Sophias Secrets
4 Capítulo 4
Notas iniciais
-XOXO
Cap. III
Eu alongava minhas pernas na beira da quadra onde seriam os testes. Eu não sei de onde eu havia tirado que seria cheerleader. Tyler havia dito e eu simplesmente... Aceitei.
-Vai mesmo fazer isso? Quer dizer, esse negócio de dançar na frente dos outros não parece muito sua praia. –falou John encostado à parede.
-De que te importa? Eu gosto da idéia de dar um tapa mental na Gabriela quando entrar para a equipe. –sorri com o pensamento.
-Sabe, Sammy me passou um numero. Mas, só pra garantir. –ele pegou seu celular e discou. Eu o observava tentando entender o que ele fazia.
Meu celular começou a tocar Smile, Avril Lavigne, o tirei da bolsa e atendi.
-Oi?
-Só pra ter certeza de que ela não me passou o numero errado. –falou John sorrindo.
Desliguei o celular e guardei novamente na bolsa. Mordi o lábio inferior segurando o sorriso enquanto olhava para John.
-Eu tenho que ir. –falei baixo.
Virei-me e fui para o meio da quadra, ainda sentia seu olhar em minhas costas. Aproximei-me de Sammy que me olhava com um sorriso travesso.
-Para com isso. –falei avermelhada. — Não é o que você ta pensando.
-Você aceitou sair com ele?! –perguntou meio histérica.
-Não! –falei baixo e mordi os lábios olhando de relance para o canto onde ele deveria estar e não estava mais.
Samantha ainda me olhava com aquele olhar de criança.
-Sammy, eu acho que eu não vou me sair muito bem, eu não estou acostumada com esse tipo de coisa. Acho melhor eu não fazer o teste. –falei de repente com incerteza.
-O que? É claro que você leva jeito pra isso, vamos. Pelo menos tente!
Sammy fez uma carinha de cachorro que caiu da mudança que era impossível resistir.
Entrei na fila para os testes e esperei minha vez. Cada uma deveria chegar ao tablado e fazer algo que soubesse para as juízas. Uma garota na minha frente ficava tremendo e pulando de um lado para o outro.
Ela era morena e pouco mais baixa que eu, talvez seja da minha altura, mas eu não conseguia saber com ela pulando daquele jeito. Tinha o rosto fino com olhos castanho- esverdeados, os cabelos ondulados até pouco acima do busto com uma franjinha até as sobrancelhas grossas. Até que era bonita, tinha peitos abaixo da média e bunda um pouco acima.
-Ai ai ai ai ai ai... –cantarolava ela enquanto pulava.
-Ta tudo bem? –perguntei segurando o riso.
-Ta, ta ta ta ta... Eu to nervosa. Eu tenho que passar nesse teste. Sabe alunas de intercâmbio não costumam ser alguma coisa só por serem de outro país. Ainda mais quando ficam na casa de fracassados. –ela me deu um olhar inquisitivo.
-Você é de onde? –perguntei ignorando sua ofensa explicita.
-Brasil. — ela sorriu. –São Paulo, capital.
-Legal. Florianópolis. Ta na casa de quem? –perguntei casualmente.
-Logan Sherman. Sabe? Olhos claros, alto, cabelo castanho claro, óculos Ray-ban... –fiz que não com a cabeça. –É ninguém conhece. Prazer, Alice Gonçalves Souza. –ela estendeu a mão.
-Sophia Saviano. –apertei sua mão. –A próxima é você. –apontei para o tablado.
-ah ta, lá vou eu, boa sorte.
Alice correu pelo tablado dando uns flips e fazendo umas coisas que eu não sei o nome. Não fazia idéia do que eu faria. Alice terminou e eu entrei dando uma estrela dupla de uma mão enquanto pensava no que fazer.
“Mortal.”, falou uma voz em minha mente. Tocava Blahblahblah da Kesha, ou vi a voz e dei um mortal, um segundo antes de eu aterrissar a voz falou novamente, “Spacato”, aterrissei e escorreguei em um spacato. Eles esperavam mais. O que eu faria? “Cambalhota, ponte, turn back” ,repetiu a voz. Fiz o que mandou, recolhi a perna da frente e desci em uma cambalhota subindo em uma bananeira e desci na ponte me pondo de pé em seguida. “Dance.”, falou a voz firmemente. Comecei a dançar matando a vergonha e dei um mortal de costas caindo abrindo em um spacato novamente terminando a sequência. “Parabéns”.
Levantei-me e fui para o canto da quadra me encontrando novamente com Alice.
-Você foi muito bem. –comentei sorrindo.
-Obrigada. Você também! Não achei que você fosse conseguir fazer tudo isso, você fez umas coisas que eu demorei muito pra conseguir. E eu faço ginástica olímpica.
-Faço balé, fazia na verdade. Tenho que voltar a fazer. E eu também nado.
-Vocês fazem isso no balé? –perguntou ela com uma careta engraçada.
-Não, na verdade, antes disso, eu só havia feito estrelas, aberturas e mortais na cama elástica. Não sei como fiz o resto. –completei ainda respirando rápido pela adrenalina.
-Sophia! –gritou Sammy pulando nas minhas costas. –Você foi linda, tava tão fofa, que vontade de apertar suas bochechas! –ela gritava ainda nas minhas costas.
Eu ri e empurrei-a pra sair dali. Apresentei-a pra Alice e ela, não me surpreendendo logo fez amizade com ela.
-Eu tenho que voltar pra lá, vamos anunciar quem entrou. Tchau. –Sammy saiu pulando até a treinadora.
-Atenção garotas! Vamos anunciar as novas garotas da equipe de torcida da AEHS! –gritou a treinadora Reese.
