.

— Mas eu perdi o sono! Qualquer coisa eu durmo amanhã à tarde. — Vilu apertou minhas mãos — Por favoooooooor!

— Ah, tá bem, tá bem. Só hoje, viu? — sorri. Violetta ergueu os braços, vitoriosa.

— Uhul! Vem, vamos ver o que está passando.

Vilu ligou a TV do quarto e eu me ajeitei na cama, puxando-a para deitar em mim. Ela abraçou minha cintura e apoiu a cabeça no meu peito. Viramos a noite dessa maneira, assistindo filmes como Três vezes amor, Par perfeito, Encantada, e por último Frozen. Acho que devemos ter incomodado um pouco os vizinhos por estarmos cantando alto Libre Soy às cinco e meia da manhã. Mas não importava. Eu estava com a minha sobrinha e estava noiva do homem que eu amo. Não podia reclamar de mais nada nessa vida.

Vilu adormeceu no final de Frozen, lá pelas seis e quinze da manhã. Fiquei fazendo carinho no cabelo dela, já que eu não tinha como me mexer direito pois ela estava deitada em meu colo. Tentei dormir, mas minha cabeça não conseguia parar de pensar nas palavras de German para mim na noite passada. Nunca ouvi nada tão lindo antes, nem nos melhores filmes. Fiquei um tempo parada, olhando para o teto, para ver se o sono vinha. E depois de um tempo, ele finalmente veio. Ia fechando meus olhos, mas meu celular apitou brevemente. Uma mensagem.

Procurei-o entre as cobertas e peguei-o quando achei. Era de German. Sorri involuntariamente.

“Bom dia, meu amor! Quase não consegui dormir noite passada de tão feliz. Espero que tenha dormido bem. Te amo.”

Mordi meu lábio enquanto lia a mensagem. As coisas estavam cada vez melhores. Agora eu ia acordar todo dia com um bom dia desses. Dessa maneira meus dias iriam sempre começar maravilhosos. Respondi-o com um sorriso na cara.

“Hum... bom dia pra você, pra mim é boa noite! Passei a madrugada inteira vendo filmes com a Violetta e vou dormir um pouco agora. Falando nisso, ela gostou muito da notícia, sabia? Também amo você, bobão. Te vejo mais tarde?”

German respondeu segundos depois:

“Você contou a ela? Ótimo, fico feliz que ela tenha gostado. Claro que nos vemos mais tarde, e se vocês duas não acordarem eu vou aí perturbá-las”

Soltei uma risada baixa, para não acordar minha sobrinha.

“Tudo bem, Ge. Prometo não dormir demais. Agora vou descansar. Beijinhos.”

Sorria relendo as mensagens. German fazia eu me sentir completamente uma adolescente apaixonada. Balancei a cabeça e comprimi os lábios. Deixei o celular de lado e me ajeitei cautelosamente no travesseiro, para não acordar Violetta, que ainda estava deitada sobre minha barriga. Parecia um bebêzinho dormindo tão aninhada a mim. Acho que sempre tivemos essa conexão. Sorri mais uma vez. Uma lembrança me veio à mente.

Era uma ensolarada manhã de março. Eu estava na escola. Tinha acabado de completar meus oito anos. Era um dia comum, mas eu estava hiper ansiosa porque a minha sobrinha nasceria no dia seguinte, como estava planejado. Maria estava com um barrigão enorme e meu cunhado German estava mais feliz que nunca. A família inteira estava em clima de festa, pra falar a verdade. Todos animados e ansiosos.

O sinal de fim de aula finalmente bateu. Eu juntei os materiais em cima da mesa e joguei tudo dentro da minha mochila, de qualquer jeito. Estava morrendo de sono e queria ir para casa dormir a tarde toda. Saí da sala junto com meu melhor amigo Pablo e fomos conversando até chegar ao portão de entrada da escola.

— Angie, minha mãe disse que você pode ir almoçar em casa amanhã se você quiser — Pablo sorriu. Baguncei seu topetinho e ri.

— Não vai dar, a Violetta vai nascer amanhã, Pablo! Falei disso o mês inteiro, seu esquecido. Eu estou tão ansiosa! — dei alguns pulinhos enquanto andava — Será que ela vai gostar de mim?!

