Sora no Nedolas
5 Kitsunder
Notas iniciais
– Yuno! – Takumi gritava entrando no refeitório do alojamento, chamando uma atenção desnecessária – Como pode fazer isso comigo?
Todos encaravam em silencio e Yuno quase continha uma pequena risada.
– Estou exausto, o caminho é longo até aqui, e eu não te chamei de gorda, raposa maluca. – falou Taku puxando uma cadeira e sentando-se ao lado de Masuni.
E assim estavamos: Takumi ao lado esquerdo de Masuni e eu do direito, e Yuno no meu lado, como a mesa era redonda automaticamente Yuno também estava ao lado de Taku.
– Estou morrendo de fome. – murmurou Taku.
– É uma pena, pois já terminamos de comer. – falou Yuno com um tom provocante.
– Yuno, não faça iss... – não consegui terminar de falar e Yuno se teletransportou, sabe-se lá Deus pra onde.
Estavamos naquele famoso silencio constrangedor, até que Masuni quebrou o gelo.
– Então Nyu, o que acha de irmos fazer nossa primeira missão?
Concordei, quieta.
– Divirtam-se. – disse Taku olhando fixamente para Masuni, como se quisesse lembra-lo de algo.
Usei o teleporte para levar Masu e eu até um beco velho no meio da cidade, onde pude trocar nossas roupas tranquilamente, não que fosse possível ver algo, infelizmente, mas isso não era uma coisa legal de se fazer em publico.
– Eu não faço ideia de o que temos que fazer. – Masuni falou em um certo nervosismo.
– Eu sei, por isso te trouxe aqui. – respondi pegando na mão dele.
Primeiramente ele recuou um pouco, com um olhar assustado, mas então sorriu amistosamente me dando as mãos, e levei ele para onde precisávamos ir: um armeiro.
Ao chegarmos comecei a explicar, já que era bastante coisa e consequentemente teríamos um longo dia pela frente.
– Aqui é a loja do armeiro Kou, ele produz armas individuais, que é para você caso algo te aconteça, e uma para mim, para te proteger. Nossas armas são chamadas de Kitsu e a das pessoas normais como você são chamadas de Kitsunder. – falei devagar para ter certeza de que ele entenderia.
Por fora a loja era simples e humilde, paredes de pedra e porta de madeira, enfeitada com flores delicadas de todas as cores, mas ao entrarmos Masuni pôde se surpreender, as paredes todas cobertas por ouro branco e suportes dourados para deixar à mostra as armas mais belas, os balcões e outros objetos eram feito de vidro e pareciam brilhar.
– Como posso ajudar? – Kou se aproximou de nós, até me reconhecer.
Ou pelomenos foi o que ele achou.
– O que está fazendo aqui? – ele protestou me olhando com repulsa.
Assenti calmamente enquanto ele tentava se afastar, sem chamar atenção de outros clientes. Com um pequeno gesto de mãos enviei para ele um pequeno escâner, ele parecia ler pequenas luzes roxas pelo ar durante alguns minutos.
– Kou-sama tem uma habilidade especial, é como um NPC de games, ele tem algumas habilidades que nós temos, e agora ele está conferindo algo que mandei para ele. – expliquei para Masuni que permanecera confuso com a situação.
Com outro gesto as luzes cintilantes se foram e Kou sorriu alegremente.
– Por aqui por favor. – Ele nos levou até uma pequena sala, o ar fresco era movido à magia, já que não havia janelas, as paredes pintadas de diferentes paisagens e os moveis de seda vermelha, luxuosamente aconchegante.
Sentamos aguardando que alguns funcionários chegassem com modelos novos, todos dentro de baús prateados e reluzentes. Eles foram mostrando cada modelo e falando sobre os mesmos, Masuni estava fascinado, mas ainda assim parecia não acreditar no que estava vendo.
– Esse é um cetro celeste, uma ótima Kitsu, grande parte do seu poder será enviado para cá. – falou enquanto tocava levemente em um cristal verde na ponta do grande bastão branco – Assim você ficará mais forte e terá maior controle do seu poder, mas é claro, é mais recomendado para os que desenvolvem mais dificuldades de usar suas habilidades manualmente.
– Não é exatamente o que procuramos. – falei educadamente.
