Sorry.
1 Apagou-se o brilho.
Notas iniciais
I tried to build resistence
I tried to start a war
But no one ever listened
I bottled up the storm
Take the bullets away-We as human
No quarto escuro do décimo primeiro andar, está ela. Uma jovem moça, ainda na flor da idade, que olha pela janela os carros passando em alta velocidade pela avenida, enquanto acaricia um revólver.
Chama-se Lua. Sim, Lua como nosso satélite natural. A diferença delas é que essa Lua deixará de brilhar dentro de alguns minutos, mergulhando na escuridão eterna.
Lua suspira mais uma vez, tomara sua decisão final há duas semanas, mas ainda procurava o dia ideal para consuma-la. O dia escolhido foi hoje.
Afasta-se do parapeito da janela, indo em direção ao criado mudo, conferindo pela milésima vez, a carta que está sobre ele.
Durante essas duas semanas, a única coisa que pensou foi em qual será a reação de Charles ao ler a carta. Será que entenderá o que ela quis dizer? Será que ele irá compreender? Ela espera que sim.
Senta-se na cama, olhando para o relógio pendurado na parede branca em sua frente. Faltam apenas 7 minutos.
6 minutos. Ela olha para o revólver em sua mão, analisando-o.
5 minutos. Cantarola uma canção qualquer, enquanto seus pensamentos giram em torno de Charles.
4 minutos. Observa mais uma vez o relógio, ciente do tempo que falta.
3 minutos. Gira o revólver, achando engraçado o vento que ele produz ao ser girado.
2 minutos. Deita-se na cama.
1 minuto. Engatilha-o. Admirando-se mais uma vez de como seu dedo se encaixa bem naquele espaço.
Coloca o cano do revólver na boca. Fecha os olhos, deixando uma única lagrima escorrer de seu olho esquerdo. Puxa o gatilho.
(…) I drop all my weapons to show you that I'm not afraid
Passos apressados no corredor indicam que o barulho foi ouvido e interpretado. Dentro de cinco minutos, os vizinhos adentram o apartamento, que Lua premeditadamente deixara aberto. Todos ficam chocados ao encontrar seu corpo já sem vida, e alguns ao descobrirem ser ela a autora da própria morte, deixam escapar um grito de espanto. Nunca imaginavam que ela, a doce e simpática Lua pudesse cometer tal ato.
- Ela parecia ser tão feliz! – sussurrou uma senhora – conversei com ela ainda hoje, estava tão bem.
O fato é que ela havia aprendido a esconder sua dor, de modo que ninguém desconfiasse que ela estava ali. Apenas uma pessoa sabia, a mesma pessoa a quem estava endereçada a carta, e que chegou dez minutos mais tarde. Charles.
“Para você.
Eu tentei. Juro que tentei. Tentei dia após dia, mês após mês, quase um ano.
Mas agora cheguei ao meu extremo. Não há mais nada que eu possa fazer para reverter essa situação. Não há nada que possa me ajudar, me salvar.
Já esgotei todas as minhas alternativas. Busquei por todas as religiões, por todos os psicólogos, psiquiatras e ombros amigos, e nenhum deles acabou com minha tempestade interior.
Não se sinta culpado, meu amor. Você é a pessoa que tem menos culpa nessa tragédia toda.
Minha vida era como um mar revolto, onde eu era o barco frágil e você era a âncora que me mantinha preso à terra firme, à vida. Mas coisas acontecem, e um dia a corda arrebenta-se. E esse dia foi hoje.
Queria poder dizer que sinto muito por tudo, que essa não era minha intenção, mas acho que pelo menos uma vez na vida, posso expor meus verdadeiros sentimentos: Eu sempre quis que isso acontecesse, minha vida sempre foi uma verdadeira bagunça, e mesmo que você tenha tentado arruma-la, nem tudo foi colocado em seu devido lugar, ocasionando meu colapso, e consequentemente meu suicídio.
E antes da despedida final, quero pedir-lhe uma coisa: continue vivo por mim, continue forte por mim, faça aquilo que não eu não fiz, conte minha história e explique meus motivos, e deixe claro que você foi quem mais amei durante a vida e depois dela.
Um dia a gente se encontra, amor.
Adeus, sua Lua.”
Will you help me see the light of one more day?
Take the bullets away!
Take the bullets away!
Take the bullets away!
Take the bullets away!
Take the bullets away!
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