— Ah, é verdade! Claro que vai, Angie, você é divertida. Violetta vai te adorar — ele sorriu para mim. Pablo era meu único amigo, eu costumava ter mais facilidade para fazer amizade com meninos do que com meninas. Eu tinha uma amiga, a Helena, mas ela não era tão próxima quanto o Pa. O problema é que mês passado entrou uma menina metida na outra sala que ficava tentando roubar o Pablo de mim. Jaqueline. Não gostei dela nem um pouco, por mais que ela seja sobrinha de um amigo da mamãe. Mas fora isso, Pablo e eu temos uma conexão que ninguém pode roubar.

— Bem, não sei, tenho medo! E se o German não deixar eu brincar com ela? Ele me dá medo, é sério demais às vezes. Acho que se eu fosse a Maria casaria com alguém mais sorridente — soltei uma risada e Pablo riu junto comigo.

— Se sua irmã se casou com ele é porque ele é legal. Não deve ser tão ruim assim!

— Ah, sei lá, ele é muito rico. Ricos costumam ser metidos e idiotas, igual o Juan da nossa sala. Ah, e outro dia eu ouvi o German conversando com minha irmã. Estavam falando sobre uns tais de japoneses, tá vendo? Ele é esquisito.

Pablo soltou uma risada.

— Mas no outro dia que eu fui na sua casa ele conversou comigo e foi muito legal.

— O que ele te disse? — virei-me para Pablo, curiosa.

— Perguntou se eu gostava de cantar igual você e a sua irmã. Eu respondi que sim e que gostava de tocar guitarra também, por mais que eu ainda soubesse apenas alguns acordes. E então ele disse que queria me ouvir cantar outro dia. Ele é um cara maneiro.

— Ah... vai ver ele não seja tão ruim assim, então — sorri. — Mas que ele dá medo, dá — ri novamente e enfim chegamos ao portão da escola. Pablo avistou sua mãe.

— Minha mãe está ali. Vou indo, depois eu ligo na sua casa pra continuarmos a atividade em dupla de ciências. Tchau, Angie — Pablo acenou e começou a andar até sua mãe.

— Tudo bem, tchau! Manda um beijo pra tia Rose. — sorri e acenei.

Virei-me para o outro lado e comecei a procurar por minha mãe. Ela sempre costumava chegar cedo para me buscar, mas eu não a vi ali no momento.

— Angeles! — ouvi uma voz grossa me chamar. Virei para trás e avistei Ramalho, o assistente do marido da minha irmã, vindo em minha direção. O que ele estaria fazendo aqui?

— Ramalho? — estranhei. — Cadê a mamãe?

Ramalho veio até mim, segurou minha mochila e a minha mão, e começou a me guiar até o carro.

— Sua mãe não pode vir te buscar, mas temos uma surpresinha pra você!

— Que surpresa, Ramalho? — entrei no banco de trás do carro e coloquei o cinto. Ele deixou minha mochila no banco ao lado do motorista e deu partida. Começou a fazer um caminho diferente ao que ia pra minha casa e isso me deixou ainda mais confusa.

— Você já vai descobrir — sorriu, olhou-me rapidamente e voltou a prestar atenção na pista. Ramalho era mais legal que German. Dele eu gostava.

Eu estava morrendo de sono e calor. Meu cabelo loiro estava preso num rabo de cavalo e aquele uniforme estava me sufocando. Precisava de um banho. Mas, pelo jeito, para casa era o último lugar que eu iria hoje. Aonde ele estava me levando, e por que ele não dizia?

Foi aí que Ramalho entrou no estacionamento do hospital.

— Hospital?! O que aconteceu? Estão todos bem? — soltei o cinto e fiquei em pé no banco de trás, assustada. Ramalho riu.

— Estão sim, pequena Angeles, acontece que a bolsa de sua irmã estourou hoje cedo, e então... — ele me olhou divertido.

— E ENTÃO A VIOLETTA ESTÁ NASCENDO? AH, MEU DEUS, RAMALHO, VAMOS LOGO — gritei animada e, assim que ele estacionou, saí do carro correndo em direção a entrada do hospital.

— Espera aí, menina! — Ramalho veio atrás, rindo do meu desespero.

De repente eu não sentia mais sono nem calor. Eu só não podia mais esperar pra ver a Vilu. Como será que ela era? Linda como a Maria? Será que ela se pareceria mais com minha irmã ou com o German?

