Sonic Tales

2 Subconsciente


Notas iniciais
"Eu não consigo sair daqui." "Eu vou te salvar." Nota: Capítulo reescrito 2020

Knuckles se viu em um espaço escuro. Parado onde estava não era possível saber onde estava. Ele olhou em volta e caminhou um pouco... Até que viu uma fonte de luz esverdeada. Uma luz tão forte, uma luz que apaziguava seu âmago, uma luz que o fazia se sentir bem. Estava lá a joia que ele lutava tanto para manter em segurança: A Esmeralda Mestre.

— O que está acontecendo? — questionou o equidna guardião.

Algo dentro de si estava diferente, uma sensação de ansiedade tomou conta de Knuckles.

— O momento de entregar a Chave está próximo... — anunciou uma voz feminina vinda da joia, o que deixou Knuckles surpreso, pois era a primeira vez que a joia estabelecia uma comunicação verbal com o guardião.

— O quê? Chave? Que chave? — Knuckles quis saber.

Uma esfera de luz intensa pairou sobre a Esmeralda Mestre. A luz era tão forte que Knuckles se viu obrigado a proteger os olhos com a mão e mesmo fazendo esforço para ver o que reluzia, era impossível ver o que estava no centro.

— O tesouro que enfim deve ser passado para o herdeiro desta geração — continuou a voz.

— Quem é essa pessoa? — indagou Knuckles, preocupado com aquela afirmação.

Antes que Knuckles pudesse obter alguma resposta, um peculiar ruído que pareceu ter vindo de algum lugar ao longe, chamando a sua atenção.

Knuckles despertou de seu sono completamente alerta.

Alguém havia entrado em sua ilha.

— Quem está aí? — inquiriu em tom severo.

Seria Eggman fazendo uma nova tentativa de roubar a Esmeralda Mestre? Ou Sonic e Tails invadindo a sua ilha? As duas possibilidades lhe pareciam desagradáveis e não importando qual hipótese fosse a verdadeira, uma coisa era certa: ninguém o enganaria novamente.

Mais uma vez, um ruído fez todos os sentidos de Knuckles se aguçarem.

— Apareça se sabe o que é bom pra você! — exigiu o equidna irritado.

Mas não houve resposta.

— Pensei que pudesse ser mais discreta, mas o vermelhinho é mais esperto do que parece... — balbuciou uma voz feminina num tom quase inaudível. — Eu vou precisar ser rápida se quiser pegar essa joia gigante.

Knuckles, com a impressão de ter ouvido alguns sussurros, virou-se para trás.

— Muito bem, você teve a sua chance! — gritou antes de correr na direção da voz.

Mas um outro ruído atrás dele o fez parar para olhar por cima do ombro. Algumas folhas que estavam pendentes voavam através do vento.

— Você é rápido, mas eu não sou idiota — Knuckles correu até lá. — Aposto que é você, ouriço azul! — exclamou antes de afastar os arbustos uns dos outros, revelando uma pedra pousada sobre o gramado. — Não pode ser! — Knuckles, pressentindo que fora enganado, se virou na direção da Esmeralda Mestre não acreditando no que estava vendo: uma morcega estava erguendo a sua preciosa joia através de cordas na tentativa de roubá-la.

— Não parece que você é tão esperto no final das contas! — disse a morcega rindo enquanto continuava a erguer a joia pesada.

— Solte a Esmeralda Mestre, sua ladra! — gritou Knuckles correndo escada acima, fazendo uma tentativa de desferir um soco na morcega que se esquivou com facilidade, mas no processo, acabou perdendo o equilíbrio deixando a joia cair nas escadas.

Os dois trocaram olhares desafiadores antes de se atirarem na direção da Esmeralda ao mesmo tempo.

— Solte ela! Não sabe que as damas têm preferência? — exigiu ela tentando arranjar um pretexto convincente para que o equidna cedesse.

— Se fosse uma dama, não estaria roubando! — retorquiu Knuckles.

— Ela não é sua! — Rouge insistiu.

— Mas protegê-la é minha função! — Knuckles gritou antes de fechar o punho e tentar golpear a ladra.

Mas ela era rápida e usou as asas a seu favor planando para trás. Knuckles não querendo deixá-la escapar, saltou da direção dela, desta vez avançando com um chute. A morcega bloqueou o golpe cruzando os braços a sua frente antes de dar uma pirueta acertando Knuckles com um chute potente o lançando contra a Esmeralda.

O equidna não se mexeu em resposta, aparentemente perdeu a consciência na pancada que levou, o que deixou a morcega surpresa.

— Pensei que fosse mais duro na queda — comentou ela um pouco ofegante, limpando o suor da testa com o dorso da mão.

Ajeitou a bolsa de tecido marrom que estava com ela antes de caminhar até a grande Esmeralda para dar continuidade ao furto.

Knuckles a surpreendeu quando agarrou seu braço com força a impedindo de avançar ou recuar.

O guardião era insistente e não estava pronto para desistir. Resolveu pensar duas vezes antes de avançar quando levou aquele golpe e concluiu num cálculo mental rápido, que o melhor era fingir estar inconsciente e pelo visto, havia dado certo.

— Agora, se sabe o que é bom pra você, é melhor que confesse logo o motivo de estar aqui. Ninguém sabe da existência dessa ilha, quem te enviou? Fale agora mesmo!

— Em primeiro lugar, você é muito mal-educado! Isso não é jeito de falar com as pessoas! — disse ela com um leve tom de escárnio em sua voz.

— Gente como você não merece respeito. E não me enrole, diga de uma vez! — ordenou Knuckles ainda mais enfurecido.

— Em segundo lugar, ninguém me enviou! — ela gritou como resposta, e aproveitando a brecha que seu carcereiro deixou por um segundo, ela dei um salto sobre a cabeça de Knuckles pousando do outro lado e em seguida torceu o braço do guardião, o obrigando a soltá-la para que seu braço não fosse quebrado. — Não me subestime! — emendou chutando o equidna com força, o lançando ao chão.

