Sora no Nedolas
2 Contrato
Notas iniciais
– Você é bem bonitinho. – a voz dela era doce e parecia estar tão perto, mas ainda não conseguia vê-la, será que alguma arma está ajudando ela a ficar invisível ou ganhar velocidade?
Mas eu nem sabia se elas tinham esse poder.
– Aparece logo! – ordenei.
E então fiquei surpreso pelo que vi, uma arma, ela era linda, seu cabelo era branco, assim como suas orelhas e rabo de lobo, e ela possuía um maravilhoso olhar, seus olhos eram cor de âmbar que se destacavam naquela pele clara como a neve envolta.
– E-Eu achei que as armas não demonstravam interesse. – falei impressionado com a atitude.
Ela se aproximou de mim lentamente, sorrindo.
– É claro que podemos, mas geralmente só vivemos vagando pelas florestas, mas eu sou diferente. Me dê sua mão. – ela ordenou e assim fiz.
Seu toque era muito quente, o que me impressionou, pois a única coisa que ela vestia era um vestido branco de verão. Ela levou a minha mão até a altura de seu ombro e então...
– Ai! Por que me mordeu? – perguntei confuso, puxando minha mão para trás com um grande impulso.
– Porque você me chamou de arma, não faça isso, meu nome é Nyu! – resmungou.
– Certo, desculpe.
– E você tem um gosto muito bom, para ser sincera. – ela elogiou se aproximando ainda mais – e um ótimo cheiro também.
– O-Obrigada, e acho que você não poderia me comer.
Eu estava falando sério, já que as armas eram metade animal, mas ela gargalhou como se fosse uma boa piada.
– Então, faremos o contrato? – perguntei impaciente, ela não parecia ser como as outras, queria conhece-la.
Ela riu novamente.
– Então você quer que eu te sirva?
– N-Não, eu só...
– Tudo bem, proponho uma brincadeira, se você ganhar, eu faço o contrato. – ela disse animada.
– Que tipo de arma você é? – murmurei baixo, mas ela ouviu mesmo assim.
Rosnou mostrando seus dentes afiados, e então percebi o erro que havia cometido ao repetir aquilo perto dela.
– D-Desculpe, não quis dizer isso.
Ela sorriu, não estava mais brava, seu humor mudava muito rapidamente.
– E então, qual vai ser o jogo? – perguntei.
– Está vendo aquela árvore? – ela disse apontando para uma árvore grande à alguns metros – vamos correr até ela, se você ganhar, fazemos o contrato.
– Então, é só correr? – perguntei confuso.
Ela assentiu. Nos posicionamos um ao lado do outro, ela não parava de sorrir.
– Certo, se prepare, e... – ela deu uma pequena pausa – agora!
Ao ouvi-la falar saí correndo sem pensar duas vezes, eu parecia ter ultrapassado ela, mas era muito difícil correr na neve. Cheguei na arvore, arfando e exausto. Olhei para trás para ver se ela estava chegando, mas não vi nada.
– Nyu? – chamei procurando por ela.
– Estou aqui. – disse de cima de um ganho da árvore.
Ela pulou no chão ao meu lado, fazendo seu vestido mexer com o vento.
– Q-Quando chegou ai?
– Bom, quando eu dei a ordem para você correr eu me teletransportei por aquele galho.
– Então você roubou. – protestei.
– Não, eu não impus regra alguma, e não disse que era uma corrida, só disse que você precisava ganhar, e você conseguiu, parabéns!
– Ainda não entendi a lógica dessa brincadeira.
Ela sorriu, mas sem falar nada se aproximou novamente, estávamos cara a cara, seus olhos estavam dilatados e ela sorria feliz, mostrando os caninos. Ela estendeu sua mão na medida do possível, já que estávamos tão perto e era fácil nos tocar, e em sua mão foi surgindo lentamente um cristal transparente.
– O objetivo dessa brincadeira era saber se você terminaria sua missão mesmo se eu não estivesse ao seu lado, desistir de algo por uma arma é fraqueza, então a partir do momento que terminarmos o contrato, prometa nunca desistir de seus objetivos, independente do que aconteça comigo. – ela falou com a voz mansa, quase entristecida, como se algo a atormentasse.
– Eu prometo. – falei baixo.
O cristal terminou de surgir, brilhando intensamente. Uma luz branca era emitida do cristal e logo dois colares apareceram, um dente de lobo com um enfeite de lobo em cima. Ela colocou um, me entregando o outro e eu coloquei-o também, logo senti algo queimar levemente no lado direito do meu peito. Ergui minha camiseta, vendo a marca, Nyu abaixou um pouco do seu vestido, procurando por uma marca no mesmo lugar, mas nada além de seu sutiã.
