Sonic: Missão de Inverno
1 Estação Branca
Notas iniciais
Os flocos de neve caíam suavemente no chão à noite, formando uma fina camada branca na grama verde enquanto as árvores tinham seus galhos cobertos por ela. Logo, a rua, o bairro e toda a cidade sofreram as consequências da estação mais fria do ano.
Em algumas horas, o sol nasceria para avisar que um novo dia estava começando — e que havia uma surpresa lá fora.
Vanilla, em resposta à luz do dia, acordou normalmente e abriu as janelas de sua casa como de costume. Um sorriso genuíno se formou em seu rosto quando viu o bairro — que antes era verde, densamente arborizado e vasto, agora era dominado por um branco cristalino. Apesar da cor diferente, o lugar ainda era lindo.
Ela sabia o que isso significava: sorrisos vindos de Cream. Sua filha esperou o ano todo para ver a neve novamente.
Vanilla, embora fosse cedo para acordar uma criança pequena, não hesitou em ir buscá-la. Afinal, essa mãe faria qualquer coisa pela felicidade de sua filha.
Apesar de seu aparente cansaço, Cream se levantou sem muito atraso, curiosa para saber que surpresa Vanilla havia mencionado. Pálpebras pesadas de sono, ela questiona.
— Mãe, qual seria a surpresa?
— Está na janela, querida. — ela responde com sua voz doce e gentil enquanto arruma a mesa para o café da manhã.
Cream, ainda sem entender o que sua mãe estava dizendo, foi até a janela em pura obediência e bocejou. Vendo o que estava à sua frente, seu sono se dissipou por completo, dando lugar não só à alegria, mas também à ansiedade — ansiedade de poder brincar naquela neve fofa e branca, de poder fazer um boneco de neve e de construir bases para guerras.
A jovem coelha comeu apressadamente o café da manhã e subiu para pegar o moletom e o cachecol. Como resultado da movimentação, Cheese acordou rolando escada abaixo (literalmente). Ele parecia irritado com o barulho do andar de baixo. Vendo Cream descendo pronto para sair, perguntou em sua própria língua, voando tonto e um pouco estranho por ter caído da escada:
— Chao-Chao?
— Bom dia Cheese! Vou brincar na neve... olha, trouxe chapéu e lenço também. — Ela estava segurando roupas minúsculas em que o Chao entrou, agora tão animado quanto sua parceira.
Na saída, foi possível avistar uma paisagem onde tudo estava coberto de neve. As casas tiveram seus telhados enterrados sob uma espessa camada de neve. Qualquer barulho alto ou tremor poderia causar o colapso (e pobre pessoa que teria que limpá-lo mais tarde). Ao contrário dos bairros humanos, este era muito incomum — uma casa aqui e outra ali, mas ainda havia casas. As casas sempre estiveram perto de lagos e pequenos bosques, mas nunca perto de estradas ou ruas pavimentadas. O máximo que foi encontrado foram ruas e caminhos estreitos de tijolos. Também havia árvores altas de pelo menos 5 metros que sombreavam alguns lugares. Lembrar bosques ou parques é uma característica desses bairros. Agora imagine tudo isso, mas em branco.
Os dois amigos pensaram que foram os primeiros a sair de casa para brincar, mas se enganaram.
Uma trilha azul disparou da direita para a esquerda na velocidade da luz e do vento, o que arrancou o capuz de Cheese e o levou embora. O raio azul passou novamente, desta vez da esquerda para a direita levantando poeira branca. De repente, ele para na frente de Cream & Cheese, revelando quem estava por trás da façanha. Era ninguém menos que Sonic The Hedgehog usando um lenço vermelho.
Sonic é um madrugador experiente, como qualquer bom amante de aventuras e não foi surpresa que ele estivesse lá antes de todo mundo.
Com muita energia, ele cumprimenta Cream e devolve o capuz de Cheese, que havia voado de sua cabeça.
— Sr. O Sonic também veio ver a neve?
— Heh, por que não viria? Aliás, naquele momento eu ia ligar para o Tails para ver também. Querem vir junto?
Eles se entreolharam, quase lendo os pensamentos um do outro.
— Eu e o Cheese adoraríamos ir com você!
— OK! — Ele então rapidamente agarra Cream e a coloca em seus ombros, e Cheese em seus espinhos.
O menino azul começou a correr, passando pelas casas e fazendo tanto vento, a ponto de toda a neve dos telhados desabar na entrada das propriedades — quem abriu a porta teve uma surpresa bem fria.
