Sos mi más bello error
8 Closer
Notas iniciais
Angeles esperou Priscilla sair da cozinha para voltar para lá. Respirou fundo, confusa. Então, quer dizer que seus instintos não haviam falhado? Priscilla realmente planejava algo contra German? Angie mordeu os lábios, suspirando. Voltamos da estaca zero. Mas agora, pelo menos, Priscilla nem imaginava que ela estava sabendo.
– Ai, atende — Angie murmurava baixinho enquanto segurava impaciente o celular no ouvido. Precisava de Pablo naquele instante. Porém infelizmente a chamada caiu na caixa eletrônica. — Pablo — a mulher olhou em volta para ver se não havia ninguém por perto — me liga assim que ouvir essa mensagem. Parece que eu estava certa. Priscilla viu que eu escutei a conversa do telefone naquele dia na praça, aí armou a conversa no shopping e essa "festa" para me despistar. Eu a ouvi falando no telefone com o tal Frederick de novo, e bem, eles estão planejando algo. Dessa vez eu quero fazer as coisas direito, então.. Eu preciso de sua ajuda. — ela sorriu torto — me liga.
Angeles tirou o celular do ouvido rapidamente quando viu a sobrinha descer as escadas com German. A loira olhou-os conversar e sorrir de uma maneira tão feliz, que sentiu o estômago embrulhar ao pensar que Priscilla estava prestes a fazer algum mal a eles. Angeles não permitiria.
– Tia! — Violetta a viu e desceu mais rápido, deixando German para trás — Obrigada por ter vindo, papai ficou muito feliz com sua presença — a garota riu e abraçou a tia alegremente. German se aproximou, sorrindo.
– Vilu, por que não deixa eu mesmo falar? — ele riu e se virou para a mulher loira que sorria — Angie, sua presença é.. muito importante na nossa família. — German segurou as mãos dela — Fico feliz que tenha vindo.
– Muito obrigada, família — Angeles riu e abriu os braços. Os dois a abraçaram juntos e ficaram os três como um abraço em grupo. German, como era maior que as duas, era o que as rodeava por completo. — Você gostou mesmo do suéter — a loira sorriu olhando o suéter que ele vestia, quando se afastaram.
– Ficou ótimo em mim, não? — German sorriu grande.
– Tá um gato, pai — Violetta ria. É, pior que está mesmo, pensou Angie.
– Gente, eu tenho que ir — a mulher pegou sua bolsa e colocou-a nos ombros — Feliz aniversário de novo, German — ela sorriu.
– Não quer que a gente te leve em casa? — ele ofereceu enquanto Violetta sorria discretamente.
– Não precisa, eu estou de carro — Angie olhou de relance para a sobrinha, querendo pisar em seu pé para fazê-la parar de rir. — Até amanhã — ela despediu-se e saiu da mansão.
Violetta rapidamente virou-se para seu pai rindo — A gente a levava ou você queria levá-la em casa?
– Olha, Violetta, você devia guardar esses pensamentos pra você — German respirou fundo — Eu estou casado com a..
– Priscilla e nós formamos uma família e eu a amo muito e blá blá blá — Violetta fez uma voz alterada parar imitar o pai falando. — Você é chato — a menina bufou.
– Não faz assim — o pai abraçou-a — Sabe o que eu acho? — ele falou baixo, como se fosse contar um segredo para a filha — Priscilla disse que tem um compromisso amanhã à noite. E esse jantar — German sorriu torto — não faz meu estilo. Então o que acha de chamar seus amigos e irmos comemorar de verdade o meu aniversário?
– Jura?! — Violetta disse alto e abriu um grande sorriso. German fez sinal para que ela falasse baixo. — Ahhh, você não quer que sua esposa que você tanto ama saiba, né? — a menina abaixou o tom, rindo. O homem revirou os olhos. — Ta bem, ta bem. Onde pretende ir?
– No boliche — ele sorriu. — Desde criança frequento aquele lugar, e faz muito tempo que não vou.
– Uhhh, boliche.. Adorei — a menina deu dois pulinhos no lugar. — E você vai chamar a Angie?
– Ahm.. sim, claro — German sorriu — Por que não?
XX
Angie chegou ao boliche pensando já estar atrasada. Pagou a entrada e adentrou quase correndo o local não muito iluminado e extremamente barulhento. Tentou avistar sua família em alguma das pistas, mas não conseguiu ver nada, estava lotado de pessoas. Foi até o balcão e colocou os sapatos apropriados para o esporte, e foi aí que ela avistou German. Sorriu e caminhou devagar até ele. Estava parado, em uma pista, jogando sozinho.
