Soro Positivo

2 Capítulo 2- Trevor


Notas iniciais
*CUIDADO* Risco de apaixonar-se

Entrei no meu carro, olhei no retrovisor e vi Josh se aproximar, porém, no seu tempo. Ele tinha que se despedir de todas as garotas que visse. Enquanto ele fazia seu ritual, olhei meu cabelo no retrovisor e o ajeitei. Sabe quando você não tem o que fazer no carro então resolve olhar o que tem no seu porta-luvas? Foi o que decidi fazer. Tinha muito tempo que eu não mexia lá. Abri e me surpreendi com o que tinha lá: moedas, hidratante (passo no banco de couro do meu carro), balas de hortelã, uns ingressos, 3 identidades falsas e meia, uma cartela de preservativos e uma foto do verão passado. Eu estava feliz. Eu era feliz. De repente me deu aquela dor no peito como quem tinha uma ótima vida e cagou tudo. Na real, não foi tão ruim eu aquietar um pouco, de certo modo, foi bom. Analisei a foto com cuidado e tornei a guardá-la, com cautela, naquele porta-luvas para deixar alguns vestígios do meu antigo eu. Josh pulou a porta do carro, afobado, e sentou a meu lado. Ele provavelmente percebeu meu estado.

— Ei cara, você tá legal?- perguntou, preocupado

Ele se preocupava muito comigo, era como um irmão pra mim. Talvez se preocupasse até mais que meus pais. Desde a doença, ele sempre têm estado presente. Disfarcei minha cara de tristeza/arrependimento/na fossa.

— Tô sim.- mudei de assunto- Se despediu de todas as suas amigas?

Ele sorriu, orgulhoso.

— Até fiz novas- ele mostrou o celular com 4 novos contatos

— Uau! Melhor que eu em meus dias de glória.

— Ah, meu amor, ninguém supera você.

— Então, vamos pra casa, meu lindo, porque anseio por comida.

Liguei o carro e uma garota, que só pode ter surgido do chão, apareceu do nosso lado. Ela tinha cabelo curto e castanho, olhos claros e era morena.

— Ei gato, tá solteiro?- ela disse, de uma forma sedutora

— Sim porém, indisponível, sinto muito, mas meu amigo Josh está bastante disponível.

Ele olhou para ela e piscou, ela sorriu.

— Quem sabe um dia desses. A gente se esbarra por aí, até logo.

Ela era muito bonita mas realmente, não fazia meu tipo. Reparei que Josh olhava para sua bunda enquanto se afastava. Moleque safado. Acelerei o carro e caímos no pouco chão que tínhamos para andar. Já que ele morava perto de mim, uma quadra a frente, nós sempre íamos e voltávamos juntos. Ele começou a rir.

— Por que você dispensa tantas garotas? Tem um milhão delas te dando mole e você não aproveita.

— Pra te passar elas.

— Eu agradeço e muito por isso mas fora a doença, tem que ter outro motivo

— Esse tipo de garota não tem mais graça pra mim.

— E a Charlotte? Faz seu tipo?

Sorri. Ela é legal, bonita, nos entendemos bem mas ainda não a conheço o suficiente para opinar.

— Nem disfarça o sorriso- ele riu- Quem ri, consente.

Esse Josh... Ele é do tipo que faz aquelas brincadeiras de criança que não tem como escapar. Eu detesto.

— Assim, eu gosto dela mas ainda não a conheço o suficiente.

— E desde quando precisa conhecer pra dar um trato?

— Aí é que está a diferença entre você e eu.

— Você... Aiai.

Em uns 10 minutos chegamos na minha casa. Só tinha minha irmã por lá. A doméstica, Kara, tinha saído mais cedo por causa do seu filho. O filho dela tem câncer e devido a isso, ela tem que sair de vez em quando, por emergência. Pelo menos tinha almoço pronto. Estacionei o carro na garagem e entramos em casa.

— Cheguei- anunciei

Pude ouvir pouco dos passos suaves e velozes de Dana descendo as escadas. Ela correu ao meu encontro e eu a abracei.

— Amanhã você vai, né?- perguntei

— Claro, só preciso de 1 dia pra causar.

— Sei...

— Você faltou pra causar no dia seguinte?- Josh intrometeu-se

— Claro- ela sorriu- Não estão com fome?

— Morrendo.- disse, com o estômago roncando

— Vou pôr seu almoço.

— Nossa, minha irmã até parece gente.

Ela mostrou a língua em sinal de brincadeira e sorriu. Josh se jogou no sofá da sala, pegou o controle remoto e ligou a tv.

— Vai pôr nada indevido aí não, Josh.

— Ah, Trevor, até parece que você não assiste um pornôzão de vez em quando.