Em um piscar de olhos, eles estavam na enorme "Casa-Oficina" da raposa amarela, que ficava no sopé de uma colina banhada por pinheiros.
Cream tocou a campainha: Sem resposta.
Ela fez de novo e nada aconteceu. Mas, inesperadamente, ela ouviu o barulho de chaves girando na fechadura. A porta se abre lentamente para revelar o rosto de nossa querida raposa de duas caudas. O pobre menino tinha olheiras enormes, calçava chinelos, arrastava um ursinho de pelúcia e um cobertor sobre os ombros.
Miles estava prestes a reclamar que era muito cedo para patrulhas quando viu o novo visual do bairro. Imediatamente, ele fechou a porta.
— O que o Tails tem? Ele não quer brincar com a gente?
— Espere e veja. — Ele sorri satisfeito colocando as mãos na cintura, como se já soubesse o que ia acontecer.
Não demorou muito para ouvir um barulho na parte de trás da casa.
* TZZZZZC *
Para a surpresa da coelha, um grande corredor se abriu na encosta, revelando uma longa pista e um avião: O Tornado, que agora deslumbrou com sua nova pintura de Natal. Suas cores eram mais claras, com alguns toques de vermelho e verde aqui e ali, pequenos sinos e sinos adornando suas asas. Foi lindo, muito lindo.
Após assistir ao espetáculo que foi, a garota lança um olhar curioso para Tails. O último foi ao lado do Tornado (agora com roupas de inverno), feliz da vida. Quase em resposta à expressão da garota, ele diz:
— Sonic e eu estamos trabalhando há meses. Achamos que, como o Tornado ficou fora de ação por um tempo, uma reforma seria uma boa ideia ...
— ... E com a aproximação de dezembro, decidimos adaptá-lo ao estilo natalino. Agora ele pode voltar a voar com tudo! — Sonic completou. — Então, o que estamos esperando? Vamos!
No início, Tails hesitou em voar, preferindo estar enrolado em seu cobertor — uma simples preguiça de inverno. No entanto, ele foi motivado pelo espírito de seu melhor amigo e aceitou o convite.
(...)
O céu estava encoberto com pequenos sinais de neve. À distância, era possível ver um ponto de luz flutuando entre as nuvens. Era o Tornado com seus quatro passageiros a bordo.
Algo que chamou a atenção, mas não foi novidade, foi o fato de o ouriço azul simplesmente ficar na asa do avião. Gosta de sentir o vento sacudir seus espinhos e poder curtir a vista. Como ele não cai, ninguém sabe. Talvez ... ímã nos pés?
O jovem ouriço não tinha medo de perder o equilíbrio, muito menos de pegar um resfriado devido à altitude e às condições do dia, sempre mantendo um olhar confiante. Sempre teve gosto pelo inesperado. Ele sempre preferiu deixar os outros caminharem no seu ritmo e ele no seu. Sempre curtindo cada dia com seu sorriso típico, mesmo que as vezes demonstrasse impaciência.
Sonic acomodou-se na asa do avião e sentou-se, seu cachecol batendo violentamente contra o vento.
Olhando para baixo, dava para ver mobians de todos os tamanhos e cores saindo de casa e se surpreendendo com o inverno batendo em sua porta ... Aquela sensação de paz era incrível, aconchegante e ao mesmo tempo preocupante.
Por que se preocupar? — você deve estar se perguntando.
Simplesmente porque o Dr. Ivo Robotnik — o famoso "Eggman" não aparecer por semanas. Mas Sonic não queria encher sua mente com esse tipo de preocupação. Ele só queria poder desfrutar da calma enquanto durasse. E mesmo que Eggman voltasse com algo grande, ele tinha certeza de que encontraria uma maneira de detê-lo.
Depois de alguns minutos no ar, Cream, que estava no banco de trás do Tornado, não deixou de perguntar sobre o que tinha visto.
— Tails, o que é esse ruído vindo do seu monitor?
Miles deu uma olhada em seu monitor e ficou surpreso com o que vi
— P-por Solaris! Meu radar detectou energia do caos perto daqui!
— Chao-Chao! — Cheese exclamou. Certamente havia uma esmeralda por perto.— Mas há um pequeno problema. A esmeralda não está em um lugar muito interessante... — Tails estava apontando o dedo indicador para o quintal do Sr. Richards, logo abaixo deles. Ele estremeceu de medo ao lembrar que aquela casa era sinistra.