Knuckles nunca imaginou que uma morcega lhe daria tanto trabalho. Ela era boa. Knuckles detestava admitir, mas ela era boa.

No entanto aquela conclusão não o fez desistir, muito pelo contrário. Knuckles se levantou do chão e com um golpe rasteiro pegou-a de surpresa, fazendo com que a mesma caísse no chão e deixasse o conteúdo da bolsa cair nas escadas.

— Uma Esmeralda do Caos! — exclamou Knuckles tentando rapidamente pegar a joia azul.

Mas ela foi mais rápida e a pegou de volta.

— Nananinanão! Esta joia aqui é minha! — disse guardando a joia na bolsa e se pondo em pé. — É como diz aquele ditado, “antes um pássaro na mão do que dois voando”. — admitiu antes de levantar voo.

— Ficou maluca? Devolva isso aqui! — Knuckles berrou esticando a mão para alcançar ao menos o tornozelo da morcega, mas acabou por não conseguir. — Você me paga, sua ladra! — protestou frustrado.

— Humph, como você é descortês, eu tenho um nome, sabia? Rouge the Bat, lembre-se disso quando eu voltar para pegar a minha Esmeralda gigante, guardiãozinho! — zombou Rouge com uma piscadela provocativa antes de dar a volta e voar para longe com a Esmeralda do Caos.

— Não vou deixar você fugir! — Knuckles correu atrás dela.

Mas Rouge tinha a vantagem, pois ela podia voar e sabia que o equidna não poderia persegui-la por muito tempo. Enfim o terreno da ilha acabou e Rouge sobrevoou o oceano cantarolando.

— Volte aqui! — Knuckles gritou.

A voz vinha logo atrás dela, o que a fez estranhar, afinal, até onde ela sabia equidnas não voavam. Voltando o olhar para trás por um instante, percebeu que o guardião estava... Planando?

— O que raios você é?! — questionou Rouge acelerando para aumentar a distância entre os dois.

— Você não é a única que guarda truques na manga! — Knuckles retrucou com um sorriso confiante. Ele não estava disposto a deixá-la ir.

Enquanto isso, perto de Emerald Town...

Sonic e Tails caminhavam lado a lado rumo à oficina de Tails para poderem descobrir algo sobre aquele relógio que Sonic encontrara naquele estranho lugar.

Ainda era inacreditável a ideia de que havia uma construção no subterrâneo de Mystic Ruins, ainda mais porque a arquitetura não combinava nada com a região. Mas aquilo era o de menos se comparado ao que Sonic vivenciou naquele quarto, ainda se perguntava a quem pertencia aquela voz que o recebeu com tanta empolgação, como se conhecesse ele e Tails visto que ela mencionara o nome do amigo... Além daquela criatura que tentou matá-lo. Tudo ainda era preenchido com um toque de nostalgia e um mau pressentimento. — Por quê? — Sonic ainda se perguntava.

No caminho eles se depararam com as amigas, Amy e Cream que estava acompanhada de seu bichinho de estimação, Cheese. As duas pareciam ter acabado de terminar seu piquenique uma vez que Amy carregava a cesta que estava semiaberta por onde era possível ver alguns potes vazios e a toalha quadriculada.

— Sonic! — Amy correu para receber seu amado com um abraço. — E aí? O que andaram fazendo?

— Bem... — Sonic pensou na resposta, se perguntava mentalmente se deveria contar às amigas sobre aquele lugar que não lhe causava um bom pressentimento. — Demos um rolê por aí — improvisou o ouriço para aquele momento.

— É mesmo? E foi divertido? — quis saber Cream olhando para Tails, enquanto Sonic, constrangido, tentava libertar seu braço enrolado pelos de Amy.

— Foi interessante... — respondeu Tails meio sem jeito, não estava acostumado a esconder coisas das amigas, mas algo o dizia que Sonic tinha um bom motivo para feito aquilo naquele momento.

Cream olhou para Cheese, que a olhou de volta. Aquela foi uma resposta minimamente... Peculiar para a pequena coelha.

Um som de gritos se aproximando iminentemente chamou a atenção dos quatro amigos.

— Volte aqui, sua ladra! — gritou Knuckles exasperado planando a toda velocidade atrás da morcega.

— Por que em vez de ficar gritando você não vem me pegar de uma vez? — perguntou Rouge provocando Knuckles ainda mais.

Ambos não viram os quatro amigos a frente deles e eles avançavam com tudo na direção deles. Quando se deram tentaram desacelerar para impedir o choque ente eles.

— Cuidado! — alertou Sonic antes de se jogar junto de Amy no chão.

Tails, Cream e Cheese fizeram o mesmo abrindo espaço. Por fim, Knuckles e Rouge conseguiram frear sem esbarrar em ninguém.

Knuckles aproveitou a oportunidade para pegar a joia, mas Rouge não era tola e não permitiu que Knuckles chegasse perto dela.

— Estão todos bem? — perguntou Sonic se levantando.

— Acho que sim — Tails respondeu limpando com as mãos os braços impregnados de poeira.

— Agora podem me explicar o que está acontecendo? — Sonic questionou voltando-se para os autores do alvoroço. — E o que você tá fazendo fora da ilha, meu chapa? — acrescentou mais uma pergunta olhando para Knuckles.

Quando Knuckles estava para se explicar, Rouge se pôs em frente ao ouriço com um sorriso simpático.

— Então você é o heroico ouriço azul que anda salvando o povo daquele cientista maluco? — indagou Rouge, cutucando o peito do azulado.

— S-sou eu mesmo... — gaguejou Sonic com a timidez tomando conta dele por algum motivo.

— Ei!! Fique longe dele, garota! Ele é meu namorado! — Amy cortou o diálogo se interpondo entre os dois.

Rouge arregalou os olhos surpresa.

— AMY! — Sonic protestou.

