Sorria
2 Capítulo 2 - Sobre o meu pai
Notas iniciais
Levantei cedo, me arrumei e peguei o meu celular, minha mãe já me esperava no carro.
– Pronto pra ir, querido? — eu concordei com a cabeça colocando os fones e selecionando a minha banda favorita no celular 'KYO' uma banda francesa.
O caminho até lá foi longo (como de costume), as músicas me fizeram dormir no meio no caminho, acordei assustado com o rosto de Thomaz em cima de mim.
– Porra, cara! Me deu o maior susto! — disse sussurrando para que minha mãe não ouvisse.
– Você adormeceu, antes eu te acordar do que sua mãe, não? — diz ele calmo como sempre, e como sempre me dando calafrios na espinha.
– É, mas shiiu! minha mãe não pode me ver sussurrando com o ar, ela já está mal o suficiente. — ele concordou com a cabeça.
Chegamos no inferno, já disse que odeio passar com a psicóloga? Não? Pois, eu odeio.
Não demorei para ser atendido, era o primeiro da lista e a Dra. Luna Dree não demorou a chegar e logo me chamou para ser atendido.
"Sr. Nicholas Martinez a Dra. Dree te espera." — disse a secretaria do diabo.
A Dra. Dree era uma mulher até que bonita, ruiva de olhos escuros e estatura média, um pouquinho mais baixa que minha mãe, aparenta ter uns 25 anos.
Eu entrei na sala, ela me esperava sentada, eu me sentei e recuei na cadeira, esqueci de tirar os fones.
– Bom dia, Nicholas! Como está a música?
– Desculpe, Dra Dree... – digo tirando os fones
– Não, Nicholas, quero mesmo saber o que está ouvindo.
– É uma musica francesa, duvido que goste, doutora.
– Qual musica?
– Poupées Russes — digo com a cabeça baixa
– Poderia traduzir um pedaço dela para mim? — disse ela persistente
– Ok... "É apenas mais um dia, entre o céu e o inferno o canto das bonecas russas que nos enfeitiça, é apenas mais um dia, mas é um verdadeiro dia, no braço de Venus até mesmo o amor é esquizofrênico" -recitei a musica baixo e o meu tom quase teatral chegava a ser dramático
– E por que escolheu justamente este trecho? — disse ela me encarando
– Não sabe doutora? Não sabe mesmo? – disse cínico
– Não, não sei, por isso quero que me diga, você pode fazer isso? — disse ela ainda mais cínica do que eu fui, parece que acabei de entrar num jogo mental com ela.
– Foi por que ele tinha acabado de tocar, estava fresco na memória.
– Pensei que era porque você é esquizofrênico...
– Não doutora, o real porque é que acabou de tocar, é um verso final da musica. – disse meio agressivo olhando nos olhos dela
– Certo, mas o foco da consulta de hoje não é a sua musica, é algo que te incomoda bastante e nunca falamos muito sobre... — Ela fez um momento de silêncio - Seu pai.
– Meu pai!? Não, não, nanão, não, não, não, eu me recuso, eu não vou falar dele! -disse bem inquieto quase gritanto
– Nicholas, sente-se! Por favor, peço que mantenha a calma — disse ela se levantando
Eu apenas a observei por um instante e saí pela porta
– Vem mãe, vamos -digo pegando no braço da minha mãe– A Consulta hoje foi rápida, vamos pra casa.
Ela me acompanhou, e quando o carro deu a partida pude ver a Doutora Luna na porta do estabelecimento, eu nunca diria que o meu pai me abusa, eu não vou me rebaixar neste nível! Sem contar que os meus pais estão separados... Mas agora eu tenho outro foco...
Preciso arranjar um modo de me livrar do meu pai!
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