Eles sabiam de uma coisa: se a esmeralda estava lá, era muito provável que Eggman também a tivesse rastreado (o que significa que o Sr. Richards poderia estar em perigo).
... Mas uma coisa ninguém sabia: quem iria entrar naquela ‘casa mal-assombrada’?
Com grande apreensão, Tails pousou seu deslumbrante avião ornamentado um pouco longe da casa do velho, fazendo o mínimo de barulho possível. Seu pensamento voou brevemente sobre uma memória, que mostrou mais sobre Richards. Ele estava distraído em seu banco de memória e mal percebeu que Cream havia descido do Tornado. A menina já estava a poucos metros da entrada do quintal daquele indivíduo. À sua frente, havia um objeto brilhante e ofuscante, que emitia uma luz azul impressionante: a Esmeralda do Caos!
— Cheese, olhe! A esmeralda está bem ali! — Disse Cream, apontando para a joia que estava no chão coberto de neve, no quintal da casa sinistra.
Quando Tails percebeu, não havia como avisá-la do motivo de seu medo — não mais, já que o avião estava a metros de distância. Sonic ainda estava na asa do avião, não muito preocupado, sem saber por que seu colega estava evitando o local. Assim que Miles abriu a boca, o ouriço foi rápido em acalmá-lo.
— Vamos, amigo. O que há de errado em uma casa de aparência diferente? — Sonic falou, enquanto balançava as pernas para frente e para trás, relaxado e feliz.
— Não é bem a casa que me incomoda.
— O que você quer dizer? — Ele perguntou, parando de sacudir as pernas.
Cream entrou no quintal com passos lentos e calmos, enquanto fixava os olhos na esmeralda. Ela não parecia dar a mínima para a aparência do jardim — que, a propósito, não era nada bonito. Haviam árvores com galhos afiados e arbustos secos por toda parte. Mesmo com neve, o “jardim” não melhorava nem um pouco. — Ela estendeu a mão para pegar a pedra enquanto sua amigo Cheese e os outros observavam atentamente.
Ajoelhada com o objeto em mãos, seus olhos brilharam de admiração pelo brilho emitido. Era rara a chance de tocar uma joia poderosa como aquela.
— Ei você! — Uma voz desconhecida a chama, em tom sério e mal-humorado.
Ela olhou para cima e viu um humano vestindo camadas grossas de casaco, parado bem embaixo de uma varanda — uma sombra lançada pelo telhado não permitiu que ela visse o rosto do ser. Vendo que alguém a havia descoberto, ela imediatamente escondeu a Esmeralda enquanto o homem a encarava.
— Desculpe senhor.. Eu estava saindo. — Educadamente se desculpou, recuando com cautela.
— Tenha cuidado e não volte. Não quero pirralhos barulhentos no meu jardim. — diz ele, amargamente.
— Estou ciente disso, senhor. Não se preocupe. — Depois de captar a mensagem, ela se vira e foge com a pedra mágica.
Ao vê-la se aproximar do avião, Tails saltou e foi ao encontro dela, segurando uma espécie de caixinha. A garota entrega o artefato para ele, que o sela cuidadosamente dentro da caixa apertada.
— Essa caixa pode parecer simples, mas evitará que a esmeralda seja rastreada por meio de sua radiação. Isso nos manterá longe de problemas como Eggman, por exemplo.. — Miles ficou feliz em explicar sua invenção a ela, mas teve que parar quando percebeu que os pensamentos de Cream estavam distantes.
— Você conhece ele?
— Quem? — Pergunta confuso, após a interrupção.
— O homem que mora naquela casa. Ele não parece estar muito feliz… — Cream continua, dando a Miles um olhar triste e inocente.
— Oh, ele. Não sei muito sobre ele...
— De quem você está falando, afinal? — Pergunta Sonic ainda no Tornado, destacando o fato de que se esqueceram de incluí-lo na conversa.
— Sobre o Sr. Richards. Ele é o único humano da região e não é muito sociável.
— Oh, que pobre senhor, ele não deve ter muitos amigos. — Cream lamenta, embora ele não seja seu amigo.
A atmosfera entre eles havia ficado pesada após o breve comentário. Eles perceberam que ninguém em toda a vizinhança estavam tão sozinhos quanto aquele velho, mas não podiam fazer nada para ajudar no momento. O silêncio tomou conta, permitindo que eles ouvissem o som do vento e da neve caindo, mas deixando Sonic um pouco desconfortável. Após alguma reflexão, ele encontrou uma maneira de quebrar o clima de tristeza que se formou.