— OLHA ESSA BOCA, MOLEQUE!- falei em tom elevado, ou seja, gritei mesmo

Ele sabe que eu odeio que digam esse tipo de coisa perto da minha irmã. Às vezes eu me pergunto se ele se faz de sonso, mas como ele realmente é... Fica complicado. Ele arregalou os olhos.

— Calma aí, Trevorzinho. Foi só uma brincadeira.

— Já te falei sobre isso.

Ele me encarou por uns 10 segundos e depois respondeu.

— Foi mal, Trevorzinho.

De vez em quando acho que ele quer falar algumas coisas, e que só não fala por causa da minha condição... Acho até uma atitude sábia da parte dele. Porque eu evito tomar meus remédios controlados pois são medicamentos muito fortes e quero aprender a me controlar sem o uso de medicamentos. Quando eu fico nervoso, fico de fato. A ponto de ter que descontar minha raiva em algo ou alguém até ela passar.

— Pronto, Trevor, seu almoço.

Dana o pôs na mesa e fui comer. Estava faminto. E parece que Kara sabia disso quando o preparou. Era um prato feito com camarões. Eu não sabia o que era mas o cheiro e a aparência estavam ótimos. Comi tão rápido que chegou a dar dor no estômago. Levei o prato na pia e olhei para Josh e Dana. Os dois estavam sentados no sofá e pareciam compartilhar um assunto aparentemente cômico. Eu gosto muito do Josh mas odeio a forma como ele fica próximo da minha irmã porque eu o conheço muito bem. Bem até demais.

— Uma partida de basquete, Josh?- cortei o clima dos dois

Ele não pareceu se importar de eu ter cortado o barato dele e logo aceitou a oferta.

— Claro, mano.

Ele levantou, falou algo com Dana que não consegui ouvir e ela riu. Não gosto disso. Fomos para a quadra que ficava nos fundos de casa. Peguei uma bola de basquete no armário de esportes. Eu e Jake jogávamos basquete desde os 7 anos. Nós éramos muito bons nisso.

— Mano a mano.

— Pra não perder o costume, né?

Jogamos algumas, várias, partidas. Só parávamos no ponto em que um de nós estava prestes a cair. E esse era sempre o Josh.

— Acho...- disse Josh ofegante e cortando a frase em partes- que... já deu... por hoje...

Peguei a bola, quiquei duas vezes e fiz uma de 3 pontos.

— Já cansou, Josh?

Ele sentou no chão, pegou uma toalha e bebeu um gole de água.

— Tá doido? Você não cansa.

— É,- ri- acho que não.

Continuei jogando enquanto Josh estava sentado, se recuperando. Fracote. Até que uma voz me interrompeu.

— Trevor, pelo amor de Deus, há quanto tempo você está jogando isso? Está pingando de suor e muito vermelho.

— Calma, mãe. Você fala como se eu fosse morrer.

Ela me olhou com uma cara séria. Tinha acabado de chegar do trabalho.

— Você não pode praticar tanto exercício físico.

— E por que não? Não tem nada a ver. Relaxa, mãe.

Fiz mais uma cesta e guardei a bola. Ela deixou sua bolsa e as chaves na mesa da cozinha e se aproximou da quadra.

— Como você está?

— Estou bem.

— Ei, Sra. Evans- cumprimentou Josh, de onde estava

— Ei, Josh. O que está fazendo sentado aí?

Ele estava sentado no canto da quadra desde o momento em que sentou para descansar.

— Me recuperando. Seu filho, joga muito.

— É.- ela me olhou com uma cara de reprovação. Eu sei disso.

O celular dela tocou e ela olhou para ver quem era, resmungou algo e deixou continuar tocando. Ela, às vezes, acha que não dá muita atenção pra mim por conta do trabalho. O que é verdade, mas nem me importo.

— Pode atender, mãe.

— Tem certeza?

— Sim.

— Obrigada.

Ela atendeu e saiu de perto para conversar. Me dirigi a Josh.

— Já se recuperou?- perguntei estendendo a mão e rindo

— Talvez, mas preciso de um banho- disse, aceitando a ajuda

— Vai lá.

Ele foi tomar banho e peguei meu celular pra dar uma olhadinha no instagram. Resolvi pesquisar por Charlotte Carter. É claro que eu procurei saber sobre o sobrenome dela. Apareceu a conta dela e toquei pra ver o feed. Vi várias fotos dela sorrindo, curtindo com os amigos, na praia, em festas, em vários lugares diferentes, mas uma me chamou mais atenção. Fiquei olhando aquela foto por um tempo. Ela estava sentada em um cais, no pôr do sol e olhava fixamente para a câmera, com um olhar profundo. Apertei para seguir, depois tornei a olhar a foto e salvei. Aquele olhar me capturou.

Notas finais
Avaliem o capítulo, digam o que acham e dêem sugestões para a história. XOXO e muito obrigada