– E que tal esse conjunto de espadas? – ele apresentou duas espadas exatamente iguais, porém uma era Kitsu e outra Kitsunder.
Negei.
– Vocês gostam de chicotes? – tentou novamente.
Masuni corou com a palavra, olhei para ele na intensão de provocar.
– O que você acha, Senpai? – ele estava inquieto, apenas dei uma pequena gargalhada.
– Também temos shurikens. – e havia de diversas cores, achei legal, mas não é algo fácil de se usar, eu e Masu teríamos que treinar muito.
Kou mostrou muitas outras Kitsu e Kitsunder, todas maravilhosas, mas nenhuma que eu gostasse muito, e acho que ele percebeu minha pequena insatisfação.
– Bom, qual é a especialidade de vocês? – ele perguntou exausto.
– Masu-senpai é novato ainda, então não sabemos bem, algo que seja bom para iniciantes serve, e eu gosto de armas de longa distância.
Masuni corou, desviando um pouco o olhar, e Kou-sama já não estava mais à vontade, ele sabia das regras.
– Mayo, você escutou o que a mocinha disse, busque para mim nossas novidades. – ele falou animado.
Logo Mayo, uma garota magra e extremamente alta de cabelos negros e olhos cor-de-rosa voltou trazendo um baú raso porém comprido. Ela o colocou na mesa que separava nossos assentos de onde Kou estava, ele abriu com uma pequena senha, com no máximo quatro dígitos, o barulhinho que fez ao abrir era viciante.
E logo pudemos ver: uma Kitsu perfeita, um arco transparente, parecia ser feito de gelo, a corda era fina a ponto de quase não ser vista, macia como uma teia de aranha. Nas pontas o arco tinha um acabamento delicadamente perfeito e ao lado estava uma aljava branca, com flechas do mesmo material que o arco. E acompanhando vinha um pequeno dispositivo, uma Kitsunder, não tão pequeno, era como um relógio que ocupava grande parte do braço.
– Esse é um modelo novo que estamos começando a trabalhar, ao comparem, suas marcas aparecerão nas armas, e assim vocês não poderão perder, e ninguém poderá roubar, a menos que a marca seja a mesma de vocês, mas sabemos que isso é impossível. – Kou explicava orgulhoso do próprio trabalho.
– O que acha, Masu? – perguntei fascinada.
– É perfeito. – ele abriu um sorriso encantador, e naquele momento eu queria mais do que tudo poder tocá-lo, mas tive que resistir.
– Ótimo, passem isso por cima da marca de vocês, e deixem por três segundos. – falou Kou entregando-nos um dispositivo pequeno.
E assim fizemos, o aparelho era gelado e parecia ser úmido como gel, mas nossas peles continuavam secas. Após fazeros isso nossas marcas apareceram nos objetos, assim como Kou falou, e então eles foram desaparecendo aos poucos em um jogo de luzes.
– O que aconteceu? – perguntou Masuni sem entender, enquanto abraçava seu próprio corpo.
– Isso que você está sentindo é a vitalidade da Kitsunder, ela está se acostumando com você. – expliquei.
– Essa coisa é viva?
– Não, bobo. Não sei explicar, mas tudo o que você sente passa para sua Kitsunder, e isso que dá energia à ela.
– Mas ela sumiu. – disse Masuni checando o baú vazio.
– Explicarei mais sobre isso, agora temos que ir.
Falei e em seguida nos despedimos de Kou e seus gentis funcionários, saímos da loja e recomeçamos nossa jornada pela cidade.
– Nyu, tenho uma duvida.
– Pode dizer. – eu observava cada movimento de sua boca.
– As nossas armas, como temos elas? Tipo, se aquilo é uma loja, não deveríamos comprar?
– E nós compramos. – falei vagamente, mas ele não entendeu, obviamente.
– O pagamento para os novatos é depois da primeira missão, o iene é descontado das recompensas automaticamente, então não precisa se preocupar com isso.
Ele assentiu.
– Alí – falei apontando para algumas colunas ao longe – é onde vamos treinar.
Antes que ele pudesse pensar, ou sequer dizer algo, nos teletransportamos até o local.
– Aqui é lindo. – ele elogiou – e ainda não me acostumei com isso.