Entrei na sala de espera do hospital e vi mamãe. Saí correndo e a abracei. Ela estava tão contente quanto eu, e agradeceu Ramalho por ter ido me buscar. Fiquei enchendo-a de perguntas, e mamãe começou a ficar sem paciência. Mas fazer o quê? Eu não podia evitar, era minha sobrinha que estava nascendo! Contei aos meus colegas que eu ia ser tia com essa idade eles acharam o máximo.

Alguns minutos depois, um médico apareceu e veio falar com a mamãe e com o pai do German, que também estava por ali. Ramalho estava tentando me distrair antes que eu enlouquecesse todo mundo com a minha euforia. Eu era muito hiperativa. Inquieta.

— Filha! Adivinha quem nasceu linda e saudável?! — minha mãe se aproximou de mim quando o médico saiu.

— Viluuuuuuu!!!! — pulei animada. — Podemos vê-la? Diz que sim, diz que sim, diz que sim!

— Podemos, meu amor — minha mãe riu — Vamos, ela está no quarto com a Maria e o German.

Fomos todos então caminhando até os quartos da maternidade e entramos no que havia escrito "Violetta Castillo" na plaquinha pendurada na porta. Me deparei com minha irmã deitada na cama de hospital, German na poltrona e uma bebezinha minúscula nos braços dele. Ajeitei minha franja, que sempre ficava pra fora do rabo de cavalo, e corri até German, apoiando-me em suas pernas para ver a minha sobrinha.

— AHHHH, que linda, meu Deus!!!! — falei um tanto alto. Ela estava dormindo.

— Shhhh, Angie, ela vai acordar se você gritar assim — minha mãe me pegou no colo, tirando-me de perto da menina. Maria riu levemente, ela estava com cara de cansada. Fazer um parto não deve ser muito animador.

— Deixa eu ver a Vilu! — resmunguei e tentei sair do colo de minha mãe. Eu também era muito teimosa.

— Primeiro a vovó — minha mãe me colocou no chão e se aproximou de German, que sorria com a Violetta no colo. Enquanto isso, minha irmã fez um gesto para eu me aproximar e eu caminhei lentamente até ela. Maria me pegou nos braços com dificuldade e me sentou na cama de hospital junto com ela.

— Calma um pouquinho, eu vou deixar você pegar a Violetta no colo — minha irmã sussurrou pra mim e eu a abracei com força.

— Ela é linda! — falei olhando para a bebê, que agora minha mãe estava segurando. — Como você está, mana? — virei-me para a Maria. Ela sorriu.

— Muito muito muito feliz! E você?

— Também! Será que a Vilu vai gostar de mim?

— Claro que vai, Angie — Maria me abraçou levemente — Vocês vão ser mais que tia e sobrinha, tenho certeza. Vão ser grandes amigas.

— Tomara — sorri grande.

— Linda da vovó — minha mãe falava com Violetta, que ainda dormia. — Ah, você é tão linda!

— Você tem que ver os olhos dela, mamãe! São maravilhosos — Maria falou sorridente e German sorria feito bobo. Que milagre, ele sorria!

— Ela é muito parecida com a Maria, dona Angélica. — German disse contente e minha mãe devolveu Violetta para ele.

— Deixa eu ver agora? — balancei as perninhas, impaciente.

— German, traz a Vilu aqui e põe no colo da Angie — Maria ajeitou minha franja.

— Tem certeza que vai colocar a menina no colo da Angeles, Maria? — minha mãe indagou — Ela não tem jeito pra segurar um bebê — concluiu e eu bufei.

— Ela é tia da menina. Eu confio nela. — Maria beijou meu rosto e eu sorri grande. Minha irmã era incrível. German se aproximou de mim e me entregou Violetta. Eu ainda estava sentada. Segurei-a com muito cuidado, parecia bem mais frágil que as minhas bonecas. Ela era tão pequenininha. Tão fofinha. Dava vontade de morder suas bochechas avermelhadas.

— Oi, Violetta — falei baixinho com minha sobrinha. Todos me observavam, atentos. — Eu sou a Angie. Sua tia. Eu espero que sejamos muito amigas! Você é linda — sorri. De repente, Violetta começou a se mexer nos meus braços e acordou resmungando chorosa. Olhei desesperada para minha irmã. Eu tinha feito algo errado?

— Calma, é só balançar devagarzinho e cantar alguma coisa pra ela. — Maria me encorajou.

— Mas quem canta aqui é você! — exclamei.

— Você também canta que eu sei, mocinha — minha irmã riu. Ela era demais. Maria era a melhor pessoa que já conheci em toda a minha vida. German era um homem de sorte.