— Ei, durante o voo eu pude ver as pessoas se reunindo em frente ao Anthony Oak. Eles parecem estar se divertindo! O que você acha? — Pergunta, adicionando entusiasmo extra ao seu tom de voz.
Tails, reconhecendo a tentativa de animar a coelha, agiu e incentivou, dizendo:
— Boa ideia! Há muito espaço para estacionar o Tornado lá! Podemos nos divertir com outras pessoas!
— Chao! — Cheese de acordo com a mesma atitude, aproximou-se de sua guardiã, no qual o resto.
Ao ouvir a proposta, ela se recompôs e assentiu, embora seus pensamentos ainda estivessem no Sr. Richards. Mas, ao contrário de alguns segundos atrás, agora ela se viu infectada com a alegria de seus colegas.
(...)
Poucos minutos depois de voar sobre o bairro mobian, os quatro encontraram o carvalho abaixo, provando o que o ouriço entusiasmado havia declarado anteriormente: Muitas pessoas se divertindo embaixo e ao redor de uma árvore gigantesca.
Miles pousou o avião discretamente, e a primeira pessoa que tentou descer foi Sonic, com Cream e Chesse logo atrás.
— Espere por mim, eu não quero ficar sem neve! — Ele brincou, girou suas duas caudas e se dirigiu para eles.
O local onde eles estavam, apesar de estar coberto de neve como tudo o mais, era diferente porque ali estava aquela árvore — garanto que não havia ninguém naquele bairro que não conhecesse. O carvalho era querido por todos, pois proporcionava uma ótima sombra para dormir e fazer piqueniques, graças ao seu grande e extenso dossel, além de ser um bom abrigo para pássaros. Gigante, devia ter pelo menos 400 anos. Tinha até um nome: “O Velho Carvalho Anthony”.
Todos estavam brincando e conversando sob seus galhos, curtindo o inverno. Nem parecia que eles acordaram cedo para ver a beleza que permanecia ali. Enquanto Sonic e os outros se divertiam, alguém não percebeu que estava atrasado para a ‘festa’.
Entrando sem pressa estava Amy Rose, com seu casaco rosa. Ela tinha acabado de acordar e estava procurando uma distração. Percebendo o frio, ela viajou em seus pensamentos e sonhou — e adivinhe com quem? Sim, ele.
— Esse clima é frio, mas deixa tudo ainda mais bonito! Onde ele está? A neve é um elemento perfeito para um clima mais amoroso... Dá pra imaginar ele e eu vendo a neve cair juntos? Oh, seria tão romântico! — Ela fechou os olhos e entrelaçou os dedos, sua mente vibrando. Mas, foi interrompida com algo em seu caminho.
*POW*
A amante mal havia acabado de falar e seu sonho foi interrompido por uma queda, caindo de cabeça na neve. O que seria agora? Ela percebeu que não podia mais viajar em seu pequeno mundo sem ser perturbada.
Tirando a neve do rosto, ela se levantou e virou a cabeça bruscamente em busca do culpado. Quando seu olhar caiu sobre uma grande raiz que se projetava do chão, ela ficou insatisfeita e disse:
— Ora, sua raiz travessa! Você acabou com a minha fantasia! — Ela reclamou, cheia de raiva.
Para se livrar da raiva, ela chutou a raiz com tanta força que a neve dos galhos desabou sobre sua cabeça, formando um verdadeiro chapéu. Aparentemente, o velho Carvalho Anthony teve sua vingança.
— Ok, você venceu. Vejo que hoje não é o meu dia. — Ela admite a árvore, emburrada.
Amy percebeu que todos — ou se não quase todos — estavam lá. Felizmente para ela, encontrou exatamente quem estava procurando.
— Sonic, finalmente encontrei você! — Amy grita, correndo em direção a ele.
Sonic ouviu o grito e fez uma careta de medo. Ele não esperava que a encontrasse tão rapidamente. Mal se virou para cumprimentá-la e foi surpreendido por um abraço sufocante. Ele sabia que Amy era forte e se não pedisse para pegar leve, ele teria suas costelas quebradas. A fan-girl, percebendo que tinha ido longe demais, o soltou imediatamente, transbordando de alegria.
— É bom ver você também. — Diz ela, apertando as mãos. — Então, que tal darmos um passeio?
