Sonhos e Realidades
8 Capítulo 8 - A mentira
Notas iniciais
Levei Mônica para sua casa. Ela estava cabisbaixa. Parecia que seus pensamentos estavam longe. Seu corpo apenas estava se mexendo involuntariamente.
– Mô? — Chamei.
– hm? — Ela me olhou. Suas feições estavam péssimas. Seus olhos inchados demonstravam o quanto ela havia sofrido com a notícia.
– O que vai dizer aos seus pais? Vai contar pra eles a verdade? — Perguntei.
Ela suspirou. Nunca a tinha visto tão arrasada. Nem quando Cebola terminou, ela tinha ficado assim. Meu coração doía por vê-la nesse estado.
– Eu não vou contar a eles. Eles não precisam saber disso. Não agora. — Sua voz saiu falhada.
– Quer que eu fique aqui com você? — Arrisquei um sorriso de leve.
– Desculpa. Eu só... Preciso pensar um pouco. — Ela retribuiu meu sorriso, mas não era sincero.
– Tudo bem. Qualquer coisa é só me chamar. Virei voando. — Dei um tapinha em suas costas.
Vi Mônica entrar dentro de casa e fiquei parado em frente à sua porta.
Me lembrei de alguns minutos atrás, quando alcancei Mônica na praça. Quase me entrego. Mas essa situação já estava ficando fora de controle. Eu estava ocultando coisas que, se ela soubesse, acho que não estaria sofrendo dessa maneira. Por que eu fui concordar com o plano daquele idiota? Eu acho que sei a resposta: Eu amava a Mônica. Mas não podia ficar com ela, sabendo que ela amava outro.
No fim tive um pouco de interesse nessa história. Cebola indo embora, eu poderia prosseguir com o plano e ao mesmo tempo me aproximar dela da minha maneira. Realmente... Eu acho que também não sou nenhum santo. Mas ele sabia que eu gostava dela. Por isso me propôs isso. Sabia que eu não recusaria por ser do contra.
Uma ligação tirou minha atenção dos meus pensamentos.
– Oi. — Falei, sem humor algum.
– Do Contra. — Era Cebola. — Como a Mônica está? — Ele perguntou com certa urgência.
Ri sem um pingo de humor. — Ela? Está ótima. — Esperei.
– O que aconteceu, DC? Faz uns dias que você não me liga pra dizer sobre ela. — Senti uma pequena raiva surgir na sua voz. — Você sabe que ela ainda é minha. certo? — Ele enfatizou na palavra MINHA. Senti uma pontada no estômago. — Espero que não esteja pensando que eu a deixei. — Completou.
– Não. É claro que não. — Estava sendo do contra. Mas ele não sabia a quê eu estava me referindo. — Eu não estou fazendo isso por você. — Ouvi sua respiração ficar irregular. — Tome cuidado com suas decisões, Cebolinha. — Sabia que o simples fato de mencionar o apelido antigo dele, ele ficaria nervoso.
– Bom, eu também não estou fazendo isso por você. Só pedi sua ajuda com isso, porque eu sabia que você seria a única pessoa a quem Mônica podia confiar. — Cebola parecia que terminaria a conversa ali. — Vou desligar, já que não vai desembuchar mesmo.
– Espera. — Eu disse. — Ela descobriu que você vai se casar. — Eu não disse isso para que ele ficasse ciente do que está acontecendo, mas sim por falar mesmo. Já comecei a imaginar sua cara de pânico.
– O quê? Mas como? Foi você...? — Dei um suspiro.
– Não. Foram seus pais que contaram. Ela ficou arrasada. Agora ela está em casa.
– Ok. Eu preciso dar um jeito nessa história logo, já não aguento mais ficar nessa casa. — Ouvi ele reclamar, como se estivesse reclamando para seu melhor amigo.
– Não quero saber se você aguenta ou não. Apenas quero que você acabe com isso. A Mônica está sofrendo demais, mesmo eu estando aqui. — Falei friamente. — E vou desligar antes que sua ``noiva´´ perceba algo. — Ouvi Cebola praguejar. Depois, desligou a ligação.
Dei uma última olhada na casa da Mônica e fui embora.
O caminho todo até minha casa foi de inquietação. A partir de agora, com certeza Mônica iria querer ir atrás daquele prego. Eu precisava agir, mas também não podia dar na cara que havia algo de estranho. Se ela descobrir que a real razão de Cebola ter ido embora, é porque ela estava em perigo, não sei qual seria sua reação. Ultimamente, existem pessoas seguindo-a. Eles tentam disfarçar, mas eu percebo. Sabia que eram capangas daquela francesinha esquisita. Isso já tem tempos. Eu precisava protegê-la a qualquer custo. às vezes me pergunto o motivo por eu estar fazendo isso. Sabia que se o plano do Cebola desse certo, ele escaparia de Penha e voltaria correndo para Mônica. E ela não hesitaria nenhum instante.
Que inferno! Eu simplesmente podia tê-lo mandado se foder e que não faria porra nenhuma. Mas eu tinha que concordar, né? Afinal, nós dois gostamos da mesma garota. O problema é que não posso ficar neutro. Sempre quando me aproximo da Mônica, algo dentro de mim me diz para ficar mais e mais perto. Era incontrolável. No começo tentei parecer indiferente. Não queria me envolver emocionalmente com ela mas... Era inevitável. Tudo nela me atraia: Seu perfume, seu jeito de ser, seus cabelos, o sorriso... Seu olhar era o mais encantador. Por um momento pensei que fosse perder a cabeça e tomá-la para mim sem me importar com nada. Tudo nela me faz querer que seja minha.
Mas por mais que isso fosse mais forte do que eu, eu ainda sabia que ela amava Cebola. Ela precisava largá-lo por conta própria. Só não sabia como. Só assim eu poderia me entregar a ela de vez.
Parece que no final, quem sairia ferido seria eu.
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