Olhei para Violetta novamente e balancei-a devagarzinho, cantarolando uma música que mamãe cantava para eu me acalmar quando eu era menor. Logo Vilu parou de chorar e ficou me encarando com aqueles grandes olhos castanhos, iguaizinhos aos de German.

— Olá — falei rindo e a bebê ainda me encarava — Muito prazer em conhecê-la — mordi meus lábios. Pude ver German sorrindo novamente. Maria me olhava com ternura. — Você é uma graça. — sorria. — Bu! — fiz uma careta engraçada e a bebê continuou me encarando. Depois, fiz meus olhos ficarem vesgos, e então Violetta soltou uma risada gostosa e segurou meu dedo.

— Acho que ela gostou de você — German disse e eu o olhei, sorridente. Voltei a olhar para minha sobrinha.

— Eu também gostei muito de você, Vilu.

Me acordei da lembrança e fiquei sorrindo feito boba. No final das contas, Violetta tinha mesmo gostado de mim. A olhei toda aninhada a meu corpo enquanto dormia e então beijei sua cabeça.

— Te amo, Vilu. — abracei-a cuidadosamente e fechei os olhos. Alguns minutos depois, caí no sono.

XX

— ANGIE! — Violetta me acordou, pulando na cama. — São duas da tarde, mulher! Levanta!

— Hein? — murmurei, abrindo os olhos devagarzinho por conta da claridade. — Ah, me deixa dormir mais um pouquinho — resmunguei e enfiei a cabeça no travesseiro.

— Tia, não vai rolar, enquanto você dormia seu celular tocou sete vezes. Ou estão precisando urgentemente de você ou alguém morreu. — Violetta disse rindo, com meu celular em mãos. Ergui a cabeça pra ela e peguei o aparelho eletrônico. Três chamadas perdidas de German. Três de Pablo e uma de Gregório.

— Ai, senhor, não se pode nem mais dormir em paz — bufei, discando o número de German primeiramente. Minha sobrinha riu e balançou a cabeça. — Oi, amor — falei assim que ele atendeu. Violetta encarou-me com um olhar safado e eu segurei a risada. — Sim, eu estou bem. Só dormi demais. Sim. Eu percebi. Tá, eu vou ligar pra ele. Ok. Ok. Sim, German, já disse que está tudo bem — ri levemente. German preocupado era uma graça. — Aham, ela está aqui ao meu lado me olhando com cara de sapeca — olhei pra Violetta e ela me mostrou a língua. — Vilu, seu pai mandou falar que te ama. — mordi os lábios, sorrindo.

— Eu também o amo — Violetta riu.

— Ela disse que também te ama — falei pra ele, divertida. — Certo. Eu já estou indoooooo. Tá. Eu já entendi, não precisa repetir — fiz careta. — Beleza. Também te amo. Beijo.

Desliguei o telefone e balancei a cabeça, sorridente. German era uma figura. Pablo procurou-o porque precisava de minha ajuda com algumas coisas do show de hoje à noite e então German repetiu três vezes o que exatamente Pablo queria que eu fizesse.

— Vocês são tão lindos juntos — Vilu me abraçou. — Nunca vi o papai sorrir tanto!

A fala dela me fez lembrar do que fiquei pensando antes de pegar no sono. Soltei uma risada.

— Você nem imagina...

— O quê? Me conta — Violetta se sentou de pernas de índio na cama, com o semblante curioso. Sentei-me junto e não hesitei em dizer.

— Nada, é que antes de dormir eu me lembrei do dia do seu nascimento. E eu me lembro de ter medo do seu pai pelo fato dele não sorrir muito — balancei a cabeça e Violetta riu.

— Me conta, Angie? — ela segurou minhas mãos.

— Do dia do seu nascimento? — a olhei confusa.

— Sim, o papai nunca me falou sobre isso. Ele não gosta. Você é a única pessoa que pode me fazer lembrar um pouco da mamãe. — os olhos da menina brilharam. Lembrei-me de uma vez, quando eu tinha dez anos, Violetta tinha dois, que Maria me fez prometer que se um dia se algo acontecesse com ela eu cuidaria de Violetta como se fosse minha própria filha. É isso que eu busco fazer hoje.

— Huuum, se quer saber como sua mãe era basta se olhar no espelho — ri divertida — Vocês são iguaizinhas, sabia? Com a única diferença é de que seus olhos são os do seu pai.

— Sério? — Vilu mordeu os lábios.