Knuckles, vendo que a morcega se encontrava distraída, tentou cautelosamente pegar a bolsa que continha a Esmeralda do Caos, mas para a sua frustração, ela rapidamente levantou voo.

— Desça já, sua covarde! — Knuckles bateu o pé no chão.

— É mentira que somos namorados! — Sonic continuou concentrado em sua defesa. — Na verdade ela é minha... É minha... É minha...

Amy sorriu na expectativa de que Sonic não fosse conseguir um argumento convincente que contrariasse o dela.

— É minha prima! — afirmou por fim Sonic, dizendo a primeira coisa que lhe veio à cabeça.

— O QUÊ?! — Amy olhou boquiaberta para Sonic.

— É isso mesmo! — Sonic ainda teve a coragem de salientar.

— Engraçado, imaginei que fossem primos ou algo assim! Por isso me surpreendi com o que ela disse! — disse Rouge rindo despreocupada com as tentativas de Knuckles de pegá-la.

— Não! É mentira! — Amy gritou olhando furiosa para Sonic.

— Será que dá para vocês pararem de falar sobre nada? — Knuckles enfim se manifestou. — Essa morcega é uma ladra!

Todos voltaram deus olhares para Rouge.

— O quê?! Eu?! — Rouge apontou para si mesma em seu melhor tom de surpresa.

— Uma ladra? — Sonic repetiu. — Pensei que ela fosse apenas uma... Ai! — Sonic segurou seu tornozelo após ter levado um pontapé de Amy.

— Humph! — Amy cruzou os braços virando o rosto para o outro lado.

— Ah, não! Ela está fugindo! — Knuckles gritou correndo atrás dela, mesmo que fosse completamente inútil uma vez que ela desapareceu voando por entre as nuvens. — Ela roubou uma Esmeralda do Caos que estava na Angel Island!

— O quê? E você só nos diz isso agora?! — Sonic olhou para o céu a procura da morcega.

— Deixa eu dar uma olhada — Tails levantou voo na tentativa de achar alguma pista.

— Eu ajudo! — Cream se ofereceu também, levantando voo com sua orelhas.

Os dois olharam dando uma volta pelo céu, mas não havia nada que os ajudasse a descobrir o paradeiro da suposta ladra naquele momento.

Cansados, a dupla desceu sem qualquer informação.

— Por que não me ouviram desde o início? — Knuckles bateu o pé no chão mais uma vez.

— Olha, não me leve a mal, mas você é paranoico o bastante para confundir qualquer um com gatunos, que nem você fez comigo e com o Tails da primeira vez, tá lembrado? — argumentou Sonic cutucando a própria cabeça, mencionando o primeiro encontro deles. — Aliás, você não deveria deixar a Esmeralda Mestre sozinha, não é mesmo?

Knuckles detestava admitir, mas o ouriço tinha razão, ele precisava voltar ao seu posto.

— E sobre a ladra? — Knuckles quis saber antes de ir.

— Deixa que eu cuido disso, vou ver se ela é mesmo uma ladra e se estiver com a tal Esmeralda do Caos, eu pego. Simples! — Sonic respondeu como se aquela tarefa fosse a coisa mais fácil do mundo.

— Eu já disse que ela é! Estes olhos viram ela pegar uma Esmeralda do Caos azul! — Knuckles apontou para seus olhos lilases. — E se eu não a tivesse impedido, teria roubado a Esmeralda Mestre também!

— Ok, ok, eu já disse que eu cuido disso!

— Acho bom mesmo!

Knuckles se retirou, rumando de volta para o seu posto.

Enquanto isso, Sonic deu uma rápida volta pela região na tentativa de achar alguma pista sobre a morcega, mas não conseguiu encontrar nada. Imaginou que se ela tivesse conhecimento da joia que roubou, estaria bem escondida naquele momento.

Já Amy e Cream foram informar a polícia local sobre a suposta ladra e se encontrassem algo deveriam informar Sonic imediatamente, visto que ele era o mais rápido quando se tratava de pegar ladrões.

Enquanto Tails estava esperando os amigos em sua oficina, aproveitando o tempo de espera para buscar mais informações acerca do local que encontraram em Mystic Ruins.

— Que estranho, por que não encontro dados sobre isso? — Tails franziu a testa pensativo enquanto continuava a pesquisa.

— Cheguei! — anunciou Sonic entrando na oficina, que já estava com as portas abertas.

— Bem-vindo! — cumprimentou Tails, mesmo que se encontrasse concentrado na sua tarefa de analisar o relógio misterioso.

Sonic olhou para a Amy, que desviou o olhar, como se a garota pudesse prever o que fosse acontecer.

Sonic suspirou, não querendo fazer rodeios, afinal teriam de falar sobre o que aconteceu cedo ou tarde.

— Amy.

— S-sim? — gaguejou Amy se fazendo de desentendida.

— O que nós conversamos sobre você ficar espalhando por aí que somos namorados?

Houve um intervalo de silêncio de alguns segundos antes de Amy se ver sem opção que não fosse responder.

— Que era para eu não fazer isso? — Amy piscou várias vezes olhando para Sonic com a cara mais fofa possível.

— E o que você fez? — Por algum motivo Sonic sentiu vontade de rir com aquela carinha fofa, mas não podia se permitir ser subordinado daquela maneira.

— Disse que somos namorados?

— E isso não é verdade, certo?

— Por enquanto! — Amy justificou. — E depois você não deveria estar bravo por isso, afinal, você também mentiu quando disse que somos primos!

— É-é verdade, mas você não pode tratar mal as pessoas de que me aproximo, eu tinha de fazer alguma coisa! — Sonic se viu obrigado a responder, mesmo que esta não fosse sua melhor resposta.

— Mas ela era perigosa! Não ouviu o Knuckles dizer que é uma ladra? Você deveria estar me agradecendo por isso! — Amy cruzou os braços sentindo um alívio antecipado por se livrar da culpa, pois há algum tempo atrás, Sonic a obrigara a prometer de que não criaria esse tipo de cena em público.

