Sorrisos Mortais
3 Somente Deixe-me Aparecer
Notas iniciais
Olhei novamente para fora e vi que aquilo que se aproximava de mim era um trem! Desesperei-me e fiz de tudo para quebrar aquela caixa, mas não tinha força o suficiente e aquele trem estava se aproximando. Fechei meus olhos e coloquei toda a minha força nos golpes que eu dava na caixa.
"Vou morrer... Vou morrer... E-Eu vou morrer... É o meu fim! E-Eu não quero morrer!"
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Chutei forte a caixa, que já estava completamente rasgada e então consegui abrir espaço para que meu corpo passasse por ela. Sai da caixa, mas tropecei nela ao sair da linha do trem e então cai no chão. O trem passou e arrancou metade da sola do meu tênis. Me assustei, meu coração foi batendo mais devagar, pois vi que sobrevivi. A caixa onde eu estava ficou totalmente despedaçada e então eu afastei meu pé da linha do trem, para não machucar-me mais. Sai correndo de lá e me sentei num banco de uma praça. Observava as lindas mulheres que passavam por lá. Nossa, que vontade que deu de enforca-las, arrancar seu sangue e faze-las gritarem de dor e desespero... Diziam para mim que eu deveria mata-las e que não deveria restar nenhuma mulher no mundo. Eu queria fazer o que eu ouvia, mas preferi não obedecer aquelas vozes, pois sabia que eu me foderia. Fiquei somente olhando tudo e todos. Mais tarde fui até minha casa, um olhar triste me acompanhava, não queria voltar. Devia ter deixado aquele trem me atropelar. Cheguei lá e fui correndo até meu quarto, mas senti me segurarem no ombro, fazendo-me parar. Era meu pai.
– Não morreu, é? -- Me disse logo que o olhei. Fiquei quieto -- Devia ter morrido! Ou prefere apanhar?
– Me deixa, maldito! -- Fiz ele me soltar e sai correndo até meu quarto. Ele veio atrás, até que eu fechei a porta e a tranquei.
– HEY, MOLEQUE! SUA REBELDIA VAI LHE TRAZER DOR, ESTÁ OUVINDO??
– VOCÊ NÃO ME ODEIA? ENTÃO ME DEIXE DE LADO, CARALHO!
– VEJA DIREITO SEU MODO DE FALAR COMIGO! -- Ele chutou a porta, mas não conseguiu abri-la.
“Se ele conseguir entrar aqui eu vou apanhar muito...” -- Pensei isso, mas mesmo assim não parei de xinga-lo.
– VAI FODER ALGUÉM E ME ESQUEÇA! -- Sabia que estava piorando a situação, mas queria muito foder com aquele cara.
Ele arrombou a porta do meu quarto e veio direto na minha direção. Eu estava sentado na minha cama, então, fui me arrastando aos poucos para trás com medo. Ele segurou meu pescoço e apertou, com a intenção de me enforcar. Eu me debati, tentando acertar seu rosto, mas, antes mesmo de conseguir, levei um forte chute no meu pênis. Gritei alto, aquele grito demorado, não parei nem mesmo para respirar, até que levei um soco no rosto, que foi o que me calou.
“Mate-o! Mate-o! Veja o que ele faz com você! Tenha dó de sua própria vida, garoto!” Ouvia isso em minha mente repentinamente. ”Somente deixe seu lado assassino aparecer! Somente deixe seu sorriso mortal aparecer!”
“Droga, eu não sou um assassino... Mas... Eu quero mata-lo... Pelo bem da minha vida... Ts, não seja idiota, você não tem chance, Kiyoto!”
Ele ficou me socando repentinamente no rosto e no estômago, até que eu o soquei na cabeça. Ele parou e me encarou. “Estou fodido” Meu pai me arrastou até o banheiro e deixou a banheira enchendo. Nesse tempo, ele fez cortes em todo o meu pescoço, não muito fundos. Depois, me segurou pelo pescoço e mergulhou minha cabeça na água e me segurou lá. Eu fiquei me debatendo tentando sair, até que ele me tirou de lá e ficou batendo minha cabeça na parede até sangrar. Uma hora ele parou e me jogou no chão. Pegou um canivete e o enfiou na minha barriga a rasgando na vertical. Foi isso que deixou uma enorme cicatriz no meu corpo. Eu gritei e o chutei, ele caiu de costas e bateu sua cabeça na banheira, então desmaiou. Eu levantei correndo e fui até um hospital próximo. Eu estava sangrando muito, não queria morrer. Lá cuidaram dos meus ferimentos, mas como eu não possuía dinheiro para pagá-los, eu fugi. Fiquei andando pelas ruas, pois não queria voltar para casa. Foi daí que vi uma garota...
Continua...
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