– Olá — Angie chamou a atenção do homem, que se virou para olhá-la. Ele estava prestes a lançar uma bola.
– Angie — seus olhos se iluminaram, ela sorria — Você chegou. Vou te adicionar no placar — ele deixou a bola na roleta e foi até o monitor do computador da pista, adicionando Angie na partida.
– E aí, cadê a Violetta? — Angie deixou sua bolsa no banquinho deles e tirou o casaco grosso. Podia estar frio lá fora, mas o local era abafado por dentro. Ela se aproximou e deu um leve beijo no rosto do homem, como cumprimento. — Você está cheiroso hein — Angeles disse de maneira brincalhona e mordeu os lábios sorrindo. Havia sentido um perfume forte vindo dele, tinha certeza de que ele tinha acabado de tomar banho. Ela amou aquele cheiro. Se pudesse, ficaria pendurada naquele pescoço apenas sentindo-o.
– Violetta teve que passar na casa da Francesca, mas já está vindo. E obrigado, estou usando o perfume que a Ludmila me deu de aniversário — o homem sorriu docemente e segurou as mãos geladas de Angie — Nossa, que mãos frias — ele a fez rir e juntou as mãos da mulher entre as suas, esfregando-as para esquentá-las.
– Deve estar fazendo uns cinco graus lá fora. — Angie sorriu boba, enquanto o observava discretamente. Tinha tirado o maior casaco, mas ainda vestia um mais fino e uma blusa de lã por baixo. Seus cabelos ainda estavam úmidos por conta do banho recente, os olhos verdes reforçados por um rímel e os lábios destacados por um brilho forte. Ela estava linda.
– Bem — German sorriu, soltando as mãos dela — Enquanto a Violetta não chega, vamos jogar? — ele pegou uma bola no apoio de metal, uma de cor rosa.
– Claro — Angie falou sorridente — Poxa, eu ia pegar a bola rosa — ela fez bico e o homem soltou uma gargalhada.
– Você nunca jogou boliche? Deixa eu te explicar, as bolas tem cores justamente para identificar seus pesos. A rosa é o tipo mais pesado, você acha que aguentaria? — ele explicou carinhoso, fazendo-a sorrir.
– Está duvidando da minha capacidade física, querido? — a mulher falou rindo e mostrando o muque que ela não tinha, arrancando risos do homem. — Me deixe testar — Angie pegou a bola das mãos dele quase deixou-a cair de tão pesado — Socorro, me ajuda — ela fazia força para sustentar o peso, enquanto German rapidamente tirava a bola dela.
– Eu avisei que era pesado — ele falou sorridente.
– Sabe, quem criou isso não tem muita inteligência.
– Ah, é? — o homem riu — E por quê?
– Porque rosa é uma cor que atrai mais as mulheres do que homens, e as mulheres não costumam ter músculos. A bola rosa devia ser a leve — Angie bufou, cruzando os braços. German riu novamente.
– Sabe, eu acho que você tem razão — ele sorriu e caminhou até o início da pista — Mas como não é assim, pega a verde, é mais leve — ele virou-se de costas e arremessou a bola na pista. Derrubou oito pinos, e então comemorou — Aê! — sorriu vendo o placar mostrar o replay.
– Uau — Angie levantou as sobrancelhas — Não vou fazer nem metade disso — ela ria.
– Sua vez — ele voltou para perto dela.
– Nunca joguei boliche antes. É muito difícil? — ela o olhou, posicionando os furinhos da bola verde em seus dedos.
– É só jogar reto, não pra cima, ok? — ele riu — Se não você quebra a pista. E toma cuidado pra não jogar na canaleta. E para não acertar seus pés — ambos riram — Fora isso, é muito simples.
– Certo, então — Angie andou com a bola até o início da pista. Respirou fundo e se posicionou. Dobrou os joelhos, esticou o braço para trás e deu impulso pra frente. Então soltou a bola. Mas, em vez de jogar reto havia jogado um pouco para cima demais. A bola deu apenas um salto e caiu a um metro de distância de Angie, causando grande barulho no local. — Ai! O que eu fiz de errado? — ela olhou para o homem, que sorria levemente.