— Você não sabia disso naquele momento — Sonic a lembrou.

— É-é mesmo, mas ela parecia perigosa.

— Não deveria julgar as pessoas pela aparência — Sonic continuou replicando.

— Eu não julguei! Dava para sentir! — Amy deu um salto de tanta agitação. --- Aquela atmosfera... — Balançou as mãos como se estivesse formando uma bola de energia. — Aquele olhar... — Apontou para os próprios olhos e depois para os olhos do amigo. — Já ouviu falar que os olhos são a janela da alma? — ela inclinou a cabeça para o lado com uma cara fofa novamente, tudo para provar de que ela tinha uma razão para ter feito o que fez.

— Ok, então.... — Sonic disse em tom de desistência.

Amy suspirou aliviada por vencer aquele debate. Sonic até podia ser mais ágil do que ela, mas quando se tratava de argumentos, Amy se saía muito melhor que o azulado na maioria das vezes.

— Mas...! — Sonic cortou o silêncio.

Amy revirou os olhos. Tinha realmente a esperança de que tinha acabado.

— Eu quero que você saiba que eu consigo me cuidar — disse Sonic num tom mais calmo pousando suas mãos nos ombros da amiga. — Se eu realmente precisar de ajuda, eu te garanto que eu chamo por você e os outros.

— Sério mesmo? — Amy quis confirmar.

— De verdade! — assegurou com um sorriso largo. — Eu te peço que confie em mim e acredite que eu posso fazer isso!

— Eu confio! — Amy o abraçou feliz pelas palavras do amigo.

— Muito bem, estamos entendidos?

— Sim!

O relógio da cidade soou assim que chegou ao meio-dia.

— Oh! Estamos atrasadas! — Cream se levantou rapidamente da cadeira ao lado de Tails, onde observava o jovem prodígio tentar solucionar o dilema do relógio, e correu até Amy.

— É verdade! Prometemos para sua mãe chegar na sua casa antes do meio-dia dia! Rápido vamos! — Amy agarrou a mão da amiga, pegou a cesta e saiu correndo. — Ah! Tchau, meninos!

— Tenham uma boa tarde! — Cream acenou para os garotos.

— Chao! Chao! — Cheese fez o mesmo.

— Até mais! — A dupla acenou de volta.

Logo depois que as meninas foram embora, se fez um silêncio sinistro... Nem mesmo havia o tick tack de um relógio para quebrar aquele silêncio, pois o único que se encontrava naquela oficina, ainda estava paralisado.

— Enquanto você esteve fora, eu dei uma pesquisada sobre aquela construção enterrada em Mystic Ruins, mas não encontrei nada, literalmente não existe qualquer registro daquele lugar,, o que é estranho, geralmente construções antigas assim são registradas, fazem parte da história da região. É como se ela tivesse sido colocada lá sem ninguém ter descoberto e teoricamente nós fomos os primeiros a colocar os pés lá depois de muitos anos, talvez até década ou séculos!

— Nossa! — Realmente a ideia parecia bastante intrigante para Sonic. Mesmo já se deparando com coisas bastante estranhas, como um doutor megalomaníaco, aquele lugar especialmente lhe chamava a atenção. — Bem, e o relógio? O que está tentando fazer?

— Estou tentando abrir o relógio para descobrir o que aconteceu com ele. Sabe, é estranho que os ponteiros estejam parados, pois a música pode ser tocada e basicamente, tanto relógios desse tipo, quanto caixas de música, funcionam da mesma forma, um não deveria funcionar sem o outro... — Tails pressionou a chave de fenda contra a abertura lateral do relógio, mas em vez de conseguir abri-lo, acabou quebrando a ponta da ferramenta, fazendo o pedaço sair em disparada raspando os pelos brancos de seu rosto. — I-isso foi perigoso.

— Toma cuidado, Tails, não quero que você... Ah!!! — Sonic tropeçou em algo no chão e quando tentou se segurar numa mesa ao seu lado acabou derrubando tudo que havia em cima. — Ai... Essa doeu — resmungou massageando a cabeça após ter levado uma pancada de um livro que acabou por cair em seu colo. — “Alice no País das Maravilhas”. — Sonic leu o título. Deu uma rápida olhada na lombada e nas páginas para ver se o livro não havia sido danificado, para a sua sorte, estava tudo certo.

Voltando a olhar a capa observou um coelho trajando uma roupa elegante correndo às pressas segurando um relógio de bolso em sua mão. Um pouco atrás do coelho estava uma garota de cabelos dourados, um vestido azul, assim como seus olhos, combinando com os sapatos azuis cobalto, tiara e laço no pescoço da mesma cor, correndo atrás do coelho com um olhar curioso.

O mesmo olhar de Sonic, que parecia hipnotizado olhando para aquela cena.

— Sonic — chamou o amigo.

— Eh? — Sonic saiu do transe voltando os olhos espantados para Tails.

— Cuidado para não estragar o livro, ele não é meu — disse Tails estranhando um pouco o amigo.

— Não? Imagino que seja da Cream então — Sonic sorriu com um olhar mais maroto.

— É, como sabe?

— Ela já comentou algumas vezes que se preocupa com a quantidade de tempo que você fica aqui trabalhando sem parar, e se quer saber, ela não é a única, eu também fico preocupado.

— Ora, vocês não precisam ficar assim, eu estou bem!

— Eu sei, cara, mas você tem que sair mais vezes, curtir o que a vida tem pra te dar!

— Está falando igual a Cream agora.

— Não seria porque ela está certa? Quer um exemplo? Diga, quanto você leu desse livro?

— Eh... Até a parte onde Alice está presa naquela sala cheia de portas...

— Que parte é essa mesmo? — perguntou Sonic não fazendo ideia que parte era aquela.

— É no começo ainda — Tails resumiu.

— Viu? E aposto que já faz um bom tempo que ela te deu esse livro.

— Só um mês — disse Tails indiferente.

— “Só”? — Sonic, por outro lado, estava incrédulo.