— Seríssimo. Mas então, que tal irmos tomar um sorvete e eu vou te contando tudo o que você quiser saber sobre ela? — sorri.

— Você faria isso por mim?

— Eu faria tudo por você, meu amor. Só deixe eu me trocar e já vamos.

XX

Caminhava com minha sobrinha pelos jardins de Sevilla, cada uma com um sorvete de casquinha em mãos. O meu era de morango e o dela de chocolate. Eu já havia contado do seu nascimento e ela simplesmente adorou saber disso.

— Hum, agora me conta mais sobre você e a mamãe — Violetta falou iluminada — Vocês eram muito unidas, né?

— Sim, nós éramos sim — olhei para o chão, sorrindo nostálgica — Maria era o tipo de irmã-mãezona. Daquelas que me protegia de tudo e me mimava — soltei uma risada. — Ela confiava muito em mim. Teve uma vez que ela saiu com seu pai para ir ao casamento de sei lá quem da empresa dele e me deixou como sua babá. Eu tinha onze anos, você era uma menininha de três aninhos muito agitada, sabia? — ri divertida. — Naquela tarde que ficamos apenas as duas fizemos muita arte. Eu estava naquela fase de querer ser independente e tentei fazer brigadeiro pra gente. Não deu muito certo, a cozinha ficou inteira cheia de chocolate — ri novamente e Violetta riu alto. — E você se lambuzou toda! Tive que te dar um banho e isso também não deu muito certo, o banheiro ficou alagado — eu e Vilu ríamos. — Mas depois fomos assistir filme e você adormeceu no meu colo, assim como fizemos esta noite — sorri, mexendo no cabelo de minha sobrinha. Ela me abraçou.

— Ai, como eu não me lembro de você? Não é possível! — Vilu exclamou. — É incrível que tenhamos sido amigas desde essa época.

— Sim, eu também acho. Eu estava tão feliz por você gostar de mim — ri — quando nasceu eu tinha medo que não gostasse. Mas no fim das contas ficamos tão próximas que no dia seguinte da morte de Maria, quando seu pai te levou pra longe de mim e da minha mãe, eu tive uma crise de choro que durou meses. Eu estava decidida a ir atrás de você e fazer qualquer loucura para te recuperar. E se eu já não gostava do seu pai antes, eu havia passado a odiá-lo.

— O mundo dá voltas, não? — Violetta encarou-me rindo. — Hoje estão noivos. Simples assim!

— Definitivamente, o mundo dá voltas — soltei uma risada — Mas então, você tinha me perguntado da minha relação com a Maria. Ela era sempre um amor comigo. Teve uma vez que estavam ela e seu pai no piano da sua casa, ele tocava e ela cantava lindamente. Eu apareci na escada e Maria me chamou para ir ali junto com eles. Me colocou sentada entre si e German, e eu cantei junto com eles. — sorri, recordando. Essa era uma daquelas lembranças que eu não queria perder nunca. — Teve outra vez que ela te levou para passear e eu fui junto. Fomos as três. Você tinha um aninho e estava aprendendo a andar. Sua mãe começou a cantar uma das músicas dela e, quando viu que eu cantava junto, você começou a tentar cantarolar também. Você mal falava, mas desde sempre tem essa paixão por cantar — falei sorrindo e Violetta tinha lágrimas nos olhos. — Está chorando?!

— Estou, não pude evitar — ela enxugou as lágrimas, sorrindo emocionada — Obrigada, Angie — Violetta me abraçou.

— Não precisa agradeceu, meu anjo — beijei sua cabeça. — Sempre que quiser saber alguma coisa dela pode me perguntar, seja lá o que for, as flores preferidas, cor favorita, a comida que ela mais gostava — ri brevemente — Eu te conto tudo.

— Ah, tia — Violetta me olhou nos olhos. — Não sei o que eu seria sem você. Você mudou tudo desde que chegou.

— É porque eu te amo. — falei sorrindo e ela voltou a me abraçar — Você realmente não se lembra de nada de sua mãe?

— Infelizmente, a única coisa de que me lembro é do dia do acidente. Acho que me marcou tanto que minha mente não quer apagar de jeito nenhum. — Vilu suspirou. — Eu me lembro do cenário do palco caindo e do desespero da plateia. Lembro do papai sair correndo para socorrer a mamãe e de Olga tentando me distrair, dizendo que não tinha acontecido nada demais e que ia ficar tudo bem. Eu também me lembro de uma menina loira chorando em desespero perto do Ramalho. Era você?