– Jogou para cima — German riu pegando outra bola e logo indo até o lado de Angeles. — Vou te ensinar. — ele sorriu enquanto ela pegava sua bola verde do chão. — Faz assim — ele separou as pernas e dobrou os joelhos. Angie o imitou. — Agora inclina as costas e joga a bola com força o mais baixo que você conseguir. A intenção é ela se arrastar até os pinos, e não voar até eles — German falou sorrindo e Angie soltou uma risada.
– Está bem. — mordeu os lábios — Um, dois, três e.. — e ela então lançou a bola, dessa vez na altura certa. Porém, torto demais, e a bola rolou até cair na canaleta. Nenhum pino derrubado. — Poxa. — ela fez bico. German riu.
– Você tem mais uma chance, vamos lá, sei que consegue — ele entregou outra bola nas mãos dela. — Vamos fazer assim, eu vou jogar com você. — o homem se posicionou por trás da mulher.
– Como assim? — Angie o olhou confusa.
– Eu vou te ajudar, olhe bem — e então German se aproximou, encostando seu corpo no dela, por trás. Colocou uma das mãos sobre a dela que segurava a bola e a outra posicionou em volta do quadril da mulher. — Estica essas costas — ele fez pressão na barriga de Angeles com as mãos, fazendo ela se esticar o máximo que conseguia — Isso — falou quase num sussurro, no ouvido dela. Angie sentiu seu pescoço arrepiar. — Agora é bem simples — ele parecia estar fazendo de propósito para provocá-la quando falava rouco em seu ouvido. Angie engoliu em seco. — Você põe a mão para trás mais ou menos nessa altura — com sua mão que estava junto a dela, guiou-a para trás levemente enquanto Angie segurava firme a bola.
– E aí? — ela disse praticamente num sussurro. Sentia seus pelos arrepiarem-se pouco a pouco.
– Aí você apenas.. joga — o homem falou sorrindo, jogando sua mão junto com a de Angeles levemente para frente, enquanto ela soltava a bola. Esta saiu rolando por toda a pista em grande velocidade, enquanto os olhos de Angeles brilhavam por ter conseguido jogar direito. Assim, pode-se ouvir o som de comemoração de ambos. Ela havia derrubado todos os pinos.
– WOWWWWW — Angie gritou, esticando apenas o braço esquerdo para cima, já que sua mão direita ainda estava levemente entrelaçada com a de German. Ele, que continuava segurando-a por trás, apertou o abraço em sua cintura e beijou demoradamente a bochecha dela.
– Viu, como você é boa — ele sorriu e logo em seguida mordeu carinhosamente o rosto da mulher. Angeles riu divertida. Quem não os conhecesse diriam que eram claramente um casal.
– Obrigada — ela disse rindo, se virando de frente para ele sem soltar sua mão. Assustou-se ao perceber a proximidade. Estavam colados um no outro. E agora, olhando-se nos olhos, pediam mais do que apenas proximidade. Com o braço que ainda mantinha em volta do quadril da loira, ele pressionou o corpo dela com o seu, fazendo os rostos se aproximarem levemente. Dessa vez ela não resistiria, e tinha completa consciência disto. Fechou os olhos sentindo que ele fazia o mesmo, enquanto se aproximava. Era agora ou nunca, ambos precisavam daquilo. Os lábios chegaram a se encostar num selinho carinhoso e demorado, fazendo uma onda de calor subir no corpo de ambos. German sorriu. Ia finalmente iniciar um beijo de verdade, quando de repente foram interrompidos por uma voz familiar.
– Chegamoooooooos! — Violetta subia na pista que o pai havia alugado, acompanhada de Francesa, Leon e Camila. Não deu nem tempo dos quatro amigos se darem conta da cena, German e Angeles se afastaram numa fração de segundo. As respirações desreguladas e os olhares desesperados encararam a menina e os amigos dela.
– Vilu! — Angie falou tremendo e tentou sorrir para a sobrinha. Esta, franziu a testa.
– O que estava acontecendo aqui? — Violetta disse num tom suspeito e cruzou os braços. Francesca e Camila riram.
– Nada, estávamos jogando — German apontou para o placar do jogo que dava replay no strike de Angie.
– Legal, nossa vez — Leon falou sorrindo e se aproximando do placar, adorava boliche. Adicionou os nomes dele, Violetta, Camila e Francesca na partida, e já foi pegar uma bola para lançar. Violetta decidiu por encerrar aquele assunto por enquanto e se sentou no banco azul ao lado das amigas. German e Angie sentaram-se no banco de frente para elas. Havia uma mesa que separava os bancos.