Ele tocava o próprio corpo como se precisasse garantir que tudo estava lá, e isso me fazia rir.
– Aqui é o centro de treinamentos da Senhora Moryo, todos dessa região treinam aqui, podemos vir sempre que quisermos, portanto que esteja aberto, é claro, e os horários não são estabelecidos. – falei puxando Masuni pelo braço e logo estavamos lá dentro, era um lugar muito bonito e espaçoso, tinha tudo que precisávamos.
~~ P.V.O Makara Masuni
– Isso é mais difícil do que eu pensava. – murmurei.
Já havíamos encontrado um ótimo lugar para treinar, e estavamos bem longe das outras pessoas, e isso não me deixava muito confortável.
– Não é difícil, tente denovo, é só pensar que sua arma está surgindo e ela aparecerá, sinta e deseje com vontade, é só querer.
Eu fechava os olhos, imaginando e querendo muito acabar com isso logo, mas não funcionava, é como se parte de mim não acreditasse nisso tudo. Nyu suspirou, um tanto triste, estendeu a mão esquerda e através de uma aura azul seu arco surgiu. E assim como Nyu explicou, o campo de treinamento funcionava de tal maneira, você imaginava determinado alvo e ele aparecia.
Algumas silhuetas de metal foram aparecendo em volta de Nyu em uma grande distancia, ela atirava rapidamente, sempre tiros certeiros, como se tivesse nascido para isso. Sua habilidade me impressionava, tirava minha atenção completamente, ela era tão linda...
– Masuni! – ela sussurrou mostrando as presas para mim.
Fiquei com medo de que ela soubesse o que eu estava pensando, mas apenas aguardei que ela continuasse.
– Pare de me olhar e se concentra!!
Engoli em seco, tentei novamente, e de novo.. Mas nada, enquanto isso Nyu permanecia calma, ela estava distraída, olhava para tudo ao redor, ouvindo qualquer barulhinho insignificante, mas isso não atrapalhava seu treino.
– Nyu, eu...
– Desiste? – ela me interrompeu com uma voz e uma expressão séria.
– Como sabia o que eu ia falar?
Ela se aproximou calmamente, aborrecida.
– Masuni. – ela falou colocando a mão no meu rosto e acariciando-me gentilmente. – Você não pode desistir, desistir da sua arma é desistir do treino, que é desistir das missões, que é desistir de mim, desse lugar, de todos nós, até mesmo de você. Eu sei que você consegue, apenas não desista.
Aquilo era inquietante, eu precisava conseguir, por ela, mas não sabia como.
– Certo, te proponho uma brincadeira. – falou Nyu se erguendo em uma postura triunfante.
– Isso denovo?
– Você vai gostar. – ela garantia.
– Tudo bem, lá vamos nós denovo.
Ela se divertia comigo, mesmo que eu não estivesse fazendo nada.
– Vou trazer alguns obstáculos, ele irão para cima de você, como se fosse inimigos, e você vai ter que lutar contra eles, boa sorte, e me agradeça por ter avisado, eu poderia ter feito sem te contar, seria pior.
Não estava acreditando nisso, ela parecia louca falando, de onde vinha essas ideias?
Nyu olhou vagamente para a direita, então segui a direção de seu olhar, logo veio um alvo exatamente igual os que ela estava usando antes, ele vinha de longe, porém rápido, e em minha direção. Pulei para o lado, desviando por muito pouco.
– Você é lento. – ela falava e ria.
Algumas bolas de madeira surgiam de algum lugar, sendo arremessadas na minha direção, elas tinham diversos tamanhos, e por mais que não deveriam machucar, eu podia imaginar a dor que causaria ser atingido por uma dessas. Eu já estava começando a suar e ofegar, mas Nyu parecia não ligar, onde estava todo aquele amor agora? Por um pequeno momento olhei para ela, ela estava linda, fazia movimentos com a mão, guiando os objetos, ela sorriu pra mim, um sorriso maravilhoso e travesso, e então soltou uma pequena risada. Agora ela olhava através de mim, me virei e vi uma bola de aproximadamente 50 centimetros vindo em minha direção, diretamente na minha cabeça, era rápido demais para desviar, e então...
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