— Sim, era eu — olhei para baixo — Estávamos todos sentados na primeira fila. Seu pai teve um surto enquanto tentava procurar sua mãe debaixo de todo o cenário pesado. Eu queria ir ajudar, mas minha mãe não deixou que eu chegasse perto, alguma coisa poderia explodir e eu poderia me machucar. Entrei em desespero e Ramalho tentava me acalmar. Eu te olhava, olhava para o cenário caído, para o choque e a preocupação estampados na cara de todos e só me dava mais angústia. Você parecia não entender o que estava acontecendo, Olga tentava te acalmar mas nem ela estava calma o suficiente para conseguir isso. Evitei me aproximar de você para que meu choro não te deixasse preocupada. Você só tinha cinco anos. — suspirei. Agora era eu quem chorava. Violetta ficou quieta e respirou fundo.

— Eu queria me lembrar das coisas boas. — Vilu falou depois de um tempo em silêncio.

— Pode ter certeza que essas coisas boas estão guardadas dentro do seu coração, por mais que você não se lembre. — acariciei os cabelos de Violetta e a fiz deitar sua cabeça em meus ombros. Havíamos terminado nossos sorvetes.

— Você é incrível, tia. — murmurou.

— Você que é, princesa. — a abracei com força e fomos caminhando até o hotel novamente. O pessoal iria nos matar, até porque eu acabei não fazendo o que o Pablo pediu e por conta da nossa saída Violetta perdeu metade do ensaio. Mas uma vez não teria problema. Afinal, teriam muitos outros shows pela frente.

Entramos no hotel e logo nos deparamos com um German de braços cruzados e expressão pouco feliz. Troquei um olhar com minha sobrinha e prendemos a risada. Caminhamos em passos lentos até ele.

— Oi! — exclamei, divertida.

— Quem deixou vocês duas sumirem assim sem dar sinal de vida? — German cruzou os braços.

— Ahm... Nós mesmas, senhor — Vilu mordeu os lábios.

— Eu quis passar uma tarde em paz com minha sobrinha, qual o problema? — abracei-o e beijei seu rosto na altura que alcançava. German sorriu.

— O problema é vocês duas desaparecerem e me deixarem preocupado. — fechou o sorriso e de fingiu de bravo. Rimos.

— Ah, papai, foi legal. A Angie me contou várias histórias. Descobri que a minha primeira palavra foi "tia". Agora está explicado porque você nunca tinha me dito isso antes — a menina riu — Não queria que eu soubesse que tinha uma tia.

German se sentou no sofá do saguão, sorrindo um tanto nostálgico. — Eu me lembro. Desculpe nunca ter te falado. Você deu os primeiros passos e falou no mesmo dia, foi bem marcante.

Nos sentamos enquanto ele falava. Suas memórias sendo pronunciadas me levaram a uma viagem no tempo até aquela tarde de um domingo de abril.

O verão dava espaço ao outono. Alguns dias eram quentes, outros frios. Pode-se dizer que era um domingo ensolarado, porém gelado a ponto de ficarmos de casaco dentro de casa. Mas sem se importar com o clima, domingo é sempre dia de reunir a família. Eu estava feliz por isso, pois assim Maria, German e Violetta vinham almoçar em casa. Eu amava quando eles vinham, pois sem eles só éramos eu e meus pais. Era chato e tedioso. Quando minha irmã vinha fazer visita tudo ficava mais alegre.

Violetta já tinha um ano e um mês. Um ano e um mês que eu era mais feliz. Ela crescia linda e saudável. Seus cabelos eram cacheadinhos, embora ainda nem batiam nos ombros. Todos os dentes de leite já haviam nascido. E seus cílios eram lindamente grandes. Definitivamente, Vilu seria uma mulher maravilhosa um dia. Assim como Maria. Falando nela, nunca a vi tão contente antes. Mesmo que seu rosto aparentasse cansaço certas vezes, seu semblante era sempre alegre. Afinal, ter uma filha como Violetta era uma benção, mas do jeito que a menina é agitada também deveria ser exaustivo.

Vilu não andava ainda, mas engatinhava com rapidez. Se tirassem os olhos dela por um segundinho sequer, ela já sumia. Uma vez chegamos a encontrá-la tentando escalar a privada do banheiro de casa. Eu ri bastante quando vi a cena. German ficava muito preocupado quando ela sumia assim, mas eu levava na diversão. Era como brincar de pique-esconde.