Alice segurou minha mão e fechou os olhos. Um silêncio pesado caiu no ambiente.
-Alice Gonçalves Souza. –Alice deu um pulo e abafou um grito com as mãos, abracei-a compartilhando sua felicidade. –Barbra Jackson, Jéssica Montez, Katy White, Melody Ashbrook, Mia Stanford, Olive Parker, Sophia Saviano- dei um pulinho e abracei Alice. – e Zoe Turner, parabéns, vocês estão na equipe de torcida.
As garotas saíram pulando e gritando. Logo a barulheira cessou e eu fui me trocar. Entrei no chuveiro e deixei a água cair no meu corpo. Demorei um pouco no banho, e sai enrolada na toalha. Coloquei meu short, uma regata branca e por cima uma blusa vinho da Abercrombie. Coloquei uma sapatilha nude e arrumei minhas coisas para sair de lá. Já estava vazio o vestiário.
Lembrei de Jesse me esperando e ri com pena dele. Coloquei minha bolsa atravessada no corpo e sai do vestiário.
-Você foi muito bem. –pulei ao ouvir Tyler.
-Ai meu Deus, quer me matar? –falei com a mão no peito.
-Talvez. –um arrepio subiu por minha espinha. –Mas primeiro quero te parabenizar.
Tyler se aproximou de mim e amassou meus lábios com os seus. Tentei me afastar, mas ele me empurrou na parede. Sem outra escolha respondi seu beijo e nos afastei sem ar.
-Obrigada por me parabenizar, agora tchau. –falei ofegante e me virei.
-Te vejo mais tarde. –ele falou e eu senti um arrepio na nuca. Um arrepio que parecia arranhar em meus poros a palavra “PERIGO”.
-Sophia! –chamou Jesse do carro. –Está tudo bem? –ele perguntou franzindo o cenho.
Olhei para trás onde Tyler estava parado encostado a parede me encarando e voltei a olhar para Jesse.
-E- está. –gaguejei.
Entrei no carro e Jesse deu uma ultima olhada para Tyler antes de sair.
Eu fazia o dever de Física quando ouvi a campainha tocando. Abri a porta para chamar Jesse e o encontrei no corredor.
-É pra mim, fique ai. –falou e desceu correndo.
Fiquei no corredor e fui até o inicio da escada, desci alguns degraus e estiquei a cabeça para ver quem era. Pude ver os sapa- tênis pretos e prestei atenção na conversa.
-To namorando Sophia. Vim vê-la. –a voz de Tyler ecoou pela sala.
-Namorando? –sussurrei confusa.
-Ela está fazendo o dever, volte mais tarde. –falou Jesse e vi-o tentando fechar a porta.
-Melhor ainda, sou um ótimo aluno, posso ajudá-la! Só me convide a entrar.
-Tyler, nós somos grandes amigos, mas saia da minha casa. Agora. –ele falou firme.
Os pés de Tyler que antes estavam um passo de distancia do batente da porta se juntaram a ele.
-Eu acho melhor você me deixar entrar, Jesse. –seu tom soou ameaçador – Sophia não vai gostar de saber disso.
-Ela é compreensiva. Até mais. –ouvi o baque da porta. –Sophia, pode sair daí agora.
-Acho? –mordi o lábio, envergonhada por ter sido pega espiando.
-Está namorando ele?
-O que? Não. Não sei por que ele disse isso. Tenho muito dever, tchau. –falei apressada como se eu precisasse fugir da situação.
-Onde está sua pulseira? –perguntou quando me virei.
Olhei para meu pulso no corrimão e abri a boca pensando no que dizer.
-Tyler...
Ele soltou uma risada sarcástica.
-Meu Deus, como alguém pode ser tão ingênua? –colocou suas mãos no rosto enquanto andava para a escada. –Vem aqui. Vou te dar outra.
-O que? Outra? Pra que? Gastei cinco reais naquela coisa! –perguntei enquanto ele me arrastava pro seu quarto.
Jesse começou a mexer nas suas gavetas jogando algumas coisas na cama.
-Toma, não é igual à outra, mas da o mesmo efeito. –falou amarrando a pulseira no meu pulso.
-É bonita. É menos acabada que aquela, mas é muito parecida. Onde achou? –falava enquanto girava o pulso para ver a pulseira.
-Eu... Comprei. É, comprei em uma vendinha por ai. Era a ultima, comprei pra minha ex. — ele parecia inventar a história na hora, mas foda-se, quem iria saber?
-A minha eu havia comprado na feira hippie. Era idêntica a essa, de couro, algumas voltas e um pingente estranho prateado. Essa só muda o pingente. Tem até o mesmo cheiro de erva. Acho que é da época dos hippies e eles usavam pra cheirar... Será que dá certo? Você tem isqueiro? –eu falei rápido como eu costumava fazer.
-O que? Tenho, mas não vou te dar pra você tentar cheirar. Vai fazer o dever. –ele falou como se fosse uma criança negando emprestar o brinquedo.
-Hm, o cheiro é muito bom. Cheiro de chá, ou de xampu... O que será que é isso? Cheira. –estiquei o braço pra cara de Jesse que tentava me empurrar para fora de seu quarto.
-Você deve ter ficado chapada cheirando isso, para com isso e vai estudar. –dessa vez sua voz era mais firme.
-Cheira pra você ver! Descobre o que é isso, cheira aqui! –empurrei de novo o pulso na cara dele.
-É verbena. Tchau. –ele me empurrou pra fora do quarto e fechou a porta.
-Você é um cavalheiro! -falei sarcástica.
Voltei aos meus estudos e de vez em quando observava a pulseira. Era tão estranho ela ser tão parecida com a outra.
Notas finais
-XOXO
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