Ainda pensando naquilo, German estava desesperadamente confuso. Se desculparia ou deixaria rolar? Precisava falar com Angeles naquele exato momento, coisa que não seria possível ali. Com uma ideia em mente, pegou seu celular e, por baixo da mesa para que ninguém visse, digitou algo nas notas. Em seguida, cutucou a perna de Angie, fazendo-a olhar para baixo. Vendo o celular estendido para ela, ela rapidamente entendeu e pegou-o, ainda por baixo da mesa, sem dizer nada.
Desculpe por aquilo, eu perdi o controle do que estava fazendo. Éramos para ser amigos e eu não quero estragar isso. Tudo bem?
Angie leu silenciosamente enquanto ele a observava atento. Ele olhou rapidamente para aqueles lábios, como quem estava tentando não fazê-lo. A tentação era grande, e de fato queria aquilo, queria sentir seu gosto agora e pelo resto da noite. Mas havia um abismo entre eles, German sabia que já tinha perdido a chance de fazê-lo muitas vezes. Angie ficou um tempo sem dizer nada, e então se aproximou do rosto dele, dando-lhe um demorado beijo na bochecha. German suspirou aliviado, sabia que aquilo era um sim.
– Os beijos — Angie sussurrou no ouvido dele — É assim que tem que ser — disse do mesmo jeito e lhe deu outro beijo no rosto. Se afastou sorrindo. German sorriu aliviado e apertou a mão dela por debaixo da mesa. As meninas que estavam no outro banco prestavam atenção no Leon jogando, e riam da cara do menino por ele ter acertado somente dois pinos.
– Eu perdi a prática — Leon bufava — Mas ainda ta no sangue, aprendi uma vez e agora basta recuperar o que já sei. Vou ganhar de todos vocês! — ele exclamava num tom de vitorioso.
– Vamos ver, amorzinho — Violetta disse sorrindo e pegando a bola rosa na roleta. — AI, meu Deus, que pesado! — a menina gritou, fazendo Angeles e German se olharem e rirem.
– Pega a verde — Angie gritou para a sobrinha, mordendo os lábios para segurar a risada. A menina assim o fez e suspirou aliviada.
– Agora sim — Violetta sorriu e se posicionou para jogar. Lançou a bola e derrubou oito pinos, assim como German havia feito.
– Essa sim é minha filhaaaaa! — o homem aplaudiu orgulhoso enquanto Violetta corria e pulava no colo do pai, como se ela fosse leve como uma criança. — AI, menina, cuidado — German a abraçava enquanto Violetta se acabava de rir.
– Minha vez! — Camila pegou a bola e se preparava para jogar, enquanto Francesca e Leon faziam pressão, gritando que ela não conseguiria e logo em seguida rindo da expressão de raiva que se formava no rosto da amiga.
Na mesa, Violetta saiu do colo do pai e sentou no banco do outro lado. Angie e German continuaram lado a lado. Um garçom do boliche apareceu com uma grande porção de fritas e deixou-a sobre a mesa, com mais uma garrafa de coca-cola e alguns molhos como ketchup e barbecue. Olhando a comida, o olhar de Violetta brilhou. Observando o garçom, jovem e bonito, foi a vez dos olhos verdes da loira piscarem. German claramente notou e se sentiu desconfortável por algum motivo.
– Uepaaaaaa, cuidado, tia, ta escorrendo uma babinha ó — Violetta disse num to divertido e Angie lançou-a um olhar repreendedor. — O garçom era bonitão mesmo hein, principalmente naquele uniforme...
Angeles, sem nem pensar duas vezes, deu um pisão no pé da sobrinha por debaixo da mesa.
– Ai — Violetta murmurou dolorida — Eu só estava brincando, posso até arrumar ele pra você se você quiser — a garota abriu outro sorriso divertido, se levantando da mesa.
– Não, Violetta, pode ficar sentadinha aí! — German disse com certa raiva no rosto, enquanto Angie arqueou as sobrancelhas e pegou uma batata para comer, sem falar nada.
Violetta riu mais uma vez e fingiu uma tosse, murmurando a palavra ciúmes no meio dela. Então ela se sentou novamente. Angie olhou para German de relance e só queria se esconder dentro de um buraco, de tanta vergonha, mesmo que no fundo quisesse sorrir vendo o homem que amava sentir ciúme de si. German, discretamente, colocou a mão na cintura da loira, rodeando-a por trás, e puxou-a levemente para que seu corpo se encostasse completamente nele, de lado. Angie comprimiu os lábios tentando conter o sorriso que queria se formar ali.