No dia de hoje, como vieram nos visitar, mamãe fez salmão. Eu odiava peixe e qualquer coisa que viesse do mar, e Violetta era como eu. Nenhuma das duas queriam comer, então Maria acabou indo preparar ovo frito pra gente. O almoço foi divertido no final das contas, mas quando acabou minha mãe já foi me obrigando a ir estudar pra prova de matemática que eu teria no dia seguinte.

— Mas, mãe, eu estudei o final de semana inteiro — fazia birra. — Me deixe ficar um pouco com eles! — apontei para Maria, German e Violetta ao meu lado.

— Angeles, sua última nota em matemática foi péssima. Você precisa ir MUITO bem nessa prova!

— Mãe, tem sobremesa? — Maria interrompeu nossa discussão, me lançando um olhar de cúmplice. Eu sabia que ela faria alguma coisa para me livrar daquela chatice.

— Não, meu amor — minha mãe virou-se para minha irmã. — Não deu tempo de fazer, vocês avisaram muito em cima da hora que vinham pra cá!

— Sim, mãe, tem razão. Mas estou com uma vontade de comer um doce... se importa se formos comprar? Eu e você. — Maria mordeu os lábios.

— Claro que não, filha! Vamos lá, a padaria do seu Gilson fecha em vinte minutos. Temos tempo. — minha mãe se esqueceu completamente do que falava comigo e correu para pegar as chaves do carro. Agradeci minha irmã com um sorriso.

— Vamos, então. O German tem uma reunião via internet agora por isso a Angie pode tomar conta da Violetta por uns instantes — Maria se aproximou e deixou minha sobrinha em meus braços.

Minha mãe rolou os olhos, não concordava com a ideia de que eu tomasse conta de Violetta, mas Maria fazia isto tantas vezes que ela já estava acostumada. Assim, as duas saíram de casa. Me sentei no sofá com Vilu.

— Angeles — German me chamou. Olhei-o. — Estarei no quarto de hóspedes em conferência online. É importante, mas se acontecer qualquer coisa com a Vilu você pode ir me chamar. Tudo bem? — falou sério, mas não foi grosseiro. Sorri, assentindo.

— Pode deixar.

German se retirou da sala e assim ficamos eu e minha sobrinha por ali. Minha irmã tinha me livrado de mais um tedioso dia de estudo, e eu estava animada com isso. Afinal, teria um tempo só com Violetta agora.

— E aí, gatinha? Como você está? — a ergui, deixando-a em pé sobre minhas pernas e segurando suas mãos para que ela não caísse. Suspirei. — Você sabe quanto é 72 dividido por 9? — sorri torto. — É difícil, eu sei. Aproveite bem a primeira e a segunda, porque a terceira série é a pior de todas. Quando você chegar lá eu posso até te ajudar, se eu conseguir entender.

A menina riu, mas não deveria nem ter entendido metade do que eu disse. Ela não falava. Balbuciava uma coisa ou outra, mas não chegou a pronunciar nenhuma palavra ainda. Coloquei-a sentada no chão, afastando a mesinha de centro para que houvesse mais espaço.

— O que você quer fazer? Podemos brincar de pega-pega engatinhando. Prometo não ficar de pé igual da última vez. É que meus joelhos estavam doendo naquele dia, aí não aguentei muito tempo. Mas hoje posso conseguir! — aquilo era quase um monólogo, mas eu gostava. Violetta me encarava e ria o tempo todo.

O telefone tocou assim que eu terminei de falar. Bufei e levantei para atendê-lo.

— Alô?

— ANGIE! A Jaqueline me ensinou tudo sobre a prova de matemática! A sala dela fez a prova na sexta, e aí ela também me contou tudo o que cai! Eu posso te ensinar agora, estamos salvos! — Pablo quase gritava de empolgação. Sorri fracamente.

— Tudo bem, Pa — suspirei e olhei para minha sobrinha brincando com a chupeta. — Até que estou me saindo bem com as operações. -menti — E não acho justo que eu saiba da prova antes, então prefiro que não fale nada. — encolhi os ombros.

— Poxa, Angie — ele suspirou, agora parecendo decepcionado por minha reação. Não tenho culpa de não querer nada vindo da Jaqueline. Ele não sabia que eu tinha ciúmes, mas eu também não demonstrava amores por ela. Estava bem com minhas dificuldades nos cálculos. — Sério mesmo?