– N-N-Nyu! – disse contendo a vontade de olhar.
– Ah, desculpe. – ela disse abaixando o vestido novamente.
Sorri com a maneira que ela se divertia ao meu lado, e poucos segundos depois uma marca se formou no seu braço direito.
– São vocês que fazem os colares?
Ela assentiu.
– É lindo! – elogiei.
– Agradeço. – ela sorria.
– Melhor irmos para sua pousada, você vai ficar doente se continuar mais tempo aqui. – ela falou notando o vapor que saia da minha boca na medida que eu respirava.
O tal circulo de transporte foi se formando em volta de nós num lindo tom de azul.
– Como sabe onde é? – perguntei curioso.
– Eu recebi suas memorias quando fiz o contrato, é assim com todos. – ela explicou.
E surgimos em frente ao dormitório, estendi a “chave” e a porta abriu, antes que pudesse fecha-la Takumi entrou rapidamente na sala, Yuno vinha atrás dele.
– Então você finalmente conseguiu! – gritou Taku.
Nyu ergueu as orelhas, estreitas e pulou em minha frente, ficando entre eu e o Taku, ela rosnava e os pelos de seu rabo ficavam espetados. Yuno fez o mesmo, protegendo Taku e ambas ficaram se encarando por um tempo. Logo ambas começaram a rir. Sai do transe, confuso.
– Eu sou a Nyu. – falou docemente e caminhou até meu lado, abraçando meu braço.
Yuno também estava ao lado de Takumi, ela o olhava intensamente.
– Yuno, por que você e a Nyu não vão dar uma volta? – sugeriu Takumi.
– Tudo bem! Mas pare de mandar em mim. – reclamou Yuno – vamos Nyu?
– S-Sem o Masuni-senpai? – perguntou entristecida.
– SENPAI? – Takumi e Yuno disseram juntos, me fazendo corar contra minha vontade.
– Nyu, está tudo bem, pode ir. – falei pegando na mão dela e olhando-a nos olhos, ainda com vergonha.
Ela sorriu e as duas se teletransportaram para sabe lá deus aonde.
– Não temos perigo de perder nossas armas? Como saberei se Nyu sabe andar por ai sozinha? – perguntei preocupado.
– Ela não está sozinha, está com a Yuno. E se você colocar a mão em cima de sua marca e abrir sua mente, consegue ver onde ela está, e ela pode comunicar com você através do pensamento também, mas só quando estão longe. – Taku explicou.
– Onde é a marca de Yuno? – perguntei.
– Por que quer saber? – Takumi alterou um pouco o tom de voz.
– Nada eu só... Esquece.
– Bom, vamos falar do que importa, começando pelo que aconteceu aqui, você não pode permitir que Yuno sinta qualquer coisa por você. – ele falou serio caminhando pelo cômodo.
– Por que não?
– Se ela... Você sabe, se sentir muito bem tratada, pode acabar se apaixonando por você, e você terá que se desfazer dela, ou seja, finalizar o contrato.
– Ainda não entendo o motivo. — repliquei.
– Não sei se já notou, mas elas são sedutoras natas, gostam de fazer brincadeiras e atiçar, isso pode acabar de modo errado, e se isso acontecer.... Bom, asseguro de que não será bom, você estará quebrando um regra.
– E-Eu não faria isso, Takumi. Mas tudo bem, vou controlar a situação.
Logo alguém começou a bater na porta com bastante força, me assustei mas logo comecei a ouvir a voz de Yuno.
– Takumi! Masuni! Abram logo!
Corremos até a porta e eu abri. Nyu se apoiava em Yuno com os olhos entreabertos, não aparentava feridas mas parecia doente, exausta, ou sei lá como descrever, mas sabia que ela não estava bem.
– Entrem. – disse Takumi.
– Por que não se teletransportaram para cá? O que aconteceu? – perguntei preocupado me juntando a elas.
– Não podemos nos teletransportar para quartos se não tivermos a chave, e a Nyu nem se quer conseguiu usar o teletransporte, tive que usar o meu nela e foi difícil pois nossas habilidades são bem diferentes.
– Nyu. – falei me aproximando – olhe para mim, abra os olhos, eu estou aqui, vamos eu sei que você consegue.
Ficamos todos em silencio, Nyu estava soando, mas seu corpo estava congelado.
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