— E pensar que a Cream está pensando em me dar a continuação semana que vem...

— Ora, existe uma sequência? — Sonic olhou curioso para o amigo.

— Sim, “Alice Através do Espelho”, percebi que você parece realmente interessado em ler eles, porque não pede emprestado para a Cream depois?

— Ler? Eu? — Sonic apontou para si mesmo um pouco sem graça.

— Não é como de o cara mais veloz do mundo não tivesse o direito de sentar e ler um bom livro de vez em quando.

— Acho que você está certo. — Sonic sentou-se um pouco em uma cadeira pensativo sobre o que o amigo disse. De fato não faria mal. Seria bom dar o exemplo para Tails, que estava sempre ocupado trabalhando com suas invenções na tentativa de não ficar atrás de Eggman, que costumava ser bastante engenhoso com seus planos, mesmo que fossem falhos, não seria bom baixarem a guarda. Em contrapartida, batia uma certa preguiça ler, principalmente se fosse um livro muito grosso, não estava muito acostumado a essas coisas. Talvez quem precisasse de um exemplo fosse ele no final das contas.

Aos poucos, tudo ficou silencioso escuro...

A próxima cena que Sonic lembrava ter visto era um ambiente imerso em um denso breu e um frio cortante.

— Eh? Onde é que estou agora? — Sonic olhou em volta completamente desorientado.

Não tinha certeza de como acabou parando naquele lugar, mas havia algo de que tinha certeza, um mal pressentimento de que algo ruim estava prestes a acontecer se continuasse parado onde estava.

Um mal pressentimento que se realizou em forma de passos um pouco apressados atrás dele, uma presença maligna que parecia almejar a sua desgraça a sua dor, o seu sofrimento...

Sonic não teve coragem de perguntar quem estava ali, ainda mais depois de ter escutado alguns sussurros ecoando. Se perguntou por um segundo se não era aquela criatura bizarra que tentou matá-lo da última vez. A ideia lhe parecia perturbadora demais e não estava disposto a esperar para descobrir.

Silenciosamente, Sonic andou pelo corredor que estava tão escuro, que não fazia a menor ideia de onde ficavam as portas. Correr agora não seria uma escolha inteligente, além de fazer muito barulho, ele poderia acabar esbarrando em algo...

Ou alguém...

A medida que os segundos avançavam os passos pareciam cada vez mais próximos.

Sonic finalmente achou o que parecia uma sala a tempo de ter entrado nela. Assim que fechou a porta e prendeu a respiração, algo parecia ter passado rastejando por lá.

Sonic permaneceu mais alguns segundos segurando o fôlego antes de suspirar aliviado. Finalmente ele despistou o que quer que aquilo fosse.

— Muito bem, deixa eu refazer meus passos — disse Sonic mentalmente para si mesmo, pois não ousava soltar um pio sequer naquele lugar estranho, com aquela presença estranha. — Não faz muito tempo que eu estava na oficina do Tails, estávamos falando daquela construção estranha, do relógio misterioso, dos livros da Alice... — Sonic listou mentalmente. — E depois? Como eu cheguei aqui? — Por algum motivos, Sonic não conseguia se lembrar naquele momento.

Um reflexo a sua frente chama a sua atenção.

Para a sua sorte, o ouriço achou uma viga de madeira e a colocou nas maçanetas da porta para impedir a entrada de qualquer coisa ou qualquer um. Deu meia volta curioso e foi verificar que reflexo era aquele.

Assim que passou por um arco que separava o cômodo em dias partes, se deparou com uma sala cheia de espelhos. Sonic olhou em volta, haviam realmente muitos espelhos, eles contornavam toda a sala.

Cada espelho mostrava seu reflexo de uma forma diferente, ele podia ver a si mesmo baixo, alto, gordo, magro, pequeno, grande, torto...

Mas havia um espelho em especial que lhe chamou a atenção. Um espelho no fundo da sala, no centro daquela parede. O que era refletido lá na verdade nem parecia um reflexo do jovem ouriço...

Era um reflexo enegrecido, parecia estar trepidando como se fosse afetado pela estática. Pela silhueta, Sonic tinha certeza que não era ele, o reflexo era alguém de aparência mais humanoide, um pouco mais alto do que ele, um pouco magro... Usando uma espécie de vestido? Sonic não tinha realmente certeza se de fato era isso. Mas algo que o perturbou foi a semelhança daquele reflexo com a criatura que tentou matá-lo. Por outro lado, não sentiu que se tratava da mesma entidade.

Mas mesmo que aquele não fosse seu reflexo, por alguma razão, ele imitava seus movimentos. Sonic esticou o braço, o reflexo fez o mesmo. Andou de um lado para o outro, o reflexo fez o mesmo. Deu até mesmo um pulo silencioso, o reflexo fez o mesmo...

Ainda assim, Sonic não conseguia se convencer de que o reflexo era seu. A única coisa que sentia era uma espécie de familiaridade.

— Quem é você? — Sonic perguntou quase sussurrando sem ter realmente alguma esperança de que conseguiria obter alguma resposta.

Se fez alguns segundos de silêncio... Até o reflexo inclinar seu rosto para baixo, como de quisesse olhar para Sonic e surgiu um par de bolinhas brancas no lugar dos olhos, tinham um ar tristonho... Não, um ar desesperado.

Sonic levou um susto quando o reflexo reagiu, mas tapou a boca para não chamar a atenção da presença maligna que ainda se encontrava em algum lugar dali.

— Você... Veio...? — indagou o reflexo numa voz um pouco distorcida assim como a sua imagem, mas mesmo assim, Sonic notou um tom tão desamparado e imerso em desespero quanto seu olhar. — Faz tanto tempo que não te vejo...

— Nos conhecemos de algum lugar? — Sonic perguntou. Não só pela frase daquela existência aprisionada dentro de um espelho, como pelo fato daquele sentimento nostálgico ter tomado conta de seu âmago mais uma vez.