— Sim, eu juro. — encarei o chão. Alguns segundos em silêncio se passaram.

— Você está bem? — Pablo tinha a respiração pesada.

— Claro, estou cuidando da minha sobr.. MEU DEUS! — enquanto falava, olhei para a mesma. E levei um susto. Violetta estava se apoiando no sofá e ficando de pé sozinha. — MEU DEUS, PABLO!

— O que foi?! Não me assusta assim!

— A VIOLETTA VAI ANDAR! Pablo, eu preciso desligar já, me desculpa, depois nos falamos, tchau! — desliguei o telefone e saí correndo e gritando. — GERMAN, GERMAN! A Vilu vai andar, ela vai andar!

Pude ver o marido da minha irmã sair do quarto de hóspedes com o queixo caído.

— Ela o quê?! — ele arregalou os olhos e saiu correndo pra sala, enquanto tirava o celular do bolso para ligar para minha irmã. — MARIA! Volte correndo pra cá! Violetta está prestes a andar!

Ele desligou e chegamos em frente à menina, que nos encarava confusa por nossa empolgação. Violetta se soltou do sofá e se equilibrou em pé sozinha. Meus olhos se encheram de lágrimas.

— Oh, meu Deus! Vem pra tia, vem! — estendi os braços, ajoelhando no chão. German tinha um sorriso gigante na cara. Ela daria o primeiro passo quando mamãe e Maria entraram desesperadas pela porta da frente.

— MINHA FILHA VAI ANDAR! — ela gritou alto, se aproximando da gente. Eu ri, me mantendo naquela posição. Minha mãe correu para pegar a câmera para filmar, enquanto Vilu encarava todos com um ar de interrogação.

— Vem, nenê — chamei-a, fazendo-a olhar pra mim. Ela riu e então deu o primeiro passo em minha direção, o que gerou berros de empolgação em Maria. Esta abraçou German enquanto dava saltinhos no lugar.

Minha mãe chegou para filmar e Vilu deu mais dois passos, meio bamba. A garota gargalhou sozinha, como se aquela nova experiência fosse como descobrir um mundo novo. Meu sorriso emocionado só aumentava.

— Vem, está quase lá! — eu falava. Vilu estava só a três passos de mim. Ela deu um gritinho e deu os passos quase que correndo, se jogando em meus braços.

— TIAAA! — a menina gritou, me abraçando. Todos arregalaram os olhos, em choque. Inclusive eu.

— VOCÊ DISSE O QUÊ? — gritei, erguendo Vilu em meu colo.

— ELA FALOU, ELA FALOU! — Maria chorava. Mamãe e German riam.

— Tiiiia — repetiu, dando palminhas e gargalhadas.

— EU NÃO ACREDITO! — sacudi minha sobrinha no ar e a abracei com toda força.

— A primeira palavra dela! — German disse mordendo os lábios. Seu olhar transmitia alegria, mas ele estava mil vezes mais quieto que minha irmã.

— E OS PRIMEIROS PASSOS — Maria correu até mim, tomando sua filha no colo. Encheu-a de beijos e abraços. Eu ria. — Filha, você está crescendo! Falando! Andando! Eu não posso acreditar!

— A primeira palavra dela foi tia — eu ainda estava em choque.

— Foi, meu anjo! — minha irmã me lançou um sorriso lindo enquanto mamãe pegou Violetta nos braços. — Sabe por quê? Porque ela te ama, Angeles. Você fez um ótimo trabalho como amiga e tia. Estou orgulhosa. — e me abraçou. Sorri imensamente, limpando minhas lágrimas.

Aquele dia com toda certeza seria inesquecível. Depois daquela cena, eu me sentia tão realizada que nem me importei de ir estudar matemática depois. Estava tudo maravilhoso e não era uma simples conta de divisão que estragaria isso.

Quando toda a cena passou como um filme acelerado em minha mente, eu comecei a chorar em silêncio. German, sentado no sofá ao meu lado, já havia entendido o porquê. Ele com certeza também se lembrara daquele dia junto comigo. Portanto sorriu, me puxou para um abraço e beijou minha testa.

— Por que está chorando, tia? — Violetta perguntou, confusa.

— Não é nada, Vilu — German respondeu por mim. — Só saiba que.. eu e Angie te amamos muito, e a partir de hoje, somos oficialmente uma família.

Notas finais
não sei se gostaram, me informem nos comentários dssjhfj