– German, sua vez — Francesca havia acabado de jogar e saiu correndo para a mesa avisar ao próximo jogador. German e Angeles estavam numa posição que causava arrepio em ambos, abraçados de lado enquanto o homem com uma mão acarinhava a cintura de Angie e com a outra a perna dela. Mais precisamente, sua coxa.
– Vilu, por que não joga no meu lugar? Confio minha pontuação a você, ó, que honra — German, não querendo sair dali, ofereceu sua vez para a filha. Violetta arregalou os olhos, achou que seu pai seria ao menos mais discreto.
– Por que não quer jogar, papai? — a filha encarou-o com aquele olhar suspeito que só ela tinha.
– Eu estou comendo, sabe como é né, fome... — German tirou sua mão esquerda da perna de Angie e pegou uma batata frita. A loira quis rir.
– Saquei, saquei — Violetta se levantou, encarando os dois de forma bem desconfiada. E então saiu rindo para pegar uma bola na roleta e jogar.
German voltou a repousar sua mão na coxa da mulher e passou os dedos carinhosamente por cima da calça dela, num carinho inocente. Angeles se sentiu arrepiar e respirou fundo. Comia algumas batatas concentrada em cada movimento que os dedos de German faziam na sua perna. Percebeu quando a mão de German subia lentamente na sua coxa, se aproximando do lugarzinho proibido. Então ela prendia a respiração e paralisava por alguns segundos, até German descer as mãos novamente e repetir o mesmo ciclo várias e várias vezes.
– Ahm, essa batata é boa, não? — Angie estava incomodada pelo silêncio, então quis dizer qualquer coisa. Os adolescentes viam Violetta jogar, na pista, então ambos estavam sozinhos ali na mesinha.
– Uhum — German sorriu carinhoso e se aproximou do rosto da mulher, dando vários beijinhos na bochecha e alguns no pescoço dela. — Você disse que assim podia — ele murmurou sorrindo e apertando levemente a coxa de Angie.
– É.. — Angeles tentava controlar a própria respiração, que ficou descompassada. Ela sentia a respiração quente do homem no seu pescoço e agora tinha que controlar não somente sua respiração como também todo o seu corpo. — Vai com calma, não estamos sozinhos — a mulher suspirou, afastando-o. German viu Violetta se aproximar novamente.
– E aí, paizinho, fiz sete pontinhos pra você, afinal, não podia deixar que você me ultrapassasse — Violetta disse rindo. — Tia, sua vez.
– Eu to ganhando, né? Uh, a iniciante se dando bem — Angeles se levantou, desvencilhando-se de German — Hoje a sorte está comigo — ela sorria enquanto caminhava até a roleta e pegava a bola verde. Não arriscaria outra cor.
Respirou fundo, lembrando-se de como German guiou suas mãos na primeira vez. Assim, repetiu o movimento, sentido-o ali mesmo que ele não estivesse. Jogou a bola e a mesma saiu torta, mas rolou para o centro da pista e acabou derrubando todos os pinos de uma só vez.
– WOOOOOOW — Leon, Francesca, Camila e Violetta gritaram boquiabertos. A liderança do placar continuava sendo de Angie. Da mesa, German sorriu. A loira levantou os braços gritando vitoriosa.
– Como você fez isso?! — Camila dizia realmente impressionada.
– Tive um bom professor — Angeles respondeu divertidamente.
– Vou fazer melhor, quer apostar, professora? — Leon disse pegando uma bola rosa.
– Professora não — Angie disse sorrindo — Fora do Studio sou apenas Angie, tudo bem?
– Certo, Angie — Leon estendeu a mão para a mulher — quer apostar?
– Ahm, vou ganhar o quê se eu vencer? — Angeles disse rindo.
– Isso decidimos depois, mas e aí, sim ou não? — Leon continuava com a mão estendida. A loira sorriu e apertou a mão do garoto.
– Apostado — ela disse sorrindo. Algo começou a vibrar no seu bolso da calça e ela tirou o celular dali, vendo a foto de Pablo no visor. — Tenho que atender, venho já.