O assobio de uma ventania fria soou por aquele lugar.

De repente, uma sequência de explosões fizeram Sonic se virar rapidamente. Eram os espelhos, eles explodiam um atrás do outro, dos que estavam no lado oposto da sala até aqueles que estavam mais próximos dele.

Para piorar a situação, inúmeros braços negros, longos e grotescos saíam dos espelhos quebrados e pareciam ter a intenção de pegar o ouriço.

— Que é isso?! — Sonic recostou-se no único espelho que não quebrou, aquele com o reflexo bizarro, completamente cercado, não havia para onde ir.

Mas antes que o jovem fosse alcançado ele sentiu um par de mãos muito familiares o puxarem para dento do espelho.

— Sonic! — ecoou uma voz distante.

— Ah! — Sonic saltou de susto da cadeira caindo de cara no chão.

— Você está bem? — perguntou Tails, assustado.

— Eh? — Sonic se levantou dando de cara com o livro da Alice a sua frente. — Eu voltei?

— Voltou? Sonic, você nem saiu da oficina — esclareceu Tails. — Você só pegou no sono — acrescentou preocupado.

— No sono? — Sonic sacudiu a cabeça ainda atordoado. — Aquilo foi...Um sonho?

Enquanto isso...

— Está tudo pronto, doutor — disse um robô redondo de cor rubra se aproximando do homem sentado em sua cadeira digitando algo em seu painel de aparência futurística.

— Muito bem, Orbot, daqui a pouco vamos executar o plano.

— Aposto que vai dar errado também... — murmurou um outro robô, que tinha aparência quadrada e era amarelo.

— Shhhh! — cutucou o colega vermelho com o cotovelo.

— Cubot! Eu ouvi isso! — gritou o chefe.

— Desculpe, chefe! — se desculpou imediatamente o robô temendo a possibilidade de ser desmontado ou transformado em sucata. Seu superior poderia querer reciclá-lo a qualquer momento, como já ameaçara fazer diversas vezes.

Eggman girou a cadeira voltando-se para os robôs.

— Agora que tenho os dados do que sobrou do poder das Super Esmeraldas posso executar um Controle do Caos mais poderoso! Basta trazer o alvo até a armadilha. — Eggman direcionou o olhar um pouco para o lado, onde havia uma sombra. — Está pronto?

— Sim! — respondeu uma voz entusiasmada em meio a risadas marotas. — Estou indo!

Enquanto isso, na oficina de Tails.

— Então é isso... — Tails comentou após ouvir o relato de Sonic.

— Você acha que isso tudo pode ser só coincidência? — perguntou Sonic em busca de alguma certeza.

Algo havia mudado desde que acordou, não que sua vida não fosse estranha antes, como travar batalhas contra um cientista megalomaníaco ou evoluir para uma forma mais poderosa que costumava chamar de “Super Sonic” por alguns instantes coletando 7 Esmeraldas mágicas ou se aventurando em um planeta pequeno onde viajou no tempo mais de uma vez ou encontrando uma ilha flutuante cuja qual era sustentada por uma Esmeralda gigante, mas agora, tudo estava indo muito além do que estava acostumado.

— Bem... — Tails levou a mão ao queixo pensando em algo satisfatório para dizer ao amigo. — Já passamos por muita coisa estranha, então, seja o que for, aposto que você consegue superar como você sempre fez! — disse por fim. — Você está se preocupando demais, relaxa, afinal você tem amigos com que contar, se você precisar.

— Valeu, Tails, acho que estava precisando ouvir algo assim. — Sonic pulou da cadeira um pouco mais tranquilo.

Aproveitaram o resto da tarde para Tails mostrar para Sonic como iam os últimos projetos no menino prodígio.

— Tails, você não tem medo de acabar perdendo os projetos? Imagine se o Eggman aparecer por aqui de novo — comentou Sonic.

— Não se preocupe, eu tenho todos os projetos anotados, além de vários backups, é claro! — Tails sorriu coçando o nariz com orgulho. — Qualquer inventor que se preza faria isso!

— É claro, não esperaria menos de alguém como você! — Sonic riu.

De repente, Tails recebe uma ligação.

— Quem é? — perguntou Sonic.

— É a Amy — respondeu Tails colocando os fones e em seguida atendendo. — Alô?

— Tails? Você ainda está aí com o Sonic?

— Sim, ele está aqui comigo, por quê? — Tails olhou de relance para Sonic.

— Posso falar com ele um minutinho, por favor?

— É claro... — respondeu Tails sem questionar. Na maioria das vezes que Amy terminava uma frase com “por favor” naquele tom calmo demais, era por estar brava com algo.

— Amy? Que foi? — Sonic colocou os fones.

— SONIC! — Amy gritou ao ponto de fazer o ouriço pular de susto. — Esqueceu o que tínhamos para esta noite?

— Para esta noite? — Sonic repetiu, confuso por um momento.

Até que se lembrou repentinamente: ele havia combinado com as meninas de que maratonariam uma série junto com Tails, para que o garoto pudesse passar mais tempo se divertindo fora da oficina.

— A-ah! Não esqueci! Na verdade estamos a caminho neste exato momento! — gaguejou Sonic um pouco nervoso com a possibilidade de ser castigando com uma marretada na cabeça.

— Impossível você estar a caminho se estou ligando para o equipamento do Tails que está instalado exatamente na oficina, não é? — replicou Amy quase que imediatamente.

Antes de Sonic se dar conta do que fez, ele se viu com o dedo no botão de desligar.

Não acreditou no que fez por um momento. Ele realmente desligou na cara da amiga? Às vezes a esperteza de Amy o intimidava um pouco, mas naquele momento, ir para a casa de Cream parecia uma ideia mais intimidadora ainda.

— O que houve, Sonic? — Tails perguntou meio confuso com a cena.

— Bem, é que combinamos de maratonar na casa da Cream...