— Oh, não vai funcionar. Estou ajudando Cream, Cheese e Tails a construir um boneco de neve. — Ofegante, ele colocou a mão nas costas que foram esmagadas pela ouriça rosa.
Sonic não pôde deixar de notar a carranca de Rose. Ele sabia muito bem que já a enchera de desculpas esfarrapadas para fugir dos encontros que ela exigia, mas dessa vez ele estava dizendo a verdade. Sonic estava prestes a lançar aquele famoso “Eu posso explicar” quando o rosto de Amy ficou ligeiramente vermelho, seus punhos cerrados com força. Isso só poderia significar uma coisa, e não era bom. Um aviso.
— Ei, quantas vezes você vai fugir do nosso encontro? Estou te dando uma chance! — Ela deu um passo à frente, ameaçando puxar o martelo.
As mãos do ouriço azul avançaram um pouco para a frente, só por precaução, e quando ela se aproximou, ele deu um passo para trás de cada vez. Quando viu que a única opção era correr para não se machucar, veio o socorro. Uma bola de neve muito fria colidiu com o rosto da garota com raiva, forçando-a a fazer uma pausa, para grande alívio de Sonic.
— Quem fez isso?? — Seu olhar vagou ao redor enquanto ela fazia uma careta indicando que algo em seu rosto estava muito frio. Seu olhar caiu sobre Tails, que estava com os braços carregados de bolas de neve.
— Sinto muito Amy, mas não é hoje que o seu martelo vai saudar o Sonic. Se você quiser, terá que passar por mim primeiro! — Ele responde com animação, disposto a protegê-lo a qualquer custo. Tails estava ciente de que levar surra com tantas pessoas ao redor seria um verdadeiro pé no saco. Ele então juntou mais bolas de neve com suas caudas e se preparou para atacar.
Sonic soltou um suspiro de alívio engasgado. Amy, brincando com a raposa amarela, esboçou um sorriso malicioso de quem entendia.
— Se você quer guerra, então haverá guerra! — Ela ficou em posição de combate, e juntando um monte de neve, começou a acertar Tails, que retaliou também.
Pouco tempo se passou e havia gente suficiente para formar um verdadeiro campo de batalha épico sob o Anthony, e o jogo durou, sem expectativa de quando terminaria. Foi todo mundo contra todo mundo, na mais pura diversão, levando bola na cara e quedas dignas de Replay.
Mas enquanto o inverno trouxe alegria para muitos, aumentou a preocupação em outros. Em um lugar distante, uma estrada cortava a montanha, com uma bela vista para o mar. A neve como no resto do país, cobria quase tudo. O vento estava frio e calmo, agitando as folhas dos pinheiros irregulares que ladeavam a rodovia — que por sinal estava deserta, exceto por uma motocicleta vermelha e preta estacionada ao lado.
Ao lado dela estava um ouriço conhecido por suas conquistas recentes, observando a paisagem perto da beira do penhasco. Ele manteve os braços cruzados na frente do corpo enquanto olhava atentamente para as ondas suaves do mar. Seus olhos vermelho carmesim cintilavam aos raios fracos do sol. Suas listras vermelhas se destacavam em seu corpo de ébano. Ele era Shadow the Hedgehog. Seu ser era uma figura séria e fechada, um tanto orgulhosa, mas não transparente — para outros, era muito difícil saber o que se passava em sua cabeça. Só quem o conhecia bem poderia entender seu caminho.
Apesar de ser um ouriço muito ocupado, Shadow não tinha nada para fazer no momento. Ele raramente saía com amigos para se divertir, isso incluía seus colegas de trabalho ocasionais: Rouge e E-123 Omega. Embora gostasse de um bom descanso, estranhamente queria algo para impedi-lo. Não era certo parar agora. Sua mente vagava precisamente nas possibilidades de Eggman conceber outro plano para dominar o mundo.
Não que ele estivesse com medo. Pelo contrário, Shadow era tão forte a ponto de fazer todo o poder de fogo dos robôs de Eggman parecer inofensivo — se não, não seria chamado de Ultimate Life Form. Ele estava realmente preocupado com os humanos, pois havia prometido ao sua querida amiga que lhes daria uma chance de serem felizes.
Ele sabia que, em um momento ou outro, chegaria o tempo de colocar sua promessa em prática novamente.
De repente, alguém o interrompe.
— Eu encontrei você! — A voz de Rouge corta seus pensamentos pela metade.
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