Angie se afastou um pouco e atendeu a chamada, porém dentro do local ela não conseguia ouvir nada. O barulho das máquinas de boliche, dos gritos de comemorações, das bolas sendo jogadas e de pessoas conversando fazia Pablo não entender absolutamente nada do que a mulher dizia. Então Angie se dirigiu para fora do boliche para poder conversar melhor.
– Oi, pronto, Pablo — ela respirou fundo, o silêncio da noite ali fora era tão relaxante comparado ao barulho do boliche por dentro.
– Agora sim — o amigo riu — Eu queria te perguntar algo que andei pensando. Hoje no Studio você disse que German convidou você e mais alguns amigos de Violetta para ir jogar boliche, e pelo barulho do lugar que você se encontra sei que isso aconteceu, certo? — Pablo questionou.
– Certo — Angie assentiu.
– E, bem, Priscilla está aí? — o homem continuou.
– Não, German disse que ela tinha um compromisso, mas por q.. Oh, meu Deus — Angie entendeu o que estava acontecendo antes de terminar sua própria frase.
– É exatamente nesse ponto que eu queria chegar — o amigo suspirou.
– Você acha que ela possa estar armando algo para hoje com o tal de Frederick? — Angie questionou receosa.
– Vamos pelo começo. Eu pesquisei sobre esse tal de Frederick e, bem, existem três com esse nome na região. Convenhamos, não é um nome muito comum por aqui. Um deles é de nacionalidade americana, enquanto dentre os outros dois temos um inglês e o outro argentino mesmo, filho de americanos. O filho de americanos tem doze anos, então podemos descartá-lo. O inglês tem 28 e o americano tem 34. Você saberia me dizer que idade o Frederick aparentava ter?
– Nossa, Pablo, que detetive que você é — a mulher riu impressionada — Obrigada por me ajudar tanto. E sobre o Frederick, eu não cheguei a vê-lo, só escutei sua voz. No dia do shopping eu estava escondida atrás de uma estátua, eu não os via.
– É, assim fica complicado — Pablo coçou a cabeça, soltando o ar que prendia. Ambos ficaram segundos em silêncio, pensando.
– Já sei! — Angie exclamou.
– O quê? — Pablo se esperançou.
– Eu não vi Frederick, certo? Apenas ouvi. Eu estava aqui relembrando o momento em que os ouvi conversar na frente do shopping e teve algo que chamou a minha atenção. O sotaque. Ele falava um espanhol esquisito, com jeitinho meio... britânico.
– Isso! Boa, loira! — Pablo comemorou.
– Vale lembrar que Ludmila morou dois anos na Inglaterra antes de entrar no Studio. Faz todo o sentido.
– Você é genial! Encontramos nosso suspeito, então. Ele não tem nenhuma procuração pela polícia daqui, mas pelo o que encontrei sobre ele, Frederick mora em Buenos Aires há apenas oito meses.
– Um mês antes de Priscilla e German se conhecerem.. acha que tudo isso está planejado há tanto tempo?
– Eu não duvidaria. E se for isso mesmo, não teria momento melhor para atacar do que nessa época, em que o German e Priscilla estão casados há tempo suficiente para ele criar confiança sobre ela.
– Tem toda a razão. Mas, voltando à minha primeira pergunta, você acha mesmo que eles tentariam algo hoje? Pelo que Violetta me disse Priscilla não sabe que estaríamos aqui essa noite.
– Isso eu não sei, na verdade... Pode ser que sim, ou pode ser que ela não tenha nem ideia da onde vocês estejam mesmo. Mas você prefere arriscar?
– Não, nunca. Eu vou tomar cuidado quando estivermos indo embora. Vou sair primeiro e dar uma olhada no local, sei lá.
– Eu posso ir aí se quiser. Não para entrar e jogar com vocês, mas pra ficar aí fora discretamente e averiguar se houver algo estranho.
– Eu agradeço, Pablo, por isso e por tudo o que está fazendo por mim com tudo o que está acontecendo. Mas se você vier corre o risco de alguém te ver, e eu não quero que German ou Violetta suspeitem de algo. É melhor pra eles.
– Tudo bem, você é quem manda. — Pablo sorriu. — Bom, agora eu tenho que desligar. Vai voltar para o seu jogo, vai.
– Tá bem, estou indo — a mulher riu. — Obrigada meeeeeeesmo. Por tudo. Te amo, amigo. Até mais, tchau. — e Angie desligou.
A mulher voltou para o boliche e recebeu gritos de finalmenteeee quando ela chegou na pista em que estavam.