— Putz, é mesmo! — Tails deu um pulo de susto. — Vamos rápido! Antes que a Amy nos mate! — Tails saiu correndo. Apesar do que Tails disse, Sonic já se considerava um cara morto.

Mesmo assim, Sonic correu atrás de Tails ambos saindo da oficina, mas antes de realmente irem, Tails se certificou de trancar as portas.

— Mas que ideia foi essa de dizer que estávamos a caminho? — Tails perguntou, finalmente processando todas as informações que recebeu nos últimos segundos. — Ela estava ligando para o equipamento que fica na oficina!

— Eu sei! Falei sem pensar! Imaginei que pudéssemos chegar a tempo se corrêssemos muito. Esqueci desse detalhe! — Sonic engoliu em seco. — Agora só falta a Amy me atrocidar por ter desligado na cara dela para encerrar esse dia maravilhoso que estou tendo — acrescentou Sonic em tom irônico.

— Aposto que a Amy te perdoa se você se desculpar. Não pense muito nas coisas que estão acontecendo.

— Ah, você está certo, vamos logo.

A dupla chegou rapidamente na casa de Cream, antes mesmo de escurecer, o céu ainda estava sendo banhado por múltiplos tons de laranja e as nuvens estavam parecendo algodões-doces flutuantes por causa da cor rosada.

— Até que enfim! — exclamou Amy com as mãos na cintura e batendo o pé no chão repetidas vezes por conta da pressa. — Combinamos de que vocês chegariam adiantados!

— Chegamos antes de anoitecer, isso não vale? — Tails perguntou, piscando com toda fofura, apesar de não ser a intenção do garoto.

Amy, persuadida pela expressão de Tails, apenas o deixou passar em seguida olhando para Sonic.

— Foi mal por desligar na sua cara — Sonic se desculpou sem fazer rodeios.

A expressão zangada de Amy se converteu rapidamente em um sorriso orgulhoso.

— Ora, Sonic, não se preocupe! Eu sei que minha esperteza te surpreende! — Amy gabou-se. — Apenas certifique-se de lembrar dos combinados. Pode entrar!

Sonic escapuliu para dentro enquanto Amy desatava a rir com a reação do ouriço após ficar alguns segundos atônito.

Por mais estranho que parecesse para Sonic, sem dúvida aquela foi uma reação muito melhor do que a que ele esperava que ela tivesse. Enfim algo que não acontece de forma negativa em seu agitado dia!

— Sentem-se e fiquem a vontade! — pediu Cream com toda a educação, como de costume.

— Ora, ora, seus amiguinhos já chegaram? — perguntou uma coelha mais velha segurando uma tigela em suas mãos. Era a cara de Cream.

— Chao! — exclamou um chao marrom recebendo animadamente Sonic e Tails.

— Oi, amiguinho! — Sonic acariciou o chao.

— Olá, Chocola! — Tails também o recebeu.

— Mesmo sendo tímido, o Chocola adora vocês! — comentou Cream sorrindo antes de se voltar para a figura mais velha. — Sim, mamãe! Combinamos de assistir TV juntos.

— Tudo bem, mas cuidado para não perderem a noção do tempo! — advertiu a mãe sorridente. — As horas parecem passar mais rápido quando estamos distraídos com algo.

Sonic, intrigado, voltou seu olhar para a mulher. Por alguma razão, aquela última frase lhe chamou a atenção.

— Vamos lá! — Cream chamou todos batendo palmas.

— Sim! — disseram todos, exceto Sonic em uníssono.

— Já estou indo! — Sonic por fim disse indo até o sofá na sala de estar.

— O que há com você hoje, Sonic? Parece que você está com a cabeça na lua! — comentou Amy.

— Ah, não é nada demais. Só não estava tendo um bom dia — resumiu Sonic não querendo estender muito o momento. — Amanhã vai ser um novo dia e tudo vai ficar bem! — acrescentou, otimista.

— Não se esqueça do que você me disse mais cedo.

— Relaxa, se eu precisar de uma mão, eu chamo por você e os outros.

Enfim tudo estava pronto e os quatro amigos puderam desfrutar da maratona junto do par de chaos e até Vanilla acabou se juntando a eles.

Foram as mais relaxantes horas que teve no dia, apenas se divertindo, rindo e desfrutando do tempo com seus amigos.

Se Knuckles não fosse tão teimoso e paranóico em relação a Esmeralda Mestre, Sonic até teria cogitado a ideia de convidá-lo, embora soubesse que muito provavelmente o guardião recusaria por conta de seu dever. Mesmo assim, Sonic ainda se perguntava eventualmente se o equidna estava bem sendo tão solitário e se estava mesmo disposto a passar o resto de sua vida fazendo a mesma coisa. Não soava só entediante, como também algo bastante triste.

O tempo passou voando e quando se deram conta já era bem tarde, estava mais do que na hora de todos irem para as suas casas. Vanilla disse ao grupo de amigos que mesmo sendo fim de semana, não seria bom dormirem tão tarde, principalmente porque todos acordaram muito cedo por causa do incidente estranho com Eggman naquela manhã.

— Cuidem-se todos! — Vanilla se despediu de Sonic, Tails e Amy após ter encerrado a noite.

No caminho para suas casas, Amy se despediu de Sonic com um abraço romântico, o que fez Sonic olhar por um instante para os lados antes de olhar para Amy.

— Não tem ninguém olhando, logo você não deveria reclamar, além do mas, eu apenas te dei um abraço como qualquer boa amiga faria antes para se despedir — Amy fez questão em dizer.

— Eu sei, eu não ia reclamar... — respondeu Sonic sabendo que havia sim um significado a mais naquele abraço, mas preferiu não falar sobre aquilo. Eles eram bons amigos no final das contas e aquilo não era algo irritante, então se Amy estava bem assim, ele também estaria.

— Boa noite! — Amy acenou para os dois quando chegou na entrada de sua casa enquanto ambos os amigos seguiam pelo caminho.

— Boa noite! — acenaram os dois de volta.

