Sorte no Azar
20 Felicity/Thea/Caitlin
Notas iniciais
Felicity
− Você pode ler novamente Cait? — pedi baixo, a primeira leitura não tinha surtido muito efeito, quase não prestei atenção em suas palavras. Eu estava absorta demais para prestar atenção nas palavras sussurradas.
− "Felicity eu não posso fazer isso está te machucando, não posso fazer isso". — minha amiga repetiu em um tom de lamurio, parecendo tentar controlar o choro. Assim como eu.
− Caitlin. — pedi baixo me negando a encarar Oliver e Thea, mas pelo apertar forte em minha mão eu sabia que quem estivesse me segurando estava assustado com a tensão que tinha se formado rapidamente.
− “Felicity, por favor não me faça fazer isso.” — sussurrou com hesitação na voz. Era apenas uma ligação normal, fazia apenas um dia que Cait tinha ido e eu já morria de saudades, e então ela me veio com essa de que sem querer carregou consigo a carta que meu pai tinha escrito para mim. A carta que eu fui covarde demais para abrir.
− Apenas leia a droga da carta Caitlin.. Desculpa eu estou.. Leia a carta por favor.
− "Querida Lis".. — iniciou, automaticamente senti minha garganta fechar e todo o sangue que continha em meu corpo parecia ter se esvaziado.
Não sei se ainda tenho o direito de te chamar assim, eu espero que um dia perdoe-me por tudo que eu te fiz passar. Não só você, sua mãe também. Eu fui um canalha com vocês e admito isso.
Eu as abandonei por um motivo banal, eu era irresponsável, um moleque ainda, não sabia lidar com uma família, não sabia lidar com uma criança. Eu não tinha condições de lhe dar amor Felicity, porque eu não sabia o que era isso e não podia dar o que não tinha. Sei que você me odeia, ainda mais depois de 15 anos longe e saiba que eu estou ciente do seu desprezo. Mas eu sinto uma necessidade imensa de ver como minha garotinha está crescida não pode me culpar por isso, acredite ou não eu sempre procurei informações sobre você, sempre quis me manter informado. Lis, não queria ter que te informar isso por uma carta e não pense por um segundo que eu estou te procurando por isso, mas você tem uma irmã Felicity uma linda garotinha que está tão ansiosa para te conhecer, eu não estou te pedindo para me encontrar, para me perdoar logo de cara eu só quero que conheça Lucie e que tenhamos uma conversa descente, por favor considere esse meu pedido Felicity.
Me ligue filha.
Com muito carinho seu pai. Noah Kuttler
Podia sentir minha mão ser apertada, Thea me encarava ansiosa assim como Oliver que parecia angustiado. Eu estava sufocada, mesmo com todo ar presente na sala eu me sentia asfixiada.
− Eu preciso ficar sozinha por um instante.. — minha voz saiu em um pio fraco e sem esperar por respostas me ergui completamente abalada do chão, eu não sabia como reagir depois daquele conteúdo e saber que eu tinha uma irmã me deixou de guarda baixa. Noah podia querer contato comigo sim, mas eu sabia que o único motivo pelo qual ele me procurou agora foi essa garotinha. Talvez ela tivesse descoberto sobre mim e o pressionado, e pensar dessa forma fez um bolo crescer em minha garganta.
Caso você queira ligar para seu pai, 343-572.
A mensagem de Cait veio logo depois eu nem ao menos recordo quando desliguei o celular. Eu podia sentir minha cabeça girar em contradição direto com meu coração, eu queria ligar, saber de mais detalhes, mas minha mente se recusava a ir atrás porque eu sabia que sofreria com as possíveis explicações de Noah.
Corri até o banheiro quando um enjoo me atingiu completamente, tudo o que tinha comido foi por água a baixo, o suor frio escorria por minha testa conforme o vômito saia com mais velocidade por minha boca. Respirei fundo sentindo as lágrimas se misturarem com o suor.
Ergui meu rosto ao senti uma mão afagar minhas costas e então eu vi aquele olhar preocupado me observar, aquele olhar que eu não queria em minha direção. Oliver me ergueu em seus braços e lentamente retirou minhas roupas me depositando abaixo do chuveiro. Ele nem ao menos se importava de ter sua roupa molhada também.
− Me desculpe, queria estar lá para te apoiar com a Thea, ela surtou muito? — sussurrei me referindo ao momento de esclarecimentos entre os irmãos Queen.
− Você precisa ir ao médico, vomitar assim não é algo normal.