– Era uma ligação importante, gente, do trabalho. — Angie se explicou rindo.
– Hoje é sexta! Esquece o trabalho, vai — Violetta tirou o celular de Angie das mãos dela.
– É meu aniversário, eu proíbo trabalho no meu aniversário — German disse rindo.
– Teu aniversário foi ontem, bobão — Angeles mostrou a língua para German.
– A festa tá sendo hoje, não? — Leon se meteu — então o aniversário é hoje também! Eeeeh, vai jogar, Angie, que é tua vez.
Francesca deu uma bola pra Angie e a loira jogou sem enrolar, fazendo mais um strike.
– Tá de brincadeira, né? Que macumba você fez nessa bola? — Leon exclamou.
– Perdeu a aposta, foi, queridinho? — Angie olhou o placar e viu que quando ela estava fora Leon tinha acertado somente cinco pinos. — Perdeu! — então a loira deu uma risada vitoriosa. — Ahá! Você me deve algo.
– É, eu sei — Leon bufou e Camila riu da cara dele.
Angeles voltou para a mesa e sentou-se ao lado de German novamente. No banco da frente estavam Violetta e Francesca. German e Violetta discutiam um com o outro e a de cabelos pretos estava rolando os olhos.
– Angie, enquanto você estava lá fora, a Violetta ultrapassou o German, e depois o German fez um strike e ultrapassou a Violetta. Está uma guerra aqui. — Fran explicou a situação para a mulher.
– Vou te passar de novo, espera só! — Vilu dizia e tomou um gole de coca.
– Vai nada, olha o tamanho dos seus braços, acha que tem chances contra mim? — German pegou um mini lanche, que o garçom havia trazido em outra bandeja, e mordeu.
– Gostaria de lembrá-los que eu estou na frente de vocês dois, beijinhos — Angeles riu e Francesca soltou uma gargalhada.
– A guerra é eu e Violetta, num se mete — German disse pra Angie sério mas em tom de brincadeira. A mulher se fingiu de brava e mordeu o braço de German. Ele gritou um ai dolorido.
– Pronto, agora seu bracinho super forte está doendo. Quero ver ganhar da minha sobrinha agora. Time Violetta! Vai, Viluuuu! — Angie comemorava enquanto Violetta levantava rindo e se dirigia para a roleta para lançar mais uma bola.
XX
Uma hora se passou. Nenhum deles estava sequer cansado. Aquela partida havia sido um misto de guerras paralelas. German contra Violetta, Angie contra Leon, e Camila e Francesca disputando quem não ficaria em último lugar.
Leon insistiu em apostar com Angeles toda rodada, e a mulher ganhou todas as vezes com o seu strike tradicional. A partida havia acabado com Angie no primeiro lugar, Violetta e German empatados em segundo, Leon em terceiro, seguido de Camila no quarto lugar e Francesca no último.
– Por UM ponto! — Fran bufou enquanto Camila ria da cada dela.
– Isso é karma por você ter me feito pressão psicológica o jogo inteiro! — a ruiva gargalhava.
– EMPATE? — German e Violetta gritaram juntos. — AH, NÃO!
Todos olharam para os dois e riam da cara de frustrados deles. German iniciou uma nova partida no computador e colocou Violetta e ele de participantes, apenas. Assim desempatariam.
– Eu ganheeeei — Angie comemorava no ouvido de Leon enquanto eles, junto com Francesca e Camila, se dirigiam à mesa.
– Eu seeeei — Leon bufou imitando a voz da professora, enquanto esta não parava de rir.
– Gente, vamos arrumar o bolo para cantar parabéns para o German. — Camila fez um sinal para o garçom e logo este trouxe o bolo que haviam pedido. Ajeitaram tudo no centro da mesa, com alguns brigadeiros que Francesa havia trazido de casa.
– Cadê a velinha? — Leon disse?
– Aqui — Angie entregou-o pacote com velinhas e ele espalhou-as por todo o bolo. — Alguém trouxe fósforo?
– A Violetta trouxe — Francesca tirou a caixinha da bolsa da amiga.
– Ótimo, vou chamá-los então — Angeles sorriu e se aproximou da pista novamente.
Violetta e German estavam quase formando uma terceira guerra mundial.
– NOVE PINOS, PEGA ESSA, PAIZINHO — a menina berrou comemorando. Ela estava quase sem voz.
– Gente, num queria interromper, mas.. vamos cantar parabéns? — a loira disse receosa.