Amy suspirou após eles terem desaparecido da vista dela. Ela sabia que havia algo de diferente em Sonic, mas preferiu não falar muito sobre aquilo com ele, pois o amigo não parecia muito confortável com aquilo. Talvez fosse mesmo apenas um péssimo dia, motivo a mais para ela ter insistido em lembrá-los de passarem a noite com ela e Cream.

Mas algo que a garota não conseguia parar de pensar: o que terá acontecido de tão ruim? Pelo que soube aquele era um dia como outro qualquer... Exceto a parte de Eggman ter aparecido tão cedo em Emerald Town, o que não foi muito normal também. Seria o cansaço? Ela mesma estava começando a se sentir cansada. Sonic tinha razão, amanhã seria um novo dia e tudo ficaria bem.

— Sonic — chamou Tails pelo amigo assim que chegaram na oficina.

— Sim?

— Hoje eu não consegui te ajudar com esse relógio...

— Relaxa, você fez o que podia, não é?

— Se quiser que amanhã eu ainda veja o que posso fazer para descobrir de onde vem esse relógio.

— Obrigado, Tails, obrigado por gastar do seu tempo com isso. Sei que parece bobagem ou uma coisa sem sentido, eu só estava curioso sobre ele.

— Está tudo bem! Eu quero ajudar no que puder! Além disso eu também estou curioso. — Tails entregou o relógio para Sonic.

— Bem, está ficando muito tarde, se cuida, irmão! — Sonic disse afagando a cabeça do garoto amarelo bagunçado sua pelagem antes de se afastar.

— Você também! — Tails riu. Realmente gostava quando Sonic o chamava assim. — Boa noite!

Sonic, sem muita pressa, andou o resto do caminho em completo silêncio. Apenas ouvia os seu próprios pensamentos questionando como um par de sonhos o deixou tão atordoado, como uma estranha visão o fez se sentir tão apreensivo ao ponto de sentir que estava sendo seguido.

Sonic olhou para trás por um instante para ter certeza absoluta certeza de que estava realmente sozinho.

E por fim se questionando o que via de tão interessante em um relógio de bolso. Seria apenas a estranha melodia que ele tocava? A mesma que ele escutara um pouco antes de encontrá-lo? E por quê?

Chegando em casa, Sonic foi direto para o quarto, feliz por ter jantado casa de Cream.

Deitou-se na cama abriu o relógio de bolso e deu corda nele, o fazendo tocar aquela mesma melodia.

— Me pergunto quem era aquela pessoa... — disse Sonic consigo mesmo se lembrando do reflexo falante. — Ela parecia estar tão triste. Quanto tempo estaria presa lá?

Não adiantaria pensar naquilo tudo, para qualquer evento que aconteceu naquele dia, nenhum tinha resposta naquele momento. Na verdade quanto mais pensava nisso, mais confuso ficava...

A próxima cena que Sonic viu, foi um longo corredor. Do lado esquerdo, uma parede destruída cheia de janela quebradas e no direito, uma fileira de colunas vermelhas que pareciam enfraquecidas.

— Onde estou? — Sonic perguntou assustado com o mal presságio que teve. Tudo parecia bastante familiar naquele lugar, mas o que de fato reconheceu, foi o relógio de bolso que estava em sua mão e ainda tocava a mesma melodia, o que o fez estranhar.

De repente, vários gritos horrorizados sobrepuseram a melodia, fazendo Sonic olhar alarmado a sua volta. Não pensou duas vezes e correu atrás dos gritos para ajudar quem quer que estivesse em perigo.

Até que se deparou com um cenário catastrófico: Parecia que era tarde demais para muitos que estavam lá. Em volta do local, um estranho fogo roxo espalhado por todos os lugares, consumindo tudo que estava a sua frente.

— I-isso só pode ser um pesadelo... — Sonic levou a mão a sua boca contendo a vontade de vomitar e saiu correndo se obrigando a passar por todo aquele caminho que já exalava um odor podre, o que estava deixando o azulado ainda mais enjoado, mas não poderia desistir, pois os gritos continuavam no final daquele corredor infernal e não poderia voltar atrás sabendo que ainda poderia haver pessoas a serem salvas.

— Vê? Vê isto tudo? — Indagou uma voz assustadoramente profunda, era tão grave que quase não se podia compreender o que dizia. — Isto tudo aconteceu por ter encontrado aquela peste impertinente! É sua culpa! Estão todos mortos por sua causa!

— O quê? — Sonic perguntou sem pensar. Se fosse aquela criatura que tentou matá-lo mais cedo, muito provavelmente seria mais uma daquelas vítimas.

— A culpa é sua! A culpa é sua! A culpa é sua! — disse a voz sem parar. — A culpa é sua! A CUPA É SUA!

Uma estrondoso ruidoso irrompe em meio àqueles gritos incessantes e quando Sonic direciona o olhar para o cenários através das colunas, se depara com uma explosão.

Sonic pula assustado da cama.

— F-foi Só um pesadelo... — Sonic suspirou secando o suor da testa com o dorso da mão. — Por Chaos, o que será que está havendo comigo?

Alguns gritos chamam a atenção de Sonic.

— Espere um pouco, isso é um Déjà Vu? — Sonic inclinou a cabeça pela janela, aquilo parecia muito com o que houve naquela manhã.

Ao longe, em meio a escuridão daquela noite ele conseguiu enxergar uma estranha luz alaranjada e uma fumaça subindo através do brilho até o céu.

— Uma explosão?! — Sonic pegou o relógio, desceu rapidamente da cama, pulou através da janela e saiu correndo em direção àquela luz.

— O que será que está acontecendo?

Chegando ao local, Sonic se deparou com um cenário assustadoramente familiar.

Notas finais
No próximo capítulo: Mais uma das batalhas entre Sonic e seus companheiros contra Dr. Eggman e seus aliados, somando agora a um convidado excêntrico, começa. Parecia uma batalha como as outras. Mas não era. O relógio mudou o seu destino. "Controle do Caos"