− É apenas uma intoxicação alimentar acredite em mim.
− Andou comendo tacos novamente? — perguntou em tom de divertimento, ele estava tentando me distrair.
− Acreditaria se dissesse que me forçaram? — continuei a brincadeira apoiando a cabeça em seu peitoral, seus dedos acariciaram minhas costas nuas e assim ficamos em completo silêncio.
− Eu irei vê-lo. Meu pai quero dizer, e significaria muito se você viesse comigo Oliver, eu só preciso de algumas explicações.
− Eu irei com você até o inferno Felicity. Com você e por você, é isso que namorados fazem não?!
Thea
− Devemos ir atrás dela? — questionei vendo minha amiga se erguer abalada.
− Eu irei, mas antes eu preciso lhe contar tudo. — apenas assenti, Ollie estava sério como nunca tinha visto antes eu até podia sentir um calafrio irritante percorrer minha coluna.
− Nosso pai não morreu por um simples assalto, foi premeditado.. — iniciou. Foi naquele momento em que soube que não estava pronta para qualquer coisa que saísse de seus lábios. Oliver falava lentamente se certificando de que eu estava prestando atenção.
Desvio de verba da QC, a morte premeditada de Robert, mamãe liberando o jogo para ele informando que ela estava ciente do rombo que faziam na empresa e o mais importante que Robert fazia isso.
− Espera, você está me dizendo que Sebastian Blood é seu principal suspeito?
− Felicity acha, ela teve um encontro com ele no elevador da QC e ela afirma não ter dito seu nome, mas ele a conhecia Speddy, ele conhece Felicity e eu sinto como um bicho acuado.
− Vamos dar um jeito nisso. — agarrei sua mão tentando passar o apoio necessário. Eu me sentia um bicho acuado também.
− Você contatou a polícia?
− Digg é um ex agente da A.R.G.U.S, ele está me ajudando.. Mas quem quer que sejam são inteligentes o suficiente para esconder o jogo.
− Quando me sequestraram.. Eles queriam algo.
− E eu entreguei uma planilha qualquer que encontrei na internet, o trato era soltar vocês e eu entregaria.. Eu preciso que tome todo cuidado possível Thea. — pediu, acontece que eu nunca tinha visto Ollie com tanto medo antes.
− Vou tomar, você conversou com mamãe depois de ter plena consciência de toda essa loucura?
− Não.. E eu não sei se estou disposto.
− Eu te entendo, me sinto traída também como quando descobri que era filha de Merlyn. — sussurrei.
− Tudo isso é loucura. — Oliver riu forçadamente e logo depois soltou um suspiro pesado.
− Sim está tudo uma loucura speddy. Eu irei ver Felicity.
− Quer ficar sozinha com ela?
− Acho que ela precisa de você também. — franziu a testa confuso. Espiei pelo corredor ao ouvir o barulho de vômito.
− Ela está vomitando. Ai. Meu. Deus! Não me diga que ela está grávida.
− O que? Não Thea, claro que não nós tomamos os cuidados necessários. — exclamou confuso coçando sua nuca.
− Não parece ter tanta certeza disso Ollie. Vai atrás de sua namorada, eu voltarei logo preciso me resolver com o meu. Não se esquece de me contar se vou ser tia ou não. — eu não podia negar que estava me divertindo com o terror explícito no olhar de Oliver, depois da tensão que acabei de saber o humor era uma fuga e tanto.
Esperei Ollie ir atrás de Felicity e no momento em que ele entrou em seu quarto corri até meu carro me dirigindo até a QC, que graças a Deus não estava movimentada o que facilitava minha missão.
Vasculhando todas as gavetas do escritório de Ollie finalmente encontrei o que procurava, escrevi um bilhete brevemente antes de endereçar o grande dossiê para Lance. Anonimamente, claro.
Talvez Ollie nunca fosse me perdoar por ter feito isso, mas eu precisava me sentir útil e precisava parar essas pessoas o quanto antes. A adrenalina pulsava forte em minha corrente sanguínea, eu estava confiante de que algo bom aconteceria.
Depois de tudo completamente em seu devido lugar, me dirigi até o Glades a fim de encaixar a última peça do meu quebra cabeça.
Bati duas vezes hesitante. Meu rosto devia ser a última coisa que Roy deveria querer ver.
De peito desnudo ele abriu a porta.
− Você atender a porta assim é muita distração. — optei por uma brincadeira, mas o seu sorriso não veio, ergueu uma sobrancelha em desafio e eu soltei um suspiro longo.