– Só mais essa, Angie, deixa eu acabar com essa pirralha — German se preparava para jogar. Jogou a bola com toda força e essa rolou rapidamente até o primeiro pino. Acertou-o em cheio e este derrubou todos os outros em grande velocidade.
– STRIIIIIIIKE!!! — German berrou e pegou Angeles pela cintura, levantando-a e rodando-a no ar, em comemoração.
– Me põe no chão, maluco! — a mulher ria.
– TOMA ESSA, FILHOTE — German colocou Angie no chão e zombou da filha. — Aprende com o daddy.
– Af, seu chato — Violetta bufou e foi pra mesa. German olhou para Angie e ambos riram juntos. Ele abraçou-a por trás e os dois foram andando nessa posição até a mesa.
– Bolo!!! — ele exclamou sorridente, parecia uma criança.
– Não merece — Violetta mostrou a língua.
– Te amo, filha — German mostrou de volta.
Leon acendeu as velinhas e todos ali formaram uma rodinha, cantando parabéns e batendo palmas para o homem. Angie sorria olhando para ele e pensando na maneira que ele a havia tratado naquela noite. German apagou as velinhas enquanto as meninas gritavam "faz um pedido, faz um pedido". Angeles olhava para tudo aquilo e sentia algo borbulhar dentro de si. Algo que ela não sentia há muito tempo. Alegria.
– Fez o pedido??? — Violetta sorria.
– Fiz sim — German piscou — mas é segredo. — ele pegou a mão de Angie por debaixo da mesa, e a apertou delicadamente.
Todos comeram bolo e conversaram bastante ainda antes de ir embora. Mas ficava tarde, e German disse que teria que voltar antes de Priscilla estar de volta. Então todos arrumaram as coisas, tiraram os sapatos do esporte e os devolveram no balcão. Caminharam até a saída do boliche enquanto um medo grande ia crescendo dentro de Angeles.
De repente aquele local pouco iluminado e extremamente barulhento parecia tão seguro. Ali eles estavam sem correr nenhum risco. Quando atravessassem aquela porta que levava ao ambiente externo estariam vulneráveis a qualquer coisa. Tentando manter a calma, Angie descontou o medo apertando sua bolsa. Andou mais rápido para ficar na frente de todos, discretamente, e então saiu do local antes que eles. Olhou ao redor e tentou procurar por algo suspeito.
– Pai, você vai levá-los em casa, né? — Violetta disse a seu pai saindo do boliche. Angie olhou para trás e deu um sorriso triste para eles. A partir daquele momento qualquer coisa podia acontecer.
– Levo sim, Vilu. – German sorriu e virou-se para os outros três que conversavam animados. – Galera, vão indo para o carro, eu já vou.
Todos assentiram e caminharam até o carro. Violetta olhou para German e Angie, que ficaram para trás, sorrindo maliciosamente, mas estranhou a cara de preocupada que a tia possuía. Angeles demorou para prestar atenção no que German lhe dizia, estava com os olhos fixos na sobrinha, até que ela entrasse no carro e estivesse segura.
– Angie? Angie, que foi? – German a olhava preocupado. – Saiu na frente de todo mundo, e agora parece distraída e nervosa.
– Nada, nada... Eu estou cansada, só isso – a loira colocava o seu casaco grosso, pelo jeito o frio não havia passado.
– Certeza? Não quer que a gente te leve em casa?
– German, não cabe mais alguém no carro e eu também estou de carro. Quer que eu o deixe aqui? – eles riram levemente. – Em cinco minutos estou em casa, te mando uma mensagem quando eu chegar pra dizer que eu tô viva, relaxa.
– Está bem. Bom... então eu já vou – ele sorriu meio tímido. – Até mais.
German aproximou-se de Angie e beijou seu rosto de forma demorada e carinhosa. A mulher abriu um sorriso e murmurou um até mais enquanto o via se afastar, indo em direção ao carro e olhando para trás várias vezes para olhá-la. Angie abriu um sorriso triste, doía pensar em alguém machucando-o. Foi somente quando German entrou no carro e deu a partida que Angeles se tranquilizou. Então aí foi ela em direção ao seu próprio carro. Pensava em mil coisas. Ia abrir a porta para adentrá-lo, quando de repente sentiu a visão ficar preta e sua boca ser tapada.
É.
Angie garantiu a segurança de todos naquela noite. Mas esqueceu-se de uma: a sua própria.
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