− Me perdoa por tudo Roy, eu sei que fui terrivelmente chata esses dias mas eu não quero que isso acabe porque eu te amo.
− Thea..
− Eu só preciso que você escute, caso você não sentir o mesmo eu irei embora e nunca mais precisará ver me rosto novamente, mas me escuta..
Não pude esclarecer nada, minha boca estava sendo ocupada pelos lábios deles com vigor. Eu gostava da maneira qual ele me calou. Seus dedos se enroscaram em meus cabelos me puxando para dentro de sua casa, com pressa seus dedos puxaram a camiseta por cima de minha cabeça.
− Eu te amo também. — mordiscou minha orelha e logo depois voltou a me beijar, soltei um risinho feliz pulando em seu colo.
− Para o quarto! — exclamou caminhando rapidamente pelo corredor.
Caitlin
Não podia imaginar situação mais estranha e constrangedora do que eu presenciava nesse momento.
− Barry vai criar o filho de outro homem? -Iris voltou a insistir, seus olhos me julgando de cima a baixo, vi no exato momento em que seu novo namorado apertou sua mão por cima da mesa em sinal de repreensão.
− Iris..
− Antes que você fale alguma coisa a mais Iris, você por algum caso me vê apontando uma arma para a cabeça de Barry? Impondo de criar meu filho? Não é porque sou divorciada que sou uma inútil, posso muito bem criar e educar meu filho sozinha se fosse o caso. Mas eu tenho Barry e ele está comigo por livre e espontânea vontade ele sabia no estava se metendo quando começou a se envolver comigo. — estressei-me. Durante toda a noite tive que suportar suas piadinhas para cima de mim, era óbvio que uma hora eu jogaria tudo para o alto.
Barry e eu estávamos bem e cansados. Depois de arrumamos toda a casa e ainda ter que ter dado aquela notícia para Felicity eu me sentia mais do que exausta, mas então Joe apareceu com essa de jantar em família e eu não queria parecer chata e desmarcar o primeiro jantar com meu sogro.
Mas eu já estava farta de ter que aturar Iris West.
− Talvez você ter vindo para Central foi um erro. — ela insistiu novamente, se erguendo da cadeira onde estava. Cerrei meus punhos para não ter que agredir aquela mulher.
− E você devia dar mais respeito ao homem que chama de namorado. Deve ter alguma coisa por trás para você estar insinuando tanta coisa, vamos Iris me conte. — rosnei.
− Você não serve para Barry.
− Ah é? E quem serve para ele? Posso afirmar que você não é.
− Gente.. — escutei o sussurro de Joe, observei os rostos dos homens a minha frente me dando conta da presença deles novamente.
− Me leva para casa Barry, perdi a fome. — rosnei me lembrando de não chorar na frente deles. Barry se despediu de Joe com um aceno enquanto eu pedia desculpas por ter estragado todo o jantar.
O clima no táxi não podia estar mais tenso. Eu me recusava a me aproximar dele, meu coração estava miúdo. A possibilidade dele enxergar que não passávamos de um erro estava me aterrorizando.
− Caitlin tenta entender a Iris, não tira conclusões precipitadas amor. — disse assim que colocamos os pés em casa. Joguei a bolsa em algum canto exasperada.
− Você está defendendo ela? É isso mesmo?
− Cait não é isso amor, ela só está preocupada comigo. — continuou, soltei um riso sarcástico apoiando minhas mãos na cintura em uma postura defensiva.
− Eu.. Vou dormir o dia foi cheio.
− Caitlin..
− Não ouse continuar Barry Allen, não ouse prolongar essa briga sem pé e sem cabeça. — respirei fundo o deixando sozinha na sala. Eu apenas não entendia como ele ainda a defendia, logo ela que o fez sofrer tanto.
Tomei um banho rapidamente e enquanto me vestia liguei no noticiário.
− Eu fui um idiota, me desculpa. — Barry sussurrou colocando apenas a cabeça para dentro do quarto.
− Eu estou tão tentada a te bater Barry mas estou cansada demais para isso quem sabe.. Oh droga. — interrompi meu sermão com um praguejamento baixo vendo a notícia brilhar no rodapé da tv. Sebastian Blood, o candidato a prefeito de Starling City foi descoberto corrupto responsável pela morte de Robert Queen, o filantropo morto à algumas semanas atrás. Sebastian se recusa a dar qualquer tipo de entrevista.
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